Conheça os vencedores do 11º Festival de Cinema de Caruaru

por: Cinevitor
Múcia Teixeira no curta potiguar Encruzilhada Bar: filme premiado

Foram anunciados neste sábado, 31/08, no Teatro João Lyra Filho, na região do Agreste Pernambucano, os vencedores da 11ª edição do Festival de Cinema de Caruaru, que contou com mais de 50 filmes na programação. 

Na Mostra Brasil, Pequenas Insurreições, de William de Oliveira, foi escolhido como melhor filme pelo Júri Oficial: “De forma cirúrgica, o filme aborda, ironicamente, as relações perversas do trabalho doméstico num país que insiste em manter resquícios criminosos da escravização, com atuações brilhantes de suas protagonistas”, disse a justificativa. Já o Júri Jovem escolheu Samuel Foi Trabalhar, de Janderson Felipe e Lucas Litrento: “Com identidade visual bem pensada, o curta é capaz de introduzir o espectador na rotina do protagonista que resiste aos percalços comuns à juventude negra periférica precoce e compulsoriamente operária, através de uma linguagem simples e próxima, escolha inteligente de figurino, utilização de efeitos visuais e cuidadosa direção de arte e fotografia. A partir disso, fomentando a reflexão do público sobre temas urgentes, como a possibilidade da construção de uma realidade em que Samuel foi sonhar”, disse a justificativa. 

Na Mostra Latino-Americana, o júri escolheu Doença do Sono, de Cristiano Paiz: “Em uma sociedade em que as cobranças por alto desempenho agravam as inseguranças dos indivíduos, tentando impor propósitos exagerados para o sucesso nas relações interpessoais, o ato de dormir torna-se uma fuga dessas pressões. Doença do Sono é uma animação de quatro minutos que nos envolve e nos leva a refletir sobre o modo como vivemos neste mundo, explorando a busca pelo desligamento das coisas que nos aprisionam aqui. Os devaneios de Cristiano Paiz colocam o espectador em uma posição de atenção em relação ao tema. O personagem, sem formas definidas, representar qualquer um de nós nesse cenário”, disse a justificativa. 

Na Mostra Agreste, Flor do Coco, de Vinicius Tavares, foi o escolhido pelo Júri Oficial, que disse: “Por apresentar uma personagem muito humana e sensível, subversiva, através da relação com a morte e com a natureza e também nos papéis sociais previsíveis para uma mulher preta e fazedora de cocada. O filme compartilha uma relação de honestidade e afeto entre a direção e a persona, contribuindo para a obra ser completa em sua intenção”. O mesmo filme também foi eleito pelo Júri Jovem, que justificou a escolha: “É um curta-metragem que oferece um retrato íntimo e afetuoso da vida de Dona Ozana, uma mulher cuja simplicidade e resiliência tocam profundamente o espectador. A narrativa vai além de contar uma história, ela nos imerge na rotina de Dona Ozana, destacando sua produção de cocada como um símbolo de sua força e fé. Com uma câmera que acompanha seus passos com respeito e admiração, o filme revela a beleza escondida nos pequenos gestos e na esperança de transformar as dificuldades em doçura. O uso do som ambiente e a delicadeza dos movimentos de câmera intensificam a conexão com a personagem, tornando cada cena uma experiência envolvente e inspiradora”

O filme potiguar Encruzilhada Bar, de Johann Jean, foi o grande vencedor da Mostra Fantásticos, que justificou: “A dinâmica entre Da Guia, Seu Miúdo e o cliente enigmático cria uma tensão palpável, explorando de forma original temas como dívida e destino. A direção magistral e a cinematografia sombria intensificam a atmosfera assombrosa, nos transportando para um universo fascinante em um bar falido. As atuações autênticas conferem profundidade e emoção aos personagens, tornando a narrativa ainda mais cativante. A edição cuidadosa cria um ritmo envolvente, mantendo a tensão, mistério e comédia no ponto certo. A montagem inteligente dá fluidez à narrativa, conduzindo o espectador de forma sutil entre os momentos de suspense e as revelações. A direção de fotografia, por sua vez, é espetacular, contribui de maneira significativa para a atmosfera sombria e enigmática do curta, utilizando luz e sombra de forma a amplificar a sensação de tensão. Esses elementos, combinados, elevam a qualidade da obra. Além disso, o trabalho técnico, como a iluminação e a trilha sonora, contribuem para a imersão completa na trama. Outrossim, o curta demonstra criatividade excepcional na construção de seu enredo e nas reviravoltas surpreendentes, consolidando sua excelência e merecimento para o prêmio de melhor filme”

