CINEVITOR #495: Futuro Futuro | Entrevista com o diretor Davi Pretto

por: Cinevitor
Protagonista: Zé Maria Pescador em Futuro Futuro

Vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro do ano passado, Futuro Futuro, novo longa do cineasta gaúcho Davi Pretto, de Castanha, Rifle e Continente, chega aos cinemas na próxima quinta-feira, 23/07, pela distribuidora Cajuína Filmes.

A obra se passa em um futuro próximo e apresenta um homem sem memória de 40 anos chamado K, interpretado por Zé Maria Pescador, que é acolhido por um clickworker solitário de 60 anos, vivido por João Carlos Castanha, na parte empobrecida de uma chuvosa cidade brasileira. E, após usar um viciante dispositivo IA em um curso para pessoas com uma estranha síndrome neurológica, K embarca em uma jornada trágica e absurda. Vivendo na parte empobrecida da cidade, K fica intrigado pelo intransponível lado rico da metrópole, que enxerga no horizonte; e passa a sonhar toda a noite com um casal que vive em um condomínio de luxo, regado a festas e boemia.

Assim, a ideia inicial de Pretto era utilizar algumas inserções de imagens de inteligência artificial nos sonhos de K para causar contraste diante de algo totalmente estéril e destoante da realidade do personagem, junto de imagens de bairro privado de luxo em Porto Alegre, para incorporar a crítica presente em Futuro Futuro. Porém, tudo mudou quando uma enorme enchente afetou o estado do Rio Grande do Sul durante as filmagens, em 2024. Mesmo com uma ideia muito clara do que queria, alternando entre imagens de prédios de luxo e de inteligência artificial, Pretto teve que recalcular a rota diante da catástrofe.

O filme investiga de forma provocativa imagens geradas por IA, tema que provoca intenso debate na indústria cinematográfica e no cotidiano. A obra reflete sobre os riscos cognitivos e políticos da inteligência artificial, que transforma o trabalho, as relações sociais e a percepção do que é real. Ao mesmo tempo, aborda os desafios do cinema independente em um mundo marcado por catástrofes climáticas e por imagens artificiais que redefinem nosso olhar e imaginário. Tudo isso partiu da vontade de Pretto de expressar a ideia da crise do sujeito, ou o colapso do sujeito, que habita esse mundo em constante crise.

Futuro Futuro é uma ficção científica nada convencional e de baixíssimo orçamento, que foi rodada em apenas 16 dias em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A produção teve suas filmagens interrompidas por meses devido à maior enchente da história do estado, em maio de 2024. Um filme distópico que se deparou com uma distopia real inimaginável. Depois que a enchente inundou locações que ainda fariam parte das filmagens, e diante de recursos escassos para concluir as diárias, Davi decidiu incorporar radicalmente imagens de inteligência artificial, tanto como o elemento distópico previsto na história, quanto como uma solução para terminar o filme. Além disso, o diretor declara que a literatura ciberpunk de William Gibson e Philip K. Dick e obras de pensadores políticos radicais, como Peter Lamborn Wilson, foram grandes inspirações no uso de inteligência artificial em Futuro Futuro.

Davi Pretto: cineasta gaúcho lança seu quarto longa

Produzido pela Vulcana Cinema e rodado em Porto Alegre, o filme é o quarto longa de Davi Pretto que, depois de Castanha (2014), Rifle (2016) e Continente (2024), transformou sua cidade natal em uma metrópole futurista nesta ficção científica de baixo orçamento. Para interpretar K, personagem protagonista, o diretor escalou o potiguar Zé Maria, ator conhecido por seus trabalhos em filmes como O Clube dos Canibais e Paloma, além da série Maria e o Cangaço. Zé Maria contracena com João Carlos Castanha, que batiza e protagoniza o primeiro filme do cineasta, além de Carlota Joaquina, Clara Choveaux e Higor Campagnaro; Olivia Torres empresta sua voz para o novo trabalho de Pretto.

O elenco completa-se com: Silvia Duarte, Ida Celina, Alex Pantera, Carlos Azevedo, Daniel Machado, Elaine Segura, Fabielly Klimberg, Gabriela Greco, Iluska Moura, Li Pereira, Luciano Abreu, Robson Duarte e Sandro Marques.

Além de ter conquistado o Candango de melhor longa-metragem pelo Júri Oficial do Festival de Brasília, também foi premiado como melhor roteiro, melhor montagem e uma Menção Honrosa para o ator Zé Maria Pescador. O filme estreou mundialmente na competição do Festival Internacional de Karlovy Vary, na República Tcheca, um dos mais antigos da Europa.

Com distribuição da Atelier W e Cajuína Filmes e produção de Paola Wink e Jessica Luz, a fotografia é assinada por Leonardo Feliciano. A montagem é de Bruno Carboni, a direção de arte de Dayane Paz e o figurino de Gabriela Güez; a caracterização é assinada por Juliane Senna. A música original é de Rita Zart e Carlos Ferreira, o som direto é de Tomaz Borges e o desenho e mixagem de som de Tiago Bello.

Para falar mais sobre Futuro Futuro, conversamos com o diretor Davi Pretto sobre seu processo criativo, escolha e preparação do elenco, temáticas que o filme aborda, filmagens e expectativa para o lançamento.

Aperte o play e confira:

Foto: Divulgação/Karlovy Vary International Film Festival. 

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