
Foram anunciados nesta quarta-feira, 30/07, os vencedores da 24ª edição do Prêmio Grande Otelo, antes chamado de Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, conhecido como a mais importante festa do audiovisual brasileiro.
Neste ano, Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles e vencedor do Oscar, foi consagrado com treze prêmios, entre eles, melhor longa-metragem de ficção e melhor atriz para Fernanda Torres; o filme liderava a lista com dezesseis indicações. Na sequência, Malu, de Pedro Freire, se destacou com três troféus Grande Otelo.
Com mais de cinco milhões de espectadores nos cinemas brasileiros, vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza do ano passado e estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello, com participação especial de Fernanda Montenegro, Ainda Estou Aqui é inspirado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva sobre a história de sua família. O relato começa no início dos anos 70, quando um ato de violência muda a história da família Paiva para sempre. O livro e o filme abraçam o ponto de vista daqueles que sofrem uma perda em um regime de exceção, mas não se dobram; o roteiro é de Murilo Hauser, de A Vida Invisível, e Heitor Lorega.
A sinopse diz: Rio de Janeiro, início dos anos 70. O país enfrenta o endurecimento da ditadura militar. Estamos no centro de uma família, os Paiva: Rubens, Eunice e seus cinco filhos. Vivem na frente da praia, numa casa de portas abertas para os amigos. Um dia, Rubens Paiva é levado por militares à paisana e desaparece. Eunice , cuja busca pela verdade sobre o destino de seu marido se estenderia por décadas, é obrigada a se reinventar e traçar um novo futuro para si e seus filhos.
Em seu discurso como melhor atriz, Fernanda Torres, que foi indicada ao Oscar, exaltou a trajetória mundial de Ainda Estou Aqui e agradeceu por encerrar a jornada no Rio: “Ainda Estou Aqui começou no Rio de Janeiro e me sinto muito realizada tendo dado a volta ao mundo com Walter, Selton, com o filme e com Eunice Paiva para estar aqui hoje, de volta. Eu estou muito feliz de ir para casa com o Grande Otelo!”, disse emocionada.
Foram anunciados 30 prêmios para longas-metragens, curtas e séries brasileiras: 29 produções escolhidas pelo amplo júri formado por profissionais associados à Academia Brasileira de Cinema; e o disputado Grande Otelo de melhor filme pelo Júri Popular escolhido pelo público por meio de votação realizada no site da Academia. Como é tradição, a abertura dos envelopes foi ao vivo, auditada pela PwC Brasil. Neste ano, a lista de finalistas reuniu mais de 300 profissionais indicados em mais de 30 diferentes longas-metragens brasileiros, 5 longas ibero-americanos, 19 curtas brasileiros (5 de ficção, 6 documentários e 8 de animação); e 20 séries (7 de animação, 5 documentais e 8 de ficção).
Walter Salles: prêmio melhor direção por Ainda Estou Aqui
Na abertura da premiação, Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, falou sobre a última safra do cinema nacional e ressaltou a importância de ter uma instituição plural e democrática para representá-lo: “Este foi um ano muito especial para o nosso cinema e, na noite de hoje, vamos celebrá-lo com todos que o realizam. Não importa quem ganha ou perde, todos somos vencedores porque acreditamos na força das nossas imagens e sonhos e não desistimos nunca. Em 2025, fizemos um golaço em pleno Carnaval e, para ser justo com Waltinho, foi um gol de Garrincha”.
Em tom bem humorado, Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, subiu ao palco e falou da importância cultural e econômica do cinema para a capital fluminense e todo o Brasil: “O Prêmio Grande Otelo é um dos momentos mais inspiradores da cultura brasileira, nossa maior homenagem ao talento, criatividade e força do cinema nacional. Com o maior orgulho, celebramos filmes como Ainda Estou Aqui, o grande destaque desta edição que recebeu 16 indicações, o que reforça o talento dos nossos profissionais e a maturidade do nosso setor. Conquistas são motivo de orgulho e, mais importante, prova que vale a pena investir na cultura, mostrando que, quando o poder público cumpre seu papel, o talento floresce e o Brasil brilha lá fora com histórias que nascem aqui”.
Ao longo da noite, o evento celebrou a trajetória do cinema brasileiro ao redor do mundo com homenagens a filmes e a profissionais brasileiros que marcaram presença e se destacaram no cinema mundial. Durante a cerimônia, foram relembrados marcos como a chegada dos primeiros atores brasileiros a Hollywood; vitórias e indicações de produções nacionais nos maiores festivais internacionais, como Cannes, Berlim e Veneza; e as múltiplas conquistas do Cinema Novo. Fizeram ainda parte da homenagem os triunfos mais recentes de Ainda Estou Aqui, O Último Azul e O Agente Secreto, além de uma bela homenagem à produtora LC Barreto Produções Cinematográficas, que já produziu e coproduziu mais de 80 títulos.
