54º Festival de Cinema de Gramado: Renata Almeida Magalhães é homenageada com o Troféu Eduardo Abelin

por: Cinevitor
Renata Almeida Magalhães no tapete vermelho do Festival de Gramado

A noite de terça-feira, 18/08, do 54º Festival de Cinema de Gramado começou com muita emoção no Palácio dos Festivais com a entrega do Troféu Eduardo Abelin para a produtora Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema

A honraria, que premia diretores, produtores e instituições de destaque no audiovisual, celebrou os mais de 40 anos de carreira de Renata. Eleita a primeira mulher Presidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata começou sua trajetória no cinema em 1981 e, atualmente, é uma das produtoras mais atuantes, tendo produzido mais de dez longas-metragens, além de séries, documentários, curtas-metragens, comerciais e vídeos institucionais. Além da produção, também colaborou no roteiro de Deus é Brasileiro, um dos grandes sucessos de seu marido, o diretor Cacá Diegues, que também já foi agraciado com o troféu. Juntos, o casal formou uma das duplas mais premiadas do cinema nacional, com obras marcantes como O Maior Amor do Mundo, Orfeu e O Grande Circo Místico, que abriu a 46ª edição do Festival de Gramado

Graduada em Direito e especialista em Legislação de Incentivo Fiscal para Cultura, Renata alinhavou parcerias entre as maiores instituições cinematográficas privadas e públicas do país. Ocupa, desde 2022, a presidência da Academia Brasileira de Cinema, responsável pela realização do Prêmio Grande Otelo e, também, pelas indicações brasileiras à festivais e premiações internacionais. Renata é vice-presidente do Conselho da Indústria Criativa da Firjan, integrante da AMPAS (Academy of Motion Picture Arts and Sciences, dos Estados Unidos) e também foi presidente do Conselho da Escola Darcy Ribeiro entre 2011 e 2020.

Ovacionada pelo público de Gramado, a homenageada subiu ao palco do Palácios dos Festivais e recebeu o Troféu Eduardo Abelin das mãos do amigo Silvio Guindane, ator, diretor e um dos apresentadores do Festival de Gramado 2026: “A Renata é uma produtora que vive o Brasil e que na sua trajetória tem a paixão de contar o Brasil. Além de ser essa produtora extraordinária, essa força política dentro da nossa cinematografia brasileira e presidente da Academia Brasileira de Cinema, é uma pessoa extraordinária, uma parceira extraordinária, uma mãe extraordinária. Renata perdurará essa sua trajetória em muitos e muitos filmes porque ela é uma produtora que sabe retratar o Brasil para nós, para pessoas com coração e para o público. Eu tô muito feliz em entregar esse prêmio para a minha querida mãe branca”, disse Guindane.

Homenageada no Festival de Cinema de Gramado 2026

Emocionada, Renata discursou: “Eu estou realmente muito emocionada! É um reconhecimento pelo amor que eu tenho pelo cinema brasileiro e Gramado é um lugar que ama o cinema brasileiro. Me sinto realmente muito honrada de estar aqui hoje. De poder ter chegado até aqui. Eu brinquei em um primeiro momento quando me falaram da homenagem: ‘Nossa, acho que eu tô ficando velha porque eu já tenho uma obra’. E tenho mesmo uma obra de filmes que eu realmente quis fazer”. 

E seguiu seu discurso: “Eu e o Cacá [Diegues] perdemos uma filha, a Flora. E ela me pediu para eu recolocar o cinema no lugar da alegria. Acho que estar hoje na Academia Brasileira de Cinema foi um passo para isso. Eu não queria mais ser proponente, sabe? Ficar com toda aquela burocracia e aquela maluquice. Estar na Academia é estar falando sobre o cinema que a gente faz no Brasil. Tudo valeu, vale e valerá a pena porque a gente faz um cinema bom à beça. E toda hora tentam acabar com ele, mas não conseguem porque a gente resiste com mais filmes e melhores filmes. Como diria Paulo José, a gente faz o melhor cinema brasileiro do mundo. E faz mesmo. Então, isso aqui é uma celebração ao cinema brasileiro. Quero dedicar a todo mundo que acredita e, sobretudo, para as mulheres que fazem cinema brasileiro”

Sob aplausos, finalizou: “Eu comecei muito cedo. No Menino do Rio [filme dirigido por Antônio Calmon] era uma equipe que hoje seria uma equipe de um curta-metragem, mas era um longa. Era o auge da LC Barreto e numa equipe de 36 pessoas, tinham três mulheres. Eu amo olhar as equipes e ver elas cheias de mulheres em todos os lugares, em todas as funções. Porque não é só dirigir ou escrever. É tudo. A gente pode fazer tudo e a gente faz bem também. Viva o cinema brasileiro! Muito obrigada, Gramado. Muito obrigada pelo carinho e viva o amor pelo cinema!”. Vale destacar que à tarde, antes da homenagem, Renata participou de uma coletiva de imprensa no Serrazul Hotel, que foi mediada pela jornalista e crítica de cinema Neusa Barbosa

Depois da homenagem, a noite da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado seguiu com a exibição em competição do longa brasileiro Leite em Pó, de Carlos Segundo. Na sequência, foram exibidos os filmes da mostra competitiva de curtas brasileiros: Um Passeio, de Thalles Cabral e Fernanda Rocha; Fúrias, de Nica Maleoa; e Pão Doce, de Wesley Gabriel Silva Santos. A noite terminou com Empeleitada, de Chico Ludermir, Micaele Xucuru e Sergio Borges, documentário em competição

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Fotos: Edison Vara/Ag. Pressphoto.

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