
Com três décadas de história, o Cine PE – Festival do Audiovisual chega à sua 30ª edição entre os dias 1º e 7 de junho, no Recife, com todas as sessões gratuitas. As exibições competitivas acontecem no Cine Teatro do Parque, com a tradicional programação noturna; enquanto as sessões da Mostra Matinê, fora da competição, serão realizadas no Cinema São Luiz, reunindo 12 filmes em uma programação paralela voltada a novos olhares e experimentações.
Em 2026, o festival dá um passo importante rumo ao reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial. O Cine PE já está com projetos em tramitação nas comissões responsáveis pela concessão do título, tanto na Assembleia Legislativa de Pernambuco quanto na Câmara de Vereadores do Recife. As propostas são, respectivamente, de autoria do deputado Jarbas Vasconcelos Filho e do vereador Samuel Salazar.
Para o produtor Alfredo Bertini, esse avanço representa o reconhecimento de uma história construída ao longo de décadas: “O Cine PE sempre foi mais do que um festival, é um espaço de encontro, de formação de público e de valorização do nosso cinema. Ver esse movimento em direção ao reconhecimento como patrimônio é muito significativo, porque reafirma a importância do audiovisual na identidade cultural de Pernambuco”, afirma.
A abertura do festival, no dia 1º de junho, será marcada pela exibição do longa Doutor Monstro, dirigido por Marcos Jorge, de Estômago. O filme acompanha Cláudia Ferreira, vivida por Taís Araujo, uma promotora obstinada que enfrenta um dos casos mais brutais de sua carreira. Diante da tentativa de sustentar uma tese de legítima defesa para livrar um médico feminicida, interpretado por Marat Descartes, ela precisa recorrer a todos os meios possíveis para evitar que o crime fique impune. Inspirado na história real de Farah Jorge Farah, o filme mergulha em uma narrativa intensa onde verdade e mentira se misturam em uma tragédia que expõe as falhas e tensões do sistema de justiça.
Marcos Jorge e Taís Araujo nos bastidores de Doutor Monstro: filme selecionado
A grande homenageada desta edição será a atriz Cláudia Abreu, um dos nomes mais consagrados da dramaturgia brasileira. Com uma trajetória que começou ainda jovem nos palcos do Tablado, construiu uma carreira sólida no teatro, na televisão e no cinema, marcada pela versatilidade e pela intensidade de suas interpretações. Ao longo dos anos, protagonizou trabalhos marcantes em novelas, séries e filmes, além de se destacar também como roteirista e produtora. Reconhecida pela crítica e pelo público, acumula importantes premiações e indicações, consolidando seu lugar entre as grandes artistas do país. “Celebrar os 30 anos do Cine PE com uma homenagem para Cláudia Abreu é reconhecer uma artista que atravessa gerações com talento e consistência”, afirma a diretora do festival, Sandra Bertini.
A programação inclui também, como já é tradição, entrevistas e debates, além do lançamento do livro comemorativo Cine PE: Uma grande história feita de muitas, obra de autoria coletiva que celebra a trajetória do festival. A curadoria do Cine PE 2026 é assinada por Diego Edu Fernandes e Carissa Vieira.
Ao final, os premiados recebem o Troféu Calunga, símbolo máximo do festival, que será entregue aos vencedores das mostras competitivas de curtas e longas-metragens. Criado pela artista plástica Juliana Notari, o troféu homenageia a Calunga, boneca carregada pela sacerdotisa dos cultos afro-brasileiros durante o maracatu. Representando uma divindade e símbolo de proteção e força, a Calunga reforça a conexão do festival com a ancestralidade e a cultura popular. Os filmes premiados receberão a Calunga de Prata, enquanto os homenageados da edição serão contemplados com a Calunga de Ouro.
Conheça os filmes selecionados para o Cine PE – Festival do Audiovisual 2026:
MOSTRA COMPETITIVA | LONGAS-METRAGENS
A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai (RJ)
Buenosaires, de Tuca Siqueira (PE)
Doutor Monstro, de Marcos Jorge (PR/SP)
Mapas, de Rafael Lobo (DF)
Onde Estamos Seguros, de Thais Scabio (SP)
Resta Um, de Fernando Ceylão (RJ)
MOSTRA COMPETITIVA | CURTAS-METRAGENS NACIONAIS
A Ascensão da Cigarra, de Ana Clara Ribeiro (RO)
Da Aldeia à Universidade, de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo (TO)
João-de-Barro, de Daniel Jaber e Lu Damasceno (MG)
Mercado Central, de Tássia Dhur (MA)
O Véu, de Gabriel Motta (RS)
Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE)
Punhal, de Clementino Júnior (RJ)
TV Entreaberta, de Mateus Compart (MG)
Um Certo Cinema Brasileiro, de Fábio Rogério (SE)
Via Sacra, de João Campos (DF)
MOSTRA COMPETITIVA | CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS
A Física dos Invisíveis, de Camilo Soares
Magritte, de Tom Nogueira
Medo Monstro, de Andrew Gledson e Eduardo Padrão
Os Ursos e Nós, de Maria Acselrad
Salam, de Bruna Tavares
Velha Roupa Colorida, de Pedro Fillipe
MOSTRA HORS CONCOURS
Guardiões da Floresta, de Estudantes da Rede Pública de Ensino do Jaboatão dos Guararapes (PE)
O Cobrador de Fraque, de Tomás Portella (SP)
MOSTRA INFANTIL DE CINEMA
Arca de Noé, de Sérgio Machado e Alois Di Leo (SP)
D.P.A. 4: O Fantástico Reino de Ondion, de Mauro Lima (SP)
MOSTRA PARALELA | SESSÃO MATINÊ
MOSTRA OFÍCIO: ARTÍSTICA
Caldeirão, de Oliveira Júnior, Milena Rocha e Weslley Oliveira (PI)
Espelho da Memória, de Filipe Travanca e Roberto Simão (SP)
José Bezerra, Artista, de Karen Black e Lucas Van de Beuque (RJ)
Normalidade, de Lico Cardoso (SP)
O Pintor, de Victor Castilhos (RS)
Roteiro para uma Fuga, de Priscila Nascimento (PE)
MOSTRA SONORIDADE PERNAMBUCANA
Carnaval de Corpo e Alma, de PC Pereira (PE)
Festa Infinita, de Ander Beça (PE)
Presente de Aniversário, de Uilma Queiroz (PE)
Roda Gigante, de Leonardo Macena e Jefferson Ribeiro (PE)
MOSTRA PERFORMANCE DO OCULTO
Arrenego, de Fernando Weller e Alan Oliveira (PE)
Teia, de Claudia Castro (RJ)
Fotos: Reprodução/Natasha Durski.