Jean-Claude Bernardet: referência de estudo, pesquisa e reflexão
Morreu neste sábado, 12/07, aos 88 anos, Jean-Claude Bernardet, nome fundamental do cinema brasileiro. Crítico, roteirista, diretor, montador, ator, professor, escritor e pensador, teve uma atuação múltipla no pensamento e na produção cultural do Brasil, sendo um dos maiores nomes nos estudos de cinema no país.
Nascido na Bélgica, de família francesa, viveu em Paris até 1948. Aos 13 anos, em 1949, chega ao Brasil e fixa-se em São Paulo, onde passa a frequentar a Cinemateca Brasileira e conhece o crítico e professor Paulo Emílio Salles Gomes. Sua aproximação com a sétima arte se deu ao longo da década de 50, quando passou a frequentar cineclubes em São Paulo. Ainda como um jovem cinéfilo, começou a escrever textos para jornais e revistas. Nessa mesma época, estabeleceu conexões próximas com a Cinemateca Brasileira, onde trabalhou como auxiliar de biblioteca e desenvolveu diversas funções relativas à difusão de filmes.
Em 1965, já naturalizado brasileiro, funda o primeiro curso universitário de cinema no Brasil, na Universidade de Brasília, junto com Paulo Emílio Salles Gomes, Pompeu de Souza e Nelson Pereira dos Santos. Foi professor na UnB e permaneceu até 1968, ano em que 80% dos professores da universidade deixam o quadro docente em resposta à repressão da ditadura militar. Transfere-se para a USP, Universidade de São Paulo, e é cassado pelo AI-5 (Ato Institucional nº 5), de dezembro de 1968, sendo proibido de lecionar em universidades públicas. Até 1979, dá cursos de cinema no Instituto Goethe. Jean-Claude retorna ao quadro da Escola de Comunicações e Artes da USP em 1980, onde permanece até se aposentar, em 2004, como professor emérito.
É autor de uma vasta obra, com 25 livros publicados, muitos deles referenciais para o estudo, a pesquisa e a reflexão sobre cinema, além de ficções. São dele títulos como: Brasil em tempo de cinema (1967), Trajetória Crítica (1978), Cinema Brasileiro: Propostas para uma História (1979), O que é cinema (1980), Piranha no Mar de Rosas (1982), Cineastas e Imagens do Povo (1985 e 2004), Aquele Rapaz (ficção e memória, 1990), O Voo dos Anjos: Bressane, Sganzerla (1990), O Autor no Cinema (1994), Historiografia Clássica do Cinema Brasileiro (1995), A Doença, uma Experiência (ficção, 1996), Caminhos de Kiarostami (2004). Divide a autoria de obras com nomes como José Carlos Avellar, Miguel Borges, Maria Rita Galvão e Ismail Xavier, entre outros. Lançou ainda Guerra Camponesa no Contestado (1979), uma obra de análise política e histórica. Em 2017, a Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, homenageou Jean-Claude com a publicação de Bernardet 80: Impacto e Influência no Cinema Brasileiro, de Ivonete Pinto e Orlando Margarido.
Jean-Claude Bernardet no longa Fome, de Cristiano Burlan
Nas telonas, atuou como roteirista e corroteirista de diversos filmes, com destaque para títulos como: O Caso dos Irmãos Naves (1967), de Luiz Sergio Person; Um Céu de Estrelas(1996) e Através da Janela (2000), de Tata Amaral; Brasília: Contradições de uma Cidade Nova, de Joaquim Pedro de Andrade; entre outros. Além de dirigir e codirigir outros títulos, como: São Paulo: Sinfonia e Cacofonia (1994); Paulicéia Fantástica (1970), Eterna Esperança (1971) e Vera Cruz (1972), com João Batista de Andrade; e #eagoraoque (2020) ao lado de Rubens Rewald.
Bernardet também dedicou-se à carreira de ator, tendo participado de diversos filmes, entre eles: Ladrões de Cinema (1977), de Fernando Coni Campos; Filmefobia (2009) e Periscópio (2013), de Kiko Goifman; O Homem das Multidões (2013), de Marcelo Gomes e Cao Guimarães; Pingo D’Água, de Taciano Valério; Em 97 Era Assim (2017), de Zeca Brito; Copo Vazio (2019), de Dellani Lima; entre outros. Foi personagem do documentário A Destruição de Bernardet, de Pedro Marques e Claudia Priscilla, e recentemente apareceu em Os Ruminantes, de Tarsila Araújo e Marcelo Mello.
Com o cineasta Cristiano Burlan criou uma parceria de longa data e atuou em diversos longas do diretor, como: Ulisses (2024), Antes do Fim (2017), No Vazio da Noite (2016) e Fome (2015), que lhe rendeu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Brasília (clique aqui e confira nossa entrevista com Bernardet sobre o longa).
Sua carreira de ator também foi marcada por sua participação em diversos curtas-metragens, como: Disseram que Voltei Americanizada, de Vitor Angelo; Disaster Movie, de Wilson de Barros; A Navalha do Avô, de Pedro Jorge; Você Tem Olhos Tristes e Menino Pássaro, de Diogo Leite; O Ruído do Mar, de Clara Figueiredo e Gabriel Kogan; Nuvem Negra, de Flávio Andrade, que lhe rendeu diversos prêmios; entre outros. Recentemente, com Fábio Rogério, dirigiu os curtas Cama Vazia e A Última Valsa. Além disso, foi vice-presidente da Associação Cultural Kinoforum.
João Pedro Oliveira no curta E Seu Corpo é Belo, de Yuri Costa
Foram anunciados os vencedores da 14ª edição do Festival Internacional de Cinema Rio LGBTQIA+, que aconteceu em diversos espaços do Rio de Janeiro, com filmes brasileiros e internacionais de longa, média e curta-metragem de ficção, documentário, animação e experimental.
Desde 2011, o festival, anteriormente conhecido como Rio Festival Gay de Cinema, é uma importante janela para a exibição de filmes LGBTQIA+ nacionais e internacionais na cidade do Rio de Janeiro. Sua relevância na cena cultural local tem agregado uma série de parcerias com distribuidoras, instituições culturais, empresas privadas e importantes salas de exibição.
Neste ano, foram selecionados 138 títulos: 11 longas internacionais, 7 brasileiros, 60 curtas nacionais e 60 internacionais, de 34 países. O júri do Rio LGBTQIA+ 2025 foi formado por: Aleques Eiterer, Amiel Vieira, Jean Wyllys, Laura Corcuera, Luiz Carlos Lacerda, Malu de Martino, Milly Lacombe, Monica Benicio e Wescla Vasconcelos.
Conheça os vencedores do 14º Rio Festival de Cinema LGBTQIA+:
LONGAS-METRAGENS
Melhor Filme Nacional | Júri Oficial: A Cigana, de Thiago Furtado (PI) Melhor Filme Nacional | Júri Popular: Nem Toda História de Amor Acaba em Morte, de Bruno Costa (PR) Menção Honrosa: Filhas da Noite, de Henrique Arruda e Sylara Silvério (PE) e Uma Breve História da Imprensa LGBT+ no Brasil, de Lufe Steffen (SP) Melhor Filme Internacional: Sally!, de Deborah Craig, Ondine Rarey e Jörg Fockele (EUA)
CURTAS-METRAGENS
Melhor Curta Brasileiro | Júri Oficial: VBP (Vacas Brancas Preguiçosas), de Asaph Luccas (SP) Melhor Curta Brasileiro | Júri Popular: Kassandra com K, de Rivanildo Feitosa e Cícero Filho (PI) Melhor Curta do Rio: E Seu Corpo é Belo, de Yuri Costa Menção Honrosa | Curta do Rio: Ponto e Vírgula, de Thiago Kistenmacker Melhor Curta L: Como Nasce um Rio, de Luma Flôres (BA) Menção Honrosa | Curta L: Vânia & Valéria, de Isabela da Silva Alves (SP) e Sônia, de Izah Neiva (SP) Melhor Filme Internacional: Somente Kim (Solo Kim), de Javier Prieto de Paula e Diego Herrero (Espanha)
*Clique aqui e confira as justificativas dos júris
Cena do curta O Rio de Janeiro Continua Lindo, do brasileiro Felipe Casanova
A 78ª edição do Festival de Cinema de Locarno, que acontecerá entre os dias 6 e 16 de agosto na Suíça, anunciou os filmes selecionados para este ano. Com uma programação eclética, o evento é considerado um dos principais festivais de cinema autoral do mundo.
Na Competição Internacional, na qual os títulos disputam o Leopardo de Ouro, vale destacar a presença da comédia Dracula, dirigida pelo consagrado cineasta romeno Radu Jude. O filme é uma coprodução entre Romênia, Áustria, Luxemburgo e Brasil (por Rodrigo Teixeira, da RT Features). Em nota oficial, o diretor disse: “Nosso filme desconstrói o mito de Drácula por meio de dezenas de histórias: absurdas, vulgares, literárias, lúdicas, políticas, excessivas, travessas, fantásticas ou realistas. Um filme sobre o próprio cinema”.
A sinopse oficial diz: um filme do Drácula feito na Transilvânia. O que ele contém? Uma caçada a vampiros. Zumbis e o Drácula em greve. Uma história de ficção científica sobre o retorno de Vlad, o Empalador. Uma adaptação da primeira novela romena sobre vampiros. Uma história de amor. Um filme de montagem reutilizando um clássico do cinema de vampiros. Um conto popular vulgar. Histórias kitsch geradas por IA. E muitos deleites em um filme que trata desse mito do cinema. O elenco de Dracula conta com Adonis Tanța, Oana Maria Zaharia, Gabriel Spahiu, Ilinca Manolache, Alexandru Dabija, Andrada Balea, Doru Talos, Serban Pavlu, Lukas Miko e Alexandra Harapu.
Já na mostra Pardi di Domani, que traz um território de experimentação expressiva e de formas inovadoras de poesia, a seleção é composta por três competições: Concorso Internazionale, com obras de cineastas emergentes de todo o mundo; Concorso Nazionale, com produções suíças; e Concorso Corti d’Autore, com curtas-metragens de cineastas consagrados.
Entre os títulos internacionais da Pardi di Domani, destaque para o curta-metragem Primera Enseñanza, uma coprodução entre Cuba e Espanha, com direção da cubana Aria Sánchez e da brasileira Marina Meira; o filme conta também com a brasileira Carolina Timoteo como assistente de câmera. Com Mia Hernandez, Lucero Montero, Wendy G. Castellanos, Raiza De Beche e Omar Durán no elenco, a sinopse diz: a voz de Daniela precisa estar completamente descansada antes que ela possa usá-la novamente. Dada a incapacidade dos adultos de lidar com a situação, seus colegas veem a oportunidade perfeita para silenciá-la definitivamente.
Dracula, de Radu Jude: na disputa pelo Leopardo de Ouro
Na seleção nacional da Pardi di Domani, o cineasta brasileiro Felipe Casanova, atualmente radicado entre Genebra e Bruxelas, exibirá o curta-metragem O Rio de Janeiro Continua Lindo, uma coprodução entre Bélgica, Brasil e Suíça. A sinopse diz: em meio à folia do Carnaval carioca, Ilma escreve ao filho. Como ela sente a presença dele na multidão? Suspensa no tempo, a celebração se torna um espaço de memória e resistência política.
