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Troféu Cidade de Gramado: Antonio Pitanga é homenageado no 45º Festival de Cinema de Gramado

por: Cinevitor

pitangatrofeugramadoEmoção em Gramado: aplausos para Pitanga.

Presença constante no Festival de Cinema de Gramado, seja como concorrente, jurado, convidado ou simplesmente espectador do evento serrano, Antonio Pitanga teve sua carreira celebrada com o Troféu Cidade de Gramado nesta 45ª edição.

Sua estreia no cinema aconteceu em 1960, com Bahia de Todos os Santos, de Trigueirinho Neto, e, desde lá, o ator participou de mais de 60 produções. A convivência com grandes diretores do Cinema Novo também despertou a vontade de dirigir filmes, concretizada em 1978, com Na Boca do Mundo.

Na noite de quarta-feira, 23/08, o ator subiu ao palco do Palácio dos Festivais para receber a homenagem. Aplaudido de pé pela plateia, ele chamou a filha Camila Pitanga para participar da comemoração: “Estamos falando de um homem, de uma geração, que resistiu e resiste com amor, alegria e amizade”, disse a atriz.

Emocionado, Pitanga fez um discurso comovente sobre sua trajetória nas telonas: “Sou Cacá Diegues, Glauber Rocha, Roberto Pires, Walter Lima Jr., Anselmo Duarte, Ruy Guerra e tantos outros profissionais do nosso cinema”, finalizou.

Aperte o play e confira o discurso na íntegra:

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Foto: Diego Vara/Pressphoto.

Eliane Giardini e Paulo Betti apresentam A Fera na Selva, baseado na obra de Henry James, no 45º Festival de Gramado

por: Cinevitor

pauloelianegramadoDiretores e protagonistas: Paulo e Eliane no debate.

Dirigido e protagonizado por Eliane Giardini e Paulo Betti, com codireção de Lauro Escorel, A Fera na Selva é baseado na obra homônima do escritor Henry James. Na história, um homem e uma mulher se reencontram e constroem uma vigília por um grande e extraordinário acontecimento que os arrebatará. A vida passa enquanto especulam sobre do que é feita esta fera à solta nesta selva do interior paulista.

Rodado em Sorocaba e região, Paulo e Eliane tiveram a ideia de realizar este filme há mais de vinte anos, quando encenaram no teatro uma adaptação do romance. Com mais de 600 pessoas envolvidas no projeto, entre técnicos, fornecedores e figurantes, o longa, com narração de José Mayer, destaca a cultura brasileira com uma proposta de reflexão sobre o tempo.

Exibido na terça-feira, 22/08, no Palácio dos Festivais, na Mostra Competitiva de longas brasileiros do 45º Festival de Cinema de Gramado, A Fera na Selva foi apresentado para o público pelos diretores e equipe. Na manhã seguinte, participaram de um debate no Hotel Serra Azul e falaram sobre o início do projeto e bastidores.

Aperte o play e confira os melhores momentos da apresentação e trechos da coletiva:

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Fotos: Diego Vara e Cleiton Thiele/Pressphoto.

Dirigido por Fabio Meira, As Duas Irenes é exibido no 45º Festival de Cinema de Gramado

por: Cinevitor

irenesgramadoEquipe reunida no tapete vermelho de Gramado.

Primeiro longa dirigido por Fabio Meira, As Duas Irenes conta a história de uma menina de 13 anos, de uma família tradicional do interior, que descobre que seu pai tem uma filha de outra mulher, com a mesma idade e o mesmo nome dela, Irene.

Exibido na Mostra Competitiva de longas brasileiros do 45º Festival de Cinema de Gramado, o filme teve sua estreia mundial no Festival de Berlim, na mostra Generation, e foi escolhido como o melhor primeiro filme e melhor fotografia da competição ibero-americana do 32º Festival Internacional de Cine en Guadalajara.

