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Dolittle

por: Cinevitor

dolittleposter1Direção: Stephen Gaghan

Elenco: Robert Downey Jr., Antonio Banderas, Michael Sheen, Jim Broadbent, Jessie Buckley, Harry Collett, Emma Thompson, Rami Malek, John Cena, Kumail Nanjiani, Octavia Spencer, Tom Holland, Craig Robinson, Ralph Fiennes, Selena Gomez, Marion Cotillard, Kasia Smutniak, Carmel Laniado, Frances de la Tour, Jason Mantzoukas, Ralph Ineson, Joanna Page, Sonny Ashbourne Serkis, Oliver Chris, Clive Francis, Paul Holowaty, Elliot Barnes-Worrell, Mark Umbers, Tim Treloar, Nick A Fisher, Matt King, Ranjani Brow, Kelly Stables, Scott Menville, Gia Davis, Kyrie Mcalpin, Isley Zamora, Stewart Scudamore, Samson Kayo, Joseph Balderrama, Daniel Hoffmann-Gill, Jane Leaney, Richard Soames.

Ano: 2020

Sinopse: Depois de perder a esposa, sete anos antes, o excêntrico Dr. John Dolittle, famoso médico e veterinário na Inglaterra da Rainha Victoria, se isola atrás dos muros altos da sua mansão Dolittle, com a companhia apenas de sua coleção de animais exóticos. Mas quando a jovem rainha fica gravemente doente, Dolittle relutantemente é forçado a partir em uma aventura épica para uma ilha mítica em busca de uma cura, recuperando suas habilidades e sua coragem enquanto cruza velhos oponentes e descobre criaturas maravilhosas. O médico é acompanhado por um jovem aprendiz auto-nomeado e um grupo barulhento de amigos animais, incluindo um gorila ansioso, uma pata entusiasmada e doidinha, uma dupla briguenta de um avestruz cínico e um otimista de urso polar e um papagaio teimoso, que é o conselheiro mais confiável de Dolittle.

Nota do CINEVITOR:

nota-2,5-estrelas

O Jovem Ahmed

por: Cinevitor

jovemahmedposter1Le jeune Ahmed

Direção: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne.

Elenco: Idir Ben Addi, Olivier Bonnaud, Myriem Akheddiou, Victoria Bluck, Claire Bodson, Othmane Moumen, Amine Hamidou, Yassine Tarsimi, Cyra Lassman, Karim Chihab, Nadège Ouedraogo, Frank Onana, Laurent Caron, Annette Closset, Madeleine Baudot, Bazil Jall, Eva Zingaro, Philippe Toussaint, Anthony Foladore, Benoît Stiz, Baptiste Sornin, Marc Zinga, Marion Lory, Mohammad Boujdid, Amel Benaïssa, Ben Hamidou, Samir Talbi, Mélanie Hezumuryango, Timur Magomedgadzhiev, Monia Douieb, Gianni La Rocca, Vincent Sornaga, Nadia Gangji, Franck Laisné, Bogdan Zamfir, Salim Talbi.

Ano: 2019

Sinopse: Ahmed é um jovem muçulmano de 13 anos que vive na Bélgica. Seguindo as palavras de um imã local, e inspirado nos passos do primo extremista, ele começa a rejeitar a autoridade da mãe e da professora. Quando se convence de que a professora é uma pecadora por ministrar um curso de árabe sem utilizar o Corão, Ahmed decide matá-la para impressionar os líderes religiosos e agradar a Alá. Depois do ato, o adolescente precisa lidar com as consequências de seu crime, e com as tentações da vida, ao encontrar o seu primeiro amor.

