Fest Aruanda 2025 anuncia filmes selecionados, homenagens e destaques da programação

por: Cinevitor
Bruno Gagliasso no longa Honestino, de Aurélio Michiles

A 20ª edição do Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro acontecerá entre os dias 3 e 10 de dezembro em João Pessoa, na Paraíba, com uma programação diversificada e turbinada, que foi anunciada nesta segunda-feira, 24/11, em uma coletiva de imprensa. 

O fundador e diretor executivo do festival, Lúcio Vilar, destacou a celebração dos 20 anos do evento paraibano, que promete reeditar 2018, ano em que se registrou a primavera do cinema paraibano com um número recorde de longas-metragens sem precedentes na história da cinematografia do estado. O cenário se repete, em 2025, e uma segunda onda primaveril deverá ganhar contornos reveladores de novos filmes em longa-metragem, entre ficções e documentários, no mais antigo festival da Paraíba.

Com curadoria de Amilton Pinheiro e Lúcio Vilar, a Mostra Competitiva Nacional de Longas exibirá quatro títulos; já a Mostra Competitiva Nacional de Curtas, que teve curadoria assinada por Amilton Pinheiro, Rodrigo Fonseca e Vivi Pistache, contará com oito filmes. A seleção segue com: a Mostra Caleidoscópio Universitário, voltada a estudantes de graduação de todos os cursos da UFPB; Mostra Cine Aruandinha, com sessões especiais (sábado e domingo, às 11h) com o objetivo de incentivar o contato de crianças e adolescentes com o cinema nacional e regional, promovendo cultura, educação e inclusão; a Mostra Competitiva Cinema dos 4 Cantos do Mundo, com exibição de curtas-metragens de estudantes da China, França, Alemanha, Portugal e Estados Unidos; e as mostras competitivas Sob o Céu Nordestino com curtas paraibanos e longas-metragens da região

O Fest Aruanda abrirá na próxima quarta-feira, 03/12, no Cinépolis do Manaíra Shopping, com o filme documental Ary, de André Weller, que apresenta a intensa vida do autor de Aquarela do Brasil, Ary Barroso, e é narrado em primeira pessoa pelo ator Lima Duarte. Da infância mineira aos dias de glória no Rio, passando pela parceria com os estúdios Disney, o filme mistura ficção e imagens de arquivo raras, embaladas por clássicos como No Rancho Fundo e No Tabuleiro da Baiana. Um ensaio cinematográfico íntimo sobre a mente criativa do homem que inventou o Brasil brasileiro. Também será exibido o curta Index, do fotógrafo e artista visual João Lobo, atualmente radicado em Lisboa.

Já no dia 4 de dezembro, às 18h, na Praia de Tambaú, no Busto de Tamandaré, haverá um Tributo Raul Seixas: 80 anos, com a exibição do filme de Walter Carvalho, Raul: O Início, o Fim e o Meio, que conta a trajetória do conhecido cantor e compositor baiano, polêmico, ícone e criador da sociedade alternativa ao lado parceiro inseparável, hoje escritor, Paulo Coelho. Um raio-x do astro do rock brasileiro através de documentos, depoimentos de familiares, ex-esposas, filhas, amigos, músicos e compositores. Após a exibição, às 21h, terá um tributo musical com dez artistas paraibanos e, às 22h, Paula Chalup e Vivi Seixas, filha de Raul Seixas, trazem pela primeira vez à Paraíba o Rock das Aranhas Show Live, com músicas revisitadas do eterno maluco beleza

No dia seguinte, 05/12, a programação contará com a exibição do filme documental de Joana Mariani, Me Chama que Eu Vou, que conta toda a trajetória musical de Sidney Magal. Através de depoimentos e recortes que mostram os momentos mais significativos da vida do cantor, acompanhamos a trajetória dos 50 anos de carreira do músico, dançarino, dublador e ator que encanta cinco décadas no Brasil. Logo em seguida, o próprio Magal subirá ao palco do Aruanda Praia com sua banda para um show com seus maiores sucessos de todos os tempos.