No domingo, 20/08, o diretor subiu ao palco do Palácio dos Festivais para apresentar o longa ao lado de sua equipe: a produtora Diana Almeida; o ator Marco Ricca; Talita Arruda, da Vitrine Filmes; a montadora Virginia Flores; Simone Caetano, coprodutora; Carolina Sganzerla, diretora de produção; e as atrizes Isabela Torres, Inês Peixoto, Maju Souza e Susana Ribeiro.

Aperte o play e confira os melhores momentos da apresentação e trechos da coletiva de imprensa, que aconteceu na manhã seguinte à exibição:

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Fotos: Diego Vara e Cleiton Thiele/Pressphoto.

Exibido no Festival de Berlim, Vazante, de Daniela Thomas, ganha trailer

por: Cinevitor

vazanteoscarLuana Nastas e Adriano Carvalho em cena.

Vazante, primeiro longa-metragem solo de Daniela Thomas, que codirigiu Linha de Passe e Terra Estrangeira ao lado de Walter Salles, se passa nas serras pedregosas das Minas Gerais, depois da economia local, que era baseada na extração de diamantes, ter entrado em colapso.

O ator português Adriano Carvalho vive Antonio, um patriarca do século XIX, que ao voltar de uma longa viagem conduzindo uma tropa de escravos descobre que sua mulher morreu em trabalho de parto. A estreante Luana Nastas é Beatriz, menina que lhe é dada em casamento. Na ausência do marido, Beatriz fica sozinha com os escravos. Solidão, incomunicabilidade e preconceito levam a uma espiral de violência.

A primeira exibição do longa aconteceu no Festival de Berlim deste ano na noite de abertura da mostra Panorama. O filme se passa em 1821 e fala sobre escravidão, casamento forçado, mestiçagem fruto do assédio, exploração sexual das negras e hierarquias de poder.

Vazante teve como locação principal a fazenda Ribeirão, uma mansão do século XVIII a uma hora de estrada de terra da cidade histórica do Serro, em Minas Gerais. Para o filme, o ator Toumani Kouyaté abriu as portas da comunidade de seus conterrâneos da África subsaariana refugiados em São Paulo, e Rodrigo Siqueira, diretor do documentário Terra Deu, Terra Come, indicou os caminhos para uma dezena de comunidades quilombolas da região Diamantina, de onde foi arregimentado o elenco da senzala.

O elenco conta também com Sandra Corveloni, Fabrício Boliveira, Jai Baptista, Roberto Audio, Juliana Carneiro da Cunha, Vinicius Dos Anjos e Isadora Favero.

Confira o trailer de Vazante, que tem estreia prevista para novembro:

Foto: Divulgação.

Bingo: O Rei das Manhãs

por: Cinevitor

bingoposternovoDireção: Daniel Rezende

Elenco: Vladimir Brichta, Leandra Leal, Augusto Madeira, Cauã Martins, Domingos Montagner, Tainá Müller, Emanuelle Araújo, Fernando Sampaio, Ana Lúcia Torre, Soren Hellerup, Ricardo Ciciliano, Pedro Bial, Raul Barreto.

Ano: 2017

Sinopse: Inspirado na vida do ator e apresentador Arlindo Barreto, o filme narra as desventuras de Augusto, um artista que sonha em encontrar seu lugar sob os holofotes e que se depara com sua grande chance ao se tornar Bingo, um palhaço apresentador de um programa infantil que é sucesso absoluto no Brasil. Porém, uma cláusula no contrato não permite revelar quem é o homem por trás da maquiagem e Augusto, ou o novo Rei das Manhãs, se transforma no anônimo mais famoso do Brasil. Debochado, o ex-astro de pornochanchadas e agora apresentador conquista a garotada e chega a liderança da audiência nas manhãs ao mesmo tempo em que mergulha em uma vida de excessos, que o afasta de seu filho, a única criança que o conhece de verdade.