*Filme visto na 43ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

As Invisíveis

por: Cinevitor

asinvisiveisposterLes invisibles

Direção: Louis-Julien Petit

Elenco: Audrey Lamy, Corinne Masiero, Noémie Lvovsky, Déborah Lukumuena, Patricia Mouchon, Khoukha Boukherbache, Bérangère Toural, Patricia Guery, Marie-Christine Descheemaker, Laetitia Grigy, Fedoua Laafou, Adolpha Van Meerhaeghe, Stéphanie Brayer, Marie-Thérèse Boloke Kanda, Aïcha Bangoura, Dominique Manet, Assia Menmadala, Marianne Garcia, Sarah Suco, Pablo Pauly, Brigitte Sy, Quentin Faure, Marie-Christine Orry, Fatsah Bouyahmed, Tassadit Mandi, Zoé Pinelli, Adèle Choubard, Marvin Dubart, Eric Frey, Sébastien Chassagne, Antoine Reinartz, Philippe Berodot, Marie Ansart, Emilie Deletrez, Marie Bourin, Guillaume Cloud-Roussel, Julien Ledet, Eric Wielemans, Marie-Hélène Petit, Jean-Marie Petit, Fatumata Keita, Sandrine Milleville, Cécile Trigalez.

Ano: 2018

Sinopse: Após uma decisão municipal, um abrigo para mulheres sem-teto, L’Envol, está prestes a fechar as portas. Com apenas três meses para reintegrar as mulheres que ali eram abrigadas, as assistentes sociais fazem tudo o que podem: mexem os pauzinhos, distorcem a verdade e até mesmo contam mentiras descaradas; a partir de agora vale tudo!

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

Confira o trailer de Nóis por Nóis, de Aly Muritiba e Jandir Santin, que estreia no dia 12 de março

por: Cinevitor

noispornoistrailerOs atores Matheus Correa e Luiz Bertazzo em cena.

Nóis por Nóis acompanha a vida de jovens da Vila Sabará, comunidade da periferia de Curitiba que têm seus destinos selados após uma festa. Dirigido pela dupla Aly Muritiba e Jandir Santin, o longa trabalha com atores naturais e traz no casting jovens da cidade que pertencem ao movimento negro e do rap.

“Fizemos um amplo processo de casting e depois de preparação com a molecada do rap e do movimento negro da cidade, que junto com atores e atrizes profissionais nos ajudaram a dar forma ao roteiro”, disse Muritiba.

A ideia de fazer um filme com jovens da periferia, mais especificamente da Vila Sabará, a maior ocupação urbana da cidade de Curitiba e que tem um longo histórico de luta, partiu do Jandir Santin, que atuava como educador na comunidade trabalhando com audiovisual. Como Aly Muritiba já realizava um cinema político e tinha alguma experiência com atores naturais, ele fez o convite para Muritiba pensar e escrever a história com ele. A ideia original era retratar o cotidiano de meninas e meninos que tentam sobreviver e criar naquele ambiente adverso.

Depois de falar sobre bullying virtual e no universo jovem com Ferrugem, Muritiba revisita esse universo com Nóis por Nóis, mas com diferentes abordagens: “As questões que atravessam os jovens periféricos são de outra natureza, são mais urgentes e diretas, menos existencialistas e mais de natureza da existência física mesmo. O simples fato de estar no mundo, de se locomover nas ruas, já constitui uma situação de insegurança quando se é preto, pardo ou mina. Então era importante em Nóis por Nóis dar a ver esta situação, mas não apenas como diagnóstico, mas apontando caminhos de resistência também. É por isso que neste filme os corpos estão nas ruas, ocupando e reivindicando o direito à existência. Em Ferrugem, os corpos juvenis estão nos condomínios, nas escolas, atrás de muros. Aqui não”, explica Muritiba.

O longa conta com Ma Ry, Matheus Moura, Maicon Douglas, Otávio Linhares, Luiz Bertazzo, Matheus Correa, Stephanie Fernandes, Felipe Shat, Sol do Rosário, Patrícia Savary, Marcos Tonial e Regina Célia Razzolini no elenco.