Além dos filmes, o Festival de Locarno também revelou os homenageados desta 78ª edição: a atriz iraniana Golshifteh Farahani será honrada com o Excellence Award Davide Campari; o consagrado ator honconguês Jackie Chan receberá o Pardo alla Carriera; a consagrada atriz norte-americana Lucy Liu será homenageada com o Career Achievement Award; o cineasta Alexander Payne receberá o Pardo d’Onore; o diretor suíço Marcel Barelli será honrado com o Locarno Kids Award; a produtora Abbout Productions será homenageada com o Raimondo Rezzonico Award; a premiada figurinista Milena Canonero receberá o Vision Award; a atriz britânica Emma Thompson será honrada com o Leopard Club Award; e Michele Dell’Ambrogio receberá o Premio Cinema Ticino.
O júri do 78º Festival de Locarno será formado por: Rithy Panh (presidente), Joslyn Barnes, Ursina Lardi, Carlos Reygadas e Renée Soutendijk na Competição Internacional; Asmara Abigail, La Frances Hui e Kani Kusruti no Concorso Cineasti del Presente; Jihan El Tahri, Lemohang Mosese e Sara Serraiocco na mostra Pardi di Domani; James Hawkinson, Judith Lou Lévy e Patricia Mazuy no prêmio First Feature; e Michael Almereyda, Martina Parenti e Seta Thakur na mostra Pardo Verde; além do voto popular e dos júris independentes.
Conheça os filmes selecionados para o Festival de Locarno 2025:
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL
As Estações, de Maureen Fazendeiro (Portugal/França/Espanha/Áustria) Bog neće pomoći, de Hana Jušić (Croácia/Itália/Romênia/Grécia/França/Eslovênia) Donkey Days, de Rosanne Pel (Holanda/Alemanha) Dracula, de Radu Jude (Romênia/Áustria/Luxemburgo/Brasil) Dry Leaf, de Alexandre Koberidze (Alemanha/Geórgia) Le bambine, de Valentina Bertani e Nicole Bertani (Itália/Suíça/França) Le Lac, de Fabrice Aragno (Suíça) Linije želje, de Dane Komljen (Sérvia/Bósnia e Herzegovina/Holanda/Croácia/Alemanha) Mare’s Nest, de Ben Rivers (Reino Unido/França/Canadá) Mektoub, My Love: Canto Due, de Abdellatif Kechiche (França) Sehnsucht in Sangerhausen, de Julian Radlmaier (Alemanha) Solomamma, de Janicke Askevold (Noruega/Letônia/Lituânia/Dinamarca/Finlândia) Sorella di Clausura, de Ivana Mladenović (Romênia/Sérvia/Itália/Espanha) Tabi to Hibi, de Sho Miyake (Japão) Tales of the Wounded Land, de Abbas Fahdel (Líbano) White Snail, de Elsa Kremser e Levin Peter (Áustria/Alemanha) With Hasan in Gaza, de Kamal Aljafari (Palestina/Alemanha/França/Qatar) Yakushima’s Illusion, de Naomi Kawase (França/Japão/Bélgica/Luxemburgo)
CONCORSO CINEASTI DEL PRESENTE
Affection affection, de Alexia Walther e Maxime Matray (França) Balearic, de Ion de Sosa (Espanha/França) Becoming, de Zhannat Alshanova (França/Cazaquistão/Holanda/Lituânia/Suécia) Blue Heron, de Sophy Romvari (Canadá/Hungria) Don’t Let the Sun, de Jacqueline Zünd (Suíça/Itália) Fantasy, de Kukla (Eslovênia/Macedônia do Norte) Folichonneries, de Eric K. Boulianne (Canadá) Gioia mia, de Margherita Spampinato (Itália) Hijo mayor, de Cecilia Kang (Argentina/França) Nu mă lăsa să mor, de Andrei Epure (Romênia/Bulgária/França) Olivia, de Sofía Petersen (Argentina/Reino Unido/Espanha) The Fin, de Syeyoung Park (Coreia do Sul/Alemanha/Qatar) The Plant from the Canaries, de Ruan Lan-Xi (Alemanha) Tóc, giấy và nước…, de Nicolas Graux e Trương Minh Quý (Bélgica/França/Vietnã) Un balcon à Limoges, de Jérôme Reybaud (França)
PARDI DI DOMANI | COMPETIÇÃO INTERNACIONAL
Baisanos, de Andrés Khamis Giacoman e Francisca Khamis Giacoman (Chile/Palestina/Espanha) Bleifrei 95, de Emma Hütt e Tina Muffler (Áustria/Alemanha) Blind, ins Auge, de Atefeh Kheirabadi e Mehrad Sepahnia (Alemanha/Irã) BOA, de Alexandre Dostie (Canadá/França) Ce qu’on laisse derrière, de Jean-Sébastien Hamel e Alexandra Myotte (Canadá) Die Uniformierten, de Timon Ott (Alemanha) Eldorado, de Anton Bialas (França) Force Times Displacement, de Angel WU (Taiwan) Honey, My Love, So Sweet, de JT Trinidad (Filipinas) HYENA, de Altay Ulan Yang (EUA) Jolie petite histoire, de Elodie Beaumont Tarillon (França) Koze!, de Tonći Gaćina (Croácia/França) Plàncton, de Irene Moray (Espanha/França) Poluotok, de David Gašo (Croácia) Primera Enseñanza, de Aria Sánchez e Marina Meira (Cuba/Espanha/Brasil) RANDAGHI, de Enrico Motti e Emanuele Motti (Itália) Still Playing, de Mohamed Mesbah (França) Una vez en un cuerpo, de María Cristina Pérez González (Colômbia/EUA) Un ciel si bas, de Joachim Michaux (Bélgica/França) Yo Yo, de Mohammadreza Mayghani (Irã/França)
PARDI DI DOMANI | COMPETIÇÃO NACIONAL
Air Horse One, de Lasse Linder (Suíça/Bélgica) Ich bin nicht sicher, de Luisa Zürcher (Suíça) L’Avant-Poste 21, de Camille Surdez (Suíça) Les Dieux, de Anas Sareen (Suíça) Lost Touch, de Justine Klaiber (Suíça) Nest, de Stefania Burla (Suíça) Noirs matins, de David Gonseth (Suíça) O Rio de Janeiro Continua Lindo, de Felipe Casanova (Bélgica/Brasil/Suíça) Tusen Toner, de Francesco Poloni (Suíça) Yonne, de Julietta Korbel e Yan Ciszewski (Suíça/França)
PARDI DI DOMANI | CONCORSO CORTI D’AUTORE
A Very Straight Neck, de Neo Sora (Japão/China) Cairo Streets, de Abdellah Taïa (França) Histerični napad smeha, de Dušan Zorić e Matija Gluščević (Sérvia/Croácia) Index, de Radu Muntean (Romênia) Nang Norn, de Mattie Do (EUA/Laos/Tailândia) Slet 1988, de Marta Popivoda (Alemanha/França/Sérvia) Solitudes, de Ryan McKenna (Canadá) Späternte, de Katharina Huber (Alemanha) Su cane est su miu, de Salvatore Mereu (Itália) Une fenêtre plein sud, de Lkhagvadulam Purev-Ochir (França/Mongólia)
PIAZZA GRANDE
Affeksjonsverdi (Sentimental Value), de Joachim Trier (Noruega/França/Dinamarca/Alemanha/Suécia) Irkalla Hulm Jijiljamish, de Mohamed Jabarah Al-Daradji (Iraque/Emirados Árabes Unidos/Qatar/França/Reino Unido/Arábia Saudita) Kiss of the Spider Woman, de Bill Condon (EUA/Uruguai) La petite dernière, de Hafsia Herzi (França/Alemanha) Le Pays d’Arto, de Tamara Stepanyan (França/Armênia) O Iluminado (The Shining), de Stanley Kubrick (1980) (Reino Unido/EUA) Police Story: A Guerra das Drogas, de Jackie Chan (1985) (Hong Kong) Rosemead, de Eric Lin (EUA) Testa o croce?, de Alessio Rigo de Righi e Matteo Zoppis (Itália/EUA) The Birthday Party, de Miguel Ángel Jiménez (Grécia/Espanha/Holanda/Reino Unido) The Dead of Winter, de Brian Kirk (EUA/Alemanha) The Deal, de Jean-Stéphane Bron (Suíça/França/Luxemburgo/Bélgica) Together, de Michael Shanks (Austrália/EUA) Yek tasadef sadeh (It Was Just an Accident), de Jafar Panahi (Irã/França/Luxemburgo)
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Denise Fraga em Sonhar com Leões: filme selecionado
A 53ª edição do Festival de Cinema de Gramado, que acontecerá entre os dias 13 e 23 de agosto, divulgou nesta terça-feira, 08/07, os longas-metragens brasileiros de ficção que disputarão os kikitos em 2025.
O anúncio foi realizado durante coletiva de imprensa na cidade de Gramado, na Serra Gaúcha, que também apresentou outros destaques da programação, como os curtas-metragens gaúchos selecionados para o Prêmio Assembleia Legislativa e os agraciados com o Troféu Leonardo Machado e os Prêmios IECINE, além de detalhes sobre o Conexões Gramado Film Market, segmento mercadológico do evento serrano. Os demais conteúdos e homenagens desta edição serão divulgados em coletivas de imprensa no Rio de Janeiro, no próximo dia 15 de julho, e em São Paulo, no dia 17.
Realizado pela Gramadotur, autarquia municipal de turismo e cultura, o Festival de Cinema de Gramado é o mais antigo festival de cinema ininterrupto do Brasil, que faz parte do Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul. A programação terá início com a 1ª Mostra Nacional de Cinema Estudantil Educavídeo e a abertura oficial será no dia 15 de agosto, com a exibição hors concours do inédito O Último Azul, de Gabriel Mascaro. Com lançamento nos cinemas brasileiros confirmado para o dia 28 de agosto, o filme conquistou o Urso de Prata na 75ª edição do Festival de Berlim, em fevereiro deste ano.
Para a competição, foram escolhidos seis longas de ficção inéditos no Brasil, que serão exibidos no Palácio dos Festivais. A partir de curadoria assinada pelo ator e diretor Caio Blat, pela atriz Camila Morgado e pelo jornalista, professor e crítico Marcos Santuario, a seleção deste ano sublinha a força de Gramado como a primeira janela de exibição dos mais recentes títulos da cinematografia brasileira.
“Nesta seleção de obras, reunidas sob o olhar atento de uma curadoria comprometida com a pluralidade, a urgência e a sensibilidade, apresentamos um panorama potente do cinema atual. Os seis filmes compõem uma amostra vibrante e necessária de narrativas que dialogam com o presente, sem abrir mão da complexidade humana e estética”, comenta o curador Marcos Santuario.
