
Morreu neste domingo, 28/12, aos 91 anos, a atriz, cantora, modelo e ativista francesa Brigitte Bardot. Considerada uma estrela mundial, foi uma figura feminina de destaque nas décadas de 1950 e 1960, atuou em mais de 45 filmes, virou referência na moda, gravou diversas músicas, foi eleita uma das mulheres mais bonitas do mundo e se dedicou à defesa dos animais.
A morte foi confirmada pela Fondation Brigitte Bardot em comunicado oficial nas redes sociais: “A Fundação Brigitte Bardot anuncia com imensa tristeza o falecimento de sua fundadora e presidente, Brigitte Bardot, a mundialmente famosa atriz e cantora, que optou por renunciar à sua prestigiosa carreira para dedicar sua vida e energia ao bem-estar animal e à sua Fundação. Uma verdadeira pioneira: aos 39 anos abdicou dos holofotes e do mundo do entretenimento para dedicar sua fama e determinação inabalável ao serviço dos animais e dos mais vulneráveis, como os idosos. Em 1977, ela viajou para as geleiras do Ártico para ajudar filhotes de foca, um ato emblemático de sua luta pela proteção de espécies vulneráveis. Sob sua liderança, a Fundação Brigitte Bardot, criada em 1986, tornou-se uma referência na proteção animal na França e no mundo”.
E segue o comunicado: “A Fundação Brigitte Bardot deseja honrar a memória de uma mulher excepcional que deu tudo e se sacrificou por um mundo mais respeitoso com os animais. Seu legado continua vivo por meio das ações e campanhas que a Fundação realiza com a mesma paixão e compromisso inabalável com seus ideais. Expressamos nossas mais profundas condolências à família, aos entes queridos, ao município de Saint-Tropez e seus moradores, e a todos que compartilham dessa dor. A Fundação continuará, agora mais do que nunca, a defender o legado de Brigitte Bardot”.
Nascida em 28 de setembro de 1934, começou a participar de aulas de dança ainda criança. Em 1947, foi aceita no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Paris e cursou aulas de balé por três anos ministradas pelo coreógrafo russo Boris Knyazev. Dois anos depois, iniciou sua carreira como modelo e, aos quinze anos, foi contratada pela revista francesa Elle. Em 1950, foi capa da publicação e chamou a atenção do jovem cineasta Roger Vadim, que a convidou para um teste; Bardot foi aprovada, mas o filme não aconteceu.
Não demorou muito para que Brigitte Bardot se tornasse atriz: em 1952 fez sua primeira participação nas telonas em Le Trou normand, de Jean Boyer. Depois disso, vieram outros trabalhos no cinema, como: Manina, la fille sans voiles, de Willy Rozier; Les dents longues, de Daniel Gélin; A Noite de Núpcias, de Mario Bonnard; A Mais Linda Vedete, de Marc Allégret; A Noiva do Comandante, de Ralph Thomas; Mademoiselle Pigalle, de Michel Boisrond; Brotinho do Outro Mundo, de Pierre Gaspard-Huit; entre muitos outros.
Brigitte Bardot em A Verdade, de Henri-Georges Clouzot
Mas foi em 1956 que Bardot ganhou destaque mundial ao protagonizar E Deus Criou a Mulher (Et Dieu… créa la femme), dirigido por Roger Vadim, seu então marido. Entre diversas polêmicas, o filme sofreu censura e chegou a ser proibido em alguns países. Quando foi exibido nos Estados Unidos, Brigitte transformou-se em um fenômeno da noite para o dia. Já na década de 1960, a atriz voltou aos holofotes do mundo da moda e foi eleita a deusa sexual da década.
Com o cineasta Henri-Georges Clouzot, se destacou em A Verdade (La vérité), que lhe rendeu uma indicação de melhor atriz estrangeira no David di Donatello, mais importante prêmio cinematográfico da Itália; o longa também foi indicado ao Oscar de melhor filme internacional. Na sequência, filmou Torneio de Amor (La bride sur le cou), de Roger Vadim e Jean Aurel; Amores Célebres (Amours célèbres), de Michel Boisrond; e Vida Privada (Vie privée), de Louis Malle, ao lado de Marcello Mastroianni.
Já em 1963, sob o comando de Jean-Luc Godard, filmou O Desprezo (Le mépris), outro grande sucesso de sua carreira. Foi nessa época que Bardot se encantou pelo Brasil e morou quatro meses em Búzios, no Rio de Janeiro, com o então namorado Bob Zagury, marroquino que vivia no país como jogador de basquete do Flamengo.
Depois dessa passagem brasileira, voltou às telonas em Viva Maria!, novamente dirigida por Louis Malle. Aqui, dividiu a telona com Jeanne Moreau e foi indicada ao BAFTA, o Oscar britânico, de melhor atriz estrangeira. Seguiu na sétima arte em outros sucessos, como: Histórias Extraordinárias, de Federico Fellini, Louis Malle e Roger Vadim, ao lado de Alain Delon; Shalako, de Edward Dmytryk, com Sean Connery; As Mulheres, de Jean Aurel; O Urso e a Boneca, de Michel Deville; As Noviças, de Guy Casaril e Claude Chabrol; Boulevard do Rum, de Robert Enrico; As Petroleiras, de Christian-Jaque e Guy Casaril; Se Don Juan Fosse Mulher, de Roger Vadim; e L’histoire très bonne et très joyeuse de Colinot Trousse-Chemise, de Nina Companeez, seu último filme. Além disso, também gravou diversas músicas, como La Madrague, entre as décadas de 1960 e 1970.
Cansada da indústria cinematográfica, Bardot anunciou o fim definitivo de sua carreira de atriz em meados de 1974, pouco antes de completar 40 anos. Na sequência, recusou inúmeros convites para voltar a atuar e resolveu se dedicar aos direitos dos animais. Já em sua trajetória humanitária, fundou a Fondation Brigitte Bardot, em 1986, e participou de diversos protestos.
Além de ser a responsável pela popularização de Saint-Tropez, na França, ao se mudar para lá no começo dos anos 1960, foi considerada ícone pop, símbolo sexual, musa e influenciou a moda mundial. Porém, sua vida também foi marcada por polêmicas: apoiou a extrema direita francesa e foi condenada por incitação ao ódio racial, entre tantas outras declarações questionáveis.
Fotos: Divulgação/Kingsley International Pictures Corporation.