Confira o trailer de Nóis por Nóis, que estreia no dia 12 de março:

Foto: Divulgação/Olhar Distribuição.

Morre, aos 83 anos, José Mojica Marins, o Zé do Caixão

por: Cinevitor

morrezedocaixaoPioneiro do cinema de horror no Brasil.

Morreu nesta quarta-feira, 19/02, aos 83 anos, o diretor, roteirista e ator José Mojica Marins, conhecido como Zé do Caixão. O mestre do terror brasileiro estava internado desde o final de janeiro e faleceu por conta de uma broncopneumonia, em São Paulo. A morte foi confirmada pela filha, a atriz Liz Marins.

Filho de artistas circenses, Mojica mostrou interesse pela sétima arte ainda na infância quando assistia aos filmes na sala de projeção de um cinema que seu pai trabalhava, na Vila Anastácio. Aos 12 anos, ganhou uma câmera e realizou diversos filmes caseiros. Além disso, montou uma escola de interpretação para os amigos e, aos 17 anos, fundou a Companhia Cinematográfica Atlas.

Em 1950, dirigiu, escreveu e atuou em seu primeiro filme, o curta-metragem Reino Sangrento. Oito anos depois, realizou seu primeiro longa-metragem, o faroeste A Sina do Aventureiro, no qual também atuou. Na sequência vieram: o curta Sentença de Deus, que passou por diversas dificuldades de produção, e o longa Meu Destino em Tuas Mãos, lançado em 1963.

Foi em 1964 que ganhou grande destaque ao lançar À Meia Noite Levarei Sua Alma, filme em que seu personagem mais famoso, o Zé do Caixão, apareceu pela primeira vez. Depois disso, o temido agente funerário apareceu em diversas produções, como: Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver, Quando os Deuses Adormecem, Exorcismo Negro, A Estranha Hospedaria dos Prazeres, A Encarnação do Demônio, entre outros.

mojicafilmeEm cena do filme À Meia Noite Levarei Sua Alma, de 1964.

Em 2016, Mojica foi homenageado na 44ª edição do Festival de Cinema de Gramado com o Troféu Eduardo Abelin. Porém, por determinação médica, teve que cancelar sua ida à serra gaúcha e foi representado pela filha, a atriz e cineasta Liz Marins, também conhecida como Liz Vamp. A homenagem celebrou mais do que o inegável legado ao gênero do horror que Marins ajudou a construir e consolidar no Brasil com seu eterno personagem Zé do Caixão, mas também reverenciou seu talento como diretor, roteirista e produtor. Clique aqui e assista aos melhores momentos da homenagem.

Em 2015, na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, recebeu o Prêmio Leon Cakoff. Em 2000, foi homenageado pelo conjunto da obra no Fantasporto, Festival Internacional de Cinema Fantástico do Porto, em Portugal. No Festival Paulínia de Cinema, em 2008, seu longa Encarnação do Demônio foi premiado como melhor filme pelo júri e pela crítica. No Festival Sesc Melhores Filmes, em 2009, o terror foi escolhido pelo público como melhor filme e melhor direção. Também foi consagrado no Fant-Asia Film Festival, Catalonian International Film Festival, entre outros.

José Mojica também fez sucesso na TV: na década de 1960 apresentou o Cine Trash, na Rede Bandeirantes. Em 2008, o programa O Estranho Mundo de Zé do Caixão foi lançado no Canal Brasil e rendeu sete temporadas. Além disso, sua vida foi retratada na série Zé do Caixão, exibida no canal Space, na qual o ator Matheus Nachtergaele interpretou o cineasta. Em 2011, foi homenageado pela escola de samba Unidos da Tijuca, no carnaval carioca.

zecaixaogramado

Considerado o mestre do horror brasileiro, desbravou o gênero com muita sátira e provocação, como em À Meia Noite Levarei Sua Alma, que chocou a moral da época ao colocar seu icônico personagem comendo carne crua em plena sexta-feira santa. Sua obra também ganhou muito destaque na Europa e nos Estados Unidos.