Camila Morgado, que estreia este ano na curadoria, comentou: “Não foi uma tarefa simples [escolher esses seis títulos], pois vimos muitos trabalhos criativos, poderosos e com vozes próprias, que reafirmam a força do nosso audiovisual e da nossa cultura. Buscamos selecionar obras que apostam na diversidade de temas, linguagens, territórios, gêneros e nos convidam a refletir. São filmes com marcas autorais que provocam, sensibilizam e, acima de tudo, nos representam”. Caio Blat complementou: “Nosso foco foi contemplar essa variedade de temas, de narrativas, mesclar nomes consagrados com novas promessas. Espero que o público se deslumbre com a força do nosso cinema, com o vigor com que ele se renova e se reafirma”.
Rodado em Brasília, o longa A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo, acompanha a história de Glória, uma menina de 10 anos que passa as férias no hospital onde sua mãe trabalha como enfermeira. Lá ela conhece Sofia, que está convencida de que a piora na saúde da bisavó é causada pela internação no hospital. Unidas pelo desejo de sair dali, as crianças encontram conforto na companhia uma da outra. No elenco, estão Laura Brandão, Serena, Larissa Mauro, Camila Márdila e Aline Marta Maia. Com passagem por festivais como Berlim, Guadalajara, Cartagena e Seattle, o filme é produzido pela Moveo Filmes e distribuído pela Vitrine Filmes.
Cinco vidas aparentemente desconectadas colidem num caminho sem volta em Cinco Tipos de Medo, filme dirigido por Bruno Bini e rodado em Mato Grosso do Sul. Murilo, jovem músico que vive um luto, se envolve com Marlene, uma enfermeira que está em um relacionamento abusivo com um traficante. Suas histórias se cruzam com as de Luciana, policial movida por vingança, e de Ivan, advogado com intenções ocultas. O elenco é composto por Rui Ricardo Diaz, Bárbara Colen, João Vitor Silva, Bella Campos e Xamã. A produção é da Plano B Filmes e a distribuição é da Downtown Filmes.
Bella Campos em Cinco Tipos de Medo, de Bruno Bini
No filme Nó, de Laís Melo, Glória atravessa um divórcio conturbado e precisa mudar-se com suas três filhas para um prédio no centro de Curitiba. Com condições financeiras difíceis e ameaçada pelo ex-marido que pede a guarda integral das filhas, ela se vê obrigada a disputar uma vaga de supervisora com sua melhor amiga e outros colegas na fábrica onde trabalha. Integram o elenco Saravy, Sali Cimi, Antonia Saravy, Clarice Carvalho e Fernanda Silva. Produzido por Antonio Gonçalves Junior e Diogo Capriotti, o longa tem distribuição da Elo Studios.
O Rio de Janeiro é o plano de fundo do longa Papagaios, de Douglas Soares. O personagem central é Tunico, o Papagaio Pirata mais famoso do Rio, que está sempre seguindo repórteres para aparecer na TV. Após um grave acidente, ele conhece Beto, um jovem misterioso que se torna seu aprendiz, em um país com mais de 70 milhões de televisores ligados todos os dias. No elenco, estão Gero Camilo, Ruan Aguiar, Leo Jaime, Ernesto Piccolo e Angela Paz. A produção é assinada por Mayra Lucas, Luiza Favale, Paulo Serpa, Heitor Franulovic e Lucas Barão.
Dirigido por Miguel Falabella, Querido Mundo investiga um encontro improvável numa véspera de Ano Novo. A queda de uma ponte numa noite de tempestade une os mundos de Elsa, papel de Malu Galli, e Oswaldo, interpretado por Eduardo Moscovis, que acabam por se encontrar no Rio de Janeiro nos escombros de um prédio abandonado por seus construtores. Marcello Novaes, Danielle Winits, Cintia Rosa e Pia Manfroni também estão no elenco. A produção é da Ananã Produções e a distribuição é da O2 Play.
Sonhar com Leões, de Paolo Marinou-Blanco, é uma tragicomédia surreal que explora a temática da eutanásia. Gilda, vivida por Denise Fraga, uma imigrante brasileira vivendo em Lisboa, tem apenas um ano de vida pela frente após o diagnóstico de uma doença terminal. Seu único desejo é morrer enquanto tem sua dignidade e ainda é ela mesma. Com estreia internacional na Marché Du Film pelo Tallinn Black Nights Goes To Cannes Showcase, o longa de São Paulo é produzido pela Capuri Filmes e distribuído pela Pandora. No elenco, também estão João Nunes Monteiro, Joana Ribeiro e Sandra Faleiro.
Tradicional janela de exibição do cinema gaúcho, o Prêmio Assembleia Legislativa novamente celebra o melhor da mais recente safra do cinema em curta-metragem produzido no Rio Grande do Sul com trabalhos realizados na capital Porto Alegre e em outras dez cidades do Estado. São 18 títulos que formam um mosaico plural e descentralizado para uma mostra tradicionalmente reconhecida por revelar novos talentos da produção audiovisual local.
O famoso Gauchão, nome carinhosamente adotado pelo público para se referir à mostra, é realizado pelo Festival de Cinema de Gramado em parceria com a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, distribuindo troféus e prêmios em dinheiro para os vencedores de 12 categorias. As exibições acontecem nos dias 16 e 17 de agosto, às 13h, no Palácio dos Festivais, com a cerimônia de premiação marcada também para o dia 17, a partir das 20h: “Selecionamos filmes que transcendem as telas, transformando-se em espelhos reflexivos da nossa sociedade e janelas para futuros mais justos e inclusivos, prezando pela qualidade técnica, artística e criativa dos curtas-metragens apresentados”, revela a comissão de seleção formada pela realizadora e pesquisadora Adry Silva, pelo cineasta Frederico Ruas, pelo artista visual e realizador Giuliano Lucas, pela jornalista e radialista Jaqueline Chala e pela realizadora e atriz Paola Mallmann.
O Festival de Cinema de Gramado também reserva espaço na sua programação para prestar tributo a personalidades que se destacam na produção gaúcha. Em 2025, seis nomes terão sua trajetória celebrada pelo Troféu Sirmar Antunes, entregue pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul; pelo Prêmio Leonardo Machado, instituído pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, e pelos Prêmios Iecine nas categorias de Legado, Inovação e Destaque, uma realização do Instituto Estadual de Cinema (Iecine). Todas as honrarias serão entregues na cerimônia de premiação do Prêmio Assembleia Legislativa – Mostra Gaúcha de Curtas.
Ruan Aguiar e Gero Camilo em Papagaios, de Douglas Soares
Com mais de 60 anos de sólida carreira em teatro, cinema e televisão, a atriz Araci Esteves receberá o Prêmio Leonardo Machado. Natural de Osório, Araci ultrapassa a marca de 20 trabalhos no audiovisual gaúcho como a grande dama do cinema que foi e continua a ser Comédia, Arena e Anahy, conforme define a comissão formada pela jornalista Adriana Androvandi e pelos realizadores Alexandre Mattos Meirelles e Davi Pinheiro.
A mesma comissão selecionou para os Prêmios Iecine: Victor Di Marco e Marcio Picoli (Inovação), “pelo olhar original sobre o universo PcD” e “pela tradução cinematográfica profunda do sentido da palavra acessibilidade”; Um é Pouco, Dois é Bom (Destaque), “pelo resgate de uma obra de vanguarda, de qualidade artística singular e pioneira para o cinema negro brasileiro”; e Gustavo Spolidoro (Legado), por seu “trabalho pioneiro na criação cinematográfica, na difusão das possibilidades de experimentação da linguagem e na contínua formação de novas gerações de cinéfilos e cineastas”.
Já a atriz, dançarina e cantora Gloria Andrades levará para casa o Troféu Sirmar Antunes. Com mais de 20 anos dedicados à arte de contar histórias, a homenageada participou de mais de 55 espetáculos, além de filmes como O Jogo, Marina, Reemissão e Nada Nunca Morre. A escolha de Gloria é uma indicação da comissão formada por profissionais da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, da Associação de Profissionais Técnicos Cinematográficos, da Fundação de Cinema do RS, do Instituto Estadual de Cinema e do Sindicato da Indústria Audiovisual do Rio Grande do Sul.
Atento aos movimentos do mercado audiovisual, o Festival de Cinema de Gramado também apresenta a nona edição do Conexões Gramado Film Market. Rumo aos seus dez anos, o Conexões acontece entre os dias 16 e 22 de agosto com a proposta de mais uma vez pensar o audiovisual sob as perspectivas de criação, economia, política e transformação social. A realização é da Gramadotur e do Instituto Estadual de Cinema (Iecine), com o apoio da Agência Nacional de Cinema (ANCINE).
Além das já consolidadas rodadas de negócios com os principais players do mercado audiovisual brasileiro, da VIII Mostra de Filmes Universitários e de novidades envolvendo a discussão do formato de teasers e trailers, a programação deste ano lança olhar especial para ações voltadas à internacionalização, indo da capacitação de produtores gaúchos para inserção no mercado exterior à discussão de ações que podem abrir caminhos para quem quer circular e negociar em outros países.
A programação formativa se intensifica com workshops, mentorias e o II Encontro dos Ecossistemas RS, que promove articulação entre coletivos, instituições e políticas públicas em prol do audiovisual gaúcho. E as novidades continuam: “A inteligência artificial, que nos desafiou em 2024, se faz presente nas discussões e nas telas com a Mostra de Filmes Gerados por IA. Ética, autoria e inovação entram em foco, em um debate que atravessa linguagens e fronteiras. A Mostra de Realidade Virtual também está de volta, expandindo horizontes com experiências imersivas e narrativas emergentes”, adianta Gisele Hiltl, coordenadora do Conexões Gramado Film Market.
Nos dias 13 e 14 de agosto, antecipando a abertura oficial do 53º Festival de Cinema de Gramado, o Educavídeo, programa que oferece capacitação em linguagem audiovisual para estudantes da rede pública de Gramado, mais uma vez lança os holofotes para a produção estudantil do município. Desde 2011, o Educavídeo já recebeu mais de mil alunos e realizou mais de 110 produções, entre curtas-metragens, documentários, webséries e um média-metragem. As produções dos estudantes já participaram de diversos festivais de cinema estudantis e conquistaram mais de 40 prêmios.
Desta vez, além da já tradicional noite de exibição dos filmes realizados por seus alunos, o Educavídeo promove, no Palácio dos Festivais, a 1ª Mostra Nacional de Cinema Estudantil do Educavídeo, que reúne filmes produzidos em escolas por alunos do ensino médio e fundamental. Assinada pela equipe do Educavídeo, a seleção traz filmes do Rio Grande do Sul e de outros estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco, fortalecendo o programa gramadense como um grande expoente de cinema estudantil a nível nacional.
