
Foram anunciados neste domingo, 15/03, os vencedores da 98ª edição do Oscar. A cerimônia de premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, realizada no Dolby Theatre, em Hollywood, foi apresentada por Conan O’Brien, que assumiu a função pela segunda vez.
Dirigido por Paul Thomas Anderson, Uma Batalha Após a Outra, que recebeu treze indicações, foi consagrado com seis estatuetas douradas, entre elas, a de melhor filme; Pecadores, de Ryan Coogler, que liderava a lista com 16 indicações, levou quatro prêmios.
O cinema brasileiro, que estava representado por O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, em quatro categorias, infelizmente, não foi premiado. Porém, Wagner Moura, que disputava como melhor ator, subiu ao palco, ao lado de outros nomes de Hollywood, como Gwyneth Paltrow, para apresentar a nova categoria da premiação: melhor direção de elenco.
No palco, cada apresentador falou sobre o diretor de elenco de seu filme. Sendo assim, Wagner destacou o trabalho do brasileiro Gabriel Domingues, que estava indicado, mas, infelizmente, perdeu para Cassandra Kulukundis, de Uma Batalha Após a Outra: “O Agente Secreto se passa no Brasil no final dos anos 1970. Gabriel Domingues teve que povoar este filme com pessoas que tinham rostos que pareciam pertencer àquela época. Gabriel, você alcançou esse objetivo. Você encontrou esses rostos e você fez isso tomando tanto cuidado e atenção com as menores partes quanto você teve com as maiores partes. E a vida que isso deu ao nosso filme é imensurável. Você, Gabriel, usou sua técnica para moldar um mundo inteiro em O Agente Secreto”, disse, sendo ovacionado. E finalizou em português: “E por isso eu digo: parabéns!”.
O pernambucano O Agente Secreto também concorria como melhor filme internacional e melhor filme. No ano passado, o Brasil foi premiado com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles.
Wagner Moura no palco do Oscar
Além disso, o brasileiro Adolpho Veloso, que disputava o prêmio de melhor direção de fotografia por Sonhos de Trem, infelizmente, perdeu para Autumn Durald Arkapaw, de Pecadores, que tornou-se a primeira mulher nos 98 anos de premiação a vencer nesta categoria (e a quarta a ser indicada). Aplaudida pelo público, disse: “Eu quero que todas as mulheres se levantem, pois só cheguei até aqui por causa de vocês”.
A noite também foi marcada por outros discursos emocionantes. Amy Madigan levou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu trabalho em A Hora do Mal. Ovacionada pelo público, discursou: “Eu faço isso há muito, muito tempo. E esse é o meu primeiro Oscar. Nunca imaginei que ganharia por interpretar uma tia assustadora em um filme de terror”. Vale lembrar que Madigan foi indicada em 1986 por Duas Vezes na Vida.
Michael B. Jordan, que levou o prêmio de melhor ator por Pecadores, desbancando o brasileiro Wagner Moura, emocionou no palco: “Estou aqui por causa das pessoas que vieram antes de mim: Sidney Poitier, Denzel Washington, Halle Berry, Jamie Foxx, Forest Whitaker e Will Smith. Estar entre esses gigantes, esses grandes, meus ancestrais, meus ídolos. Obrigado a todos nesta sala e a todos em casa por me apoiarem ao longo da minha carreira. Eu sinto isso. Sei que vocês querem que eu me saia bem e eu quero fazer isso porque vocês apostaram em mim”. Jessie Buckley, eleita a melhor atriz por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, também emocionou: “Gostaria de dedicar esse Oscar à beleza do caos do coração de uma mãe”.
Pela sétima vez na história do Oscar, uma categoria contemplou dois vencedores: o prêmio de melhor curta-metragem de ficção foi para o francês Deux personnes échangeant de la salive, dirigido por Natalie Musteata e Alexandre Singh, e Os Cantores, de Sam A. Davis. O apresentador Kumail Nanjiani reconheceu a raridade da situação ao abrir o envelope e disse: “É um empate. Não estou brincando. É realmente um empate. Então, pessoal, mantenham a calma e vamos resolver isso”.
Confira a lista completa com os vencedores do Oscar 2026:
MELHOR FILME
Uma Batalha Após a Outra
MELHOR DIREÇÃO
Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra
MELHOR ATRIZ
Jessie Buckley, por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Madigan, por A Hora do Mal
MELHOR ATOR
Michael B. Jordan, por Pecadores
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Sean Penn, por Uma Batalha Após a Outra
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Pecadores, escrito por Ryan Coogler
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Uma Batalha Após a Outra, escrito por Paul Thomas Anderson
MELHOR FILME INTERNACIONAL
Valor Sentimental, de Joachim Trier (Noruega)
MELHOR ANIMAÇÃO
Guerreiras do K-Pop, de Maggie Kang e Chris Appelhans
MELHOR DOCUMENTÁRIO
Mr. Nobody Against Putin, de David Borenstein e Pavel Talankin
MELHOR DIREÇÃO DE ELENCO
Uma Batalha Após a Outra, por Cassandra Kulukundis
MELHOR FOTOGRAFIA
Pecadores, por Autumn Durald Arkapaw
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Frankenstein, por Tamara Deverell e Shane Vieau
MELHOR FIGURINO
Frankenstein, por Kate Hawley
MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADO
Frankenstein, por Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey
MELHOR EDIÇÃO
Uma Batalha Após a Outra, por Andy Jurgensen
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
Pecadores, por Ludwig Göransson
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
Golden, por EJAE, Mark Sonnenblick, Joong Gyu Kwak, Yu Han Lee, Hee Dong Nam, Jeong Hoon Seon e Teddy Park (Guerreiras do K-Pop)
MELHOR SOM
F1: O Filme, por Gareth John, Al Nelson, Gwendolyn Yates Whittle, Gary A. Rizzo e Juan Peralta
MELHORES EFEITOS VISUAIS
Avatar: Fogo e Cinzas, por Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett
MELHOR CURTA-METRAGEM | FICÇÃO (empate)
Deux personnes échangeant de la salive, de Natalie Musteata e Alexandre Singh
Os Cantores, de Sam A. Davis
MELHOR CURTA-METRAGEM | DOCUMENTÁRIO
Quartos Vazios, de Joshua Seftel
MELHOR CURTA-METRAGEM | ANIMAÇÃO
The Girl Who Cried Pearls, de Chris Lavis e Maciek Szczerbowski
Fotos: Trae Patton/Wally Skalij/The Academy/A.M.P.A.S.