O cineasta paulistano, que marcou a história do cinema brasileiro, deixa uma obra com mais de 40 filmes como diretor e mais de 60 produções como ator, entre curtas e longas de ficção, documentários e séries.

Fotos: Agilberto Lima/Patrícia Cecatti/Divulgação.

De Perto Ela Não é Normal: confira o trailer da comédia protagonizada por Suzana Pires

por: Cinevitor

suzyangelicatrailerAngélica e Suzana Pires em cena.

Com direção de Cininha de Paula, de Crô em Família e Duas de Mim, a comédia De Perto Ela Não é Normal, protagonizada por Suzana Pires, chega aos cinemas no dia 2 de abril. O filme é uma adaptação do monólogo da atriz, que rodou os palcos de todo o país levando mais de 500 mil pessoas ao teatro.

Na trama, Suzana interpreta três personagens e o longa conta também com um elenco estrelado: Angélica, Ivete Sangalo, Marcelo Serrado, Samantha Schmütz, Henri Castelli, Gaby Amarantos, entre outros grandes atores. O roteiro é da própria Suzana (que foi coautora, ao lado de Walter Negrão, de novelas como Sol Nascente e Flor do Caribe), que escreve pela primeira vez para o cinema, em parceria com Martha Mendonça e Renato Santos.

De forma leve, divertida e irreverente, Suzana Pires interpreta Suzie, Neide e Tia Suely, três faces femininas de uma mesma família. Suzie é o alter ego que a própria Suzana interpreta. Uma mulher madura, de 40 e poucos anos, casada e com duas filhas crescidas, que segue exatamente a vida tradicional que a sua mãe acreditava ser a correta. Esposa de seu amigo de infância, Pedrinho, um homem preguiçoso e sem muita opinião própria, Suzie ainda tem que lidar com Dora, uma sogra rabugenta, que faz da vida dela um verdadeiro inferno. Sentindo-se infeliz e pressionada por tudo e por todos, ela não consegue mais se enxergar como a menina sensível e criativa que foi na infância. Quando reencontra sua Tia Suely, uma mulher livre e decidida, ela resolve dar uma guinada na vida e ir em busca de si mesma.

E mais: na trama, Samantha Schmütz interpreta Naninha, a amiga de academia que tenta fazer Suzie emagrecer e ficar sarada de forma não convencionais; Ivete Sangalo é Dayse Aparecida, uma hilária professora de filosofia da faculdade de Direito; Angélica volta às telonas após 11 anos para interpretar Rebeca, amiga de infância de Suzie, casada com JP, interpretado por Izak Dahora.

Já a cantora Gaby Amarantos faz sua estreia nas telonas no papel de Maria Pia, uma advogada empoderada e bem-sucedida, que oferece o primeiro trabalho na área para a protagonista; Henri Castelli, também estreante nos cinemas, interpreta um Deus grego, ou quase isso, e faz par romântico com a protagonista, que também se envolve com os personagens de Ricardo Pereira e Otaviano Costa. Cristina Pereira interpreta Dora, a sogra rabugenta de Suzie e Jane Di Castro é Geralda Maltêz, chefe de departamento no INSS. O longa-metragem conta ainda com Maria Clara Gueiros, Heloisa Perissé, Marcos Caruso, Maria Clara Spinelli, Anna Lima, Sarajane, Tulio Schuelter, João Bravo e uma participação especial do Orlando Drummond, o eterno Seu Peru, da Escolinha do Professor Raimundo.

O filme é a primeira produção brasileira a contar com a cláusula de inclusão (inclusion rider), que ficou mundialmente conhecida após o discurso de agradecimento da atriz Frances McDormand no Oscar 2018. A cláusula exige um nível de diversidade tanto na construção dos personagens, quanto na escalação de elenco e equipe técnica.