Crítica do CINEVITOR: Quando os anos 1980 chegaram, o mundo já tinha passado por guerras, crises mundiais, o homem já tinha pisado na Lua, Janis Joplin já era musa, Elvis Presley estava morto e o Brasil já tinha ganhado a Copa do Mundo três vezes. A era da contracultura, da liberdade e do Tropicalismo já era passado quando fomos tomados pelo exagero oitentista que estava surgindo. Vimos Michael Jackson quebrando recordes, o surgimento da AIDS, o começo da MTV, ombreiras nos figurinos, cabelos volumosos, uma apresentadora infantil saindo de uma nave espacial e uma cultura pop que reverberava em todos os cantos. Foi aqui que vimos também um homem vestido de palhaço alegrando as manhãs das crianças brasileiras, que não desgrudavam da TV e queriam brincar, mandar cartas e ligar para aquele apresentador tão carismático. Mas, o que tinha por trás daquele nariz vermelho e daquela roupa colorida? Em Bingo: O Rei das Manhãs deixamos a função espectador de lado para embarcar em um passeio por trás das câmeras. Dirigido por Daniel Rezende, prestigiado montador que foi indicado ao Oscar por seu trabalho em Cidade de Deus, o filme retrata com excelência a década de 1980, mas vai além disso. É um filme de personagem, com profundidade e que se conecta com o público. Na história, conhecemos Augusto, um astro da pornochanchada, que se torna um sucesso absoluto ao interpretar um apresentador vestido de palhaço em um programa infantil. Em alta voltagem, Vladimir Brichta entrega uma atuação intensa e verossímil à história de seu protagonista. Acompanhamos sua busca por reconhecimento, as consequências da fama, suas angústias, seus medos, suas recaídas, suas fugas e sua transformação pessoal. Com roteiro de Luiz Bolognesi, a narrativa traz uma carga dramática que se mistura ao cômico com entrosamento, formando uma tragicomédia cheia de extremos: vamos junto com o personagem da alegria à tristeza e do luxo ao lixo. É nessa transição sentimental do protagonista que enxergamos seus pontos altos e baixos. É interessante a forma como a história é conduzida: se no começo temos um pai presente, ao longo dos acontecimentos percebemos sua ausência perante seu filho, por exemplo. Por trás daquele sorriso maquiado em frente às câmeras, que cativa um público puro e ingênuo, encontramos um ser humano repleto de divergências, que vive, ao mesmo tempo, vidas opostas e distantes daquele palco colorido onde os holofotes refletem alegria, esta que é virada do avesso quando as luzes se apagam. Bingo: O Rei das Manhãs funciona muito bem por diversos motivos: o elenco talentoso, a direção certeira de Daniel Rezende, que sabe o que quer e o que está fazendo, a combinação harmoniosa entre direção de arte, figurino e fotografia e o olhar apurado em relação à nossa cultura pop, que aparece em detalhes que logo remetem à época retratada sem precisar abusar de exageros nas referências. Há também uma liberdade narrativa, ainda que seja baseado em uma história real. Nesse caso, na vida de Arlindo Barreto, que viveu o famoso palhaço Bozo na TV. Neste filme, todos os elementos técnicos se encaixam com a dramaturgia e acompanhamos a trajetória de seu protagonista com começo, meio e fim: passamos por suas dificuldades, pelo sonho em ser reconhecido profissionalmente, o auge da fama, problemas familiares, drogas, sexo, orgias, amigos, solidão, prêmios, Gretchen, decadência. Bingo: O Rei das Manhãs conta a história de um artista, de um homem em busca de acertos e mostra seu protagonista de diversas maneiras com ou sem maquiagem e não esquece de retratá-lo como ser humano, com defeitos e qualidades. É um filme pop, com ritmo, qualidade e que não vai sair da sua cabeça tão cedo. Pontos para o cinema brasileiro! (Vitor Búrigo)

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

Bye Bye Alemanha

por: Cinevitor

byebyealemanhaposterEs war einmal in Deutschland…

Direção: Sam Garbarski

Elenco: Moritz Bleibtreu, Antje Traue, Tim Seyfi, Mark Ivanir, Anatole Taubman, Jeanne Werner, Hans Löw, Pál Mácsai, Václav Jakoubek, Joachim Paul Assböck, Joel Basmann, Jeff Burrell, Harvey Friedman, Tania Garbarski, Éric Gigout, Heike Hanold-Lynch, Fabienne Elaine Hollwege, Christian Kmiotek, Anna König, Bettina Stucky, Oleg Tikhomirov.

