Filmes de Laís Melo e Rafaela Camelo são exibidos em competição no 53º Festival de Cinema de Gramado

por: Cinevitor
Laís Melo: diretora do filme

A mostra competitiva de longas-metragens brasileiros da 53ª edição do Festival de Cinema de Gramado começou no sábado, 16/08, com a exibição de , dirigido pela cineasta Laís Melo, no Palácio dos Festivais.

A história acompanha Glória, interpretada por Saravy, que, após a separação, sai da periferia e se muda com as três filhas para um prédio antigo no centro da cidade. Ameaçada pelo ex-marido, que pede a guarda das crianças, e com recursos limitados, Glória toma a difícil decisão de disputar uma vaga de supervisora com sua melhor amiga, que vive situação semelhante, na indústria de alimentos processados onde ambas trabalham no chão da fábrica. A coragem vai se fazendo conforme a angústia toma a carne.

Depois de dirigir os curtas Tentei e Me Deixe Ali, Laís estreia na direção de um longa-metragem com , que integra o Selo Elas, iniciativa criada pela Elo Studios para fomentar o cinema feito por mulheres e impulsionar a equidade de gênero no audiovisual.

Acompanhada por diversas integrantes da equipe, Laís subiu ao palco do Palácio dos Festivais para apresentar o filme: “É uma honra estar aqui em Gramado, que faz parte da história do cinema brasileiro. Eu gosto muito de pensar o kikito, esse símbolo do festival, como esse ser com a cabeça de sol. Deus do humor. Acho muito bonito”. E seguiu seu discurso: “Quando eu penso em cinema, eu penso em costura. Costura de pedaços, de retalhos, de histórias, de perspectivas para construir um novo. Novos pedaços, novas histórias, novas perspectivas”.

Ao final da apresentação, Laís destacou a importância das políticas públicas para o audiovisual: “O filme foi financiado por edital público. Então, um salve para as políticas públicas que permitem que outras vivências ocupem esse espaço. Do contar a sua história dentro do cinema. Sempre são muitos desafios. E muitos aprendizados no caminho. Queria também agradecer a cada um da equipe por terem partilhado um pedaço da história de vocês, dos saberes de vocês, dos estudos, dos talentos”.

A atriz Fernanda Silva também aproveitou o momento da apresentação do filme para discursar: “Eu sou uma artista do Piauí, do litoral do Piauí. E lá tem praia, tá? Esquece essa imagem do retirante do Portinari lá do sertão. É oceânico. A minha vida é brisa marítima. Então assim, em nome do mar e das montanhas e dos pequenos insetos e das araucárias… Em nome da natureza lá fora, eu saio da cultura. A gente não pode separar natureza e cultura. Eu quero, realmente, do fundo do meu coração, de uma criança que tinha irmão circense, e vem de uma família circense, agradecer pela sensibilidade de cada um de vocês”.

Equipe do longa A Natureza das Coisas Invisíveis no tapete vermelho 

Ainda na mesma noite, também foi exibido o primeiro episódio da série Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente, que tem direção geral de Marcelo Gomes e direção de Carol Minêm. A série de cinco episódios retrata um período de tensão no Brasil, a epidemia da AIDS durante a década de 1980. Baseada em fatos reais, a história acompanha um grupo de comissários de bordo que, ao ver amigos e colegas adoecerem sem acesso ao tratamento, inicia uma operação arriscada de trazer ilegalmente o medicamento AZT do exterior, mobilizando uma rede de solidariedade em meio à negligência do governo frente à crise. No elenco, estão Johnny Massaro, Ícaro Silva, Bruna Linzmeyer, Eli Ferreira, Igor Fernandez, Hermila Guedes, Julio Machado, Andréia Horta e Carla Ribas.

Outra estreia na direção de um longa-metragem que se destacou na 53ª edição do Festival de Cinema de Gramado foi A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo. Depois de ser exibido na mostra Generation Kplus do Festival de Berlim, o filme fez sua estreia brasileira no Palácio dos Festivais na terça-feira, 19/08.

O longa é um coming of age sobre amizade, despedidas e descobertas. Durante as férias de verão, Glória e Sofia, duas meninas de dez anos, se encontram em um hospital e, unidas pelo desejo de sair dali, embarcam em uma jornada agridoce sobre vida e morte, enfrentando verdades que os adultos tentam suavizar. O elenco conta com Laura Brandão, Serena, Larissa Mauro, Camila Márdila e Aline Marta Maia.

Ao lado de sua equipe, Rafaela discursou no palco: “Tô muito feliz, muito ansiosa, é meio doido assim. Mas, primeiro, queria agradecer ao Festival de Gramado por nos receber aqui. Esse é o meu primeiro filme como diretora e roteirista. Então, chegar nesse festival, nesse nesse palco tão nobre do cinema brasileiro, sem dúvida, é uma grande honra e estamos todos muito felizes”.

As atrizes mirins Serena e Laura Brandão prepararam uma surpresa para a diretora no palco e entregaram um buquê de flores sob aplausos da plateia. Empolgadas, também discursaram: “Meu nome é Serena, tenho 12 anos e é uma honra participar desse festival. Passar um pouco desse friozinho. E também é uma honra porque esse é o maior festival do Brasil”. Laura completou: “Como a Serena disse, é uma honra para todos nós. Todo mundo aqui é maravilhoso, uma cidade muito linda. Os gaúchos são muito educados e eu queria agradecer minha mãe, que não está aqui hoje, e o meu pai também, que me apoiaram desde o início para eu seguir essa carreira de atriz”.

Na mesma noite de A Natureza das Coisas Invisíveis, a consagrada atriz paraibana Marcélia Cartaxo foi homenageada com o Troféu Oscarito. Além disso, foi exibido o segundo bloco de curtas-metragens brasileiros em competição: Aconteceu a Luz da Lua, de Crystom Afronário; FrutaFizz, de Kauan Okuma Bueno; Samba Infinito, de Leonardo Martinelli; O Mapa em que Estão Meus Pés, de Luciano Pedro Jr.; Na Volta Eu Te Encontro, de Urânia Munzanzu; e Réquiem para Moïse, de Caio Barretto Briso e Susanna Lira.

*O CINEVITOR está em Gramado e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Fotos: Cleiton Thiele/Agência Pressphoto.

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