Conheça os primeiros filmes anunciados para o 53º Festival de Cinema de Gramado:
LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS
A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo (DF) Cinco Tipos de Medo, de Bruno Bini (MT) Nó, de Laís Melo (PR) Papagaios, de Douglas Soares (RJ) Querido Mundo, de Miguel Falabella (RJ) Sonhar com Leões, de Paolo Marinou-Blanco (SP)
CURTAS-METRAGENS GAÚCHOS
A Sinaleira Amarela, de Guilherme Carravetta De Carli (Porto Alegre) Bom Dia, Maika!, de Eddy Ramos (Santa Cruz do Sul) E Depois de Fevereiro, de Crystom Afronário (São Leopoldo) Enfim S.O.S., de Zaracla (Porto Alegre) Estudos Sobre a Vida em Rede, de Tuane Eggers (Lajeado) Fuá: O Sonho, de Viviane Jag Fej Farias e Amallia Brandolff (Canela) Gambá, de Maciel Fischer (Teutônia) Imigrante/Habitante, de Cassio Tolpolar (Porto Alegre) Mãe da Manhã, de Clara Trevisan (Porto Alegre) Nhemongarai, de Jorge Morinico e Hopi Chapman (Porto Alegre) O Correspondente, de Thali Bartikoski e Bruno Barcelos (Santo Antônio da Patrulha) O Jogo, de Alexandre Mattos Meireles e Chico Maximila (Pelotas) O Pintor, de Victor Castilhos (Santa Cruz do Sul) Perro!, de Aleksia Dias e João Pedro Fiuza (São Leopoldo) Quando Começa a Chover o Coração Bate Mais Forte, de Mirian Fichtner (Porto Alegre) Roxo Lilás Violeta, de Theo Tajes (Porto Alegre) Safira, o Mar e a Vida, de Luiz Fonseca (Porto Alegre) Trapo, de João Chimendes (Uruguaiana)
Cena do curta Todas as Memórias que Você Fez para Mim, de Pedro Fillipe
A 12ª edição do Festival de Cinema de Caruaru, que acontecerá entre os dias 20 e 23 de agosto, na região do Agreste Pernambucano, no Teatro João Lyra Filho, anunciou a seleção dos filmes que farão parte da programação.
Neste ano, serão exibidas 60 obras, a partir de 777 inscrições vindas de seis países: Brasil, Argentina, Venezuela, México, Chile e Cuba. Um número que celebra a força do cinema feito por muitas mãos, sotaques, estéticas e territórios. A cada ano, o festival se torna mais plural e mais representativo, conectando vozes e olhares diversos através da tela.
A cada edição, o festival reúne pessoas que pensam, fazem e vivem o cinema com intensidade. São artistas, pesquisadores, realizadores e educadores que carregam a diversidade e a força da sétima arte. O time deste ano foi formado por: Luciano Torres, Stephanie Sá, Edvaldo Santos, Yanara Galvão, Ana Carolina, Caju Galon, Paula Monteiro e Éryka Vasconcelos.
Ao todo, serão realizadas nove mostras ao longo da programação: Mostra Brasil, com histórias que atravessam o país com potência, diversidade e muitas vozes em um recorte da produção nacional que emociona e provoca; Mostra Agreste, que destaca o cinema feito a partir do interior, da memória e da luta com o olhar sobre o Agreste nordestino; Mostra Especial Caruaru, que traz filmes produzidos na cidade que abriga o festival com um olhar caruaruense sobre memórias, cultura e identidade; Mostra Personagem com filmes que mergulham na subjetividade dos que constroem a sua própria trajetória; Mostra Pega Leve que traz afeto, leveza e humor em filmes que acolhem com sensibilidade e espontaneidade; Mostra Latino Americana com olhares diversos sobre territórios, identidades e afetos de toda a América Latina; Mostra Fantásticos que destaca entre o real e o imaginado curtas que exploram o absurdo, o simbólico e o mistério; Mostra Adolescine que conta com narrativas jovens, ousadas e intensas e que dialogam com o presente e com o futuro; e Mostra Infantil com filmes para emocionar e encantar os pequenos, com imaginação, afeto e descobertas.
Conheça os filmes selecionados para o Festival de Cinema de Caruaru 2025:
MOSTRA BRASIL
A Pisada é Delas: Mulheres do Coração Nazareno, de Patricia Yara Rocha (PE) Canto de Acauã, de Jaya Pereira (RN) Caravana da Coragem, de Pedro B. Garcia (DF) Coisa de Preto, de Pâmela Peregrino (SE) Entre Corpos, de Mayra Costa Pires (AL) Entre Sinais e Marés, de João Gabriel Ferreira e João Gabriel Kowalski (PR) Era Uma Vez… em Cordel, de Bruno Rafael Fragoso (RJ) Escuta, de Izah Izabel (SP) Histórias do Alto, de Carlos Kamara (PE) Luis, de Hsu Chien (MA) Mar de Dentro, de Lia Letícia (PE) Na Artesania: Pele de Peixe, Couro é, de Thom Galiano (BA) O Colecionador de Cheiros de Nucas Femininas, de Ana Clara Vidal e Natália Damião (PB) O Último Varredor, de Perseu Azul e Paulo Alipio (MT) Os Quatro Exílios de Herbert Daniel, de Daniel Favaretto (SP/RJ/MG) Ponto e Vírgula, de Thiago Kistenmacker (RJ) Suá, a Praia que Sumiu, de Thais Helena Leite (ES)
MOSTRA AGRESTE
Facção, de Henrique Corrêa (Santa Cruz do Capibaribe/PE) Marcado em Barro, de Monique Evelyn Silva (Caruaru/PE) Marilak, de Carlos Mosca (Lagoa Seca/PB) Mira, de Sóllon Rodrigues (Campina Grande/PB) Pau d’Arco: Árvore que se Renova, de Igor Machado e Anna Araújo (Arapiraca/AL) Socorro & Mazé, de João Marcelo Alves (Surubim/PE) Todas as Memórias que Você Fez para Mim, de Pedro Fillipe (Bezerros/PE) Yabás, de Juliana Barros (Caruaru/PE)
MOSTRA ESPECIAL CARUARU
Nos Palcos da Vida, de Marco Antônio Freire O Carnaval é de Pelé, de Daniele Leite e Lucas Santos Retrato de um Forró, de Gabriella Ambrósio Um Pedacinho de Nós, de Renand Zovka
MOSTRA PERSONAGEM
Bgirling, de Sathurzo (RN) Caminhos da Guia, de Rana Sui e Pedro Anísio (PB) Entre Linhas e Lutas, de Bruna Espírito Santo (SP) Marcos, o Errante, de Thiago Brandão (BA) Pupá, de Osani (RN) Se nos Faltarem Palavras, o Mar Conta a Nossa História, de Agnes Aguirre (BA)
MOSTRA FANTÁSTICOS
Meu Pai e a Praia, de Marcos Alexandre (BA) Nativo Digital, de Gabriel Jacob (SP) Por Trás da Cortina, de Bono Siqueira (PE) Roteiro Fatal, de Thiago Mendes (SP) Sonhos Lúcidos, de Giordano Benites (RS)
MOSTRA ADOLESCINE
É Fundamental te Ter por Perto, de Mia Lima Rocha (RJ) Não Quero Citar Teóricos, de João Luciano e Eró Cunha (MA) Passa a Bola, de Guilherme Herrera Falchi (SP) Pescoçoides Humanoidis, de Jaime Queiroz (SP)
MOSTRA INFANTIL
A Tapioca da Vovó, de Deleon Souto (PB) Florescer, de Eduardo Reis (RS) Luzia e a Sombra, de Bako Machado (PE) Mundinho, de Gui Oller, Pipo Brandão e Ricky Godoy (SP) Mytikah Explora: Charles Darwin, de Hygor Amorim e Recy Cazarotto (SP) O Burrinho Jatobá, de Lucas Montes Silva (GO) Soli e Guida, de Jaum Godoy Rocha e Fernando Ferraz (SP)
MOSTRA PEGA LEVE
Carlitos Naranjas, de Julia Motta Cardozo (RJ) Caroço, de Gabriel Santiago (BA) O Jantar de Fernando, de Afonso Cavalcante (SP)
MOSTRA LATINO AMERICANA
Ayni, de Tomás Ariel Marco (Argentina) Daimara e a Dança Zumbi, de Tom Hamburger e Natália Keiko (Cuba) Fumaça Fria, de Peter Van Lengen (México) Plagio, de Tomás Dvorkin (Argentina) Revelação, de Emanuel Moreno Elgueta (Chile) Uma Ilha, de Ricardo Muñoz (Venezuela)
La grazia, de Paolo Sorrentino: na disputa pelo Leão de Ouro
A diretoria da Biennale di Venezia anunciou nesta sexta-feira, 04/07, que o drama La grazia, dirigido pelo cineasta italiano Paolo Sorrentino, será o filme de abertura da 82ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, que acontecerá entre os dias 27 de agosto e 6 de setembro.
Alberto Barbera, diretor do festival, comentou: “Estou muito feliz que o 82º Festival Internacional de Cinema de Veneza seja inaugurado com o novo e aguardado filme de Paolo Sorrentino. Gostaria de lembrar que um dos autores italianos mais importantes e internacionalmente aclamados estreou aqui mesmo, em Veneza, em 2001 com seu primeiro filme, L’uomo in più, durante meus primeiros anos como Diretor Artístico. A relação com o Festival de Cinema de Veneza se consolidou ao longo dos anos com a apresentação fora de competição dos primeiros episódios da série The Young Pope e, acima de tudo, com A Mão de Deus, que, em 2021, ganhou o Leão de Prata com o Grande Prêmio do Júri. O retorno de Paolo Sorrentino à competição traz um filme destinado a deixar sua marca por sua grande originalidade e forte relevância para os tempos atuais, que o público do Festival de Veneza terá o prazer de descobrir na noite de abertura”.
O filme, que estará na disputa pelo Leão de Ouro, é protagonizado por Toni Servillo, que já trabalhou com Sorrentino em filmes como A Grande Beleza, L’uomo in più, As Consequências do Amor, Sabato, domenica e lunedì, O Divo, Le voci di dentro, Silvio e os Outros e A Mão de Deus. O elenco conta também com Anna Ferzetti, Orlando Cinque, Massimo Venturiello, Milvia Marigliano, Giuseppe Gaiani e Giovanna Guida. A fotografia é de Daria D’Antonio, com montagem de Cristiano Travaglioli e figurino de Carlo Poggioli.
Além do filme de abertura, o Festival de Veneza também anunciou anteriormente que o cineasta e roteirista americano Alexander Payne será o presidente do júri desta 82ª edição; em 2017, ele abriu o evento com Pequena Grande Vida, que disputou o Leão de Ouro.
Em comunicado oficial, Payne, que dirigiu Eleição, Sideways: Entre Umas e Outras, As Confissões de Schmidt, Os Descendentes, Nebraska e Os Rejeitados, disse: “É uma enorme honra e alegria participar do júri em Veneza. Embora eu compartilhe a ambivalência de um cineasta em relação à comparação de filmes, reverencio os quase 100 anos de história do festival em celebrar o cinema como forma de arte. Eu não poderia estar mais animado!”.
Alberto Barbera comentou a escolha: “Alexander Payne pertence ao pequeno círculo de cineastas-cinéfilos cuja paixão pelo cinema é alimentada pelo conhecimento de filmes do passado e pela curiosidade pelo cinema contemporâneo, sem fronteiras ou barreiras de qualquer tipo. Essas qualidades, juntamente com sua experiência como roteirista, o tornam um candidato ideal para presidir os trabalhos do júri de Veneza, que é chamado a avaliar filmes do mundo todo. Sou grato a Alexander por aceitar meu convite, que sela uma amizade que remonta aos tempos de seu curta-metragem de graduação na UCLA”.
