
O Festival Internacional de Cinema de Roterdã (IFFR, International Film Festival Rotterdam), que acontece na Holanda, é considerado um dos maiores do mundo e destaca obras cinematográficas dirigidas por novos cineastas. Além das seções oficiais em sua programação, há também espaço para nomes consagrados, retrospectivas e programas temáticos.
A 55ª edição acontecerá entre os dias 29 de janeiro e 8 de fevereiro de 2026 e o filme de abertura será o drama A Providência e a Guitarra, do diretor português João Nicolau, inspirado em um conto de Robert Louis Stevenson, que marca a estreia do cantor Salvador Sobral como ator; o encerramento será com o francês Bazaar, de Rémi Bezançon, com Laetitia Casta, Gilles Lellouche e Guillaume Gallienne no elenco.
Em comunicado oficial, Vanja Kaludjercic, diretora do festival, disse: “A edição de 2026 do IFFR reúne novas vozes e artistas consagrados cujas obras exploram temas como pertencimento, reinvenção, humor, medo, beleza e o esforço humano persistente para compreender nosso lugar em um mundo em constante transformação. O anúncio de hoje destaca as competições, o coração pulsante do festival, com uma seleção de títulos que refletem nossa missão de descoberta pelo público e apoio a cineastas que trilham novos caminhos no cinema. Em toda a programação, esperamos que cada espectador encontre um filme que fale com ele, ou o desafie, de forma significativa”.
Neste ano, o cinema brasileiro ganha destaque com diversos títulos. Na Tiger Competition, principal mostra do evento, aparece com Yellow Cake, de Tiago Melo. O longa é estrelado por Rejane Faria, de Marte Um, e traz a volta de Tânia Maria, de O Agente Secreto, às telas, além de reeditar a parceria do diretor com Valmir do Côco. A trama acompanha Rúbia Ribeiro, uma cientista nuclear envolvida em um projeto secreto para erradicar o Aedes aegypti utilizando urânio extraído da região.
O filme marca o retorno de Tiago Melo ao Festival de Roterdã, onde recebeu o prêmio Bright Future por Azougue Nazaré, em 2018. O evento, uma das vitrines mais importantes do cinema mundial, tem como característica a seleção de obras de talentos emergentes, com filmes de estética arrojada e temáticas ousadas: “Estar de volta a Roterdã, agora participando da Tiger, é muito especial. Acreditamos estar no lugar certo para mostrar o filme pela primeira vez porque nos identificamos com o tipo de cinema que o universo fantástico explorado no longa”, disse o diretor.
Rejane Faria: protagonista de Yellow Cake
Ambientado em Picuí, situada em uma região conhecida por ter terras raras, na Paraíba, Yellow Cake leva ao cinema o universo particular desta cidade marcada por garimpos e histórias envolvendo minerais como tântalo, nióbio e urânio. A presença da mineração também faz parte do imaginário da cidade, dando origem a histórias sobre mutações e contaminações por esses elementos, que, por sua vez, contribuem para o universo fantástico explorado no longa.
A sinopse oficial diz: na cidade de Picuí, no sertão da Paraíba, um grupo de cientistas tenta erradicar o mortal mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, por meio de um experimento secreto intitulado Yellow Cake. Utilizando o urânio extraído da região, o projeto pretende esterilizar os mosquitos e assim conter a disseminação da doença. A física nuclear Rúbia Ribeiro, papel de Rejane Faria, integra o experimento. Yellow Cake é uma produção da Lucinda Filmes, Urânio Filmes e Jaraguá Produções, com coprodução da Cinemascópio e Olhar Filmes. A distribuição nos cinemas brasileiros ficará por conta da Olhar Filmes.
O elenco conta também com Spencer Callahan, Wolfgang Pannek, Alli Willow, Rosa Malagueta, Galeguinho Zé Matias e Severino Dadá. Com roteiro escrito por Amanda Guimarães, Anna Carolina Francisco, Gabriel Domingues, Jeronimo Lemos e Tiago Melo, o filme conta com Gustavo Pessoa na direção de fotografia e Ivo Lopes Araújo na fotografia adicional. A direção de arte é de Ananias de Caldas e Avelino los Reis, com figurino de Mariana Braga, Gabriella Marra e Rodrigo Rosa. A montagem é assinada por André Sampaio, o som direto é de Danilo Carvalho, a caracterização de efeitos é de Anita Tagliavini e o casting de Gabriel Domingues. A produção é de Carol Ferreira, Leonardo Sette, Luiz Barbosa e Tiago Melo.
Já na mostra Short & Mid-length, o Brasil apresenta os curtas: Natimorto, de Ibrahem Hasan e Leandro HBL; a animação Lodo, de Joseph Specker Nys, uma coprodução com Uruguai; Statues Also Die?, de Thais Fernandes, coprodução com Hungria, Portugal e Bélgica; e Trivakra, de Sofia Angst. Vale destacar também o filme paraguaio Bolero rojo, de Ángel Molina, que conta com fotografia do brasileiro Bruno Polidoro.
Martha Nowill em Privadas de Suas Vidas, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner
Na mostra Harbour, o diretor Gustavo Vinagre ganha destaque com dois longas: Privadas de Suas Vidas, codirigido por Gurcius Gewdner, produzido por Rodrigo Teixeira, da RT Features, e com Martha Nowill, Chandelly Braz, Otávio Muller, Marco Pigossi, Regina Braga, Olívia Torres, Maria Gladys, Benjamin Damini, Fábio Marx, Miguel Navarro, Rodrigo Apresentador, Nilceia Vicente e Julia Katharine no elenco; e a história queer de realismo mágico A Paixão Segundo G.H.B., codireção de Vinicius Couto, com Igor Mo, Luciano Falcão, Rodrigo Campos, Jessé Jorge e Christiane Tricerri no elenco.