Assista ao trailer da comédia De Perto Ela Não é Normal:

Foto: Ellen Soares.

Shaun, o Carneiro: O Filme – A Fazenda Contra-Ataca

por: Cinevitor

shaunfazendaatacaposterA Shaun the Sheep Movie: Farmageddon

Direção: Will Becher, Richard Phelan.

Elenco: Justin Fletcher, John Sparkes, Amalia Vitale, Kate Harbour, David Holt, Richard Webber, Simon Greenall, Joe Sugg, Emma Tate, Andy Nyman, Chris Morrell, Ron Halpern, Joseph Balderrama, Will Becher, Tim Hands, Naomi McDonald, Richard Phelan, Adam Rhys Dee, Antony Bayman, Tom Collingwood, Adrian Rhodes, Mohammad Nayem.

Ano: 2019

Sinopse: Shaun e seu rebanho tentam ajudar uma adorável alienígena a voltar para seu planeta, mas eles precisam fugir dos agentes do governo que estão atrás dela.

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

Entrevista: cineasta Dea Ferraz fala sobre Modo de Produção, documentário sobre um sindicato de trabalhadores rurais em Pernambuco

por: Cinevitor

modo2Trabalhadores rurais são destacados no filme.

No documentário Modo de Produção, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 13/02, o protagonismo cabe a um sindicato de trabalhadores rurais em uma pequena cidade pernambucana. Com direção de Dea Ferraz, o filme analisa os elos entre Capital, Estado e Justiça.

Todo dia, trabalhadores e trabalhadoras, de existências marcadas pela indústria canavieira, vão ao sindicato para tratar com os advogados sobre direitos, deveres, perspectivas de aposentadorias e demissões. E assim parecem cada vez mais enredados nas complexas relações entre Capital, Estado e Justiça. Nessa perspectiva, qual é o papel de um sindicato quando uma massa de trabalhadores segue à mercê de mecanismos burocráticos?

Modo de Produção faz do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Ipojuca, Canela e Nossa Senhora do Ó, a cerca de 60 km do Recife, seu personagem central. Um lugar por onde passa, a cada dia, uma massa de trabalhadores rurais, de vidas talhadas pela cana. Aposentadorias, demissões, vínculos laborais e um suposto desenvolvimento econômico-social que se avizinha como uma miragem distante ou, quem sabe, fantasma: o Porto de Suape.

Dirigido pela realizadora pernambucana Dea Ferraz, dos documentários Câmara de Espelhos, de 2016, e Mateus, de 2019, o filme foi rodado em 2013, montado em 2016 e exibido pela primeira vez em janeiro de 2017, na Mostra de Cinema de Tiradentes. Passou ainda no 6º Olhar de Cinema, na mostra Esses corpos indóceis do 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ForumDoc.BH e no 10º Janela Internacional de Cinema do Recife.

Para falar mais sobre Modo de Produção, entrevistamos a diretora Dea Ferraz por e-mail. Confira:

Como surgiu a ideia de realizar esse documentário?

A ideia nasce em 2012, a partir de uma provocação de dois amigos, pesquisadores e jornalistas, Laercio Portela e Cesar Rocha. Na época, andávamos a conversar sobre os impactos de Suape na Região e no Estado, e na forma equivocada com que a mídia hegemônica exaltava o Porto como sendo o oásis do desenvolvimento brasileiro. Já naquela época queríamos pensar sobre essa escolha de desenvolvimento socioeconômico implantado pelos governos Lula/Dilma. Queríamos pensar sobre os impactos ambientais, sociais e humanos que o Porto provocava. E queríamos pensar sobre isso a partir do ponto de vista dos trabalhadores e trabalhadoras da região, majoritariamente pessoas que estavam nas usinas de cana de açúcar. Sendo assim, o primeiro contato na pesquisa de campo foi com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ipojuca, Gamela e Nossa Senhora do Ó, onde acreditávamos ser possível encontrar nossos personagens.