O Fest Aruanda 2025 também prestará algumas homenagens: a jornalista Maria do Rosário Caetano receberá o Troféu Aruanda por ser considerada uma missionária do cinema nacional; a deputada federal Jandira Feghali também receberá o Troféu Aruanda com Honra ao Mérito Cultural pela criação e legado da Lei Aldir Blanc; e a rede Cinépolis será honrada pela difusão do cinema brasileiro através do Fest Aruanda. Além disso, Jean-Claude Bernardet e Silvio Tendler, que faleceram este ano, receberão homenagens póstumas. E mais: anunciado anteriormente, Geraldo Vandré, cantor e compositor paraibano, será honrado por seus 90 anos

Luiza Mariani e Karine Teles em Cyclone, de Flavia Castro

A sexta edição do Laboratório Aruanda/Energisa também está confirmada: idealizado e ministrado pela diretora, roteirista e produtora Susanna Lira, a atividade resultará em uma imersão de três dias em que serão analisados argumentos, roteiro, estratégia de produção, técnicas de direção, entre outros aspectos importantes para a realização e aprimoramento dos projetos para que as propostas sejam apresentadas em forma de pitching para diversos representantes dos streamings. Vale registrar que vários filmes que passaram por esse processo com Susanna Lira já estão prontos.

Outro destaque da programação é a oficina com o montador Renato Vallone, que trabalhou em filmes como Sertânia, Breve Miragem do Sol e Rua do Pescador, nº6. Em A Montagem e o Trágico no Documentário, será proposta uma reflexão teórica sobre o papel da montagem na forma como o documentário organiza e devolve ao espectador imagens do trágico. Com exemplos de filmes e arquivos documentais, desde o neorrealismo italiano até as novas tendências do cinema contemporâneo, serão discutidos decisões de corte, ritmo e relação entre planos que podem tensionar a imagem técnica e reabrir o olhar para aquilo que muitas vezes já foi normalizado ou espetacularizado. A montagem abordada como gesto político e sensível capaz de desafiar automatismos perceptivos e provocar formas outras de escuta e atenção diante do real

Ministrada pela diretora e pesquisadora Carine Fiúza, a oficina Cartografias do Corpo Negro na Tela propõe uma imersão crítica nas formas como pessoas negras foram representadas na história do cinema produzido na Paraíba. A partir da análise iconográfica e iconológica de Aruanda e do debate aberto pelo artigo África e Sertão da Paraíba: Luanda, Aruanda, o encontro discute o modo como a narrativa de Linduarte Noronha constrói uma visão externa sobre o Quilombo do Talhado, evidenciando tensões entre mito, sertão e raça. Em diálogo com essas leituras, a oficina desloca o debate para as epistemologias do Cinema Negro Paraibano no feminino, destacando processos de memória, autorrepresentação e reelaboração política da imagem desenvolvidos por cineastas negras contemporâneas. O encontro combina exposição teórica, análise de trechos fílmicos e exercícios de leitura crítica de imagens, estimulando participantes a compreender como o ato de olhar também é um ato de poder e como novas práticas de criação e crítica podem reorientar esse olhar.

A programação apresentará também a Masterclass Mistika: Do corte ao DCP, com Thiago Belconfine, gerente técnico da Mistika Post. Thiago é um profissional da área de pós-produção audiovisual e coordenador de projetos, com atuação destacada em cinema, TV e streaming. 