O Brasil segue na programação com o aclamado O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho com Wagner Moura, na mostra Limelight; Vento Norte, de Salomão Scliar (1951), na mostra Cinema Regained, que oferece clássicos restaurados, documentários sobre a cultura cinematográfica e explorações do patrimônio do cinema; e na Focus: Tetsuya Maruyama, dedicada ao artista multidisciplinar japonês radicado no Rio de Janeiro.
E mais: o curta-metragem brasileiro Arame Farpado, de Gustavo de Carvalho, faz parte da seleção da mostra Education Selection a convite do festival. Como parte do programa, no próximo ano o curta entra em circuito dentro de um material de ensino cinematográfico distribuído à escolas de todo o país a fim de ensinar cinema para crianças e adolescentes holandeses.
Além disso, o diretor de fotografia Yorick Le Saux, de Acima das Nuvens, Personal Shopper, Um Sonho de Amor, Adoráveis Mulheres, Amantes Eternos, Pai Mãe Irmã Irmão e Le mage du Kremlin, será homenageado com o Robby Müller Award, que destaca anualmente um excelente criador de imagens no estilo do falecido diretor de fotografia holandês que dá nome ao prêmio.
O time de jurados desta 55ª edição será formado por: Soheila Golestani, Ariane Labed, Kristy Matheson, Jurica Pavičić e o cineasta brasileiro Marcelo Gomes na Tiger Competition; Jan-Willem van Ewijk, Sara Ishaq, Loes Luca, Chris Oosterom e Mila Schlingemann na Big Screen Competition; e Sammy Baloji, Anka Gujabidze e Jukka-Pekka Laakso na Tiger Short Competition.
Conheça os filmes selecionados para o Festival Internacional de Cinema de Roterdã 2026:
TIGER COMPETITION
A Fading Man, de Welf Reinhart (Alemanha)
A Messy Tribute to Motherly Love, de Dan Geesin (Holanda/Alemanha/Bélgica)
La belle année, de Angelica Ruffier (Suécia/Noruega)
My Semba, de Hugo Salvaterra (Angola)
Nangong Cheng, de Shao Pan (China)
O Profeta, de Ique Langa (Moçambique/África do Sul/Qatar)
Roid, de Mejbaur Rahman Sumon (Bangladesh)
Supporting Role, de Ana Urushadze (Geórgia/Estônia/Turquia/Suíça/EUA)
The Gymnast, de Charlotte Glynn (EUA)
Unerasable!, de Socrates Saint-Wulfstan Drakos (Bélgica/Tailândia/Suécia)
Variations on a Theme, de Jason Jacobs e Devon Delmar (África do Sul/Holanda/Qatar)
Yellow Cake, de Tiago Melo (Brasil)
BIG SCREEN COMPETITION
2m², de Volkan Üce (Bélgica/Alemanha/Turquia)
Butterfly, de Itonje Søimer Guttormsen (Noruega/Suécia/Reino Unido/Alemanha)
Cyclone, de Philip Yung (Hong Kong)
Home, de Marijana Janković (Dinamarca/Sérvia)
Master, de Rezwan Shahriar Sumit (Bangladesh)
Moonglow, de Isabel Sandoval (Filipinas/Taiwan/Japão)
Now I Met Her, de Xiao Luxi (China)
Projecto Global, de Ivo M. Ferreira (Portugal/Luxemburgo)
Talking to a Stranger, de Adrián García Bogliano (México)
Tell Me What You Feel, de Łukasz Ronduda (Polônia)
The Arab, de Malek Bensmail (Argélia/França/Suíça/Emirados Árabes Unidos/Bélgica)
The Fall of Sir Douglas Weatherford, de Sean Dunn (Reino Unido)
TIGER SHORT COMPETITION
A donde nos lleva la fe de José Gerónimo, de Juliano Kunert (República Dominicana)
Acid City, de Jack Wedge e Will Freudenheim (EUA)
Body, remember…, de Matthew Berka (Reino Unido)
CUL-DE-SAC !, de Clyde Gates e Gabriel Sanson (Bélgica/França)
Deep Cobalt, de Petna Ndaliko Katondolo (Congo/EUA)
DISSONANCE*, de Jordan Strafer (Alemanha)
Domestic Demon, de Anahid Yahjian (EUA/Portugal)
Futuros luminosos, de Ismael García Ramírez (Colômbia)
Golden Island, de Arief Budiman (Indonésia/Singapura)
Home is where the heart is, de Timothée Engasser (França)
I am a River, de Heidi Piiroinen (Finlândia/França)
Last Shot, de Parham Rahimzadeh (Holanda)
Like moths to light, de Gala Hernández López (Espanha/Itália/França)
Mirror Martyr Mirror Moon, de Jesse Jones (Irlanda)
Objet d’énigme, de Chiara Caterina (Itália/Bélgica)
Orla, de Marie Lukáčová (República Checa/Eslováquia)
RELUCESCO, de Shannon Lynn Harris (Canadá)
Smriti~, de Shahi A J (Índia)
The Apple Doesn’t Fall…, de Dean Wei (China)
The Next World, de Grau Del Grau (EUA)
The Second Skin, de Mariia Lapidus (EUA/México)
The Tragic Movement of the Spheres, de Simon Rieth (França)
*Clique aqui e confira a seleção completa
Fotos: Gilvan Barreto/Divulgação.