Conheça os vencedores do 14º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba

por: Cinevitor
Cais, de Safira Moreira: longa baiano consagrado com três prêmios

Foram anunciados nesta quarta-feira, 18/06, os vencedores da 14ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, um dos mais importantes eventos dedicados à sétima arte no Brasil. Reunindo mais de 92 produções de todo o mundo em sua ampla programação, o festival também contou com aguardadas estreias nacionais e internacionais. 

O júri que avaliou as produções das mostras competitivas brasileiras (curtas e longas) e os curtas-metragens da Competitiva Internacional foi formado pelo historiador, gestor audiovisual, produtor e diretor Rodrigo Antonio; a premiada atriz Bruna Linzmeyer; a gerente de departamento de programação e programadora na equipe de longas do Festival Sundance de Cinema e de Sun Valley, Ana Souza; a pesquisadora, programadora de festivais e também diretora do Berlinale Forum, Bárbara Wurm; e Pedro Freire, diretor de Malu

O baiano Cais, da diretora Safira Moreira, foi agraciado com três dos principais prêmios da noite, sendo o Prêmio Olhar de melhor filme, o de melhor longa pelo Voto do Público e o Prêmio da Crítica Abraccine. A produção aborda o delicado tema do luto e do tempo, em que a cineasta viaja, dois meses após o falecimento de sua mãe Angélica, em busca de encontrá-la em outras paisagens, percorrendo cidades banhadas pelo Rio Paraguaçu (Bahia) e pelo Rio Alegre (Maranhão), para imergir em novas perspectivas sobre memória, tempo, nascimento, vida e morte.

Outro grande destaque da noite foi o goiano Apenas Coisas Boas, dirigido por Daniel Nolasco, um dos principais nomes do cinema queer brasileiro e internacional, que também levou três prêmios. O longa, que é o segundo de ficção do cineasta, é um romance rural LGBTQ+ com drama que parte do encontro entre dois homens no interior do Goiás, em 1984, apresentando uma narrativa marcada pela solidão e a tensão entre o desejo e a repressão.

O novo filme de Maria Clara Escobar, Explode São Paulo, Gil levou os prêmios de melhor atuação para Gildeane Leonina e de melhor direção. O longa-metragem gira em torno de Gil, que sempre teve o sonho de ser cantora e que se mudou para São Paulo com sua esposa quando tinha 20 e pouco anos. Agora, com 50 anos, trabalha como faxineira. Do encontro de Gil com Maria Clara, surgiu a possibilidade para fazer o filme acontecer, para transformar a sonhadora em uma cantora, trazendo reflexões sobre sonhos, trabalho, envelhecimento e esquecimento. 

Aurora, de João Vieira Torres, levou o prêmio de melhor fotografia para Wilssa Esser e Camila Freitas. A produção leva o nome da avó do diretor, que foi parteira e curandeira por mais de 40 anos no sertão profundo da Bahia. De um encontro a outro, entre os vivos e os mortos, o filme segue os rastros de Aurora, confrontando a violência estrutural de gênero e racial, presentes na formação histórica do Brasil.

A Voz de Deus, do diretor Miguel Antunes Ramos, ganhou o prêmio de melhor montagem para Yuri Amaral. O longa gira em torno de duas crianças pregadoras que buscam uma vida melhor através da fé, um de 17 anos que era a criança pregadora mais famosa do Brasil, mas à medida que cresce, enfrenta menos interesse por parte do público, e João, de 12 anos, que está no auge e possui um milhão de seguidores no Instagram, pregando para multidões.

Entre os curtas-metragens da Mostra Competitiva Brasileira, Fronteriza, de Rosa Caldeira e Nay Mendl, levou o Prêmio Olhar de melhor filme. A produção acompanha Lucca, uma jovem trans da periferia de São Paulo, que viaja até Foz do Iguaçu, no limite entre Brasil, Paraguai e Argentina, em busca do pai que nunca conheceu. Já Americana foi consagrado com o Prêmio Especial do Júri. Dirigido por Agarb Braga, o curta gira em torno de cinco amigas, que são detidas após uma briga em praça pública, motivada por uma traição. Na delegacia, durante os depoimentos, os segredos vêm à tona, com revelações inesperadas. 

Na Mostra Competitiva Internacional de longas-metragens, Ariel, coprodução entre Espanha e Portugal, levou o Prêmio Especial do Júri. Com direção de Lois Patinõ, o longa é um filme de teatro dentro do teatro, focando em uma atriz argentina que desembarca em uma ilha estranha e encantadora, onde os habitantes transcenderam em personagens shakespearianos. Já o Prêmio Olhar de melhor filme ficou com A Árvore da Autenticidade, de Sammy Baloji. A coprodução entre Bélgica e Congo se passa na floresta tropical do Congo, em que os restos de um centro de pesquisa dedicado à agricultura tropical revelam o peso do passado colonial e seus vínculos indissociáveis com as mudanças climáticas contemporâneas. 