Acontece que ao entrar no Sindicato e depois de passar alguns dias acompanhando os atendimentos jurídicos, fiquei muito impactada pelo abismo explícito que demonstravam. Para mim, o sindicato, e aquela massa de trabalhadores e trabalhadoras que por ele passavam, dava a ver a brutalidade de um sistema perverso como é o Capitalismo e suas relações de trabalho opressoras. Justiça, Estado e Capital como abismos a serem pensados. O filme, portanto, assumindo um desejo de falar de modos de produção que se desdobram em modos de vida. De fato havia algo na pluralidade dos atendimentos que apontavam para condições de existências. Era o sistema como um todo que se apresentava muito claramente ali. Quando decidi filmar o sindicato, assumi o desejo de apontar para uma máquina de funcionamento que faz das pessoas suas engrenagens. Eu percebi que nos atendimentos essa máquina se apresentava, mas não “só” isso, neles também ouvíamos os relatos da vida de trabalho dessas pessoas. Seus horários, suas rotinas sem folga, sem férias, a dificuldade na relação com os empregadores, a insalubridade. Então esse acabou se tornando o foco do filme e Suape uma miragem distante, quase fantasma, como o plano final do filme.

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É interessante saber que o filme foi rodado em 2013, montado em 2016 e exibido pela primeira vez em 2017, sendo que ele ainda dialoga muito com os dias de hoje. Na sua opinião, como ele reverbera na situação atual do país?

Às vezes penso que a arte carrega um mistério tão profundo… a ponto de falar daquilo que está por vir. De fato, o filme se transformou muito, da sua ideia inicial à final. Em 2017 lançamos Modo de Produção na Mostra Tiradentes e naquele momento o país vivia a ameaça da Reforma Trabalhista, de Temer. Enquanto circulávamos pelos festivais, as propostas eram discutidas no congresso e no Senado. Agora, em 2020, o filme chega às salas de cinema, quando a Reforma já foi aprovada e o Governo Bolsonaro acelera a marcha de degradação do aparato de proteção social dos trabalhadores e trabalhadoras, extinguindo o histórico Ministério do Trabalho e promovendo alterações legislativas, como a Medida Provisória 905, que trata do contrato verde e amarelo, onde há a inédita taxação do seguro-desemprego, destinado aos desempregados e desempregadas.

Então sinto que o filme, de certa forma, acompanha tudo isso. E se em 2013 as condições de trabalho já eram precárias, agora tudo desaba numa brutalidade impressionante. Acho que o cinema, e nesse caso Modo de Produção, tem a capacidade de levantar questões atuais, que reverberam para além das telas, porque provocam o pensamento, a reflexão e a troca, na medida em que nos coloca em contato com as imagens e suas personagens reais. 

É revoltante ver algumas situações retratadas no filme que envolvem burocracias e problemas jurídicos com os personagens, que, muitas vezes, não sabem quais são seus direitos trabalhistas. Ao longo do processo de filmagem, você chegou a procurar os patrões e/ou responsáveis por essas indústrias de cana de açúcar? Se sim, teve alguma resposta? Eles sabiam da existência desse filme?

Durante as filmagens tentamos fazer imagens das lavouras de cana de açúcar, mas não fomos autorizadas. As únicas imagens que conseguimos são as últimas, quando vemos à distância alguns trabalhadores na cana, de um ponto de vista da estrada. Mas mesmo assim, depois de 20 minutos filmando, chegaram seguranças da usina, proibindo a gravação. De toda forma, os patrões não eram o foco. Pra mim sempre esteve muito clara a vontade de fazer ver o funcionamento de um sistema que é violento e opressor.