Na parte musical, a banda Primavera nos Dentes fez três apresentações especiais com um repertório de canções emblemáticas que marcaram o cinema brasileiro em diferentes épocas. Na voz da vocalista Duda Brack, o quinteto apresentou O que é que a baiana tem?, de Dorival Caymmi, sucesso que projetou Carmen Miranda rumo à carreira internacional; Bye Bye Brasil, escrita por Chico Buarque especialmente para o longa homônimo de Cacá Diegues; e É preciso dar um jeito, meu amigo, de Erasmo Carlos, que se tornou um hino do momento atual do audiovisual brasileiro com Ainda Estou Aqui.
Realizada anualmente pela Academia Brasileira de Cinema, a cerimônia aconteceu na Cidade das Artes Bibi Ferreira, no Rio de Janeiro, com apresentação de Bárbara Paz e Isabel Fillardis. O evento foi transmitido ao vivo para todo o país pelo Canal Brasil e pelo YouTube da Academia.
Conheça os vencedores do 24º Prêmio Grande Otelo:
MELHOR LONGA-METRAGEM | FICÇÃO
Ainda Estou Aqui, de Walter Salles
MELHOR LONGA-METRAGEM | VOTO POPULAR
Milton Bituca Nascimento, de Flavia Moraes
MELHOR LONGA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
3 Obás de Xangô, de Sérgio Machado
MELHOR LONGA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
Arca de Noé, de Sérgio Machado e Alois Di Leo
MELHOR LONGA-METRAGEM | INFANTIL
Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa, de Fernando Fraiha
MELHOR DIREÇÃO
Walter Salles, por Ainda Estou Aqui
MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM
Pedro Freire, por Malu
MELHOR ATRIZ | LONGA-METRAGEM
Fernanda Torres, por Ainda Estou Aqui
MELHOR ATOR | LONGA-METRAGEM
Selton Mello, por Ainda Estou Aqui
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE | LONGA-METRAGEM
Juliana Carneiro da Cunha, por Malu
MELHOR ATOR COADJUVANTE DE LONGA-METRAGEM
Ricardo Teodoro, por Baby
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Malu, escrito por Pedro Freire
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Ainda Estou Aqui, escrito por Murilo Hauser e Heitor Lorega; baseado no livro Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva
MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Ainda Estou Aqui, por Adrian Teijido
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Ainda Estou Aqui, por Carlos Conti
MELHOR FIGURINO
Ainda Estou Aqui, por Claudia Kopke
MELHOR MAQUIAGEM
Ainda Estou Aqui, por Marisa Amenta e Luigi Rocchetti
MELHOR EFEITO VISUAL
Ainda Estou Aqui, por Claudio Peralta
MELHOR MONTAGEM
Ainda Estou Aqui, por Affonso Gonçalves
MELHOR SOM
Ainda Estou Aqui, por Laura Zimmerman e Stéphane Thiébaut
MELHOR TRILHA SONORA
Ainda Estou Aqui, por Warren Ellis
MELHOR CURTA-METRAGEM | FICÇÃO
Helena de Guaratiba, de Karen Black (RJ)
MELHOR CURTA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
Você, de Elisa Bessa (RJ)
MELHOR CURTA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
A Menina e o Pote, de Valentina Homem (PE)
MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO
Grand Tour, de Miguel Gomes (Portugal); indicação: Academia Portuguesa de Cinema
MELHOR SÉRIE | FICÇÃO | PRODUÇÃO INDEPENDENTE | TV ABERTA, PAGA OU STREAMING
Senna (Netflix)
MELHOR SÉRIE | DOCUMENTÁRIO | PRODUÇÃO INDEPENDENTE | TV ABERTA, PAGA OU STREAMING
Falas Negras (4ª temporada) (TV Globo)
MELHOR SÉRIE | ANIMAÇÃO | PRODUÇÃO INDEPENDENTE | TV ABERTA, PAGA OU STREAMING
Irmão do Jorel (5ª temporada) (Max/Cartoon Network Latin America)
MELHOR ATRIZ | SÉRIE DE FICÇÃO
Adriana Esteves, por Os Outros
MELHOR ATOR | SÉRIE DE FICÇÃO
Gabriel Leone, por Senna
Foto: Cláudio Andrade/Christian Rodrigues.