
Além da homenagem para a consagrada atriz Mariana Ximenes, a noite de abertura da 35ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema contou também com a exibição do filme Gravidade, dirigido por Leo Tabosa, que abriu, neste sábado, 20/09, a mostra competitiva ibero-americana de longa-metragem.
O drama familiar é ambientado às vésperas do fim do mundo e a obra marca a estreia de Leo Tabosa como diretor de longas-metragens após uma trajetória premiada de curtas, entre eles, Cavalo Marinho (2024), Dinho (2023), Marie (2019), Nova Iorque (2018), Baunilha (2017) e Tubarão (2013).
No filme, Sydia, interpretada por Clarisse Abujamra, e Nina, vivida por Hermila Guedes, são mãe e filha que passam uma noite isoladas na antiga mansão da família. Enquanto enfrentam uma relação difícil, elas são surpreendidas com a chegada de uma desconhecida, Lara, papel de Danny Barbosa, e com o retorno de Joana, interpretada por Marcélia Cartaxo, uma funcionária da casa que havia sumido sem explicações e agora carrega notícias do mundo exterior. Diante de um colapso iminente, as quatro mulheres se deparam com traumas do passado e são confrontadas com o peso de suas escolhas.
Tabosa assina o roteiro do filme com o cineasta cearense Arthur Leite, amigo e colaborador de longa data. O argumento surgiu, inicialmente, como um espetáculo de teatro homônimo que não chegou a ser montado. Tabosa e Leite perceberam as potencialidades da história e decidiram adaptar para o formato cinematográfico, acentuando os conflitos familiares que se revelam aos poucos na vida de cada personagem. As realizadoras e roteiristas Renata Sofia e Julia Katharine participaram como consultoras do roteiro.
Profissionais que já colaboraram com Tabosa em trabalhos anteriores participaram das filmagens de Gravidade, entre eles, Petrus Cariry (direção de fotografia e montagem), Sérgio Silveira (direção de arte) e Bárbara Cariry (produção executiva). A equipe do filme é formada, em sua maioria, por profissionais nordestinos, principalmente de Pernambuco e do Ceará. Destacam-se, ainda, Guma Farias (som direto) e Érico Paiva (mixagem), que realizaram um trabalho expressivo na construção da atmosfera do filme.
Na telona: Hermila Guedes em cena
Hermila Guedes, que estrelou os curtas-metragens Dinho e Nova Iorque, assume mais um papel central na filmografia de Tabosa. Marcélia Cartaxo também retoma a parceria com Leo após Nova Iorque, enquanto Danny Barbosa, que trabalhou como assistente de direção em Cavalo Marinho, participa de Gravidade como atriz. O elenco ainda traz uma participação especial de Helena Ignez.
Para apresentar o filme no Cine Ceará 2025, Leo Tabosa subiu ao palco acompanhado por grande parte de sua equipe: “É nosso primeiro longa-metragem e o mais importante é que ele está sendo exibido aqui no Cine Ceará, numa estreia mundial. Eu sou pernambucano, mas meu coração é cearense. Segundo a Bete Jaguaribe, eu tenho até o green card cearense”, disse o diretor.
Tabosa continuou seu discurso: “Filmamos aqui no Ceará. Filmamos também neste cinema São Luiz, nesse templo. Cinema irmão do São Luiz lá do Recife. O cinema histórico, o cinema de rua, o cinema que resiste”. E seguiu: “O filme é de todos nós. Então, qualquer um aqui estaria habilitado a falar e apresentar o filme. Eu agradeço do fundo do meu coração a essa equipe maravilhosa, ao meu elenco de atrizes consagradas, de mulheres vibrantes, de atrizes que são ícones do cinema brasileiro. Atrizes potentes”.
Ao final de sua fala, Leo relembrou sua trajetória no festival cearense: “Eu quero agradecer ao Cine Ceará e agradecer ao Cinema São Luiz. Eu já subi algumas vezes aqui nesse palco para apresentar outras curtas, onde fui premiado. É um festival que sempre me acolheu muito bem, sempre foi muito receptivo, sempre foi muito carinhoso comigo. Então, tenho muito orgulho”.
A atriz Clarisse Abujamra também discursou: “Eu só tenho a desejar a vocês uma belíssima exibição. Eu tô tão curiosa, mas tão curiosa, que vocês não fazem ideia. Foi um prazer inenarrável participar dessa produção e contracenar com essas mulheres maravilhosas”.
Leo Tabosa e equipe no palco do Cineteatro São Luiz
Hermila Guedes também aproveitou o momento para falar com o público: “Tô bem feliz de voltar a Fortaleza para exibir o filme. Agradeço ao festival e a todos vocês que estão aqui. Agradeço toda a equipe do filme porque como o Leo falou, a gente realmente não faz cinema sozinho. E agradecer minhas colegas de cena e mandar um beijo para as duas deusas que não estão aqui: Marcélia Cartaxo e Helena Ignez”.
A atriz paraibana Danny Barbosa também discursou: “Estou muito ansiosa para saber como que o Leo Tabosa, que é um especialista e mestre em trabalhar questões de identidade de gênero e sexualidade, transformou essa história. Se borboletas no estômago representam alguma coisa ou representam vida, eu tô cheia de vida porque tem muita borboleta aqui dentro de ansiedade. Então, tenham uma excelente sessão e obrigada a todos que sonharam junto com o Leo Tabosa e acreditaram na gente”.
Ao final da apresentação, a produtora executiva Bárbara Cariry finalizou: “Estamos felizes com essa exibição. Como o Leo comentou, grande parte dessa equipe é cearense. O filme foi filmado aqui, então é uma alegria. Quero dizer que esse filme foi feito a partir de recursos do FSA, ou seja, dinheiro público. Filme feito por brasileiros para brasileiros, para o mundo. É o que foi dito aqui hoje sobre o retorno: investe-se um real e vem mais três reais. E isso é muito. Isso quer dizer que o nosso setor é uma indústria potente. Que bom que vocês estão aqui prestigiando esse momento”.
Gravidade é uma produção da Pontilhado Cinematográfico por meio de recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). O longa-metragem tem previsão de lançamento comercial para 2026 pela Sereia Filmes.
*O CINEVITOR está em Fortaleza e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Fotos: Luiz Alves e Rogerio Resende.