Ano: 2017

Sinopse: Em Frankfurt, 1946, o judeu David Berman, e seus seis amigos, só tem um propósito em mente: conseguir finalmente ir embora da Alemanha. Mas, nos tempos difíceis de crise após o fim da Segunda Guerra Mundial, eles precisam de muito dinheiro para realizar seu sonho de partir para os Estados Unidos. Para isso, encontram apenas uma saída: começar a vender enxovais para mulheres alemãs.

Nota do CINEVITOR:

nota-3-estrelas

Últimos Dias em Havana

por: Cinevitor

ultimosdiashavanaposter1Últimos días en La Habana

Direção: Fernando Pérez

Elenco: Jorge Martínez, Patricio Wood, Gabriela Ramos, Yailene Sierra, Cristian Jesús, Coralita Veloz, Ana Gloria Buduen, Carmen Solar.

Ano: 2016

Sinopse: No bairro Centro Habana, no coração da capital de Cuba, Miguel sonha em fugir para Nova York. Enquanto espera por um visto que nunca chega, trabalha lavando pratos num restaurante. Diego sonha viver. Prostrado e imóvel pela Aids, libera toda sua energia em sua estreita cama, no menor quarto do cortiço onde moram. Enquanto Miguel dá comida para Diego, descobrimos que são como a noite e o dia. Diego é gay, positivo, brilhante; Miguel é assexuado, negativo, escuro. Diego é o herói; Miguel, o anti-herói. Mas entre eles existe uma amizade contraditória e indestrutível, sustentada por um passado do qual só eles conhecem o segredo.

*Filme assistido no 27º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema.

Crítica do CINEVITOR: Em breve.

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

Mimosas

por: Cinevitor

mimosasposterDireção: Oliver Laxe

Elenco: Ahmed Hammoud, Shakib Ben Omar, Said Aagli, Ikram Anzouli, Ahmed El Othemani, Hamid Fardjad, Margarita Albores, Abdelatif Hwidar, Ilham Oujri, Moe Mohamed Oummad, Hassan Ben Badida, Mohammed Ikrizzi.

Ano: 2016

Sinopse: Uma caravana leva um xeque moribundo pela parte marroquina da cordilheira do Atlas. Seu último desejo é ser enterrado na cidade medieval de Sijilmasa, mas a morte não espera. Said e Ahmed dizem que conhecem o caminho e prometem levar o corpo do soberano ao destino. Em outro mundo, Shakib é escolhido para sua primeira missão: ajudar os viajantes a cumprir a palavra que deram.

*Filme assistido na 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

Bingo: O Rei das Manhãs: Vladimir Brichta e Daniel Rezende falam sobre o filme, bastidores e referências

por: Cinevitor

bingoespecial2Vladimir Brichta: o palhaço protagonista.

Dirigido por Daniel Rezende, premiado montador indicado ao Oscar por Cidade de Deus, com roteiro de Luiz Bolognesi, de Bicho de Sete Cabeças, e fotografia de Lula Carvalho, de Tropa de Elite, Bingo: O Rei das Manhãs é estrelado por Vladimir Brichta, Leandra Leal, Emanuelle Araújo e Tainá Müller e traz um retrato da efervescente televisão nacional nos anos 1980.

Inspirado na vida de Arlindo Barreto, conhecido por ter interpretado o palhaço Bozo, o filme, que já está em cartaz nos cinemas, conta a história de Augusto, um artista que sonha com seu lugar sob os holofotes. A grande chance surge ao se tornar Bingo, um palhaço apresentador de um programa infantil na televisão que é sucesso absoluto. Porém, uma cláusula no contrato não permite revelar quem é o homem por trás da máscara. Augusto, o “Rei das Manhãs”, é o anônimo mais famoso do Brasil.

