
A 36ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, que acontecerá entre os dias 7 e 13 de novembro, em Fortaleza, divulgou os filmes que integram as competições deste ano: a Mostra Competitiva Ibero-americana de longa-metragem, com seis títulos; e a Mostra Competitiva Brasileira de curta-metragem, com 13 obras.
A seleção reúne filmes de diferentes regiões do Brasil (Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraíba e São Paulo), além de produções do Peru e coproduções entre Equador, Chile e Alemanha e entre República Dominicana e Espanha. As obras abordam temas como memória, identidade, relações familiares, pertencimento e resistência.
Com exibições no Cineteatro São Luiz, as duas mostras integram a programação do festival; os filmes selecionados concorrem ao Troféu Mucuripe em diferentes categorias.
A competição ibero-americana de longas do Cine Ceará 2026 reúne seis filmes, cinco de ficção e um documentário, que partem de histórias particulares para abordar questões relacionadas à memória, às relações humanas, à identidade e às transformações sociais.
A seleção conta com a coprodução de ficção entre Espanha e Bélgica, Eu Não Morrerei de Amor, da diretora Marta Matute. Na trama, Claudia, de 18 anos, precisa conciliar os desejos próprios da juventude com as responsabilidades que surgem quando a doença da mãe altera a rotina da família. O drama transforma uma situação íntima em reflexão sobre o cuidado e as escolhas que acompanham a passagem para a vida adulta; o longa recebeu a Biznaga de Oro de melhor filme espanhol no Festival de Málaga deste ano.
Há também a ficção Nunkui, de Verenice Benítez, que conduz a narrativa para a Amazônia equatoriana. A coprodução entre Equador, Chile e Alemanha narra a história de uma adolescente do povo indígena Shuar, que enfrenta a ameaça da mineração enquanto aprende sobre sua cultura, a natureza e seu lugar no mundo. O filme acumula reconhecimentos internacionais, entre eles o prêmio de melhor longa-metragem da competição latino-americana do Festival Audiovisual Bariloche, o Prêmio do Júri no Festival Biarritz Amérique Latine e o prêmio de melhor roteiro no FicLaPaz.
Destaque também para Sob o Mesmo Sol, dirigido por Ulises Porra. A coprodução entre República Dominicana e Espanha transporta o público para o Caribe colonial de 1819. Um herdeiro espanhol, uma mestra chinesa da arte da seda e um desertor haitiano se unem na tentativa de estabelecer uma fábrica na ilha Hispaniola. Ao aproximar personagens de diferentes origens, o filme aborda as tensões culturais e sociais de um território marcado por desigualdades e disputas de poder.
Também faz parte da seleção a ficção peruana Não Há Ida Sem Retorno, do diretor Carlos Sánchez Giraldo. O filme apresenta a história de Amito, guiado por uma voz que ouve em seus sonhos, decide retornar à selva, sendo acompanhado por Lizandro, que deseja aprender com ele. Durante essa jornada, marcada por elementos míticos, Amito descobre que não é quem imaginava ser, enquanto Lizandro é levado a confrontar a si mesmo. A história aborda o retorno como um ciclo inevitável e transformador.
Do Brasil, a mostra conta com dois filmes: a ficção Terra Firme, de Alexandre Vale, filmado em Trairi, no litoral cearense. O longa acompanha a amizade de um menino de uma vila de pescadores e um homem mais velho que vive isolado em seu barco. O encontro entre os dois cria a possibilidade de enfrentar marcas do passado e vislumbrar novos caminhos. O outro é o documentário Trapiá, um outro sertão, dirigido por Bertrand Lira, sobre uma comunidade rural no interior da Paraíba em transição de uma forma tradicional de vida.
Cena do curta cearense Joqueta, de Luciana Vieira
A competição brasileira de curtas reúne 13 produções de diferentes estados e formatos, entre ficções, documentários e animações. O Ceará participa com quatro produções. Em Joqueta, de Luciana Vieira, Filipa nunca é verdadeiramente reconhecida até precisar substituir o irmão em uma corrida de jóquei; o filme chega ao festival após conquistar o 1º Lugar Cabíria Cardume e o 2º Lugar Abra Cardume. Lena, de Lanna Carvalho, acompanha uma mulher que recebe da filha um lugar especial como presente e precisa lidar com a saudade. Cassiopeia, de Bruna DeRose, traz história de Beatriz, jovem fascinada por astronomia, que conhece Olívia e passa a enxergar suas sardas como constelações; entre amizade, desejo e descoberta, ela enfrenta sentimentos que transformam sua relação com o mundo. Já Redamar, de Johnnathan Albano, apresenta Ulisses, personagem cuja rotina é marcada por desejos reprimidos e frustrações até receber a notícia da morte da mãe.