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“Acho que o cinema, e nesse caso Modo de Produção, tem a capacidade de levantar questões atuais, que reverberam para além das telas, porque provocam o pensamento, a reflexão e a troca, na medida em que nos coloca em contato com as imagens e suas personagens reais”

Como foi a repercussão do filme depois de ser exibido em alguns festivais? Com o público, com os trabalhadores, com os Sindicatos e com os patrões (caso tenham se manifestado)?

Como todo filme, Modo de Produção causa diferentes respostas, e acho que essa é a maior capacidade que a arte tem. Eu não acredito em filmes unânimes ou “perfeitos”, fechados neles mesmos. Acredito em processos, em buscas, em fendas e abismos. Cada filme como parte de um caminho, de uma entrega, de um tempo. Deixar que cada espectador encontre dentro de si as questões que lhe mobilizam e que lhe emocionam diante daquelas imagens. A forma que cada um vê e sente o filme se associa às vivências e histórias que cada um carrega. Nos festivais por onde o filme passou, como na Mostra Tiradentes ou no Olhar de Cinema, os debates foram muito importantes e as pessoas acabam falando muito sobre as próprias condições de trabalho, mesmo que sejam trabalhos na cidade. Para alguns, há uma identificação com a condição de vulnerabilidade do trabalho, que é tão forte hoje. Algumas pessoas se incomodam com o fato do filme não entrar na vida individual de cada trabalhador, mas acho que aí seria outro filme, com outros desejos. Também há quem se incomode com a temporalidade dilatada dos atendimentos, a repetição das situações. Mas esse é o cerne do filme: estar com os trabalhadores e as trabalhadoras, permanecer com eles e elas, na repetição de modelos históricos, para, quem sabe, dar a ver o Sistema.

Também exibi o filme em sindicatos e nesses espaços a reflexão passa não só pela identificação com as personagens, mas também por uma auto crítica ou auto reflexão. Foram sessões bonitas de viver. E depois das salas de cinema, estamos planejando uma distribuição pelo Estado de Pernambuco, em sindicatos, universidades e coletivos. Vamos ver agora, em 2020, o que o filme vai causar.

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O filme chega aos cinemas nesta semana, qual sua expectativa em relação ao público (não na questão de bilheteria e sim de reação)? Como você espera que ele dialogue com os espectadores?

Esse é sempre o momento mais difícil pra mim. A gente nunca sabe como o público vai se relacionar com o filme. Não há como prever e aí está, mais uma vez, o belo mistério da arte. É como disse antes, cada um deve sentir de um jeito muito específico. Mas claro que as expectativas se formam e o desejo é de que o filme seja capaz de despertar uma emoção, uma relação, um pensamento, algo que leve o espectador para dentro de si a partir da imagem que se apresenta. Exercício de alteridade e de relação. No caso de Modo de produção, uma relação de empatia com todos aqueles rostos que atravessam o sindicato e a tela. Que o filme, com toda sua claustrofobia, seja um instrumento por onde a vida escape, por onde a arte nos atravesse e por onde possamos ver o mundo que vivemos, para só então imaginar outros mundos.


Com distribuição da Inquieta Cine, Modo de Produção estreia no Recife e Triunfo, em Pernambuco; Aracaju (SE), São Luís (MA), Salvador (BA), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e Porto Alegre (RS).

Entrevista e edição: Vitor Búrigo
Fotos: Divulgação/Leo Lara, Universo Produção.

Modo de Produção

por: Cinevitor

modoproducaoposterDireção: Dea Ferraz

Ano: 2017

Sinopse: Modo de Produção faz do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Ipojuca, Canela e Nossa Senhora do Ó, em Pernambuco, seu personagem central. Um lugar por onde passa, a cada dia, uma massa de trabalhadores rurais, com suas vidas talhadas pela cana. Aposentadorias, demissões, relações de trabalho e um suposto desenvolvimento econômico-social que se avizinha como uma miragem distante ou, quem sabe, fantasma: o Porto de Suape. Quais as possibilidades de reflexão sobre Capital, Estado, Justiça e Sindicato quando uma massa de trabalhadores segue à mercê de mecanismos burocráticos?