Entre os curtas-metragens internacionais, o filme Conseguimos Fazer um Filme, de Tota Alves, levou o Prêmio Olhar de melhor filme. A produção de Portugal acompanha a jovem Maria Inês, que vive as primeiras brisas de amor nas férias de verão. Acompanhada das amigas, ela passeia pelo bairro onde vive passando o tempo entre missangas e a rodagem de um filme. O Reinado de Antoine, de José Luis Jiménez Gómez, ganhou uma Menção Honrosa da Mostra Competitiva Internacional. A produção cubana traz um jovem obcecado por fantasias históricas, que se refugia nelas para explorar a complexidade de seus laços familiares e seu ambiente social. Responsável pelo cuidado exclusivo de seu pai deficiente, ele se empenha em dar vida à sua narrativa épica, enfrentando adversidades diárias e buscando uma fuga em um mundo em ruínas;

As produções da mostra Novos Olhares, um espaço voltado a filmes ousados, que flertam com o risco, a invenção e caminhos desconhecidos em seu uso da linguagem cinematográfica, concorreram ao Prêmio Olhar de melhor filme. O título contemplado com o prêmio foi Voz Zov Vzo, do diretor Yhuri Cruz, seu primeiro longa-metragem, que oferece uma perspectiva racializada para as memórias da ditadura militar no Brasil. O time de jurados do 14º Olhar de Cinema completou-se com: Tomás Osten, Fernanda Lomba e Mercedes Martinez na mostra Novos Olhares e nos longas internacionais

Neste ano, as profissionais que fizeram parte do júri da Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, foram: Cecília Barroso, Nayara Reynaud e Luciana Melo. No Prêmio AVEC – Associação de Cinema e Vídeo do Paraná, que foi concedido a um curta da mostra Mirada Paranaense, e que homenageia o cineasta Cyro Matoso, o júri foi formado por: Bea Gerolin, Cristiane Senn e Waleska Antunes

Além do Prêmio Canal Brasil de Curtas, o Olhar de Cinema contou também com o Prêmio Canal Like, que valoriza e apoia a produção cinematográfica brasileira, oferecendo visibilidade e incentivo aos profissionais do setor audiovisual. O canal contemplará o produtor responsável pela produção do longa-metragem vencedor da Mostra Competitiva Brasileira com um apoio de mídia no valor de R$ 50 mil, destinado à divulgação da obra vencedora ou de um próximo projeto do produtor. 

Outra premiação inédita foi o Prêmio Cardume de Curtas, promovido pela plataforma de curtas Cardume, com o objetivo de estimular o desenvolvimento de roteiros e a produção de curtas-metragens brasileiros independentes e diversos. O prêmio consiste em um contrato de licenciamento exclusivo de um ano e o valor de R$ 3 mil para o melhor curta-metragem da Mostra Competitiva Brasileira e da Mirada Paranaense.  

Conheça os vencedores do Olhar de Cinema 2025:

COMPETITIVA BRASILEIRA | LONGAS

PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME
Cais, de Safira Moreira (BA)

MELHOR DIREÇÃO
Maria Clara Escobar, por Explode São Paulo, Gil

MELHOR ROTEIRO
Apenas Coisas Boas, escrito por Daniel Nolasco

MELHOR ATUAÇÃO
Gildeane Leonina, por Explode São Paulo, Gil

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Apenas Coisas Boas, por Marcus Takatsuka

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
Aurora, por Wilssa Esser e Camila Freitas

MELHOR SOM
Apenas Coisas Boas, por Guile Martins, Jesse Marmo, Naja Sodré e Daniel Nolasco

MELHOR MONTAGEM
A Voz de Deus, por Yuri Amaral

COMPETITIVA BRASILEIRA | CURTAS

PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME
Fronteriza, de Rosa Caldeira e Nay Mendl (Brasil/Paraguai)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI | ELENCO
Americana, de Agarb Braga (PA)

COMPETITIVA INTERNACIONAL

PRÊMIO OLHAR | MELHOR LONGA-METRAGEM
A Árvore da Autenticidade (L’Arbre de l’authenticité), de Sammy Baloji (Bélgica/Congo)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Ariel, de Lois Patiño (Espanha/Portugal)

PRÊMIO OLHAR | MELHOR CURTA-METRAGEM
Conseguimos Fazer um Filme, de Tota Alves (Portugal)

MENÇÃO HONROSA | CURTA-METRAGEM
O Reinado de Antoine (El Reinado de Antoine), de José Luis Jiménez Gómez (Cuba)

NOVOS OLHARES

PRÊMIO OLHAR | MELHOR LONGA
Voz Zov Vzo, de Yhuri Cruz (Brasil)

OUTROS PRÊMIOS

PRÊMIO DO PÚBLICO
Melhor longa: Cais, de Safira Moreira (BA)
Melhor curtaGirassóis, de Jessica Linhares e Miguel Chaves (RJ)

PRÊMIO ABRACCINE
Melhor longa: Cais, de Safira Moreira (BA)
Melhor curta: Ontem Lembrei de Minha Mãe, de Leandro Afonso (BA)

PRÊMIO AVEC-PR
Melhor Filme: Interior, Dia, de Luciano Carneiro e Paulo Abrão
Menção Honrosa: Entre Sinais e Marés, de João Gabriel Ferreira e João Gabriel Kowalski

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS
Girassóis, de Jessica Linhares e Miguel Chaves (RJ)

PRÊMIO CARDUME | CURTAS
Americana, de Agarb Braga (PA)
Maira Porongyta: O Aviso do Céu, de Kujãesage Kaiabi (MT)
Seco, de Stefano Volp (RJ)

Foto: Walter Thoms.

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