Kim Novak: carreira consagrada na sétima arte
Outra novidade já anunciada é a entrega do Leão de Ouro honorário para a lendária atriz norte-americana Kim Novak: “Estou profundamente comovida por receber o prestigioso Leão de Ouro de um festival de cinema tão respeitado. Ser reconhecida pelo meu trabalho neste momento da minha vida é um sonho realizado. Vou guardar com carinho cada momento que passar em Veneza. Isso encherá meu coração de alegria”, disse em comunicado oficial. Na ocasião, será apresentado, em estreia mundial, o documentário Kim Novak’s Vertigo, de Alexandre Philippe, realizado em colaboração exclusiva com a atriz.
Alberto Barbera também comentou a homenagem: “Tornando-se inadvertidamente uma lenda do cinema, Kim Novak foi um dos ícones mais amados de toda uma era do cinema de Hollywood, desde sua estreia auspiciosa em meados da década de 1950 até seu exílio prematuro e voluntário da gaiola dourada de Los Angeles pouco tempo depois. Ela nunca se absteve de criticar o sistema de estúdio, a escolha de seus papéis, quem ela deixava entrar em sua vida privada e até mesmo em seu nome. Forçada a renunciar ao seu nome de batismo, Marilyn Pauline, por ser associado a Monroe, ela lutou para conservar seu sobrenome, concordando, em troca, em pintar o cabelo naquele tom de loiro platinado que a diferenciava. Independente e inconformista, ela criou sua própria produtora e entrou em greve para renegociar um salário muito inferior ao de seus colegas de elenco masculinos”.
E continuou: “Graças à sua beleza exuberante, sua capacidade de dar vida a personagens ingênuas e discretas, além de sensuais e atormentada, e seu olhar sedutor e, por vezes, pesaroso, ela foi apreciada por alguns dos principais diretores americanos da época, de Billy Wilder a Otto Preminger; Robert Aldrich, George Sidney e Richard Quine, com quem realizou comédias românticas inesquecíveis. Mas sua imagem permanecerá para sempre ligada aos dois personagens que interpretou em Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock, que se tornou o papel de sua vida. Este Leão de Ouro pelo conjunto da obra celebra uma estrela emancipada, uma rebelde no coração de Hollywood que iluminou os sonhos dos amantes do cinema antes de se aposentar em seu rancho em Oregon para se dedicar à pintura e aos seus cavalos”.
Entre tantos trabalhos no cinema, Novak se destacou em: Um Corpo que Cai, Beija-me, Idiota, Férias de Amor, O Homem do Braço de Ouro, A Lenda de Lylah Clare, Melodia Imortal, Lágrimas de Triunfo, Meus Dois Carinhos, A Morte Espera no 322, Sortilégio do Amor, O Nono Mandamento, Aconteceu num Apartamento, Abaixo o Divórcio, As Aventuras Escandalosas de uma Ruiva, A Terceira Garota da Esquerda, entre muitos outros.
Além de Novak, outro nome já anunciado anteriormente que também será homenageado com o Leão de Ouro honorário é o cineasta alemão Werner Herzog: “Sinto-me profundamente honrado em receber o Leão de Ouro Honorário pelo Conjunto da Obra da Venice Biennale. Sempre me esforcei para ser um bom soldado do cinema e isso parece uma medalha pelo meu trabalho. Obrigado! No entanto, não me aposentei. Trabalho como sempre. Há algumas semanas, terminei um documentário na África, Ghost Elephants, e neste momento estou filmando meu próximo longa-metragem, Bucking Fastard, na Irlanda. Estou desenvolvendo um filme de animação baseado no meu romance, The Twilight World, e dublando uma criatura no próximo filme de animação de Bong Joon-ho. Ainda não terminei!”.
Vale lembrar que Werner Herzog já passou pelo Festival de Veneza com diversos títulos: Ecos de um Império Sombrio, em 1990; No Coração da Montanha, que disputou o Leão de Ouro no ano seguinte; Invencível em 2001; e Além do Azul Selvagem, em 2005, que recebeu o Prêmio FIPRESCI. Em 2009 exibiu dois filmes em competição: Meu Filho, Olha o Que Fizeste! e Vício Frenético.
Aura do Nascimento no longa Salomé, de André Antônio
De volta ao formato presencial, o Festival Goiamum Audiovisual realizará sua 11ª edição entre os dias 7 e 12 de julho em Natal, na capital potiguar, com sessões de curtas e longas-metragens na UFRN, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, além de diversas atividades paralelas. Ao total, serão exibidos 58 filmes.
Neste ano, o festival celebra um marco histórico: pela primeira vez, o Goiamum apresentará uma mostra competitiva de longas-metragens. De um total de 108 produções inscritas de todo o país, quatro filmes foram cuidadosamente selecionados para traduzir a força narrativa e a diversidade estética do cinema brasileiro contemporâneo. Na noite de abertura, será exibido o documentário Criaturas da Mente, do diretor pernambucano Marcelo Gomes. O filme, que será exibido pela primeira vez na capital potiguar, contará com a presença do personagem principal, o neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro, que participará de um debate depois da sessão com mediação do crítico de cinema Vitor Búrigo.
O cineasta Augusto Lula, que faleceu recentemente, será homenageado na noite de abertura do Goiamum. Considerado um dos maiores nomes do audiovisual potiguar, era admirador do trabalho de Glauber Rocha e amigo de Zé do Caixão. Seu primeiro trabalho no cinema foi o curta-metragem Ribeira Velha de Guerra, lançado em 1993. Depois realizou O País Dix-sept, poço. festim. mosaico, Arredia e Tão Só, Senhoras, O Huno da Nova Espécie e κοιμητήριον: Lugar do Sono Eterno. No festival, para celebrar sua trajetória, será exibido o curta inédito Augusto em Transe, de Carito Cavalcanti.
Além dos longas, a programação de 2025 traz uma seleção oficial de 12 curtas-metragens em competição, que foram selecionadas entre 795 obras inscritas. A lista apresenta títulos de oito estados brasileiros, sendo quatro potiguares. Essas produções prometem emocionar, provocar e celebrar a pluralidade do cinema nacional. Além disso, um programa especial de curtas também será exibido na programação, fora de competição, com obras que se destacaram nos principais festivais de cinema do Brasil e do mundo. Com projeção em 4K e som de alta qualidade, o festival vai transformar o Auditório da Reitoria da UFRN em uma verdadeira sala de cinema, equipada com uma tela de 7×5 metros.
Outro destaque da programação é a Mostra Horizontes com obras de realizadores e realizadoras potiguares em início de trajetória. A seleção, com seis títulos, propõe um mosaico de diferentes territórios do Rio Grande do Norte. São filmes de Mossoró, São Miguel do Gostoso, Natal, Território Katu e Portalegre, cada um abrindo frestas para imaginar outros futuros possíveis. Além disso, debates, oficinas, seminário e rodas de conversas completam a programação gratuita.
A curadoria de longas-metragens foi formada por: Vivi Pistache, pesquisadora, roteirista, curadora e crítica de cinema; e Vitor Búrigo, crítico de cinema e editor-chefe do site CINEVITOR. Para os curtas-metragens, o time de curadores foi formado por: Bárbara Cariry, cineasta e produtora; Diego Benevides, jornalista, pesquisador, crítico e curador de cinema; e Kel Gomes, jornalista, pesquisadora e crítica de cinema.
Seu Jorge e Shirley Cruz em A Melhor Mãe do Mundo, de Anna Muylaert
“Para esta nova edição do Goiamum, encontramos um recorte contemporâneo da rica produção audiovisual no Brasil. Pensamos em uma curadoria diversa que destaca a potente evolução da produção brasileira o impacto que estes filmes tiveram em plateias do mundo todo, a forma como dialogam com o público e a força que carregam em suas narrativas, que proporcionam diversas discussões”, disse Vitor Búrigo, coordenador de curadoria.
Para alcançar crianças da educação básica da rede pública da cidade, o Goiamum preparou também uma curadoria de filmes infantis para as manhãs dos dias 8 e 9 de julho. A Mostra Infantil é composta por curtas-metragens de animação que fazem parte do acervo do Dia Internacional da Animação de 2024. Outro grande diferencial da 11ª edição será a participação de cerca de 50 convidados, sendo 25 de outros estados e 25 de Natal. Entre eles, estarão curadores, produtores, realizadores, atores, atrizes, organizadores de festivais de cinema do RN e de outras regiões, além de pesquisadores, críticos de cinema e a equipe de cobertura do Canal Brasil.
“Estamos entusiasmados com uma edição que será um marco para o Festival e que destaca a riqueza e a pluralidade da produção cinematográfica nacional. Significa muito para nós estarmos alinhados ao que há de melhor do audiovisual da atualidade e proporcionarmos ao público o acesso a esse panorama, filmes que merecem ser vistos e debatidos”, afirma Keila Sena, diretora geral do festival.
A grande novidade, que promete encerrar o festival com chave de ouro, é a noite de 12 de julho. Além da tradicional cerimônia de premiação, o público será presenteado com uma sessão especial do filme Macaléia, de Rejane Zilles, e um show imperdível de Jards Macalé.
Outras duas sessões especiais marcam a 11ª edição do Goiamum. A exibição do longa-metragem Filhos do Mangue, de Eliane Caffé, vencedor de dois kikitos no Festival de Gramado do ano passado e que foi rodado integralmente no Rio Grande do Norte com participação de moradores e pescadores de Barra do Cunhaú, do Povo Potiguara Katu, da AOCA e de artistas locais de Natal, entre eles, Titina Medeiros. E o documentário pernambucano Filhas da Noite, de Henrique Arruda e Sylara Silvério, vencedor do prêmio de melhor filme da Mostra Caleidoscópio do Festival de Brasília; o longa acompanha seis performers veteranas da cena noturna recifense que, convocadas por um globo espelhado, tão extinto das pistas quanto suas próprias noites de glória, revisitam suas histórias e memórias diante das câmeras.
Em parceria com a Academia Brasileira de Cinema, o Festival Goiamum realizará também a Mostra Prêmio Grande Otelo com uma curadoria de quinze filmes que reúne os indicados a melhor longa-metragem de ficção, melhor longa-metragem de comédia e melhor longa-metragem documental. A lista traz filmes aclamados, como: Ainda Estou Aqui, de Walter Salles; Baby, de Marcelo Caetano; Motel Destino, de Karim Aïnouz; O Auto da Compadecida 2, de Flávia Lacerda e Guel Arraes; O Dia que te Conheci, de André Novais Oliveira; 3 Obás de Xangô, de Sérgio Machado, entre outros.
