
Foram anunciados nesta terça-feira, 24/03, em uma coletiva de imprensa realizada no CineSesc, em São Paulo, os filmes selecionados para a 31ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários.
Entre longas, médias e curtas-metragens, a edição de 2026 exibirá 75 produções de 25 países. A programação acontecerá entre os dias 9 e 19 de abril em quatro salas em São Paulo e em três salas no Rio de Janeiro, com todas as sessões gratuitas.
“A nova safra de documentários reflete o espírito do tempo como em raros momentos. E é notável a intersecção entre vida privada e história pública. Chama ainda a atenção a divisão do programa entre o retorno de grandes mestres e a revelação de uma nada menos inventiva nova geração”, afirma Amir Labaki, diretor-fundador do festival.
Um mergulho na jornada criativa final de David Bowie abre a programação em São Paulo. Dirigido por Jonathan Stiasny, Bowie: O Ato Final será exibido para convidados no dia 8 de abril na Cinemateca Brasileira, na capital paulista. No Rio, o festival começa com VIVO 76, novo filme do pernambucano Lírio Ferreira, apresentado também para convidados no dia 9 de abril no Estação NET Rio; a obra viaja pelo universo de Alceu Valença celebrando os 50 anos do icônico show e álbum de 1976, marco definitivo da psicodelia brasileira e da resistência cultural.
Bowie: O Ato Final, de Jonathan Stiasny: filme de abertura
Os filmes em competição deste ano estão divididos em mostras de longas e médias-metragens brasileiros, longas e médias-metragens internacionais, curtas-metragens brasileiros e curtas-metragens internacionais. Os títulos vencedores serão conhecidos na cerimônia de premiação, que será realizada no dia 18/04 na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Todas as produções premiadas serão reapresentadas em sessões especiais, tanto em São Paulo quanto no Rio, no dia 19/04.
Como acontece desde 2018, quando o É Tudo Verdade foi reconhecido como um qualifying festival pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, os quatro filmes vencedores das mostras competitivas estarão automaticamente classificados para apreciação às disputas do Oscar de documentários, para longas e para curtas-metragens.
Além dos filmes em competição, o festival deste ano exibirá títulos em Programas Especiais e nas mostras O Estado das Coisas, Foco Latino-Americano e Clássicos É Tudo Verdade.
Aos 80 anos, a cineasta Vivian Ostrovsky (nascida em Nova York, criada no Rio de Janeiro e formada em Paris) é tema de uma retrospectiva com curadoria da cineasta e pesquisadora Fernanda Pessoa. Serão apresentados 14 filmes dela, percorrendo quatro décadas de produção e com imagens captadas em mais de dez países. A mostra inclui ainda um filme inédito sobre Vivian dirigido por Fernanda.
Cena do curta potiguar Inquietas, de Thaina Morais
Mantendo a tradição de juntar o mapeamento da produção documental contemporânea com os filmes e personagens que fizeram a história do gênero, o É Tudo Verdade deste ano presta homenagem a Jean-Claude Bernardet, com a exibição de Sobre Anos 60 (2000); Luiz Ferraz e Rubens Crispim Jr. com Em Nome do Jogo (2025); Silvio Da-Rin com Missão 115 (2018); e Silvio Tendler com Os Anos JK: Uma Trajetória Política (1980).
Em 11 de abril, o festival realizará em parceria com a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a 23ª Conferência Internacional do Documentário; a programação completa será divulgada posteriormente. Em parceria com o Sesc São Paulo, o festival promoverá um ciclo de encontros entre realizadores e pesquisadores, que discutem suas experiências no campo da produção não ficcional contemporânea nos dias 16 e 17/04, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc.
O festival apresentará também, em parceria com a Spcine, uma masterclass com o cineasta Jorge Bodanzky, de Iracema, Uma Transa Amazônica, no Centro Cultural São Paulo, onde será exibido Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky (2025), realizado em parceria com Liliane Maia.
Pela primeira vez, o É Tudo Verdade apresentará uma sessão infantil. Na mostra batizada de É Tudinho Verdade serão exibidos filmes dirigidos por David Reeks e Renata Meirelles sobre o universo das brincadeiras infantis em diferentes regiões do Brasil. As exibições acontecem no CineSesc e na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, e no Estação NET Rio 5, no Rio de Janeiro. No streaming, serão exibidos dez curtas-metragens com exclusividade pelo Itaú Cultural Play.