O júri desta edição contou com: Bertrand Lira, Adson Alves e Jorge Baía na Mostra Brasil; Priscila Urpia, Rafael Anaroli e Heitor Soares na Mostra Agreste; Kennel Rógis, Ythalla Maraysa e Alexandre Soares na mostra Latino-Americana; e Mary Queiroz, Carlos Antonio de França e Maria Ferrera na mostra Fantásticos.

O homenageado deste ano foi Jô Albuquerque, mestre do teatro caruaruense, que iniciou sua carreira teatral aos 15 anos de idade como ator na peça A Incelência, de Luiz Marinho, no Teatro Experimental de Arte (TEA). Filiado ao SATED, Sindicato dos Artistas e Técnicos de Diversão de Pernambuco, com uma bagagem nas artes cênicas, atua, dirige e escreve há 49 anos. Participou de vários grupos de teatro de Caruaru: Teatro Experimental de Arte (TEA), Grupo SESC, Cia. Feira de Teatro Popular e Cena Viva. Fundou a Cia. Mambembe-Tô-Na-Rua-Tô-No-palco no ano de 1996 e é educador e formador de novos atores e técnicos nas artes cênicas.

Conheça os vencedores do 11º Festival de Cinema de Caruaru:

MOSTRA BRASIL

Melhor Filme: Pequenas Insurreições, de William de Oliveira (PR)
Melhor Filme | Júri Jovem: Samuel Foi Trabalhar, de Janderson Felipe e Lucas Litrento (AL)
Melhor Direção: Julie Ketlem, por Conexão
Melhor Roteiro: Pequenas Insurreições, escrito por William de Oliveira
Melhor Atriz: Gheusa, por Dente
Melhor Ator: Pedro Walisson, por Samuel Foi Trabalhar
Melhor Fotografia: Umbilina e Sua Grande Rival, por Beto Martins
Melhor Direção de Arte: Dinho, por Sérgio Silveira
Melhor Desenho de Som: Não Olhe para Mim, por Natasha Atab e Guto Franco
Melhor Pôster: Dinho, por Cata Preta

MOSTRA AGRESTE

Melhor Filme: Flor do Coco, de Vinicius Tavares (PE)
Melhor Filme | Júri Jovem: Flor do Coco, de Vinicius Tavares (PE)
Melhor Direção: Isa Magalhães e Izabella Vitório, por O Canto
Melhor Roteiro: Black Out: A História Apagada no Palco da Arte, escrito por Claudison José
Melhor Atriz: Maria Ozana, por Flor do Coco
Melhor Ator: Wizley Alexandre, por Ordenação
Melhor Fotografia: O Rebanho de Quincas, por Antonio Fargoni
Melhor Direção de Arte: Para Onde Eu Vou?, por Larissa Gabriel
Melhor Desenho de Som: O Canto, por Janu
Melhor Pôster: Flor do Coco, por Oficina Embuá

MOSTRA LATINO-AMERICANA
Melhor Filme: Doença do Sono, de Cristiano Paiz (Guatemala)

MOSTRA PERSONAGEM | VOTO POPULAR
Melhor Filme: Um Poeta no Meio dos Poetas, de Wescley Di Luna e Amanda Neves (PB)

MOSTRA FANTÁSTICOS
Melhor Filme: Encruzilhada Bar, de Johann Jean (RN)

MOSTRA ADOLESCINE | VOTO POPULAR
Melhor Filme: Café à La Vogue, de Henrique Bugarin (RJ)

MOSTRA PEGA LEVE | VOTO POPULAR
Melhor Filme: Operação Enjoei de Bingo, de Vinicius Damasceno (SP)

Foto: Divulgação.

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