Chão

por: Cinevitor

chaoposter1Direção: Camila Freitas

Elenco: Natalina Vó Cândida, Wilmar P.C. Fernandes, Valtenir Gomes, Elizabett Conceição, José Bento Reginaldo Pires, Eliane Aparecida do Prado, Nelson Guedes.

Ano: 2019

Sinopse: Registrado por quatro anos, o documentário acompanha o cotidiano de um assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, em Goiás. Com a iminente criminalização do movimento e suas lideranças, o longa mostra a luta do MST por um pedaço de chão com momentos que retratam a agricultura familiar entre as paisagens monocromáticas do agronegócio.

Crítica do CINEVITOR: O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra começou na década de 1980 e hoje está organizado em 24 estados nas cinco regiões do país. Aproximadamente, 350 mil famílias já conquistaram terras por meio da luta e organização destes trabalhadores, que mesmo assentados, seguem organizados no MST com a intenção de realizar a Reforma Agrária. Para mostrar o cotidiano destas pessoas, a cineasta Camila Freitas registrou, ao longo de quatro anos, a movimentação de um assentamento em Goiás. Com uma proposta interessante e um tema necessário a ser discutido, o filme capta o dia a dia dos familiares com confiança e apresenta imagens muito bem fotografadas dos campos. Porém, fica a sensação de que faltou alguma coisa. Com personagens com alto potencial carismático, como a Vó Cândida, que aparece logo no início, o longa peca por não se aprofundar mais na história destas pessoas, que poderiam servir como fio condutor de uma narrativa pouco estruturada. Com uma apresentação rápida e pouco aproveitados, a aproximação com o público, infelizmente, passa longe de criar um vínculo afetivo. Chão dialoga muito mais com quem já tem afinidade com o tema e com isso perde a chance de contextualizar o espectador historicamente. Ainda que mergulhe naquele universo com intimidade, sob o ponto de vista e vivência da diretora, o documentário deixa de explicar mais sobre a luta e suas propostas para leigos no assunto. Todo mundo já ouviu falar do MST, mas nem todos conhecem a fundo seus ideais. Algumas situações são retratadas como se fossem esquetes, de maneira rápida e sem conflito narrativo. Outros personagens, que tinham tudo para se destacar, são apresentados vagamente e depois somem da trama. Chão é mais importante do que impactante. É necessário. Vale também pelo fato de ser um filme sobre uma luta, que faz parte da nossa história e enfrenta obstáculos diariamente. Ainda que a temática se sobressaia em relação aos outros elementos do documentário, a diretora consegue evidenciar sua preocupação em relação aos trabalhadores e seus adversários políticos e sociais. Chão não deixa de humanizar seus personagens e faz isso muito bem. Porém, não basta apenas ter um tema interessante. Ao final da projeção, por exemplo, letreiros surgem na tela com diversas informações que poderiam ter aparecido durante o filme. Fato é que faltou mostrar algo a mais. Ainda assim, é impossível negar a importância de um documentário como esse nesse momento do país: por colocar o MST em evidência e dar voz a quem precisa e entende do assunto. Chão fala da nossa história, do nosso povo. Enquanto a sociedade tenta calar aqueles que buscam mudanças, a arte está sempre de braços abertos para colocá-los em destaque. (Vitor Búrigo)

*Clique aqui e assista aos melhores momentos da apresentação e do debate do filme no Olhar de Cinema.

*Filme visto no 8º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba.

Nota do CINEVITOR:

nota-3-estrelas

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