
A cerimônia de encerramento da 20ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, apresentada por David Maurity, aconteceu nesta segunda-feira, 30/06, na Praça Tiradentes, na cidade mineira de Ouro Preto, Patrimônio Histórico da Humanidade.
O longa Paraíso, dirigido por Ana Rieper, de Nada Será Como Antes e Vou Rifar Meu Coração, foi o grande vencedor do prêmio de melhor filme na histórica primeira edição competitiva da CineOP e recebeu o Troféu Vila Rica. Em sua 20ª edição, a Mostra instituiu um prêmio a longas-metragens que se utilizam de imagens de arquivo.
Saudado pelo júri, formado por Alex Moura, Marcus Mello e Sheila Schvarzman, o reconhecimento surge com o objetivo de “trazer maior visibilidade aos avanços da preservação audiovisual no país” a partir da organização do setor e dos debates e reflexões que são promovidos pela Mostra. O texto, lido pela jurada Sheila Schvarzman, reconheceu os avanços do cinema de arquivo no Brasil, estimulando uma produção que tem crescido significativamente nas últimas duas décadas e consolidando a cultura do uso de material preservado em filmes e se estabelecendo como “uma das mais fortes tendências do cinema brasileiro contemporâneo”.
A decisão do júri para conceder o prêmio a Paraíso foi justificada por ser um “ensaio que propõe uma interpretação do Brasil a partir de imagens cinematográficas de diferentes origens” e por dialogar com uma rica tradição de pensamento crítico de intelectuais brasileiros. Além disso, a produção foi elogiada pela “rigorosa pesquisa em arquivos públicos, que permitiu o acesso a uma significativa coleção de imagens”. O júri também ressaltou a inventividade, humor, indignação e empatia com que as imagens foram organizadas e ressignificadas numa obra “de caráter humanista e comprometida com o país”.
A Mostra Competitiva, uma das grandes inovações desta edição, selecionou cinco longas-metragens que têm em comum o uso criativo de imagens de arquivo; daí a mostra estar intitulada Arquivos em Questão. São obras que ressignificam registros históricos, pessoais e culturais para construir novas narrativas audiovisuais e reafirmam o papel da montagem, da curadoria e da memória na criação cinematográfica.
Clássico ao ar livre: O Garoto, de Charles Chaplin
Além do premiado Paraíso, a seleção contou também com: Itatira, de André Luís Garcia; Meu Pai e Eu, de Thiago Boulin; Os Ruminantes, de Tarsila Araújo e Marcelo Melo; e Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky, de Liliane Maia e Jorge Bodanzky.
No palco da CineOP 2025, Ana Rieper fez seu discurso: “Quero agradecer ao festival, que proporciona esse encontro do nosso cinema com o tema do arquivo, da preservação e da difusão. Queria também aproveitar para fazer um agradecimento muito especial a todos os profissionais que dedicam suas vidas, trajetórias e histórias para que a gente possa se encontrar com a nossa história através desses arquivos”.
Em uma breve fala ao entregar o Troféu Vila Rica para a cineasta Ana Rieper, o prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo, saudou a primeira edição do prêmio competitivo e os 130 anos do Arquivo Público Mineiro, espaço de armazenamento de materiais importantes da história brasileira. O prefeito celebrou ainda as novidades anunciadas durante a Mostra: a sala de cinema do Museu da Inconfidência passa a ter o nome do cineasta Joaquim Pedro de Andrade; e as obras de revitalização do Cine Vila Rica serão aceleradas, em movimento que se soma ao vindouro curso de cinema a ser oferecido pela UFOP, Universidade Federal de Ouro Preto.
Depois da premiação, a cerimônia finalizou com o Cine-Concerto em uma exibição especial de O Garoto (The Kid) (1921), clássico de Charles Chaplin, em uma versão especial com trilha sonora executada ao vivo pelas musicistas Natália Barros, Isabela Alencastro e Jennifer Cunha. No filme, Chaplin eterniza a figura do Vagabundo, que enfrenta a dureza da vida com afeto e humor, formando uma comovente parceria com um menino órfão. Nesta exibição, a poética trilha original, composta pelo próprio Chaplin, ganhou novos contornos com a incorporação de brasilidades, em especial o choro, gênero musical reconhecido como patrimônio cultural do Brasil. O resultado foi um encontro emocionante entre o cinema mudo e a riqueza sonora brasileira.
*O CINEVITOR está em Ouro Preto e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Fotos: Leo Fontes e Leo Lara/Universo Produção.