Conheça os filmes selecionados para o É Tudo Verdade 2026:
COMPETIÇÃO BRASILEIRA | LONGAS ou MÉDIAS-METRAGENS
A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai
Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar
Fernando Coni Campos: Cada Um Vive como Sonha, de Luis Abramo e Pedro Rossi
Patrulha Maria da Penha, de André Bomfim
Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas, de Carlos Adriano
Retiro: A Casa dos Artistas, de Roberto Berliner e Pedro Bronz
Sagrado, de Alice Riff
COMPETIÇÃO BRASILEIRA | CURTAS-METRAGENS
Divino: Sua Alma, Sua Lente, de Clea Torres e Gilson Costta
Filme-Copacabana, de Sofia Leão
Inquietas, de Thaina Morais
Não Existe Ninja de Pele Preta, de Erik Ely
Natureza Morta, de Diran Serafim
O Dia em que Minha Avó Fugiu de Casa, de Victor Costa Lopes
Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique
Talvez Meu Pai Seja Negro, de Flávia Santana
Tanaru, de Júlia Mariano
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL | LONGAS ou MÉDIAS-METRAGENS
Atlas do Desaparecimento (Atlas de la Desaparición), de Manuel Correa (Espanha/Noruega)
Benita, de Alan Berliner (EUA)
Desfecho (Closure), de Michał Marczak (Polônia/França)
Dezembro (Diciembre), de Lucas Gallo (Argentina/Uruguai)
Entre Irmãos (Tussen Broers), de Tom Fassaert (Holanda/Bélgica)
Fordlândia Panacea, de Susana de Sousa Dias (Portugal/Brasil)
Mamãe Está Aqui (Mamá Está Acá), de Adriana Loeff e Claudia Abend (Uruguai)
Meu Pai e Gaddafi (بابا والقذافي), de Jihan (EUA/Líbia)
Os Olhos de Gana (The Eyes of Ghana), de Ben Proudfoot (EUA)
Shooting, de Netalie Braun (Israel)
Túmulo de Gelo (Tombeau de Glace), de Robin Hunzinger (França/Suécia/Noruega)
Um Filme de Medo (Una Película de Miedo), de Sergio Oksman (Espanha/Portugal)
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL | CURTAS-METRAGENS
Bem-Vinda à Casa, Sardas (Welcome Home Freckles), de Huiju Park (Reino Unido/Coreia do Sul)
Como Ouvir Chafarizes (Ako Počúvať Fontány), de Eva Sajanová (Eslováquia)
Desde que Eles Não nos Encontrem (Żeby Tylko Nas nie Znaleźli), de Maja Górczak (Polônia)
Elegia para os Perdidos (Elegy for the Lost), de William Hong-xiao Wei (Reino Unido/França/Espanha)
Se Não Gosta, Não Olhe (Au Bain des Dames), de Margaux Fournier (França)
Silêncio Azul (Silencio Azul), de Matías Rojas Ruz (Chile)
Sonhos de Apagão (Sueña Ahora), de Gabriele Licchelli, Francesco Lorusso e Andrea Settembrini (Cuba/Itália)
Todas as Folhas São do Vento (Todas las Hojas Son del Viento), de Andrea Rabasa Jofre (México)
Turno da Noite (Night Shift), de Megumi Lim (Ucrânia)
FOCO LATINO-AMERICANO
Mailin, de María Silvia Esteve (Argentina/França/Romênia)
Sem Título # 11: Um Analecto à Mula, de Carlos Adriano (Brasil)
Um Sonho Errante (Un Sueño Errante), de Sofía Betarte (Uruguai)
PROGRAMAS ESPECIAIS
Me Dá a Bola! (Give Me the Ball!), de Liz Garbus e Elizabeth Wolff (EUA)
Mestre Zu, de Zelito Viana (Brasil)
O ESTADO DAS COISAS
Baisanos, de Andrés Khamis Giacoman e Francisca Khamis Giacoman (Chile/Espanha/Palestina)
Carcereiras, de Julia Hannud (Brasil)
Crianças no Fogo (Children in the Fire), de Evgeny Afineevsky (Ucrânia/República Tcheca/EUA)
O Cio da Terra, de Rivelino Mourão (Brasil)
CLÁSSICOS É TUDO VERDADE
Bardot, de Alain Berliner e Elora Thevenet (França/Bélgica) (2025)
O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, de Rosemberg Cariry (Brasil) (1986)
Wilsinho Galileia, de João Batista de Andrade (Brasil) (1978)
HOMENAGENS
Em Nome do Jogo, de Luiz Ferraz e Lu Guimarães (Brasil) (2025)
Missão 115, de Silvio Da-Rin (Brasil) (2018)
Os Anos JK: Uma Trajetória Política, de Silvio Tendler (Brasil) (1980)
Sobre Anos 60, de Jean-Claude Bernardet (Brasil) (2000)
RETROSPECTIVA
Copacabana Beach, de Vivian Ostrovsky (EUA) (1983)
CORrespondência e REcorDAÇÕES, de Vivian Ostrovsky (EUA) (2012)
Domínio Público (Public Domain), de Vivian Ostrovsky (EUA) (1996)
Elizabeth Bishop: Do Brasil, com Amor (Elizabeth Bishop: From Brazil with Love), de Vivian Ostrovsky (EUA) (2025)
Hiatus, de Vivian Ostrovsky (EUA) (2018)
Idas e Vindas (Allers-Venues), de Vivian Ostrovsky (EUA) (1984)
Losing the Thread, de Vivian Ostrovsky (EUA) (2014)
M.M. em Movimento (M.M. in Motion), de Vivian Ostrovsky (EUA) (1992)
Movie (V.O.), de Vivian Ostrovsky (EUA) (1982)
Nikita Kino, de Vivian Ostrovsky (EUA) (2002)
Son Chant, de Vivian Ostrovsky (EUA) (2020)
Tatitude, de Vivian Ostrovsky (EUA) (2009)
The Title Was Shot, de Vivian Ostrovsky (EUA) (2009)
U.S.S.A., de Vivian Ostrovsky (EUA) (1985)
V.O por F.P, de Fernanda Pessoa (Brasil) (2026)
SESSÃO DE ABERTURA | SÃO PAULO
Bowie: O Ato Final (Bowie: The Final Act), de Jonathan Stiasny (Reino Unido)
SESSÃO DE ABERTURA | RIO DE JANEIRO
Vivo 76, de Lírio Ferreira (Brasil)
SESSÃO DE ENCERRAMENTO
Memória de Os Esquecidos (Memoria de Los Olvidados), de Javier Espada (México/EUA)
Fotos: Petrus Cariry/Trevo Azul Filmes/Divulgação.