
Depois de passar pelo FIDMarseille, na França, e ser premiado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro como melhor filme pelo Júri da Crítica, Morte e Vida Madalena, escrito e dirigido por Guto Parente, encerrou a 35ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema nesta sexta-feira, 26/09.
Filmado no Ceará, o longa acompanha Madalena, uma produtora grávida de oito meses que busca concluir um filme de ficção científica escrito pelo pai recém-falecido, enquanto lida com o caos de sua vida pessoal e profissional. Protagonizado por Noá Bonoba, o elenco reúne nomes como Nataly Rocha, Tavinho Teixeira, Marcus Curvelo, David Santos, Carlos Francisco, Linga Acácio, Honório Félix, Jennifer Joingley, Rodrigo Fernandes, Souma, Tavares Neto, Armando Praça, Lui Fontenele, Tuan Fernandes e Raul Lôbo.
Para apresentar o filme na noite de encerramento do festival, depois da premiação, Guto Parente subiu ao palco do Cineteatro São Luiz, em Fortaleza, com grande parte da sua equipe: “Essa é a sessão mais esperada para mim, com certeza: passar o filme em casa com essa equipe foda que fez tudo isso acontecer. Esse é um filme movido pela paixão pelo cinema, é uma carta de amor ao cinema e para todas essas pessoas, toda essa equipe aqui. O cinema é uma arte coletiva e isso é muito bonito”, disse o cineasta cearense, que já dirigiu obras como A Misteriosa Morte de Pérola, Inferninho, O Clube dos Canibais, Estranho Caminho, entre outros.
Guto Parente e sua equipe no Cine Ceará: filme de encerramento
A protagonista Noá Bonoba, ovacionada pelo público, também discursou: “Eu vou quebrar um pouco o protocolo, já que tenho algumas coisas para falar. Nós temos profissionais trans maravilhosos nesse estado. Eu acabei de finalizar meu primeiro longa-metragem [Iguaraguá], junto com o izzi vitório, que está aqui na plateia também. É o primeiro longa-metragem dirigido por pessoas trans do estado do Ceará”. E continuou: “E aqui nesse filme, fizemos um esforço que eu acho que todas as produções do Brasil e do mundo precisam fazer: ter um percentual maior de pessoas trans em suas equipes. Além das reservas de vagas para pessoas trans em todos os editais, em todos os processos seletivos”.
E seguiu seu discurso: “Agora eu vou deixar um pouco a militância de lado. O Cine Ceará foi um festival muito importante para mim, para a minha formação. Eu acompanho desde os meus 17 anos de idade. Eu tenho 34 anos hoje. E tem uma pessoa que foi fundamental para esse processo, que é o meu pai, que tá aqui hoje. Sempre que tinha o Cine Ceará, ele vinha mais cedo, pegava os ingressos e vinha assistir junto comigo aos filmes. E isso era incrível. Então, queria agradecer a ele hoje, queria dedicar essa sessão ao meu pai”.
Produzido por Ticiana Augusto Lima, que também assina a produção executiva com Caroline Louise, Morte e Vida Madalena tem direção de fotografia de Ivo Lopes Araújo e direção de arte de Taís Augusto. O figurino é assinado por Thaís de Campos e a maquiagem por Elen Barbosa; Paulo Gama assina a música original e a mixagem. A montagem é de Guto Parente e Irmãs Augusto Lima; o som direto e a edição de som é de Lucas Coelho. Breno Baptista assina como assistente de direção. A produção é da Tardo Filmes, coprodução do Canal Brasil e C.R.I.M. e distribuição da Embaúba Filmes.
*O CINEVITOR está em Fortaleza e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Fotos: Ribamar Neto e Guilherme Silva.