Conheça os filmes selecionados para o Festival Goiamum Audiovisual 2025:
LONGA GOIAMUM | COMPETITIVA
A Melhor Mãe do Mundo, de Anna Muylaert (SP) Salomé, de André Antônio (PE) Sem Vergonha, de Rafael Saar (RJ) Tijolo por Tijolo, de Victoria Álvares e Quentin Delaroche (PE)
CURTA GOIAMUM | COMPETITIVA
Americana, de Agarb Braga (PA) Arame Farpado, de Gustavo de Carvalho (SP) Junho de 2002, de Tainá Lima (MG) Liberdade Sem Conduta, de Dênia Cruz (RN) Medo de Cachorro, de Ítalo Tapajós (RN) Minha Câmera é Minha Flecha!, de Natália Tupi e Guilherme Fascina (SP) Peixe Morto, de João Fontenele (CE) Praia das Artistas, de Rosy Nascimento (RN) Pupá, de Osani (RN) Seco, de Stefano Volp (RJ) Tapando Buracos, de Pally e Laura Fragoso (AL) Videocarta para o Futuro, de Dheik Praia (AM)
PROGRAMA ESPECIAL DE CURTAS
Fenda, de Lis Paim (CE) Jupiter, de Carlos Segundo (MG) Queimando por Dentro, de Matheus Farias e Enock Carvalho (PE) Soneca e Jupa, de Rodrigo R. Meireles (MG) Travessia, de Alice Carvalho e Larinha R. Dantas (RN/SP) Verão Sem Fim, de Rodrigo Almeida (RN) Zoya, de Larissa Dardania (MG)
MOSTRA HORIZONTES
Ancestrais, de Esdras Marchezan e Izaíra Thalita (Mossoró) As Dançadeiras de São Gonçalo, de Jorge Andrade (Portalegre) Bgirling, de Sathurzo (Natal) Enquanto Dormes, de Igor Bezerra Ferreira (São Miguel do Gostoso) Trajeto do Desmoronamento, de Helena Antunes (Natal) Yby Katu, de Kaylany Cordeiro, Jessé Carlos, Ladivan Soares, Geyson Fernandes e Rodrigo Sena (Canguaretama/Goianinha)
SESSÕES ESPECIAIS
Augusto em Transe, de Carito Cavalcanti (RN) Criaturas da Mente, de Marcelo Gomes (PE) (filme de abertura) Filhas da Noite, de Henrique Arruda e Sylara Silvério (PE) Filhos do Mangue, de Eliane Caffé (RN) Macaléia, de Rejane Zilles (RJ)
*O Festival Goiamum Audiovisual é realizado através da Lei Paulo Gustavo, Governo do Rio Grande do Norte, Secretaria de Estado da Cultura, Fundação José Augusto, Fundação Capitania das Artes, Prefeitura do Natal, Ministério da Cultura e Governo Federal. Com produção da Casa de Produção, Bobox Produções e Nuvem Film House, em parceria com UFRN, PROEX, DECOM e Utopia Filmes. Apoiadores: Deputada Federal Natália Bonavides, Deputado Federal Fernando Mineiro, Deputada Estadual Divaneide Basílio, Deputada Estadual Isolda, Vereadora Brisa Bracchi, Canal Brasil, ACCiRN, Visite o Rio Grande do Norte, Casa de Zoé, RN Projetores, Praieira Filmes, Mostra 2025 Prêmio Grande Otelo e Dia Internacional da Animação.
A cerimônia de encerramento da 20ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, apresentada por David Maurity, aconteceu nesta segunda-feira, 30/06, na Praça Tiradentes, na cidade mineira de Ouro Preto, Patrimônio Histórico da Humanidade.
O longa Paraíso, dirigido por Ana Rieper, de Nada Será Como Antes e Vou Rifar Meu Coração, foi o grande vencedor do prêmio de melhor filme na histórica primeira edição competitiva da CineOP e recebeu o Troféu Vila Rica. Em sua 20ª edição, a Mostra instituiu um prêmio a longas-metragens que se utilizam de imagens de arquivo.
Saudado pelo júri, formado por Alex Moura, Marcus Mello e Sheila Schvarzman, o reconhecimento surge com o objetivo de “trazer maior visibilidade aos avanços da preservação audiovisual no país” a partir da organização do setor e dos debates e reflexões que são promovidos pela Mostra. O texto, lido pela jurada Sheila Schvarzman, reconheceu os avanços do cinema de arquivo no Brasil, estimulando uma produção que tem crescido significativamente nas últimas duas décadas e consolidando a cultura do uso de material preservado em filmes e se estabelecendo como “uma das mais fortes tendências do cinema brasileiro contemporâneo”.
A decisão do júri para conceder o prêmio a Paraíso foi justificada por ser um “ensaio que propõe uma interpretação do Brasil a partir de imagens cinematográficas de diferentes origens” e por dialogar com uma rica tradição de pensamento crítico de intelectuais brasileiros. Além disso, a produção foi elogiada pela “rigorosa pesquisa em arquivos públicos, que permitiu o acesso a uma significativa coleção de imagens”. O júri também ressaltou a inventividade, humor, indignação e empatia com que as imagens foram organizadas e ressignificadas numa obra “de caráter humanista e comprometida com o país”.
A Mostra Competitiva, uma das grandes inovações desta edição, selecionou cinco longas-metragens que têm em comum o uso criativo de imagens de arquivo; daí a mostra estar intitulada Arquivos em Questão. São obras que ressignificam registros históricos, pessoais e culturais para construir novas narrativas audiovisuais e reafirmam o papel da montagem, da curadoria e da memória na criação cinematográfica.
Clássico ao ar livre: O Garoto, de Charles Chaplin
Além do premiado Paraíso, a seleção contou também com: Itatira, de André Luís Garcia; Meu Pai e Eu, de Thiago Boulin; Os Ruminantes, de Tarsila Araújo e Marcelo Melo; e Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky, de Liliane Maia e Jorge Bodanzky.
No palco da CineOP 2025, Ana Rieper fez seu discurso: “Quero agradecer ao festival, que proporciona esse encontro do nosso cinema com o tema do arquivo, da preservação e da difusão. Queria também aproveitar para fazer um agradecimento muito especial a todos os profissionais que dedicam suas vidas, trajetórias e histórias para que a gente possa se encontrar com a nossa história através desses arquivos”.
Em uma breve fala ao entregar o Troféu Vila Rica para a cineasta Ana Rieper, o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, saudou a primeira edição do prêmio competitivo e os 130 anos do Arquivo Público Mineiro, espaço de armazenamento de materiais importantes da história brasileira. O prefeito celebrou ainda as novidades anunciadas durante a Mostra: a sala de cinema do Museu da Inconfidência passa a ter o nome do cineasta Joaquim Pedro de Andrade; e as obras de revitalização do Cine Vila Rica serão aceleradas, em movimento que se soma ao vindouro curso de cinema a ser oferecido pela UFOP, Universidade Federal de Ouro Preto.
Depois da premiação, a cerimônia finalizou com o Cine-Concerto em uma exibição especial de O Garoto (The Kid) (1921), clássico de Charles Chaplin, em uma versão especial com trilha sonora executada ao vivo pelas musicistas Natália Barros, Isabela Alencastro e Jennifer Cunha. No filme, Chaplin eterniza a figura do Vagabundo, que enfrenta a dureza da vida com afeto e humor, formando uma comovente parceria com um menino órfão. Nesta exibição, a poética trilha original, composta pelo próprio Chaplin, ganhou novos contornos com a incorporação de brasilidades, em especial o choro, gênero musical reconhecido como patrimônio cultural do Brasil. O resultado foi um encontro emocionante entre o cinema mudo e a riqueza sonora brasileira.
*O CINEVITOR está em Ouro Preto e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Raquel Hallak comemora sucesso de público na CineOP 2025
Depois de seis dias de programação intensa, a 20ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto reafirmou sua relevância no calendário cultural nacional ao reunir mais de 20 mil pessoas na cidade mineira, que é Patrimônio Histórico da Humanidade.
O evento comemorativo de duas décadas consolidou Ouro Preto como polo do cinema brasileiro dedicado à preservação, história e educação, impulsionando a economia local e fortalecendo a articulação entre memória audiovisual, formação, políticas públicas e inovação.
A programação exibiu 143 filmes de seis países e 17 estados brasileiros, distribuídos em 12 mostras temáticas, incluindo estreias e sessões especiais como a nova Mostra Competitiva Contemporânea, chamada de Arquivos em Questão, e a Mostra Construindo Memórias, ambas voltadas à reflexão sobre a memória e a montagem no cinema contemporâneo.
Antes do encerramento, na segunda-feira, 30/06, Raquel Hallak, CEO da Universo Produção e coordenadora geral da Mostra, conversou com a imprensa no Centro de Artes e Convenções da UFOP e, como de costume, fez um balanço geral da edição: “Toda vez que começa um evento e eu olho a plateia, eu penso: nossa, conseguimos! Essa é a primeira sensação. De conseguir realizar uma edição. Porque não é fácil em um país que a gente não tem uma política pública dos festivais e mostras de cinema, principalmente, em que nós somos grandes responsáveis; e aqui englobo todos os meus colegas que realizam festivais de cinema. Somos muitos, diversos e necessários. Somos formação e difusão. O cinema brasileiro precisa da gente em todos os sentidos”.
E continuou na coletiva de imprensa: “Quando subo ao palco, me dá uma emoção imensa. Primeiro essa sensação de conseguir e aí eu falo de toda uma equipe que acredita junto comigo nos nossos sonhos e propósitos nessa CineOP. E quando tem uma data redonda como essa, é inevitável uma revisita: a gente vai lembrando de cada ano. O que evoluiu e quais foram os marcos históricos de cada um? Construímos uma linha do tempo”.
Entre os destaques desta edição, a Mostra lançou o Prêmio Preservação, homenageando o professor João Luiz Vieira, e o Prêmio Cinema e Educação, concedido à educadora Maria Angélica dos Santos. A CineOP prestou ainda uma homenagem à atriz Marisa Orth (clique aqui e acompanhe os melhores momentos) em reconhecimento à sua trajetória artística marcada pela versatilidade e contribuição ao humor no cinema brasileiro, reforçando o papel das mulheres na história do audiovisual nacional.
Raquel Hallak e a imprensa na 20ª CineOP
Sobre Marisa, Raquel Hallak comentou, em entrevista exclusiva ao CINEVITOR: “Escolher Marisa Orth para ser homenageada, representando todas as mulheres do humor e do cinema brasileiro, foi extremamente assertivo porque além dela ter uma carreira ímpar, ela tem um humor muito transgressor como um ato político, na sua inteligência, e também desperta aquilo que sai do óbvio. Ela foi chamada não só pelo pelo teatro, pela televisão, mas principalmente pelo cinema que muita gente desconhece. Então, a proposta da homenagem na CineOP é trazer também um cinema que as pessoas desconhecem, mas que faz parte da nossa história audiovisual brasileira”.
Para o CINEVITOR, Raquel Hallak também refletiu sobre esta edição comemorativa da Mostra de Cinema de Ouro Preto: “Eu acho que essa edição, principalmente, é um balanço que reúne mulheres no nosso cinema. Foi uma edição histórica com filmes históricos em que as mulheres estiveram à frente e atrás das câmeras na temática do humor das mulheres no cinema brasileiro. Vimos por aqui encontros de cineastas, roteiristas, produtoras; mulheres que estão fazendo cinema. E, mais do que nunca, mostrando que nossos filmes continuam vivos e que a CineOP é necessária também como um ambiente de formulação de políticas públicas, de formulação coletiva de documentos e de registros fundamentais que apontam a necessidade de políticas públicas para o audiovisual”.
E finalizou: “Celebramos 20 anos do único evento dedicado à preservação, história e educação com uma programação muito intensa e diferenciada em que o público percebeu a importância que a preservação tem. Não só no sentido de preservar os filmes, mas também de dar acesso às escolas como os lugares de memória, a necessidade da pesquisa, do acesso aos filmes. Foi um encontro pela memória, pela salvaguarda do nosso imenso patrimônio audiovisual brasileiro”.