Entre as ficções selecionadas está Caso Isolado, de Jamila Facury e Edson Lemos Akatoy, da Paraíba, que aborda o colorismo a partir da experiência de uma mulher negra de pele clara que trabalha com entregas em João Pessoa. Tem Cabeceira, de Rayane Teles, da Bahia, sobre duas irmãs que deixam a casa e se deparam com um cenário de solidão e falta de perspectivas. E também Pão Doce (SP), de Wesley Gabriel Silva Santos, que acompanha um pai que tenta conciliar as exigências do trabalho com a comemoração do aniversário da filha; o filme estreou no Festival de Cinema de Gramado, onde recebeu os kikitos de melhor direção e melhor ator para Francisco Gaspar.
A animação também ocupa espaço importante na seleção: Amargô, de Giorgio Vinicius Casetta, acompanha uma costureira que retorna à cidade onde nasceu e se depara com memórias dolorosas; Cefalópodes, de Vic Casé, que retrata a relação entre uma drag queen insegura e um artista extraterrestre; Fogo Amigo e Outras Canções, de Roberto P. B. Castro, sobre um homem que passa a atrair urubus e entra em conflito com as criaturas; e Todas as Vezes que Demos Tchau, do mineiro Breno Alvarenga, em que um homem lembra de um relacionamento com um rapaz mais jovem e reflete sobre inseguranças, traumas e sexualidade.
Completando a seleção, há os documentários: O Homem Para o Tempo, de Heber Bezerra, que aborda sobre memória, afeto e passagem do tempo a partir da cidade de Ouro Preto; e o capixaba De Barriga pra Cima, de Beatriz Lindenberg, Cintya Ferreira, Marcia Medeiros e Mariana de Lima, realizado a partir de uma oficina de cinema desenvolvida na comunidade quilombola de Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim.
Os filmes das duas mostras competitivas concorrem ao Troféu Mucuripe. Na Mostra Competitiva Ibero-americana de longa-metragem, serão premiados os vencedores nas categorias de melhor longa-metragem, direção, atuação principal, atuação coadjuvante, roteiro, fotografia, montagem, trilha sonora original, som, direção de arte e Prêmio da Crítica. O melhor longa, eleito pelo Júri Oficial, receberá um prêmio no valor de R$ 40 mil, destinados à distribuição da obra no Brasil conforme os critérios previstos no regulamento.
Na Mostra Competitiva Brasileira de curta-metragem, o Troféu Mucuripe será concedido nas categorias de melhor curta-metragem, direção, roteiro e Prêmio da Crítica. Os filmes também disputam o Prêmio Canal Brasil de Curtas, destinado à melhor produção da seleção; a premiação busca estimular novos realizadores e tem o vencedor escolhido por um júri formado por críticos e jornalistas especializados em cinema.
Conheça os novos filmes selecionados para o Cine Ceará 2026:
LONGAS-METRAGENS | COMPETITIVA IBERO-AMERICANA
Eu Não Morrerei de Amor (Yo no moriré de amor), de Marta Matute (Espanha/Bélgica)
Não Há Ida Sem Retorno (No hay ida sin retorno), de Carlos Sánchez Giraldo (Peru)
Nunkui, de Verenice Benítez (Equador/Chile/Alemanha)
Sob o Mesmo Sol (Bajo el mismo sol), de Ulises Porra (República Dominicana/Espanha)
Terra Firme, de Alexandre Vale (Brasil)
Trapiá, Um Outro Sertão, de Bertrand Lira (Brasil)
CURTAS-METRAGENS | COMPETITIVA BRASILEIRA
Amargô, de Giorgio Vinicius Casetta (GO)
Cabeceira, de Rayane Teles (BA)
Cassiopeia, de Bruna DeRose (CE)
Caso Isolado, de Jamila Facury e Edson Lemos Akatoy (PB)
Cefalópodes, de Vic Casé (SP)
De Barriga pra Cima, de Beatriz Lindenberg, Cintya Ferreira, Marcia Medeiros e Mariana de Lima (ES)
Fogo Amigo e Outras Canções, de Roberto P. B. Castro (GO)
Joqueta, de Luciana Vieira (CE)
Lena, de Lanna Carvalho (CE)
O Homem para o Tempo, de Heber Bezerra (MG)
Pão Doce, de Wesley Gabriel Silva Santos (SP)
Redamar, de Johnnathan Albano (CE)
Todas as Vezes que Demos Tchau, de Breno Alvarenga (MG)
Fotos: Petrus Cariry/Divulgação.