Nesta semana, o CINEVITOR participou de uma mesa redonda, em São Paulo, que contou com a presença do diretor e do protagonista, Vladimir Brichta. Confira os melhores momentos do bate-papo:

MOTIVAÇÃO:

“Três coisas me motivaram a fazer o filme: a relação com o filho e com a mãe; a questão de lutar pelo sucesso, que é um desejo de todo mundo, ter o reconhecimento público e essa busca pelo sucesso sob o ponto de vista do ator; e o terceiro elemento foi a história desse palhaço triste, o cara que faz a alegria das pessoas, mas que tem um lado sofrido e desajustado. Na mesma proporção que ele vive essa alegria, ele também pode se afundar na tristeza, na amargura, nos seus dilemas”, disse Vladimir.

“Além disso, o roteiro incrível também me motivou pelo fato de trazer esses elementos trágicos e cômicos, que fazem o personagem ser mais abrangente. Na minha carreira, eu estava mais próximo de um determinado gênero e esse papel é mais amplo”, completou.

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O INÍCIO DO PROJETO:

“Eu estava procurando algo para ser meu primeiro filme e essa história do Arlindo [Barreto] me chamou a atenção. Eu vi uma história surreal, absurda, de um cara que viveu muitas vidas numa só. Eu queria entender quem era esse cara atrás daquela máscara, como é essa pessoa? Também me chamou atenção a questão de alguém que apresenta um programa infantil, que tá convivendo com crianças e começa a se desconectar do filho”, revela o diretor.

REFERÊNCIAS:

“Eu vivi os anos 1980. A televisão era algo mágico pra mim. E me interessava o que tava atrás do que a câmera estava mostrando. Tudo isso me interessou. Eu tinha uma excelente história e precisava achar um grande filme aqui dentro. Eu queria encontrar algo que conectasse com as pessoas, que ao mesmo tempo não fosse raso, e principalmente poder olhar para a nossa cultura pop. Acho que o nosso cinema olha pouco para a nossa cultura pop, que é pouco explorada. Eu trouxe muito da minha vivência pessoal nos detalhes, mas eu sempre soube que estávamos contando a vida de um grande personagem”, disse Daniel Rezende.

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ATUAÇÃO:

“A energia, comparada ao que eu fiz em cinema e na TV, é diferente. É uma voltagem maior. Na verdade é uma voltagem que já experimentei muito em teatro. Me dava essa sensação de algo ininterrupto, como uma peça teatral, e isso desgasta, mas em outro lugar, não só no físico. Mas, emocionalmente, a cabeça cansa. Essa é uma voltagem que eu conheço, mesmo desconhecendo o personagem antes de fazer. Aqui, eu resgatei uma forma que eu tinha no teatro”, revela Vladimir.

“Originalmente, o filme era pra ser feito com o Wagner [Moura]. O Daniel [Rezende] conta que na época do Tropa de Elite eles já falavam em fazer algo juntos, baseado em fatos reais, mas não era esse projeto ainda. Até que um dos produtores viu uma entrevista do Arlindo, achou interessante e foi atrás para comprar os direitos e chamou o Daniel Rezende para fazer o filme. Durante essa caminhada toda, o Wagner se interessou, decidiu fazer, mas precisou deixar o projeto. Certo dia, estávamos eu e Lázaro [Ramos] com Wagner quando ele falou que tinha um filme que não ia conseguir fazer, com um roteiro incrível e disse que deveríamos fazer. Eu já sabia que se tratava de algo interessante. Logo, o Dani [diretor] entrou em contato comigo e me chamou para conversar. Ele disse que já conhecia meu trabalho, mas queria bater um papo para entender como eu enxergaria essa história. Pintou uma série na TV, que eu já estava super comprometido, e eu quase não fiz o Bingo. Mas deu certo”, conta o protagonista.

BASEADO EM FATOS REAIS:

“O Arlindo [Barreto] foi incrível. Ele foi muito aberto durante o período de pesquisa, contou tudo, foi muito disponível e parceiro, mesmo sabendo que não faríamos um documentário sobre a sua vida. Ele assistiu ao filme há pouco tempo e eu estava apavorado para saber a reação dele, mas ele amou o filme. Eu espero que o filme seja visto pela história, que é universal.”, disse Daniel.

