
Foram anunciados neste domingo, 12/10, no Cine Odeon – Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro, em cerimônia apresentada por Clayton Nascimento e Luisa Arraes, os vencedores do Festival do Rio 2025.
Neste ano, 48 filmes, entre longas e curtas-metragens, competiram nas mostras oficiais e disputaram o Troféu Redentor, da Première Brasil, e o Prêmio Felix; juntos consagraram o melhor do cinema nacional contemporâneo. O festival apresentou novidades, como a inclusão da categoria de melhor figurino na competição principal e o retorno do Prêmio do Público, que elegeu os favoritos em melhor filme de ficção e melhor documentário da Première Brasil, além de melhor filme na mostra Novos Rumos.
Em seu discurso no palco do Odeon, Ilda Santiago, diretora do festival, disse: “Foi um ano muito especial, com salas cheias, encontros importantes de mercado, encontros amorosos de novos projetos. Quero agradecer aos júris, agradecer a todos que participaram e estiveram conosco ao longo desses onze dias. É uma rede de paixão pelo cinema. E um agradecimento especial ao público”.
A diretora do festival, Walkiria Barbosa, complementou: “O RioMarket este ano foi histórico porque a gente vem de um processo de incluir, pela primeira vez na história do audiovisual brasileiro, do nosso setor dentro do Ministério do Comércio, com o programa da nova indústria do Brasil. E culminou com a presença do Ministério no RioMarket”.
O Festival do Rio ainda trouxe para este ano duas novas competições com o Voto Popular. Pela primeira vez, mostras internacionais são competitivas e os vencedores nas categorias Expectativas e Première Latina serão conhecidos no final desta semana, após o encerramento da votação, que segue durante o período do Chorinho, seleção de filmes que continuam sendo exibidos e votados até quarta-feira, 15/10.
Entre os discursos da noite, Fábio Leal, diretor do premiado curta O Faz-Tudo, emocionou: “Minha mãe sofreu um AVC e está muito limitada. Mas quando fui selecionado para o Festival do Rio, eu contei e ela falou ‘oooo’ e fez assim com a mão. Pode parecer pouco, mas é o mundo. Ela era artista e abdicou da arte para me criar. Os filmes que faço são pornochanchadas, talvez o mais brasileiro e o mais esculhambado de todos os gêneros. Precisamos reconhecer a importância do gênero e recuperar essa história”.
A vencedora do Redentor de melhor atriz, Klara Castanho, por #SalveRosa, também discursou: “Já que foi citada aqui Fernanda Torres, quero dizer: a vida presta”. Outro momento marcante da noite foi o prêmio de melhor atriz coadjuvante para Diva Menner, por Ruas da Glória: “Eu sou uma travesti preta e não poderia deixar de dedicar este prêmio às minhas trans-cestrais, que não estão mais aqui porque foram vítimas da sociedade e não tiveram as mesmas oportunidades que eu tive. E que a minha voz e a minha arte me façam percorrer a distância entre o dedo e a ferida. A arte me salvou!”.
Marcio Reolon, que divide com Filipe Matzembacher a direção de Ato Noturno, discursou ao receber os troféus de melhor filme brasileiro pelo Prêmio Felix e melhor roteiro na Première Brasil: “Hoje no nosso país as forças conservadoras estão organizadas e nós precisamos resistir a isso. E uma coisa que é muito importante, e guia nossos personagens, é o espírito de desobediência. Cabe a nós abraçar isso e usar como uma afirmação”. O filme também venceu nas categoria de melhor ator para Gabriel Faryas e melhor fotografia para Luciana Baseggio.
Nesta 27ª edição, o time de jurados foi formado por: Eric Lagesse (presidente), Carolina Kotscho, Claudia Kopke, Elena Manrique, Javier Garcia Puerto, Luciana Bezerra e Paula Astorga na Competição Principal da Première Brasil; Beth Formaggini (presidente), Davi Pretto, Lucas H. Rossi, Rafael Sampaio e Thalita Carauta na Première Brasil Novos Rumo; e Franck Finance-Madureira (presidente), Carolina Durão, Chica Andrade e Hedu Carvalho (em drag, Dudakoo) no Prêmio Felix, que celebra os filmes de temática LGBTQIAP+.
Conheça os vencedores do Festival do Rio 2025:
PREMIÈRE BRASIL
Melhor Filme | Ficção: Pequenas Criaturas, de Anne Pinheiro Guimarães (RJ)
Melhor Filme | Ficção | Voto Popular: #SalveRosa, de Susanna Lira (RJ)
Prêmio Especial do Júri: Cheiro de Diesel, de Natasha Neri e Gizele Martins (RJ)
Melhor Direção | Ficção: Rogério Nunes, por Coração das Trevas
Melhor Roteiro: Ato Noturno, escrito por Marcio Reolon e Filipe Matzembacher
Melhor Curta: Sebastiana, de Pedro de Alencar (RJ) e O Faz-Tudo, de Fábio Leal (PE)
Melhor Documentário: Apolo, de Tainá Müller e Isis Broken (SP)
Melhor Documentário | Voto Popular: Cheiro de Diesel, de Natasha Neri e Gizele Martins
Melhor Direção | Documentário: Mini Kerti, por Dona Onete: Meu Coração Neste Pedacinho Aqui
Melhor Atriz: Klara Castanho, por #SalveRosa
Melhor Ator: Gabriel Faryas, por Ato Noturno
Melhor Atriz Coadjuvante: Diva Menner, por Ruas da Glória
Melhor Ator Coadjuvante: Alejandro Claveaux, por Ruas da Glória
Melhor Fotografia: Ato Noturno, por Luciana Baseggio
Melhor Direção de Arte: Pequenas Criaturas, por Claudia Andrade
Melhor Figurino: #SalveRosa, por Renata Russo
Melhor Montagem: Honestino, por André Finotti
Melhor Som: Love Kills, por Ariel Henrique e Tales Manfrinato
Melhor Trilha Sonora Original: Apolo, por Plínio Profeta
PREMIÈRE BRASIL | NOVOS RUMOS
Melhor Longa: Uma em Mil, de Jonatas Rubert e Tiago Rubert (RJ)
Melhor Filme | Voto Popular: Herança de Narcisa, de Clarissa Appelt e Daniel Dias (RJ)
Melhor Direção: João Borges, por Espelho Cigano
Prêmio Especial do Júri: Ângela Leal e Leandra Leal, por Nada a Fazer
Melhor Atriz: Ana Flavia Cavalcanti e Mawusi Tulani, por Criadas
Melhor Atriz | Menção Honrosa: Docy Moreira, por Espelho Cigano
Melhor Ator: Márcio Vito, por Eu Não Te Ouço
Melhor Curta: Ponto Cego, de Luciana Vieira e Marcel Beltrán (CE)
Menção Honrosa | Curta: Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique (PE)
PRÊMIO FELIX
Melhor Filme Brasileiro: Ato Noturno, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher (RS)
Melhor Filme Internacional: A Sapatona Galáctica (Lesbian Space Princess), de Leela Varghese e Emma Hough Hobb (Austrália)
Melhor Documentário: Copacabana, 4 de Maio, de Allan Ribeiro (RJ)
Prêmio Especial do Júri: Me Ame com Ternura (Love Me Tender), de Anna Cazenave Cambet (França/Luxemburgo)
Foto: Rogério Resende.