O diretor Paulo Machline com os atores Milhem Cortaz e Matheus Nachtergaele.
O carnavalesco Joãosinho Trinta é considerado um dos maiores artistas populares do Brasil. Sua vida virou filme e chega aos cinemas nesta quinta-feira, dia 13 de novembro. Trinta, dirigido por Paulo Machline, mostra a chegada do artista ao Rio de Janeiro, suas apresentações como bailarino e destaca o desfile O Rei da França na Ilha da Assombração, apresentado pela escola de samba Salgueiro, no carnaval carioca de 1974.
O filme foi exibido para a imprensa na manhã de segunda-feira, 10/11, em São Paulo. Depois da sessão, integrantes da equipe e do elenco participaram de uma coletiva.
O diretor Paulo Machline contou como surgiu a ideia para o longa: “Tudo começou em 2002. Eu tinha acabado de fazer um curta-metragem sobre o Pelé e estava procurando uma nova história. Li um artigo do Carlos Heitor Cony em um jornal, que contava a trajetória do Joãosinho. Eu nunca fui um folião, mas sempre gostei de Carnaval. Então, comecei a fazer uma investigação sobre quem era Joãosinho Trinta”. Paulo revelou que depois disso, procurou Joãosinho para falar sobre o filme: “Na época, ele trabalhava na Grande Rio e estava preparando o Carnaval de 2003. Expliquei que tinha uma vontade de fazer um filme sobre ele. Ali eu já comecei a gravar entrevistas. Depois tive outros encontros com ele, onde eu fiz mais entrevistas. Eu preparei o que seria um material essencial para o primeiro roteiro desse filme”.
Todo esse material acabou virando um documentário chamado A Raça Síntese de Joãosinho Trinta: “Fiz o primeiro roteiro em 2004. Em 2005, encontrei com o João mais algumas vezes e o projeto ficou um pouco adormecido. Até que em 2008, a Joana e o Matias, da Primo Filmes, se juntaram ao projeto e ele renasceu na forma de um documentário, que é um documentário acidental, que foi feito a partir do material de arquivo que eu produzi. Esse material foi essencial. A partir desse documentário, conseguimos viabilizar o filme, que era meu objetivo principal desde 2002”, disse Paulo.
Milhem Cortaz e Matheus Nachtergaele durante a coletiva.
Matheus Nachtergaele, protagonista do filme, falou sobre a emoção de interpretar o carnavalesco no cinema: “Quando o Paulo me convidou pra fazer o filme, já me chamando para ser o Joãosinho, eu fiquei muito feliz e assustado, por ser um personagem tão grande. Sempre admirei o Joãosinho Trinta. Ainda mais sendo um homem que vem da cena, do teatro. Sempre admirei ele como um grande encenador. Se a gente considerar o Carnaval carioca como um dos maiores espetáculos a céu aberto do mundo, então ele é um dos maiores encenadores do mundo”.
O ator relembrou seu primeiro encontro com Joãosinho: “Eu conheci o Joãosinho na exibição do documentário do Paulo, no Festival do Rio. Ele sabia que eu ia interpretá-lo e me deu o aval. É um filme de homenagem. Eu tive a liberdade de trabalhar e homenagear um Joãosinho diferente, não aquele já conhecido”.
Milhem Cortaz, que interpreta Tião, chefe de barracão do Salgueiro, falou sobre seu personagem: “O Tião é um personagem de muitos obstáculos pra mim. Mas, o mais difícil era respeitar o carioca, fazer um chefe de barracão de escola de samba. Não é meu primeiro personagem carioca, então eu já entendia um pouco da filosofia de vida daquelas pessoas”. Ele também falou sobre a sua relação com o Carnaval: “O Carnaval sempre esteve muito presenta na minha vida. Por quatorze anos eu fui da [escola de samba] Vai Vai, aqui em São Paulo. Passei por todos os processos, desde aderecista até a parte financeira. Só não fui chefe de barracão. Foi um grande prazer fazer esse filme e uma grande responsabilidade”.
Os produtores Matias e Joana Mariani.
Joana e Matias Mariani, da Primo Filmes e produtores de Trinta, falaram sobre o longa: “Foi um processo longo e feliz. Estamos felizes com o resultado do filme e ansiosos pra ver o que vai acontecer”, disse Joana. “Foi um desafio grande, principalmente a parte da reconstrução histórica. Ficamos muito atentos. Superamos o nível que queríamos. Além de ser a primeira homenagem do cinema brasileiro ao Joãosinho, é também uma homenagem a um lado do Carnaval que a gente ainda não viu, que é como o Carnaval é construído, como é feito, como ele é pensado. Isso também é inédito no nosso cinema. Pela primeira vez estamos falando dos trabalhadores do Carnaval”, disse Matias.
Matheus também se mostrou satisfeito com o trabalho final e elogiou a produção: “Poucas vezes na vida eu me senti tão confortável trabalhando. Foram dias incríveis. Eu saí do filme feliz, revigorado. Não saí cansado, mesmo trabalhando muito. Isso se deve muito à direção delicada do Paulo e à toda estrutura da produção. Mas, também, porque é o tipo de personagem no qual você aprende. Eu saí abastecido, mais iluminado do que entrei. Eu sou muito crítico comigo e em certo momento do filme eu deixo de me ver e começo a ver o Joãosinho. Espero que as pessoas que gostem e que tenham conhecido o João, se sintam confortáveis com o filme que a gente fez”, finalizou.
Trinta estreia no dia 13 de novembro. Confira o trailer:
Fotos e texto: Vitor Búrigo.