*Clique aqui e leia nossa entrevista com a diretora Dea Ferraz.

Nota do CINEVITOR:

nota-3-estrelas

Sonic: O Filme

por: Cinevitor

sonicposterSonic the Hedgehog

Direção: Jeff Fowler

Elenco: Ben Schwartz, James Marsden, Jim Carrey, Tika Sumpter, Lee Majdoub, Adam Pally, Neal McDonough, Frank C. Turner, Natasha Rothwell, Debs Howard, Elfina Luk, Shannon Chan-Kent, Jeremy Arnold, Tom Butler, Lisa Chandler, Jeanie Cloutier, Nicholas Dohy, John Flanagan, Michael Hogan, Leanne Lapp, Bethel Lee, Melody Nosipho Niemann, Steve Warky Nunez, Emma Oliver, Scott Patey, Dean Petriw, Jeff Sanca, Bailey Skodje, Breanna Watkins, Eleanor Whibley, Richard David Lecoin, John Specogna.

Ano: 2020

Sinopse: Sonic: O Filme é uma aventura live-action baseada na franquia mundial de vídeo game da Sega que conta a história do ouriço azul mais famoso do mundo. O longa segue as aventuras de Sonic enquanto ele tenta se adaptar à nova vida na Terra com seu novo melhor amigo humano, o policial Tom Wachowski. Juntos, unem forças para tentar impedir que o vilão Dr. Robotnik capture Sonic e use seus poderes para dominar a humanidade.

Nota do CINEVITOR:

nota-3-estrelas

Cicatrizes

por: Cinevitor

cicatrizesposter1Savovi

Direção: Miroslav Terzic

Elenco: Snezana Bogdanovic, Jovana Stojiljkovic, Marko Bacovic, Vesna Trivalic, Dragana Varagic, Pavle Cemerikic, Ksenija Marinkovic, Igor Bencina, Jelena Stupljanin, Radoslav Milenkovic, Rade Markovic, Bojan Zirovic, Radoje Cupic, Prvoslav Zakovski, Stojan Djordjevic, Djordje Djuricko, Jovan Toracki, Vahidin Prelic, Jadranka Selec, Ivan Petrovic.

Ano: 2019

Sinopse: Inspirado em fatos e ambientado na Belgrado dos dias atuais, o longa revela a jornada de Ana, uma mulher que acredita que, há 18 anos, seu filho recém-nascido foi roubado, ao contrário da versão que contaram a ela na época, de que o bebê havia morrido. De forma obsessiva e persistente, ela luta contra a polícia, a burocracia do hospital e até mesmo contra a própria família para descobrir a verdade.

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

Dilili em Paris

por: Cinevitor

dililiparisposterDilili à Paris

Direção: Michel Ocelot

Elenco: Prunelle Charles-Ambron, Enzo Ratsito, Natalie Dessay, Bruno Paviot, Jérémy Lopez, Harrison Arevalo, Nicolas Planchais, Thissa d’Avila Bensalah, Michel Elias, Pascal Pestel, Paul Bandey, Isabelle Guiard, Liliane Rovère, Karim M’Riba, Olivier Claverie, Nicolas Lormeau, Elisabeth Duda, Nicolas Gonzales, Julien Azoulay, Olivier Voisin, David Bertrand, Swan Mirabeau, Serge Bagdassarian, Léa Powe.

Ano: 2018

Sinopse: Durante sua primeira visita à Paris, a jovem Dilili precisa desvendar os misteriosos sequestros de várias meninas que estão assombrando a cidade luz. Para isso, ela encontrará amigos extraordinários, como Monet, Rodin, Santos Dumont, Toulouse-Lautrec, Picasso, Matisse e muitos outros, que irão ajudá-la a combater os Mestres do Mal e resgatar as garotinhas.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas