Indie 2025 anuncia seleção com 38 filmes; festival acontecerá em Belo Horizonte

por: Cinevitor
Andrés Roca Rey no documentário Tardes de soledad, de Albert Serra

O Indie Festival foi criado em 2001, em Belo Horizonte, Minas Gerais, com a missão de levar o cinema independente internacional ao maior público possível no Brasil. O festival visa fornecer uma alternativa cultural à experiência do cinema comercial, apoiar cineastas independentes e promover a arte do cinema.

A 22ª edição acontecerá na capital mineira entre os dias 7 e 13 de agosto em dois cinemas de rua da cidade: Cine Belas Artes e Centro Cultural Unimed-BH Minas. A programação exibirá 38 filmes, de 19 países, em 53 sessões de cinema, com entrada franca. O Indie quer celebrar o cinema, o contemporâneo, o cult, o clássico e, principalmente, sua história e seu público.

A mostra principal chamada apenas Cinema é como um guia que contém os filmes que deveríamos assistir (ou rever) para reafirmar nosso compromisso com o cinema, com o espaço das salas de exibição ou mesmo para formar nossa bagagem cinematográfica. Afinal, o que é o cinema para você? A mostra traz algumas obras-primas fundamentais, apostas em novos diretores, últimos filmes de cineastas já conhecidos, um pouco de curtas, um pouco de filmes brasileiros. O público vai poder ver: a obra-prima de Chantal Akerman, Jeanne Dielman; dois filmes do gênio David Lynch; uma obra seminal do cinema negro americano, O Matador de Ovelhas, de Charles Burnett; um filme que fez uma sessão histórica no Indie, O Cavalo de Turim, do Béla Tarr; do diretor Hong Sang-Soo, sempre presente no Indie, será exibido seu segundo filme, A Virgem Desnudada por seus Celibatários; e a cópia restaurada do cult japonês Linda Linda Linda, de Nobuhiro Yamashita, que completa 20 anos.

Junto aos clássicos, o cinema contemporâneo marca presença com o adorável Volvéreis, do espanhol Jonás Trueba, premiado na Quinzena de Cineastas, em Cannes; uma nova diretora argentina Silvina Schnicer, em uma coprodução com o Brasil em O Sítio; uma história baseada no genial fotógrafo japonês Masahisa Fukase em Corvos, de Mark Gill; o belíssimo Fogo do Vento da diretora portuguesa Marta Mateus e exibido em Locarno; e dois diretores que já tiveram retrospectiva no Indie: o último do catalão Albert Serra com Tardes de Solidão, grande vencedor da Concha de Ouro no Festival de San Sebastián; e do lituano Sharunas Bartas, De volta à Casa, exibido em Roterdã

O cinema brasileiro completa a mostra Cinema com dois longas e quatro curtas de diretores mineiros. O teatro, a política e a luta em Deuses da Peste, de Gabriela Luíza e Tiago Mata Machado, premiado na Mostra Tiradentes; e o documentário de Ursula Rösele com depoimentos de sete mulheres acerca do que calaram na vida em Abre Alas. E ainda mais quatro curtas: Mãe do Ouro, de Maick Hannder, exibido e premiado no Festival de Brasília; O Lado de Fora Fica Aqui Dentro, de Larissa Barbosa, indicado ao Prêmio Grande Otelo; Você Lembra, de Victória Morais; e Quando disse adeus achei que tivesse ido, de Juliana Magalhães.

Os norte-americanos vistos pelo olhar estrangeiro de um italiano: o Indie Festival 2025 traz como retrospectiva a obra do diretor italiano Roberto Minervini. Com títulos que combinam elementos dramatizados e observacionais, é considerado um dos mais importantes documentaristas narrativos do cinema contemporâneo. Minervini durante sete anos realizou a trilogia texana: The Passage, Low Tide e Stop The Pounding Heart, com filmes centrados nas comunidades rurais do sul dos Estados Unidos. Em 2015, se muda para a Louisiana onde realiza The Other Side, que estreou no Festival de Cannes de 2015 na mostra Un Certain Regard, e What You Gonna Do When the World’s on Fire?, que disputou o Leão de Ouro em Veneza, abordando o domínio político da sociedade americana e a injustiça social. Já em 2024 realizou a ficção Os Malditos, que lhe rendeu o prêmio de melhor direção na Un Certain Regard em Cannes, sobre uma tropa de voluntários enviada para patrulhar uma região nunca antes explorada em plena Guerra Civil Americana.

A segunda retrospectiva é uma comemoração. Há 27 anos, a produtora mineira Zeta Filmes vem criando festivais como Fluxus, projetos de itinerância, instalações e distribuindo filmes nos cinemas comerciais, além de ser a realizadora do Indie. A criação dos festivais e o projeto de distribuição sempre foram complementares, ambos com o objetivo de formação de público e de apresentar e valorizar o cinema autoral. Nesta celebração, a Zeta escolheu 12 títulos consagrados para a retrospectiva. E mais: o Indie traz também dois filmes com recursos de acessibilidade com Libras, audiodescrição e legenda descritiva: O que está por vir, de Mia Hansen-Løve, e Tangerine, de Sean Baker.

Conheça os filmes selecionados para o Indie Festival 2025:

MOSTRA CINEMA

A Virgem Desnudada por seus Celibatários (Oh! Soo-jung), de Hong Sang-soo (2000) (Coreia do Sul)
Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive), de David Lynch (2001) (EUA)
Corvos (Ravens), de Mark Gill (2024) (França/Japão/Espanha/Bélgica) 
De Volta à Casa (Back to the Family), de Sharunas Bartas (2025) (Lituânia/França/Polônia/Letônia)
Felizes Juntos (Chun gwong ja sit), de Wong Kar-Wai (1997) (Hong Kong)
Fogo do Vento, de Marta Mateus (2024) (Portugal/Suíça/França)
Jeanne Dielman, 23, quai du Commerce, 1080 Bruxelles, de Chantal Akerman (1975) (Bélgica/França)
Linda Linda Linda, de Nobuhiro Yamashita (2005) (Japão)
O Cavalo de Turim (A torinói ló), de Béla Tarr (2011) (Hungria/França/Alemanha/Suíça/EUA)
O Matador de Ovelhas (Killer of Sheep), de Charles Burnett (1977) (EUA)
O Sítio (La quinta), de Silvina Schnicer (2024) (Argentina/Brasil/Chile/Espanha)
Tardes de Solidão (Tardes de soledad), de Albert Serra (2024) (Espanha/França/Portugal)
Veludo Azul (Blue Velvet), de David Lynch (1986) (EUA)
Volveréis, de Jonás Trueba (2024) (Espanha/França)

MOSTRA CINEMA INDIE MINAS | LONGAS

Abre Alas, de Ursula Rösele (MG)
Deuses da Peste, de Gabriela Luíza e Tiago Mata Machado (SP/MG)

MOSTRA CINEMA INDIE MINAS | CURTAS

Mãe do Ouro, de Maick Hannder
O Lado de Fora Fica Aqui Dentro, de Larissa Barbosa
Quando Disse Adeus Achei que Tivesse Ido, de Juliana Magalhães
Você Lembra, de Victória Morais

RETROSPECTIVA ROBERTO MINERVINI

A Passagem (The Passage), de Roberto Minervini (2011) (EUA/Bélgica) 
Acalme Esse Coração Inquieto (Stop The Pounding Heart), de Roberto Minervini (2013) (Itália/Bélgica/EUA)
Maré Baixa (Low Tide), de Roberto Minervini (2012) (Itália/EUA)
O Outro Lado (The Other Side), de Roberto Minervini (2015) (Itália/França)
O Que Você Irá Fazer Quando o Mundo Estiver em Chamas? (What You Gonna Do When the World’s on Fire?), de Roberto Minervini (2019) (Itália/EUA/França)
Os Malditos (The Damned), de Roberto Minervini (2024) (Itália/EUA/Bélgica/Canadá)

RETROSPECTIVA ZETA 27 anos

E Então Nós Dançamos (And Then We Danced), de Levan Akin (2019) (Suécia/Geórgia/Alemanha/França)
EO, de Jerzy Skolimowski (2022) (Polônia/Itália)
Ida, de Paweł Pawlikowski (2013) (Polônia/Dinamarca)
Longa Jornada Noite Adentro (Diqiu zuihou de yewan), de Bi Gan (2018) (China/França)
Misericórdia (Miséricorde), de Alain Guiraudie (2024) (França/Espanha/Portugal)
Na Ventania (Risttuules), de Martti Helde (2014) (Estônia)
O Acontecimento (L’événement), de Audrey Diwan (2021) (França)
O que Está por Vir (L’avenir), de Mia Hansen-Løve (2016) (França)
Tangerine, de Sean Baker (2015) (EUA)
Tempo Suspenso (Hors du Temps), de Olivier Assayas (2024) (França)
Um Elefante Sentado Quieto (Da xiang xidi erzuo), de Hu Bo (2018) (China)
Vitalina Varela, de Pedro Costa (2019) (Portugal)

Foto: Artur Tort Pujol.

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