Carta de Tiradentes 2026: documento debate convergências de políticas públicas e articulação permanente do setor audiovisual brasileiro

por: Cinevitor
Plenária e leitura da Carta de Tiradentes 2026

Concluindo os trabalhos da quarta edição do Fórum de Tiradentes, dentro da programação da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, aconteceu na tarde desta quarta-feira, 28/01, no Centro Cultural SESIMINAS Yves Alves, a leitura da Carta de Tiradentes 2026. O documento, redigido pelos Grupos de Trabalho, surge como um chamado público à articulação permanente do setor audiovisual diante dos desafios políticos, institucionais e econômicos nos próximos meses.

A leitura foi conduzida pela coordenadora geral do Fórum, Raquel Hallak, que destacou o caráter processual e coletivo do texto: “A efetividade da Carta de Tiradentes 2026 dependerá do compromisso contínuo de todos nós, profissionais, instituições, redes e territórios representados aqui, em difundir, incorporar e transformar essas proposições em práticas concretas”, afirmou.

A coordenadora ressaltou que o encerramento do Fórum não representa um ponto final, mas o início de uma agenda de trabalho compartilhada: “O Fórum termina hoje, mas o trabalho que ele propõe começa agora”. Ela defendeu a manutenção do diálogo, o fortalecimento das articulações e a ampliação dos espaços de construção coletiva e apontou que os desafios colocados ao audiovisual brasileiro exigem cooperação, inovação, vontade política e coragem para sustentar políticas públicas estruturantes em um cenário de instabilidade e disputas institucionais.

A Carta de Tiradentes 2026 parte do reconhecimento dos avanços recentes obtidos com a reconstrução do Ministério da Cultura e da Secretaria do Audiovisual e reconhece a projeção internacional alcançada por filmes brasileiros nos últimos anos. Ao mesmo tempo, o documento alerta para riscos à continuidade dessas políticas, especialmente em ano eleitoral

O texto lido reafirma a necessidade de convergência entre União, estados e municípios para superar assimetrias regionais e garantir um Sistema Nacional do Audiovisual baseado no equilíbrio federativo, na descentralização e no planejamento de longo prazo.

Entre os eixos centrais destacados pela Carta estão o audiovisual como estratégia de Estado, a convergência na gestão do fomento, a regulação das plataformas de vídeo sob demanda (VoD) e a internacionalização do audiovisual brasileiro. O texto defende a aprovação urgente da regulação do streaming, com fortalecimento do Fundo Setorial do Audiovisual, garantia de cotas e visibilidade para obras brasileiras independentes. Aponta ainda a necessidade da ampliação de públicos por meio de políticas de comunicação, formação e valorização da experiência coletiva nas salas de cinema e nos circuitos não comerciais.

O documento também enumera prioridades relacionadas à governança e participação social, à aprovação de marcos legais no Congresso, ao aprimoramento das políticas de fomento direto, à inserção da exibição na política pública e à proteção da cadeia de direitos autorais e trabalhistas. Outros pontos são chamados à formação audiovisual,  preservação da memória, qualificação de dados e ampliação do depósito legal obrigatório.

Raquel Hallak: coordenadora geral do Fórum

A coordenação geral do 4º Fórum de Tiradentes foi assinada por Debora Ivanov, Mário Borgneth e Raquel Hallak d’Angelo; Alessandra Meleiro e Tatiana Carvalho Costa foram responsáveis pela coordenação executiva. A coordenação dos GTs (Grupos de Trabalho) ficou sob responsabilidade de: Adriana Fresquet (GT Formação), Alessandra Meleiro (GT Observatórios), Ana Paula Sousa (GT Exibição), Cintia Domit Bittar (GT Produção), José Quental (GT Preservação) e Lia Bahia (GT Distribuição). 

O início da Carta diz: “O tema central do Fórum de Tiradentes em 2026 foi Convergências de Políticas Públicas, que dialoga com o da 29ª Mostra: Soberania Imaginativa. Compreende-se ser urgente o aprimoramento da integração e a articulação federativa entre União, estados e municípios. Só a convergência pode garantir a complementaridade de ações e investimentos, além do fortalecimento do setor em todas as regiões. As profundas assimetrias na gestão pública entre os entes federativos precisam ser superadas. Almejamos a construção de um Sistema Nacional do Audiovisual baseado no equilíbrio federativo, na descentralização administrativa e na autonomia dos entes, sustentado por mecanismos de cooperação, coordenação e planejamento de longo prazo. A continuidade dessas políticas é essencial para que o Estado brasileiro possa garantir, de maneira cada vez mais efetiva, o direito constitucional à cultura, reconhecendo o audiovisual como instrumento estratégico de cidadania, diversidade, memória, soberania e desenvolvimento”

Na sequência da leitura da Carta de Tiradentes, Raquel Hallak participou de uma coletiva de imprensa ao lado de Alessandra Meleiro, Debora Ivanov e Tatiana Carvalho Costa: “Que a Carta continue sendo um documento que venha somar com a construção dessas políticas públicas e com a continuidade das que já existem visando a formação desse Sistema Nacional do Audiovisual”, disse. 

E finalizou: “Em 2023, a ideia era reunir o setor audiovisual e profissionais que pudessem colaborar com a construção de políticas públicas. Começamos com o propósito da sociedade civil sendo profissionais do audiovisual. Não é o Congresso Brasileiro, não é a entidade. São mais de 70 profissionais que se reuniram em 2023 e agora, em 2026, nesta quarta edição, como uma ação colaborativa de construção coletiva, de recomendações, diretrizes, reflexões e escuta”

O documento final será encaminhado ao Ministério da Cultura, à Ancine e a outras instâncias federativas. Clique aqui e leia a íntegra da Carta de Tiradentes

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Fotos: Leo Fontes/Universo Produção.

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