Com a Temática Histórica: O Humor das Mulheres no Cinema Brasileiro, a 20ª CineOP trouxe uma reflexão sobre o papel do humor no cinema brasileiro a partir da perspectiva das mulheres, destacando suas trajetórias tanto na atuação quanto nos bastidores das produções. Sobre a programação, Juliana Gusman, uma das curadoras desta edição e que também estava presente na coletiva de imprensa com Raquel Hallak, comentou: “O que foi interessante nesse percurso de pesquisa curatorial, além de entender o lugar das mulheres numa história de um cinema de humor brasileiro, foi entender que: uma história que já tem sido escrita por várias pesquisadoras que pensam e estudam cinemas feitos por mulheres no Brasil, é que este cinema que a gente sempre reivindicou na chave do feminismo, de um cinema militante, sempre foi muito bem humorado”.
Durante a CineOP 2025, anúncios importantes foram feitos: Frederick Magalhães, do Instituto de Filosofia, Artes e Cultura da UFOP, Universidade Federal de Ouro Preto, revelou o planejamento avançado de um novo curso de bacharelado em Cinema e Audiovisual com ênfase em preservação, aproveitando o patrimônio cultural da cidade. Além disso, o diretor do Museu da Inconfidência, Alex Calheiros, anunciou a criação de uma nova sala de cinema no antigo auditório do museu, que será nomeada em homenagem ao cineasta Joaquim Pedro de Andrade. O espaço, já integrado à programação da CineOP, será adaptado para exibir filmes regularmente com qualidade técnica adequada, reforçando o vínculo entre o cinema e Ouro Preto.
E mais: sobre as obras de revitalização do Cine Vila Rica, o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, afirmou que serão aceleradas em movimento que se soma ao vindouro curso de cinema a ser oferecido pela UFOP. Na coletiva de imprensa, Hallak destacou: “Agora vai sair! Os projetos estão sendo licitados para começar a reforma. Só não sei se vai ter recurso suficiente para equipá-lo com tecnologia de última geração”.
Joelma Gonzaga, Secretária do Audiovisual do MinC, e Raquel Hallak
Esta edição teve presença marcante do MinC, Ministério da Cultura, com o lançamento oficial do Programa de Preservação do Audiovisual Brasileiro, iniciativa da Pasta que estrutura uma política nacional de preservação e cria a Rede Nacional de Arquivos Audiovisuais. E mais: no Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, o MinC lançou, durante o evento, a 65ª edição da revista Filme Cultura, com o tema Cinema Mais: o audiovisual LGBTQIA+, que homenageia a pluralidade de identidades e expressões da comunidade, reforçando o compromisso da política cultural com a inclusão.
No programa de formação, foram oferecidas 405 vagas em seis oficinas, seis masterclasses internacionais e um workshop, possibilitando capacitação teórica e prática para estudantes e profissionais do audiovisual. O Programa Cine-Expressão promoveu sete sessões de cinema seguidas de debates beneficiando 3.450 alunos de 19 escolas da rede pública de ensino, reforçando o compromisso da CineOP com a educação e a formação de público.
Além disso, os Encontros de Educação e de Arquivos da 20ª CineOP apresentaram os resultados consolidados de suas discussões e reflexões. Na segunda-feira, 30/06, foram realizadas as leituras e apresentações oficiais das Cartas de Ouro Preto 2025, documentos que expressam os principais encaminhamentos, propostas e diretrizes construídos coletivamente ao longo dos encontros. As cartas reafirmam o papel estratégico da CineOP como espaço de articulação, escuta e construção coletiva de políticas públicas para o setor audiovisual nas frentes da educação e da preservação.
O cinema em conexão com as outras artes na 20ª CineOP foi um dos destaques da programação, que contou com 33 atrações artísticas: shows como o de Ana Cañas, exposição, lançamento de 34 livros, performance audiovisual e Cortejo da Arte. A já tradicional Festa Junina da CineOP beneficiou quatro instituições sociais de Ouro Preto, mostrando o compromisso do evento com a comunidade local.
A 20ª CineOP contou também com uma equipe de trabalho de 126 pessoas, contratou 230 empresas prestadoras de serviços, 22 estabelecimentos comerciais de Ouro Preto, entre hotéis, pousadas e restaurantes, impulsionando o setor de turismo e a economia criativa da cidade e gerou mais de 1.500 empregos diretos e indiretos.
No digital, a Mostra alcançou mais de 100 mil acessos on-line a partir de mais de 60 países e alcançou mais de 2,5 milhões de visualizações em suas redes sociais, ampliando o alcance internacional do evento. A cobertura jornalística foi realizada por mais de 400 veículos de imprensa e presencialmente reuniu 72 profissionais da imprensa de diferentes regiões do país.
Com uma programação que aliou tradição e inovação, a 20ª CineOP reforçou seu papel como espaço fundamental para a preservação da memória do cinema brasileiro e para o debate sobre o audiovisual como patrimônio cultural. O evento beneficiou mais de 20 mil pessoas, impulsionou a economia local, homenageou trajetórias marcantes e lançou iniciativas que fortalecem a memória e a formação no setor audiovisual brasileiro.
*O CINEVITOR está em Ouro Preto e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Helena Ignez apresentou A Mulher de Todos, de Rogério Sganzerla
A mostra Preservação, sempre em consonância com a temática central, é um dos destaques da 20ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto e busca estimular a reflexão sobre a relação entre arquivos audiovisuais e criação de memória, entendendo a memória enquanto patrimônio vivo e dinâmico.
No sábado, 28/06, uma sessão especial foi realizada no Cine-Museu, localizado no anexo do Museu da Inconfidência, com filmes que passaram recentemente por processos de restauração: um marco do cinema tropicalista brasileiro, o longa A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla, se inspira na chanchada e nos filmes de comédia pastelão americanos. Completando a sessão, um registro único da atriz Dercy Gonçalves em um curta-metragem de 1981 restaurado pelo MIS-SP.
Para apresentar as exibições, os curadores José Quental e Vivian Malusá convidaram nomes relacionados aos filmes, entre eles, José Maria Lopes, restaurador do projeto do MIS-SP, Museu da Imagem e do Som, das obras de Abrão Berman e especialista em restauração de cinema e TV. Sobre o curta Dercy Gonçalves, dirigido por Abrão Berman e Rosina Leser Schwarz (Ro Black), falou: “O filme que restauramos, com apoio da Cinecolor, é sobre os 50 anos de vida dela. Eu tive o privilégio de conviver com Dercy em alguns momentos na TV Tupi e na TV Cultura, em São Paulo. É um filme em Super 8 com banda magnésia e som direto. Conseguimos fazer um trabalho bacana”. O curta é um documentário íntimo sobre Dercy Gonçalves na época em que comemorava 50 anos de carreira.
Abrão Berman, nascido em 1941, possui o título de pai do Super 8 no Brasil. Berman tinha enorme capacidade de aglutinar pessoas e interesses e assim criou, na época, um dos eventos mais importantes na área cinematográfica do país: os Super Festivais Nacionais do Filme Super8. Ele se formou em cinema na França, no final dos anos 1960, e retornou ao Brasil com o intuito de começar uma carreira como realizador. Por conta dos custos e das dificuldades do meio, acabou encontrando no formato Super 8 a possibilidade de se tornar cineasta; um formato considerado amador e que sofria resistência de profissionais da área. Assim, em plena ditadura brasileira, criou em 1972, junto de sua sócia, Malu Alencar, a empresa GRIFE, Grupo dos Realizadores Independentes de Filmes Experimentais, para trabalhar profissionalmente com Super 8.
Cena do curta-metragem Dercy Gonçalves
Sobre A Mulher de Todos, dirigido por Rogério Sganzerla, a atriz e diretora Helena Ignez, referência na história do cinema brasileiro, marcou presença na Mostra de Cinema de Ouro Preto e fez um discurso empolgante antes da exibição: “É, coisa linda, viu? Muito amor e agradecimento à Débora Butruce pelo trabalho belíssimo trazendo de novo A Mulher de Todos como Rogério fez. Nas tiragens é absolutamente magnífico. É um momento lindo para o cinema brasileiro e para nós do cinema experimental, que estamos sendo descobertos pelo mundo. Esse filme é lindo! Vale a pena vocês estarem aqui. É uma obra-prima. Um grande beijo e amor!”.
A sinopse diz: Ângela Carne e Osso é uma ninfômana insaciável, casada com Dr. Plirtz, interpretado por Jô Soares, ex-carrasco nazista e dono do truste das histórias em quadrinhos no Brasil. Entediada com sua vida doméstica, passa seu tempo colecionando homens no retiro idílico da Ilha dos Prazeres. O elenco conta também com Stenio Garcia, Paulo Villaça, Antonio Pitanga, Abrahão Farc, Thelma Reston, Silvio de Campos Filho, José Carlos Cardoso, Antonio Moreira e José Agrippino de Paula.
Vencedor do Candango de melhor atriz para Helena Ignez e melhor montagem para Franklin Pereira e Rogério Sganzerla no Festival de Brasília, em 1969, A Mulher de Todos, eleito um dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos pela Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, conta com fotografia de Peter Overbeck e som assinado por Julio Perez Caballar. O roteiro é de Sganzerla, que também assina a produção ao lado de Alfredo Palácios.
Débora Butruce, preservadora audiovisual e restauradora de filmes, foi a responsável técnica pelo restauro de A Mulher de Todos. Antes da exibição, falou com o público presente: “Estou muito feliz de estar exibindo essa restauração aqui na CineOP, evento que eu participo há tantos e tantos anos. Essa versão digital restaurada em 4K partiu do interpositivo combinado, que saiu diretamente dos negativos originais. O filme foi rodado em 35 mm e partimos desse material porque os negativos já estavam no estágio avançado de deterioração”.
Curadoria e equipe dos filmes na CineOP 2025
E continuou: “A finalidade desse restauro foi restituir essa versão colorizada de como foi idealmente concebida pelo Rogério Sganzerla. Então, vocês vão ver essa explosão de cores na tela. E queria ressaltar esse trabalho em parceria com a Mapa Filmes e com a Link Digital, aqui com a Denise Miller e com o João Paulo Reis que foi o colorista. Foi um desafio voltar com as cores feitas, mas acredito que o resultado está belíssimo. Ficamos felizes com o que conseguimos alcançar”.
Rogério Sganzerla iniciou sua carreira como crítico de cinema em 1964, em São Paulo. Aos 20 anos, fez seu primeiro filme, Documentário, premiado com uma viagem ao Festival de Cannes. Em 1968, dirigiu O Bandido da Luz Vermelha, considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO. Em 1970, fundou a produtora Belair com Helena Ignez e Júlio Bressane, onde dirigiu Copacabana Mon Amour e Sem essa, Aranha. Após sua morte, em 2004, sua obra continua sendo celebrada mundialmente.
Neste ano, a mostra Preservação se organiza em algumas frentes distintas que sublinham a importância de uma memória viva e o trabalho de criação de novas memórias do cinema. Há uma seleção de obras brasileiras que foram recentemente digitalizadas ou restauradas, inscritas a partir da chamada da CineOP. Com isso, observa-se o aumento quantitativo e a diversidade dos trabalhos de restauração apresentados, que parecem representar uma transformação do cenário no Brasil. Vale destacar que ações como a Lei Paulo Gustavo, por exemplo, impulsionaram a realização de alguns dos projetos aqui apresentados.
*O CINEVITOR está em Ouro Preto e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Foram anunciados neste sábado, 28/06, no Cine Teatro X de Novembro, em São Francisco do Sul, norte de Santa Catarina, os vencedores da quarta edição do FALA São Chico, Festival Audiovisual Latino-Americano de São Francisco do Sul, que exibiu 27 obras dedicadas exclusivamente ao gênero documentário.
A celebração teve início com a exibição dos três curtas-metragens produzidos no Projeto Rally Panvision | Edição São Chico, realizado pela primeira vez no festival. O filme escolhido pelo Júri Oficial para receber o Troféu Rally Panvision foi Guerreira do Mar, da equipe 3, formada por Andréa de Oliveira, Fran Ferreira, Mile Torres, Julia Gomes Alves e Fernando Lazzarini.
Na Mostra Infantojuvenil, o Júri Oficial concedeu o prêmio ao filme Não Quero Citar Teóricos, dirigido por João Luciano e Eró Cunha, do Maranhão; a obra investiga a experiência de ser jovem em um sistema educacional que nem sempre escuta. O Júri Popular escolheu o filme A História de Ayana, dirigido por Cristiana Giustino e Luana Dias, do Rio de Janeiro, para receber a premiação; o documentário trata da história de uma menina negra albina, que com o apoio de seus pais e amigos, encontra o seu lugar no mundo. Os jurados deixaram uma Menção Honrosa para o filme O Enegrecer de Iemanjá e a Subtração do Sagrado Afro, dirigido por Uê Puauet, do Paraná. A justificativa diz que o documentário aborda de forma leve, lúdica e certeira o racismo e a intolerância religiosa.
Na Mostra Curtas Catarinenses e Latinos, o melhor curta escolhido pelo Júri Oficial foi Wadja, dirigido por Narriman Kauane, de Pernambuco; é um documentário biográfico que conta a vida e carreira de Marilene Araújo, Wadja, mulher indígena, defensora das causas e da cultura indígena. O título também foi eleito pelo Júri Popular como melhor filme da Mostra. Os jurados deixaram um Prêmio Especial para o filme Estamos en el Mapa, dirigido por Santiago Rodríguez Cárdenas, da Colômbia. Como justificativa, destacaram a originalidade da linguagem narrativa para contar uma história que perpassa várias questões sociais, como o apagamento, a marginalização, a violência do Estado e a união entre os personagens.
No palco, foi também entregue o Troféu Amigo do FALA São Chico para Eliane Barbosa de Jesus, moradora de São Francisco do Sul, que assistiu a todos os filmes da Mostra Curtas Catarinenses e Latinos do 4º FALA São Chico e participa do festival desde a primeira edição.
Tiago Santos, diretor executivo da Panvision, agradeceu ao público, às escolas e professores e demais instituições que estiveram presentes nas sessões: “É importante cada vez mais pensar nessa formação de público e pensar em futuras gerações. E é isso que a gente quer fazer aqui”. Tiago também agradeceu aos patrocinadores e apoiadores do evento, além da Fundação Cultural Ilha de São Francisco e a Prefeitura Municipal de São Francisco do Sul.
Marilha Naccari, diretora-presidente da Associação Cultural Panvision e diretora de programação do FALA, fez um discurso emocionado de agradecimento e de convocação à vida: “Vamos viver com mais intensidade. A vida é isso, é sopro, é felicidade, é cada momento, e é isso que eu quero com vocês aqui”.
Os filmes premiados no FALA São Chico 2025 foram escolhidos por um corpo de jurados formado por Carol Borges de Andrade, Jucelino Senei Filho, Juliana Anjos, Keltryn Wendland e Rubens Eduardo Teodoro, conhecido como MENTHOR. Os vencedores da quarta edição do FALA São Chico receberam, além do Troféu FALA São Chico de melhor filme, mais de R$ 30 mil em serviços e formação concedidos por empresas especializadas parceiras da Associação Cultural Panvision.
Conheça os vencedores do 4º FALA São Chico:
MOSTRA CURTAS CATARINENSES E LATINOS
Melhor Filme | Júri Oficial: Wadja, de Narriman Kauane (PE) Melhor Filme | Júri Popular: Wadja, de Narriman Kauane (PE) Prêmio Especial: Estamos en el Mapa, de Santiago Rodríguez Cárdenas (Colômbia)
MOSTRA INFANTOJUVENIL
Melhor Filme | Júri Oficial: Não Quero Citar Teóricos, de Eró Cunha e João Luciano (MA) Melhor Filme | Júri Popular: A História de Ayana, de Cristiana Giustino e Luana Dias (RJ) Menção Honrosa: O Enegrecer de Iemanjá e a Subtração do Sagrado Afro, de Uê Puauet (PR)
PROJETO RALLY PANVISION | EDIÇÃO SÃO CHICO
Melhor Filme | Júri Oficial: Guerreira do Mar, de Andréa de Oliveira, Fran Ferreira, Mile Torres, Julia Gomes Alves e Fernando Lazzarini (São Francisco do Sul)
Aurora e Carmen Miranda em Alô! Alô! Carnaval!: filme de 1936
No contexto das celebrações dos 95 anos da Cinédia, companhia cinematográfica brasileira fundada em 1930 no Rio de Janeiro, a 20ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto realizou nesta sexta-feira, 27/06, uma sessão especial com a exibição, em cópia restaurada, do clássico Alô! Alô! Carnaval!, de Adhemar Gonzaga.
Considerado um marco do cinema musical brasileiro e símbolo do pioneirismo da Cinédia na era do som, Alô! Alô! Carnaval!, lançado em 1936 e que inicialmente foi chamado de O Grande Cassino, surgiu da necessidade de apresentar grandes cantores da fase de ouro do rádio brasileiro ao público; visto que ainda não existia televisão e a população de baixa renda não tinha acesso aos cassinos.
Na trama, dois revistógrafos, interpretados por Barbosa Júnior e Pinto Filho, querem montar o espetáculo Banana da Terra, mas não são bem recebidos pelo empresário do Cassino Mosca Azul, até que surge uma nova oportunidade. Alô! Alô! Carnaval! é um desfile dos astros da era de ouro do rádio e do disco em um clássico filme-revista dos primeiros anos do cinema sonoro ótico brasileiro.
Já considerada uma artista de sucesso na indústria fonográfica brasileira, Carmen Miranda se destacou em musicais carnavalescos lançados no início dos anos 1930, entre eles, Alô! Alô! Carnaval!. Depois disso, se destacou internacionalmente ao aparecer pela primeira vez, em 1939, caracterizada de baiana, personagem que a lançou para o mundo, no filme Banana da Terra, de Ruy Costa, no qual canta o clássico O que é que a Baiana Tem?, que lançou Dorival Caymmi no cinema.
Equipe de curadoria e restauração do filme
A exibição da cópia restaurada em 4K de Alô! Alô! Carnaval! na CineOP aconteceu ao ar livre na Praça Tiradentes e contou com a presença de Alice Gonzaga, filha de Adhemar Gonzaga e guardiã da memória da Cinédia: “Daqui a pouco esses filmes vão sumir se você não colocar em 4K. Essa é nossa luta na restauração dos filmes e na preservação da memória. Entre os anos 1930 e 1940 só a Cinédia produziu. Foi um período muito importante do cinema brasileiro, que documentou todos os artistas e pessoas que se tornaram célebres”, disse no palco durante a apresentação do longa.
Denise Miller, da Link Digital, uma das responsáveis pela restauração, também participou da exibição em Ouro Preto: “Alô! Alô! Carnaval! é um filme histórico. Ainda tem muita coisa que pode ser feita. Com mais tempo, vamos detalhando mais ainda a etapa de restauro. Mas vocês estão vendo aqui uma cópia nova em 4K e provavelmente vamos fazer outros filmes da Cinédia. Espero que vocês gostem da sessão!”.
Ainda no palco, Alice Gonzaga agradeceu o trabalho de Denise Miller e também do amigo Hernani Heffner, gerente da Cinemateca do MAM Rio. E finalizou seu discurso: “Estou muito feliz e dedico essa sessão a Adhemar Gonzaga, que há muito tempo não é homenageado e nem lembrado no cinema brasileiro. Vocês vão assistir ao carro-chefe da Cinédia, que eu considero um filme eterno. E é o único filme brasileiro que tem cenas da Carmen Miranda sem estar vestida de baiana. Todos que trabalharam no filme não eram artistas conhecidos, só o Francisco Alves, e depois vingaram e tornaram-se grandes cantores”.
Carmen Miranda em cena na Praça Tiradentes: cinema musical brasileiro
O elenco de Alô! Alô! Carnaval! conta também com Oscarito, Jayme Costa, Jorge Murad, Lelita Rosa, Aurora Miranda, Dircinha Batista, Mário Reis, Alzirinha Camargo, Almirante, Lamartine Babo, Bando da Lua, Muraro, Paulo de Oliveira Gonçalves, Henrique Chaves, Dario Melo Pinto, Maria Gonzaga M. Pinto, Luís Carlos Guimarães, Hélio Barroso Neto, Jaime Ferreira, Olga Figueiredo, Paulo Roberto, Peri Ribas, Alberto Rocha, Ignácio Corseuil Filho, Didi Viana, Bernardo Guimarães, Carlos de Oliveira, Hervé Cordovil, Joel de Almeida, Irmãs Pagãs, Lair de Barros, Aniceto, Luiz Barbosa, Linda Batista e Heloísa Helena.
Vivian Malusá, que assina a curadoria da Mostra Preservação ao lado de José Quental, também marcou presença na sessão especial de Alô! Alô! Carnaval!: “Eu queria complementar que é muito legal ver um filme que tem quase 90 anos sendo exibido aqui na praça. Acho que vai ser uma sessão muito divertida. É um filme que foi sendo restaurado ao longo dos anos e essa última restauração que vamos apresentar, que é a mais completa, é um processo contínuo. Mas, o filme por si só já é um case de restauro: primeiro analógico e depois digital”.
Produzido por Adhemar Gonzaga e Wallace Downey, Alô! Alô! Carnaval! tem fotografia de Edgar Brasil; o roteiro é assinado por Ruy Costa e Adhemar Gonzaga com argumento de Alberto Ribeiro e João de Barro. A direção de arte é de Ruy Costa e J. Carlos; Moacyr Fenelon assina o som e Adhemar Gonzaga também foi responsável pela montagem.
Adhemar Gonzaga (1901-1978) foi jornalista, crítico, historiador, roteirista, produtor, diretor e empresário cinematográfico. Como realizador, assinou sete longas-metragens, entre os quais os clássicos Barro Humano (1929), Alô! Alô! Carnaval! (1936) e Carnaval em Lá maior (1956). Editor da revista Cinearte (1926-1942) e fundador dos Estúdios Cinédia, criado em 1930, Gonzaga atuou como uma das grandes lideranças em defesa do cinema brasileiro.
*O CINEVITOR está em Ouro Preto e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.