Gilda Nomacce exibe filmes na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes e fala sobre filmes de terror, meme e trajetória artística

por: Cinevitor
Gilda Nomacce: sucesso no cinema brasileiro

A programação da 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes segue com diversos filmes e atividades paralelas, entre elas, uma roda de conversa com Gilda Nomacce, atriz que mais impactou o cinema brasileiro independente e autoral nos últimos quinze anos.

Ao longo de sua trajetória, Gilda construiu uma galeria impressionante de personagens: mulheres sensuais, bruxas terríveis, figuras misteriosas, personagens extremadas, donas de casa contidas, além de citações vivas a Gena Rowlands e Marília Pêra. Com mais de cem filmes no currículo, entre curtas, médias e longas, Gilda também se destaca na TV e nos palcos. Nascida em Ituverava, interior de São Paulo, descobriu ainda na infância sua vocação para atuar.

Entre participações especiais na TV e apresentações como cover da personagem Gilda, interpretada por Rita Hayworth no filme homônimo lançado em 1946, Nomacce fez parte do CPT, Centro de Pesquisa Teatral, coordenado por Antunes Filho, fundou a Companhia da Mentira e atuou na Cia. de Teatro Os Satyros.

Seu primeiro trabalho no cinema aconteceu em 2007 no curta Um Ramo, dirigido por Marco Dutra e Juliana Rojas. De lá pra cá, Gilda passou a marcar presença constantemente em diversas produções brasileiras. Talentosa e carismática, tornou-se um nome indispensável para diversos cineastas.

Na quarta-feira, 28/01, conversou com o público da Mostra Tiradentes 2026 no Cine-Lounge em um bate-papo mediado pelo professor e pesquisador Pedro Guimarães. Entre tantos assuntos, relembrou o início de sua carreira, destacou trabalhos e parcerias marcantes, refletiu sobre o cinema brasileiro e brincou com a ideia de ter virado meme depois de uma entrevista na TV.

Durante a conversa, Gilda falou com carinho de sua parceria com o coletivo paulista Filmes do Caixote, que foi fundado por Caetano Gotardo, João Marcos de Almeida, Juliana Rojas, Marco Dutra e Sergio Silva: “Apesar de serem muito mais jovens do que eu, sou da mesma turma porque quando eu era muito jovem como eles, não existia tanta possibilidade. Era outra realidade e eu não não estava sonhando em fazer filmes. Mas eu sou dessa turma! O meu fazer cinema brotou com o pessoal do Filmes do Caixote”.

Entre tantos filmes de terror que marcaram sua carreira, entre eles, Prédio Vazio, de Rodrigo Aragão, que foi exibido em Tiradentes no ano passado e lhe rendeu, recentemente, uma indicação ao Prêmio APCA de melhor atriz, Gilda comentou sobre a importância do gênero cinematográfico em sua trajetória: “O terror me ama. E eu nem preciso pedir porque ele vem. Isso eu não posso negar porque quando chega um fã de terror perto de mim, eu já sei que ele é fã de terror. Mas eu gosto de todas as estéticas, todas as linguagens. Eu gosto de experimentar. Eu fiz duas óperas, por exemplo, e não canto. A gente como ator, às vezes, é muito mais cidadão do que ator”.

A atriz na Mostra de Cinema de Tiradentes 2026

Gilda também falou sobre fama e desafios da profissão: “Eu nunca consegui ficar famosa. Eu entrei no Antunes Filho e nessa época eu ainda estava muito envolvida em ser famosa. E depois que eu entrei lá, continuei, claro, querendo a fama, só que aí eu entrei num grupo de pesquisa e aquilo me fascinou. Na verdade, eu sou da pesquisa. Eu gosto de grupo, eu gosto de criar e gosto de me arriscar. Apesar de já ter uma carreira, eu me arrisco muito”.

Com um currículo diverso, Gilda ganhou ainda mais notoriedade nacional depois de participar de uma entrevista no JMTV da TV Mirante, afiliada da Globo no Maranhão, e logo viralizar nas redes sociais ao gritar ao final de sua participação: “Eu estava no Maranhão representando o Enterre Seus Mortos, que é o filme do Marco Dutra. Eu faço os filmes dele desde de 2006 e amo trabalhar com ele. Enfim, tinha feito esse filme e tava representando em um festival. Tinha acabado de fazer uma mesa, uma fala e acabei com o grito que eu sempre faço. Eu sou contorcionista, eu grito. Aí eu fiz meu grito e me levaram para a televisão. Lá, eu perguntei se poderia gritar e disseram que sim. Eu vi que o tempo do jornal estava acabando e fiz de uma hora para outra, por isso que eu pareci tão louca”, brincou Gilda.

E continuou sobre o meme: “Essa foi a minha grande salvação, gente! Eu estou gostando tanto de ser meme! Eu acho que o meme dialoga com todas as idades e as pessoas jovens gostam do meu trabalho. Eu tenho muita gente que gosta de mim. Tanto que eu não paro nunca de fazer curtas porque eu adoro quem me adora. Mas, essa coisa de virar meme mudou completamente a minha vida e eu sempre soube que ia gostar desse lugar”.

Ovacionada pelo público presente, Gilda ainda exibirá na Mostra o longa Dolores, de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, e o curta-metragem Romance, dirigido por Karine Teles, homenageada desta edição. Ao final da roda de conversa, a atriz falou com exclusividade para o CINEVITOR: “Eu tô muito feliz e honrada de estar aqui em Tiradentes. Eu estou sempre por aqui e acho que tenho a cara de Tiradentes. Fiquei emocionada com essa roda de conversa. Estava muito alegre, me sentindo uma criança! Fazer cinema há tanto tempo e agora ter essa visibilidade… me deixa muito feliz. Eu tenho um espaço que foi conquistado”.

Além das telonas, Gilda Nomacce segue em cartaz nos palcos com A Palma, estreia do diretor Mariano Mattos Martins, que traz também Verónica Valenttino, que exibirá o longa As Florestas da Noite, de Priscyla Bettim e Renato Coelho, em Tiradentes, e Donizeti Mazonas no elenco.

*O CINEVITOR está em Tiradentes e você acompanha a cobertura do festival por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Fotos: Leo Lara/Universo Produção.

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