Festival de Guadalajara 2025: filmes de Anna Muylaert e Gabriel Mascaro são premiados

por: Cinevitor
Shirley Cruz: melhor interpretação por A Melhor Mãe do Mundo

Foram anunciados neste sábado, 14/06, em cerimônia apresentada pelo ator mexicano Andrés Zuno, os vencedores da 40ª edição do Festival Internacional de Cine en Guadalajara, considerado um dos mais fortes da América Latina.

O longa Llamarse Olimpia, de Indira Cato, recebeu o Prêmio Mezcal de melhor filme, que destaca o cinema mexicano; a categoria de melhor interpretação consagrou o ator Emiliano Zurita por seu trabalho em Autos, mota y rocanrol

Neste ano, o cinema brasileiro, que marcou presença com diversos títulos na seleção, também se destacou na premiação: O Último Azul, dirigido por Gabriel Mascaro, foi eleito o melhor longa-metragem ibero-americano de ficção. O filme, que se passa na Amazônia, em um Brasil quase distópico, também foi consagrado com o Prêmio Maguey de melhor interpretação para Denise Weinberg; tal honraria divulga e promove um cinema que começa com histórias acompanhadas por uma orientação sexual aberta e diversa, celebrando o melhor da cinematografia LGBTQ do mundo.

Além disso, A Melhor Mãe do Mundo, de Anna Muylaert, se destacou com três prêmios: melhor interpretação para Shirley Cruz, melhor fotografia para Lílis Soares e melhor roteiro. O filme conta a história de uma mulher catadora de recicláveis que, ao fugir de seu marido abusivo, busca refazer sua vida pelas ruas de São Paulo com os filhos.

Emocionada, Shirley Cruz subiu ao palco para receber seu prêmio e discursou: “Não é justo que o mundo seja visto apenas por um ângulo. É preciso dar espaço para mulheres, para narrativas negras, trans, indígenas, PcDs. De fato, não é justo que o mundo, com tanta diversidade, seja visto só por um ângulo. Então, por mais mulheres na direção e por mais diversidade também nas narrativas. É incrível, mas eu não posso deixar de dizer que eu sou uma das únicas pessoas negras nesta sala e isso precisa mudar”. E finalizou: “Por fim, mais uma vez, todo o meu amor e carinho para Anna Muylaert, que conseguiu falar de coisas tão difíceis e tão urgentes de uma maneira tão leve, tão doce. Porque apesar da violência doméstica e do feminicídio, esse filme é sobre amor e vitória. É sobre inspirar. Dedico esse prêmio para minha mãe, minha filha de três anos, ao meu pai e aos meus ancestrais, que não tiveram a menor possibilidade de sonhar”

Conheça os vencedores do 40º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara:

PRÊMIO MEZCAL

Melhor Filme Mexicano: Llamarse Olimpia, de Indira Cato
Menção HonrosaBoca Vieja, de Yovegami Ascona Mora
Melhor Direção: Victoría Franco, por Doce lunas
Melhor Fotografia: Doce lunas, por Sergio Armstrong
Melhor InterpretaçãoEmiliano Zurita, por Autos, mota y rocanrol
Prêmio do Público: Boca Vieja, de Yovegami Ascona Mora
Prêmio do Júri Jovem: Boca Vieja, de Yovegami Ascona Mora

LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO DE FICÇÃO

Melhor Filme: O Último Azul, de Gabriel Mascaro (Brasil/México/Holanda/Chile)
Melhor Direção: Eva Libertad, por Sorda
Melhor Roteiro: A Melhor Mãe do Mundo, escrito por Anna Muylaert
Melhor Interpretação: Shirley Cruz, por A Melhor Mãe do Mundo
Melhor Fotografia: A Melhor Mãe do Mundo, por Lílis Soares
Melhor Filme de EstreiaMolt lluny, de Gerard Oms (Espanha/Holanda)

CURTA-METRAGEM IBERO-AMERICANO

Melhor Curta: Las voces del despeñadero, de Irving Serrano e Victor Rejón (México)
Menção Honrosa: De Sucre, de Clàudia Cedó (Espanha)

PRÊMIO MAGUEY

Melhor Filme: Sabar Bonda, de Rohan Parashuram Kanawade (Índia/Reino Unido/Canadá)
Menção Honrosa: Molt lluny, de Gerard Oms (Espanha/Holanda)
Prêmio do Júri: Lesbian Space Princess, de Leela Varghese e Emma Hough Hobbs (Austrália)
Menção Honrosa: Un mundo para mí, de Alejandro Zuno (México)
Melhor Interpretação: Denise Weinberg, por O Último Azul

LONGA-METRAGEM INTERNACIONAL DE ANIMAÇÃO

Melhor Filme: Olivia & las nubes, de Tomás Pichardo Espaillat (República Dominicana)
Menção Honrosa: Endless Cookie, de Seth Scriver e Peter Scriver (Canadá)

LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO DE DOCUMENTÁRIO

Melhor Filme: Tardes de soledad, de Albert Serra (Espanha/França/Portugal)
Melhor Direção: Misha Vallejo Prut, por Eco de luz
Melhor Direção de Fotografia: La guitarra flamenca de Yerai Cortés, por Oriol Barcelona, Nauzet Gaspar, Àlvar Riu, Diego Trenas e Arnau Valls Colomer

MOSTRA HECHO EN JALISCO

Melhor Longa: No, gracias, ya no fumo, de Diego Toussaint (México)
Menção Honrosa: Las hijas del viento, de José Camacho Cabrera (México)
Melhor Curta: La mosca en la pared, de Mar Novo (México)
Menção Honrosa: Hasta pronto, de Jennifer Skarbnik López (México)

CINE SOCIOAMBIENTAL

Melhor FilmeThe Mountain Won’t Move, de Petra Seliškar (Eslovênia/Macedônia/França)

PRÊMIO RIGO MORA

Melhor curta de animação: Luz Diabla, de Gervasio Canda, Patricio Patricio e Paula Boffo (Argentina/Canadá)
Menção Honrosa: Retirement Plan, de John Kelly (Irlanda)

OUTROS PRÊMIOS

Prêmio FIPRESCI: At the End of the World (En el fin del mundo), de Abraham Escobedo-Salas (Bélgica/México)
Prêmio FEISAL: Patio de chacales, de Diego Figueroa (Chile)
Cine de Género | Melhor Filme: Los inocentes, de Germán Tejada (México/Peru)

Foto: Antonio Rubio/FICG.

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