Mesas e debates também estão confirmados na programação do 20º Fest Aruanda, além de uma conversa sobre o Fórum Nacional dos Festivais com Josiane Osório de Carvalho, Sandra Bertini (Cine PE), Rosélis Barbosa (Guarnicê), Hipolito Lucena (Comunicurtas) e Lúcio Vilar (Fest Aruanda). Vale destacar também a mesa Núcleo Memória e Preservação Audiovisual do Fest Aruanda, com o tema Da película ao digital: impasses e desafios da contemporaneidade, que exibirá Os Cinemas Estão Fechando, de Abrão Berman e lançado em 1977, e contará com a presença de José Maria Lopes e Tamires Conceição. A programação contará também com lançamentos literários: Lula, Volume 1, de Fernando Morais; Cultura é Poder, de Jandira Feghali; e Luz & Sombra, de André Cananéa

O júri deste ano será formado por: Caco Ciocler, Fernando Morais e Simone Zuccolotto na Mostra Nacional; Marco Túlio Alencar, Hermila Guedes e Susanna Lira na mostra Sob o Céu Nordestino; João Lobo, Bruna Alves Lobo e Sérgio Rodrigo Ferreira no Júri Internacional; e Amanda Aouad, Hipolito Lucena e Ricardo Félix no Júri da Crítica Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). 

Conheça os filmes selecionados para o Fest Aruanda 2025:

MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL | LONGAS

Ato Noturno, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (RS)
Corpo da Paz, de Torquato Joel (PB)
Cyclone, de Flavia Castro (RJ)
Honestino, de Aurélio Michiles (DF)

MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL | CURTAS

A Arte de Morrer ou Marta Díptero Braquícero, de Rodolpho de Barros (PB)
A Nave que Nunca Pousa, de Ellen de Morais (PB)
Axé Meu Amor, de Thiago Costa (SP)
Gilson de Souza: Na Corda Bamba, de Brunno Alexandre (SP)
Safo, de Rosana Urbes (SP)
Samba Infinito, de Leonardo Martinelli (RJ)
Vípuxovuko: Aldeia, de Dannon Lacerda (MS)
Vulkan, de Julia Zakia (SP)

MOSTRA COMPETITIVA | SOB O CÉU NORDESTINO | LONGAS

Batguano Returns: Roben na Estrada, de Frederico Benevides e Tavinho Teixeira (PB/CE/RJ/SP)
Malaika, de André Morais (PB)
O Nordeste Sob a Caravana Farkas, de Arthur Lins e André Moura Lopes (PB)
Outono em Gotham City, de Tiago A. Neves (PB)

MOSTRA COMPETITIVA | SOB O CÉU NORDESTINO | CURTAS PARAIBANOS

Aláfia, de Cecilia Fontenele (João Pessoa)
Boi do Mato, de Ana Calline (Cabaceiras)
Cantilena, de Dhiones do Congo (Congo)
Colmeia, de Tatiane de Oliveira (Campina Grande)
Jacu, de Ramon Batista (Nazarezinho)
No Compasso do Coração, de Ary Régis Lima (Alagoa Grande)
Teatro em Jampa Vive, de Kelly Freire Moreira (João Pessoa)
Valéria di Roma, de Carlos Mosca (Campina Grande)

SESSÕES ESPECIAIS 

SESSÃO PATROCINADA CAGEPA | TV & Cinema
*Filme produzido pela Rede Paraíba de Televisão
Jorge Quer Ser Repórter, de Lula Queiroga e Victor Germano (PB)

SESSÃO CINEMA & EDUCAÇÃO
Lendo o Mundo, de Catherine Murphy e Iris de Oliveira (Brasil/EUA)

SESSÃO PATROCINADA ENERGISA
A Pedra do Reino e o Sertão de Dom Pantero, de Manuel Dantas Vilar (PB)
Habeas Pinho, de Aluízio Guimarães e Nathan Cirino (PB)

SESSÃO ESPECIAL PBGÁS
A Alma do Onze, de Caetano Moura Alves
A Receita da Felicidade, de Mikaëli Santos
Para o Corpo, a Luta, de Mayara Valentim Pereira
Paris Gaza, de Mariana Inacio Silveira
Saint Germain, 40 graus, de Bruno Soares da Costa Araujo

Fotos: Luciana Melo/Divulgação.

Comentários