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GRETCHEN:

“Desde o começo, escolhemos fazer uma ficção para ter total controle criativo. O filme é completamente baseado na vida do Arlindo, por isso não queríamos estar tão atrelado a algo para fazer a nossa história. Muitas coisas que estão ali realmente aconteceram na vida real, outras não. Mas eu queria que tivesse algo, pelo menos uma coisa, que jogasse o espectador lá para trás. Então, eu pensei que se tivesse que ter alguma coisa seria a Gretchen, já que ela e o Arlindo namoraram. Essa decisão foi tomada há seis anos. Então é como se fosse a cereja do bolo e também porque eu acho Conga Conga Conga uma música extraordinária”, conta o diretor.

OS PALHAÇOS:

“O Domingos [Montagner] e o Fernando Sampaio tiveram uma participação muito importante. O Domingos, por exemplo, foi consultado pelo Luiz Bolognesi [roteirista] e pelo Daniel para falar sobre o palhaço. Naquela cena em que ele aparece, tem muito dele por sua experiência. E o Fernando foi quem me preparou para fazer o palhaço, me ajudou a desvendar esse mistério do personagem, a desmistificar, se jogar naquilo e entender aquele ambiente. Fora isso, ver o Domingos em cena é emocionante, tocante. Uma morte lamentável”, revelou Vladimir.

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QUALIDADE:

“Eu queria fazer um filme que tivesse profundidade, que fosse sobre um personagem e não fosse raso. Busquei trabalhar com a melhor equipe para que tivéssemos qualidade. A dramaturgia brasileira, muitas vezes preza por outras coisas, mas esquece da qualidade técnica. Esse filme foi muito pensado na direção de arte, na fotografia, no figurino, no tom da atuação”, disse o diretor.

“A década de 1980 foi uma época de exagero. A chance de errarmos era muito grande e eu sempre falei que queria uma direção de arte estupenda, só que tinha que tomar cuidado para ela não aparecer, tinha que estar nos detalhes, controlada pelas cores. Tudo era exagerado, a televisão era um exagero naquele tempo. A arte não poderia estar na frente dos personagens. Fazer um filme de época é caro e complexo, por isso estudamos muito os cenários e a concepção do palhaço”, completou.

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A MONTAGEM:

“O diretor é um cara que, teoricamente, tem que saber de tudo. Desde o começo eu decidi que não iria montar nenhum trabalho que eu fizesse. Como montador, eu sempre gostei de proporcionar algo para os filmes, de poder trazer um olhar fresco, contestar o diretor e poder apresentar uma outra visão. E eu não queria perder isso. O Bingo sempre foi concebido com a ideia de ser montado pelo Marcio Hashimoto, que é um excelente montador. Óbvio que eu participei da montagem, mas como diretor. Foi muito prazeroso olhar o material sendo transformado por outra pessoa”, disse Daniel.

FAMA:

“O poder corrompe mais que a fama, pois a fama eventualmente lhe dá poder. O filme reverbera, de alguma forma, nesse discurso. A projeção te afeta quando você causa um certo fascínio sobre as pessoas e administrar isso não é fácil”, finalizou Vladimir.

Fotos: Luiz Maximiano e Alisson Louback.

El Sereno

por: Cinevitor

elserenoposterDireção: Oscar Estévez, Juacko Mauad.

Elenco: Gastón Pauls, César Troncoso, Alvaro Armand Ugon, Valentina Barrios, Cecilia Caballero, Lalo Labat.

Ano: 2017

Sinopse: Fernando é o novo vigia noturno de um depósito prestes a ser demolido. Certa noite, ele começa a escutar barulhos estranhos e encontra uma porta aberta, que deveria estar fechada. Intrigado e proibido de circular pelo segundo andar do prédio, resolve se arriscar sem saber o que lhe espera por lá.

*Filme assistido no 45º Festival de Cinema de Gramado.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

Otto Guerra recebe o Troféu Eduardo Abelin no 45º Festival de Cinema de Gramado

por: Cinevitor

ottoabelinOtto Guerra: um dos homenageados deste ano.

Destinado a diretores, cineastas ou entidades do cinema brasileiro, o Troféu Eduardo Abelin foi criado em 2003 e já homenageou, em suas últimas edições, nomes como José Mojica Marins, Zelito Viana, Walter Carvalho e Arnaldo Jabor. Neste ano, em que é celebrado o centenário da animação no Brasil, a homenagem do 45º Festival de Cinema de Gramado foi entregue para o diretor gaúcho Otto Guerra, que há mais de quatro décadas faz carreira no cinema com este gênero.

Com longa trajetória em Gramado, Otto esteve pela primeira vez no festival em 1984 com a produção O Natal do Burrinho, que lhe rendeu o prêmio de melhor filme na Mostra Gaúcha de Curtas. Desde então, o cineasta teve seus trabalhos premiados em outras seis edições do evento, sendo a mais recente em 2013, com o longa-metragem Até Que a Sbórnia nos Separe, vencedor dos prêmios de melhor filme pelo júri popular e direção de arte. Nave Mãe, Novela, O Reino Azul, Treiler, As Cobras e Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll também foram exibidos em Gramado.

Durante a homenagem, no Palácio dos Festivais, a produção exibiu um vídeo com depoimentos de amigos e colegas de trabalho de Otto Guerra, que, subiu ao palco emocionado, no sábado, 19/08, e recebeu o troféu das mãos de José Maia, seu companheiro de produtora que o acompanha na carreira há 40 anos.

Aperte o play e confira a homenagem:

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Foto: Diego Vara/Pressphoto.

Conheça os vencedores da Mostra Gaúcha de Curtas do 45º Festival de Cinema de Gramado

por: Cinevitor

curtasgauchos2017Vencedores reunidos no palco do Palácio dos Festivais.

Foram anunciados neste domingo, 20/08, os vencedores da Mostra de Curtas Gaúchos do 45º Festival de Cinema de Gramado. O documentário Secundas, dirigido por Cacá Nazário, que retrata o movimento de ocupações escolares ocorrido no Rio Grande do Sul, em 2016, foi escolhido como o melhor filme desta edição.

A premiação, entregue pela Assembleia Legislativa, destacou ainda realizadores em outras 12 categorias, distribuindo um total de 45 mil reais em dinheiro. Secundas recebeu também o prêmio CiaRio no valor de oito mil reais em locações de equipamentos da Naymar.

Conheça os vencedores da mostra gaúcha de curtas-metragens do Festival de Gramado 2017:

TROFÉU ASSEMBLEIA LEGISLATIVA:

Melhor Filme: Secundas, dirigido por Cacá Nazario
Melhor Direção: Emiliano Cunha, por Sob Águas Claras e Inocentes
Melhor Ator: João Pedro Prates, por 1947
Melhor Atriz: Mariana Yomared, por Yomared
Melhor Roteiro: Temporal, escrito por Gabriel Honzik
Melhor Edição de Som: Temporal, por Ivan Lemos e Thiago Gautério
Melhor Música: Yomared, por Mariana Yomared e Banda da Convenção de Malabares de Florianópolis
Melhor Direção de Arte: Solito, por Eduardo Reis
Melhor Montagem: Yomared, por Lufe Bollini
Melhor Fotografia: Temporal, por Carine Wallauer
Melhor Produtor/Produtor Executivo: Ausang, Davi De Oliveira Pinheiro, Emiliano Cunha e Pedro Guindani, por Sob Águas Claras e Inocentes
Menção Honrosa: Elenco de Sob Águas Claras e Inocentes
Prêmio Júri da Crítica: Sob Águas Claras e Inocentes, de Emiliano Cunha

PRÊMIO AQUISIÇÃO TVE:
Vencedor: Gestos, de Alberto Goldim e Júlia Cazarré
Menção Honrosa: Sena, o fio em prosa, de Marcelo da Rosa Costa e Cacá Sena

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Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto.