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O Outro Lado do Paraíso, de André Ristum, é exibido no 43º Festival de Cinema de Gramado

por: Cinevitor

outroladopara3Tapete Vermelho: equipe do longa no Festival de Gramado 2015.

Na quarta-feira, 12/08, foi a vez do cineasta André Ristum apresentar seu filme no 43º Festival de Cinema de Gramado. O Outro Lado do Paraíso mostra, através do olhar de um garoto de 12 anos, a trajetória de Antonio, interpretado por Eduardo Moscovis, um idealista sonhador. O desejo de ascensão social leva toda a família a se mudar para a recém-inaugurada e ainda em construção cidade de Brasília. Movido pelos movimentos políticos da época e pelas reformas prometidas pelo Presidente João Goulart, Antonio se aproxima do ativismo político e da luta dos trabalhadores. Enquanto isso, Nando faz novas amizades e encontra um novo amor em Taguatinga.

No palco, o diretor falou: “A última vez que estive em Gramado foi há nove anos com o curta De Glauber para Jirges. Feliz de estar voltando com um longa em competição. É um momento importante na trajetória do filme”.

Luiz Fernando Emediato, autor do livro no qual o filme foi inspirado, também discursou: “Eu não queria fazer o filme de jeito nenhum porque era uma história muito íntima da minha família e eu não confiava. Pensava que um diretor pegaria essa história e mudaria tudo. Logo, acabei virando sócio do filme. Eu visitava o set todos os dias para acompanhar e o André [diretor] me enganou o tempo todo (risos). Fez o filme do jeito que quis, criou personagens que não estavam na história, inventou cenas que não existiam e no final eu cheguei a conclusão que o filme é melhor que o livro”.

outroladopara2No palco, o diretor fala sobre seu filme acompanhado da equipe.

Durante a coletiva, que aconteceu na manhã seguinte à exibição, muitos temas foram abordados, entre eles, a trilha sonora: “A trilha ajuda a conduzir bem a história, a situar naquele momento, naquele clima, seja com as músicas de época que entram pra ilustrar o momento, seja com a trilha trazida pelo instrumento e pela voz do Milton Nascimento. A trilha do Patrick De Johng completa o filme, ajuda e dá mais corpo”, disse o diretor.

O ator Murilo Grossi falou sobre o elenco: “A integração do elenco foi ótima, muito natural. Fiquei absolutamente admirado com a qualidade da atuação do Davi Galdeano. Esse menino é fantástico. Ele é extremamente inteligente, tem domínio de cena, de encenação, de postura, uma maturidade que reflete numa inteligência cênica”.

outroladopara1Equipe do filme reunida na coletiva de imprensa. 

“Fizemos um esforço de fazer um filme aberto, que dialogasse com um número maior de espectadores possíveis. É o primeiro filme de ficção sobre a construção de Brasília. E agora queremos explorar o filme em outros festivais internacionais e colocá-lo no mercado em abril”, disse o produtor Nilson Rodrigues.

A direção de arte também foi lembrada durante a coletiva: “O trabalho de direção de arte foi completado por um trabalho de finalização em 3D. Tínhamos o responsável pela parte de efeitos especiais no set que nos orientava sobre a melhor maneira de rodar cada plano, pra depois não ter dificuldade na hora de aplicar”, disse o diretor. E finalizou: “A cidade cenográfica tinha 15 mil metros quadrados de área construída. Fizemos isso no Polo de Cinema de Sobradinho, que estava abandonado há muito tempo”.

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Fotos: Cleiton Thiele e Igor Pires.

Texto: Vitor Búrigo.

Festival de Gramado 2015: Zelito Viana recebe o Troféu Eduardo Abelin

por: Cinevitor

zelito1Zelito Viana recebe o prêmio acompanhado do filho Marcos Palmeira e da mulher Vera de Paula. 

A noite de quinta-feira, 13/08, foi marcada pela homenagem ao cineasta e produtor Zelito Viana, que recebeu o Troféu Eduardo Abelin, concedido a diretores, produtores e técnicos pelo trabalho desenvolvido em prol do cinema brasileiro. A família de Zelito também marcou presença no Palácio dos Festivais. Acompanhado da mulher Vera de Paula, da filha Betse de Paula, da neta Beatriz Viana e do filho Marcos Palmeira, o homenageado subiu ao palco para receber o prêmio.

Emocionado, Zelito falou: “Na verdade eu tive a chance de estar no lugar certo e na hora certa quando tive a honra de ser da geração desse pessoal do cinema novo, que me deu tudo que eu aprendi. Devo isso especialmente a três pessoas que eu gostaria de mencionar aqui: Glauber Rocha, Leon Hirszman e Joaquim Pedro de Andrade. São três grandes amigos que nos deixaram precocemente e que me fizeram uma falta imensa. Fico muito contente e espero estar aqui no ano que vem disputando um kikito. E espero também que o cinema brasileiro em geral vença essa burocracia infernal que se meteu. Isso tem que mudar, espero que a gente volte a fazer cinema como fazia na época que eu comecei, com grande amor, com grande vontade, pensando única e exclusivamente no filme, na obra que estava fazendo. Isso andou se perdendo pelo cinema brasileiro afora e espero que volte em breve”.

zelito5Família no palco para prestigiar o homenageado.

Antes da homenagem, Zelito participou de uma coletiva e conversou com a imprensa sobre o prêmio, seus trabalhos, cinema brasileiro e seu próximo filme. Confira os melhores momentos:

MAPA FILMES:

“Cinquenta anos de uma empresa já é algo pra comemorar. E cinquenta anos de uma empresa de cinema no Brasil não é fácil. Nesses anos a gente produziu alguns títulos importantes do cinema brasileiro como Cabra Marcado Para Morrer, Terra em Transe, O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, A Grande Cidade, filmes marcantes da historia do nosso cinema”.

CINEMA BRASILEIRO, PARTE 1:

“Quando eu entrei no cinema, o cinema brasileiro estava em crise, estava em decadência. A chanchada tinha acabado e ainda não tinha nenhum outro tipo de cinema. Ficou um vazio muito grande. Aí surgiu essa geração que eu faço parte, geração do cinema novo, que entrou com força total. Foi feito Deus e o Diabo na Terra do Sol, Vidas Secas, uma geração de filmes muito importantes que influenciaram o cinema do mundo inteiro, não só no Brasil. A entrada do cinema novo foi um momento importante para o cinema brasileiro”. 

CINEMA BRASILEIRO, PARTE 2:

“O segundo momento importante foi quando a Embrafilme se tornou distribuídora. Conseguimos atingir 50% do mercado naquele período com Bye Bye Brasil, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Pixote: A Lei do Mais Fraco. Vários filmes que conquistaram as plateias e que ao mesmo tempo eram filmes muito importantes. O terceiro momento foi a chamada retomada, o início dela, com Central do Brasil, Carlota Joaquina, Princesa do Brazil. Ali surgiu uma coisa legal, um movimento fresco”. 

zelito2Pai e filho no palco. 

CINEMA BRASILEIRO, PARTE 3:

“O momento atual na minha opinião é complexo. A gente virou burocrata. A gente deixou de criar. O artista cria, o cineasta presta conta. Hoje em dia é mais importante você saber preencher formulário do que você fazer um filme. Perdeu o foco e isso é grave. A gente tem que lutar contra isso. Eu acredito que os jovens vão conseguir mudar, fazendo filme com celular, de outro jeito. Vai mudar, vai implodir esse sistema atual de fazer cinema por excesso. Estamos no olho do furacão. Perdemos bastante a força internacional. Quando eu era jovem a gente queria descobrir qual filme brasileiro que ia pra Cannes, pra Berlim. Hoje em dia isso é raro. É raro o ano em que se consegue chegar com um filme em um festival, porque a gente caiu bastante de interesse, não só de qualidade. Deixou de ser prazeroso fazer um filme. Hoje em dia você morre de medo de não conseguir prestar as contas”.

FAMÍLIA:

“Minha mãe era uma musicista extraordinária, tocava piano muito bem. A veia artística vem dela, a veia cômica vem do meu pai. Ele era muito engraçado. O Chico Anysio [irmão de Zelito], aos 16 anos, era um imitador extraordinário, parecia uma entidade. Era surpreendente. Eu era engenheiro, não pensava em ser cineasta. Mas a minha casa era frequentada por Antonio Carlos Jobim, Haroldo Barbosa, Max Nunes, porque o Chico Anysio era colega deles e eu tinha essa convivência. E isso me ajudou muito a fazer cinema, por ter intimidade com esse pessoal”.

TERRA DOS ÍNDIOS:

“Os índios foram fundamentais na minha formação. Quando eu fui fazer Terra dos Índios, eu nunca tinha visto um índio na minha vida. E eu tinha que fazer um filme sobre eles. Eu não sabia nada. Fui na casa do Darcy Ribeiro e ele abriu a minha cabeça sobre os índios. Foi um choque cultural. A maneira de ver o mundo é muito diferente. Tanto que eu peguei meu filho e mandei ele pro meio dos índios. Aquilo era uma universidade mais importante do que qualquer universidade. Passar um tempo com os xavantes mudou a cabeça dele e foi muito importante”.

zelito3Zelito Viana durante a coletiva de imprensa. 

DIGITAL:

“Eu nunca tive muito preconceito com o digital. Eu estou interessado naquilo que está na frente da câmera, o que está atrás é uma questão industrial. É claro que a película dá uma sensação mais real do produto, pois você o tem na mão. O meu medo do digital é um HD que você não sabe onde ele está, de repente some e você não sabe aonde foi parar o seu filme. Isso é grave e ainda está sendo resolvido. Mas, claro que gerou uma facilidade, sobretudo aos efeitos especiais. O digital dá uma liberdade muito grande de criação, além disso a maneira de exibir ficou mais fácil”. 

FESTIVAL DE GRAMADO:

“Gramado é um festival importante do cinema brasileiro. Ele começou bem numa época que a gente estava com dificuldades políticas grandes e o festival surgiu como uma coisa bastante importante. Eu, por acaso, nunca disputei um kikito, talvez ano que vem. Mas minha família toda já participou: Marquinho [o ator Marcos Palmeira] já ganhou, minha filha Betse de Paula também. Festivais em geral são importantes para o nosso cinema, porque é uma maneira de o filme chegar ao publico, já que tem tanta dificuldade”.

NOVO PROJETO:

“Meu novo filme se chama Sedução e tem um pouco a ver com uma experiência pessoal que tive. Meu pai estava doente e eu fui visitá-lo no Maranhão. Quando eu cheguei lá encontrei uma família enorme, conheci oito irmãos que eu não sabia que tinha. A história do filme vai ser um ator famoso da televisão, que obviamente será o Marquinho (risos), mesmo que ele não queira, que recebe a notícia que o pai morreu e vai lá para ver o pai que ele não via há 20 anos. Chegando lá, encontra essa outra família. O filme é sobre essa experiência complexa. É uma história original minha, com um roteiro da Rita Toledo, uma jovem que eu chamei pra poder dar um certo ar de juventude”.

Confira um trecho da coletiva em que Zelito Viana fala sobre as comédias brasileiras, Rede Globo e beijo gay e também assista aos melhores momentos da homenagem:

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Fotos: Edison Vara e Vitor Búrigo.

Texto e vídeo: Vitor Búrigo.

Gilda Nomacce e Matheus Fagundes apresentam Ausência, de Chico Teixeira, no Festival de Gramado 2015

por: Cinevitor

ausenciagramado1Gilda Nomacce, Matheus Fagundes e Paula Cosenza no tapete vermelho.

O filme Ausência, de Chico Teixeira, chamou atenção no 43º Festival de Cinema de Gramado. O drama foi exibido na noite de terça-feira, 11/08, com audiodescrição, que amplia o entendimento de pessoas cegas ou com baixa visão e torna mais acessíveis filmes ou peças de teatro, por exemplo, ao proporcionar informações sobre personagens, cenários, figurinos e ações relevantes para a compreensão da obra.

Na manhã seguinte à exibição, os atores Matheus Fagundes e Gilda Nomacce participaram de um debate ao lado da produtora Paula Cosenza. O diretor Chico Teixeira não compareceu ao evento por motivos de saúde.

“É uma honra enorme estar aqui. Muito emocionante”, disse Gilda, que interpreta a personagem Luzia, mãe do protagonista. “Sempre foi um sonho fazer cinema, mas quando eu era jovem, o cinema não tinha essa possibilidade toda, não era viável. Eu tive a sorte de entrar no cinema com diretores incríveis, como a Juliana Rojas e o Marco Dutra. Eu entendi que o cinema é coletivo e eu comecei a me apaixonar pelo cinema de uma forma que eu não consegui mais ficar sem”, revelou.

ausenciagramado2Matheus Fagundes e Gilda Nomacce durante a coletiva.

Matheus Fagundes, que interpreta Serginho, falou da emoção de receber o prêmio de melhor ator, por Ausência, no Festival do Rio do ano passado: “Ganhar o Festival do Rio foi uma alegria indescritível. Posso dizer que ter o reconhecimento de um trabalho é uma das melhores sensações na vida. Eu tive esse privilegio aos 17 anos. Fiquei muito feliz. Foi o ápice da emoção no momento em que eu subi para receber o prêmio. Foi um dos melhores momentos da minha vida, que eu vou levar pra sempre. Um sonho realizado”.

O ator também falou sobre a parceria com o ator Irandhir Santos: “Trabalhar com o Irandhir foi uma grande escola. Ele é um monstro, um ator fantástico, muito generoso, muito concentrado e eu criei uma relação com ele, ao longo do processo, muito forte. Ele me ajudou muito, tanto nas filmagens quanto na preparação. Aprendi muito e espero ter o privilégio de contracenar com ele de novo. Pra mim é um dos melhores atores que temos hoje no cinema brasileiro”.

ausenciagramado3Equipe reunida na coletiva de imprensa com o mediador Carlos Eduardo Jorge.

A produtora Paula Cosenza falou sobre o próximo projeto de Chico Teixeira e também sobre a carreira internacional de Ausência: “O próximo filme do Chico se chama Dolores e é sobre uma relação entre mãe e filha muito forte. Enquanto isso, o Ausência está tendo uma bela carreira de festivais. Em termos de vendas internacionais é um filme muito radical. Não imagino que ele vá ter uma distribuição, como por exemplo, a linda distribuição que a gente teve agora na França com Casa Grande e Que Horas Ela Volta?. É muito legal ver um filme brasileiro assim. Ausência também foi vendido para a França e para outros territórios, mas acho que ele não é o que eles chamam de um filme tão aberto em termos de ter uma grande comercialização, mas vai ter sua vida legal e bonita certamente nos territórios latino-americanos, no Chile, Uruguai, Argentina”.

Confira um trecho da coletiva em que Gilda Nomacce fala sobre sua relação com o diretor Chico Teixeira:

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Fotos: Cleiton Thiele e Vitor Búrigo.

Texto e vídeo: Vitor Búrigo.

Primeiro trailer de Os 8 Odiados, novo filme de Tarantino, é divulgado

por: Cinevitor

trailer8odiadosSamuel L. Jackson será o Major Marquis Warren no oitavo filme de Tarantino.

Saiu o tão esperado trailer de Os 8 Odiados, novo filme de Quentin Tarantino, que tem estreia prevista para o dia 25 de dezembro nos Estados Unidos e no Brasil deve chegar aos cinemas no dia 8 de janeiro de 2016.

O faroeste se passa anos depois da Guerra Fria e conta a história de oito bandidos que ficam presos em um saloon durante uma tempestade de neve. No elenco, Samuel L. Jackson interpreta o Major Marquis Warren; Jennifer Jason Leigh será Daisy Domergue; Bruce Dern interpreta o General Sandy Smithers; Michael Madsen vive o cowboy Joe Gage; Tim Roth será Oswaldo Mobray; Walton Goggins faz o papel do xerife Chris Mannix; Demian Bichir interpreta o mexicano Bob; e Kurt Russell vive John ‘The Hangman’ Ruth.

Confira o primeiro trailer de Os 8 Odiados:

O Último Cine Drive-in é exibido no 43º Festival de Cinema de Gramado

por: Cinevitor

cinedrivein1Equipe reunida na coletiva de imprensa.

Na segunda-feira, 10/08, o filme O Último Cine Drive-in foi exibido na telona do Palácio dos Festivais. O longa conta a história de Almeida, interpretado por Othon Bastos, que é dono do último Cine Drive-in de Brasília e insiste em manter vivo um tipo de cinema que já não atrai mais espectadores. Além disso, ele terá que lidar com um reencontro inesperado com seu filho Marlombrando.

No palco para apresentar o filme, o diretor Iberê Carvalho fez um breve discurso de agradecimento: “É uma alegria imensa estar aqui nesse festival. Primeira vez em Gramado. Mandei vários curtas e nunca entraram, agora, o primeiro longa está aqui e é muito bom. Quero agradecer a equipe que veio aqui acompanhar esse dia e dizer que O Último Cine Drive-in é um filme simples, pensado para contar uma história despretensiosa. Eu acho que a gente tá vivendo um momento que o ódio e a intolerância estão cada vez mais exacerbados na nossa sociedade, onde as pessoas parecem não medir esforços para agredir uns aos outros e os nossos personagens fazem justamente o contrário, eles não medem esforços para declarar o seu amor, seja ao outro ou àquilo que ama”.

cinedrivein5No palco do Festival de Gramado 2015.

Para falar mais sobre o filme, alguns integrantes da equipe participaram de uma coletiva de imprensa no dia seguinte à exibição. O diretor começou a conversa falando do seu processo de criação: “De fato o filme começou com a proposta de falar de uma família, o cinema veio depois. Tínhamos um argumento onde não existia o cinema e a história se passava numa cidade do interior. Até que um dia eu fui ao Cine Drive-in em Brasília, que é o último em funcionamento no Brasil. Aí me veio o estalo de que essa história podia se passar ali. Aos poucos a história do drive-in foi sendo incorporada junto à minha paixão por cinema. A minha memória afetiva com o espaço e a minha relação com a cidade também foram sendo incorporados ao projeto e deixou de ser simplesmente um cenário”. 

Iberê também falou sobre a brincadeira com alguns gêneros cinematográficos: “Desde a concepção do filme a gente já tinha consciência de que ele corria o risco de mudar um pouco de linguagem. Quando a gente estava montando, percebemos que estávamos diante de um desafio. A tentativa foi encontrar um caminho que fosse respeitoso ao projeto. O melodrama não me incomoda. Eu não vejo o melodrama como uma palavra negativa. A questão é como tratar o melodrama para que ele fique crível e que emocione sem cair numa coisa piegas, forçada, apelativa”. 

cinedrivein2A atriz Fernanda Rocha ao lado do diretor na coletiva. 

A atriz Fernanda Rocha, que interpreta a projecionista Paula, falou sobre o seu papel: “A Paula foi um presente. Foi minha primeira personagem escrita pra mim. Desde o início do processo eu já vinha acompanhando os primeiros tratamentos do roteiro. Ela realmente foi sendo criada com tanto carinho, com tanto tempo. Eu sou apaixonada por essa personagem, que foi inspirada no Totò de Cinema Paradiso”.

Breno Nina, que interpreta Marlombrando, comentou sobre a preparação do elenco: “Um trabalho importante que foi feito na preparação foi o trabalho de roteiro com a Amanda Gabriel, que era a preparadora. Ela foi trabalhando com a gente as possibilidades que tinham por trás das cenas que estavam ali. De uma elipse pra outra, o que que tinha se passado, quantas leituras poderiam se fazer do que estava escrito. Foi muito intenso e maravilhoso”.

cinedrivein4Os atores Breno Nina e André Deca ao lado de Maira Rocha.

Outro assunto abordado na coletiva foi o trabalho da diretora de arte Maira Rocha: “O drive-in existe e ele tinha acabado de ser reformado. Anos atrás, durante as pesquisas, ele estava perfeito. Mas acontece que a dona reformou e a gente teve que envelhecer para filmar a primeira etapa e depois reformá-lo, deixar tudo lindo, para entregá-lo melhor do que ele tava”, disse Maira.

Questionada sobre os pôsteres de filmes que aparecem no longa, ela revelou: “Os pôsteres são todos meus. Foi um trabalho de referência, buscando quem são esses personagens e o que eles veriam. Por exemplo, a Paula. Quem é essa Paula? A Paula gosta do Curtindo a Vida Adoidado. Então no espaço dela, que é a sala de projeção, buscamos essas referências. Tem o pôster de As Invasões Bárbaras, que tem uma referência muito direta com o filme, assim como O Cinema Paradiso. Tem também o Marlon Brando em O Poderoso Chefão. Eu adoro construir personagens junto com o elenco”.

cinedrivein3O montador J. Procópio ao lado da produtora Carol Barboza.

A produtora Carol Barboza falou sobre alguns percalços que aconteceram nos bastidores: “Durante a produção passamos por alguns apertos e sustos porque de fato o Cine Drive-in estava ameaçado de ser demolido. Ele funciona dentro do autódromo de Brasília e existe um grande projeto para aquela área virar um autódromo moderno e o drive-in sair dali. Esperamos que a Secretaria de Cultura consiga agarrar essa briga e manter o espaço”.

Ao final da coletiva, Iberê falou sobre as referências que foram importantes para o seu filme: “As referências foram vindo de uma maneira um tanto quanto caótica. Algumas a gente mantinha, outras a gente ia eliminando. E a busca se deu em duas vertentes; uma em relação ao amor pelo cinema mesmo, pois o Almeida [papel de Othon Bastos] é um cinéfilo e não só um exibidor apaixonado pelo seu espaço. A gente tentou se colocar no lugar dele pra pensar o que será que o Almeida gosta. Também tinham as referências que achávamos interessantes de filmes que tratavam de temas como o nosso, por exemplo, As Invasões Bárbaras“.

Confira um trecho da coletiva em que Breno Nina fala sobre a equipe e sua preparação:

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Texto, fotos e vídeo: Vitor Búrigo.

Marília Pêra recebe o Troféu Oscarito no 43º Festival de Cinema de Gramado

por: Cinevitor

mariliapera6A homenageada no palco do Palácio dos Festivais.

A noite de terça-feira, 11/08, foi emocionante no 43º Festival de Cinema de Gramado. A atriz Marília Pêra recebeu o 25º Troféu Oscarito, prêmio que destaca personalidades do cinema nacional. Ovacionada pelo público, a homenageada foi surpreendida com a presença de seus três filhos, que apareceram de surpresa para entregar o prêmio a ela.

Em seu discurso, Marília agradeceu a homenagem: “É uma honra recebê-lo. Oscarito é um gênio da comédia brasileira. Vir a Gramado é sempre uma alegria. São tantas delicadezas, tanta gente gentil, tanto aconchego, tanto carinho. Sempre é bom vir aqui. Agradeço muitíssimo”. E também citou diversas pessoas importantes que fizeram parte de sua carreira: “Eu acho que a melhor coisa da vida é você ter amigos. Nesses últimos anos eu percebi o quanto eu tenho amigos queridos: os filhos, a irmã Sandra, o marido Bruno, as assessoras; aqui em Gramado tenho a Vera Carneiro [da Pauta Assessoria, responsável pela assessoria de imprensa do festival] que manda em nós (risos) e que ordenou que eu viesse pra cá com um ano de antecedência. Tem também o Rubens Ewald Filho, o Bigode [apelido do cineasta Luiz Carlos Lacerda], Bete Mendes, Marcos Santuario, enfim, tantos amigos queridos que eu gostaria de compartilhar com eles essa homenagem tão linda”.

mariliapera4Marília entre os filhos Esperança, Nina e Ricardo. 

Antes da homenagem, Marília participou de uma coletiva e conversou com a imprensa sobre o prêmio, seus trabalhos, planos futuros e contou algumas histórias de sua carreira. Confira os melhores momentos:

O INÍCIO

“Eu nasci atriz. Fiz balé clássico, fui bailarina em vários espetáculos e também no teatro de revista. Lembro que quando abriram teste para a mocinha de Como Vencer na Vida sem Fazer Força eu fiz e passei. Foi em 63, junto com Procópio Ferreira e Moacyr Franco. Foi ali que tudo começou mesmo como atriz”.

OSCARITO

“Meu pai trabalhou muito com o Oscarito, minha mãe, minha vó e meu tio também. Uma família de atores de teatro e de cinema também. Eu cheguei a participar de alguns filmes como bailarina com o Oscarito. Quando eu tinha doze anos, minha mãe era atriz de um dos filmes e meu pai me deixou participar como bailarina porque minha mãe estava junto. Eu tive muita proximidade com o Oscarito e nós assistimos a todas aquelas chanchadas, gostávamos muito daquele estilo. Oscarito era um gênio. Então, receber hoje, no 25º ano do Troféu Oscarito essa homenagem é uma honra. É uma volta ao passado muito bonita”. 

mariliapera5Marília no palco, ovacionada pelo público.

PROFISSÃO

“A profissão do ator é muito nobre. É uma profissão que não tem limite. Você pode fazer o que você quiser sendo ator, você pode sentir todas as emoções do universo. Você sabe tudo se você quiser e isso é uma liberdade sem fim. É claro que é uma luta pela sobrevivência, a competitividade é terrível, mas a profissão é muito divertida, muito arriscada, muito rica. Já pensei em parar umas quinhentas vezes, já declarei que ia parar não sei quantas vezes. Tem dias que eu não quero mais. Mas, num todo, eu quero mais”.

DISCIPLINA

“Eu sou uma atriz muito obediente, muito disciplinada. Respeito cada vírgula do texto, levo muito a sério. Respeito demais o texto, a marcação do diretor. Quando às vezes percebo, mas faz muitos anos que isso não acontece, que o diretor está perdido e que a obra talvez vá se perder, eu ameaço criar outras coisas pra ajudar a salvar a obra. Mas isso é raríssimo”.

ANA, A LIBERTINA

“Em Ana, a Libertina, Daniel Filho fazia meu marido ou meu amante, não lembro, dirigidos pelo Alberto Salvá. Eu fiquei sem confiança nele [no diretor] porque ele queria me desnudar. O filme se chamava Ana, a Libertina, e eu era tudo menos libertina. Na verdade eu não fiquei à vontade como eu fiquei depois no Pixote, a Lei do Mais Fraco [filme de 1981] que eu tinha plena confiança no Hector [Babenco, diretor]. Mas isso foi só uma questão de tempo. Porque depois eu encontrei com o Salvá e conversamos sobre isso e se a gente fosse fazer o filme de novo eu teria confiado nele”. 

mariliapera1Marília Pêra durante a coletiva de imprensa. 

O REI DA NOITE

“O Babenco não me olhava porque estava completamente apaixonado pelo Paulo José. Ele queria o Paulo José e a Dina Sfat no elenco, mas a Dina não podia, então ele quis a Darlene Glória, um mulherão, até que o Paulo sugeriu meu nome e ele aceitou. Mas eu não era bem quem ele queria. Ele não me tratava mal, mas ele não me tratava. Depois que montou o filme ele declarou que só foi perceber o meu trabalho depois do filme montado. O Rei da Noite é um lindo filme”.

PIXOTE, A LEI DO MAIS FRACO

“Eu fazia pouco filme, até que Pixote me jogou no mundo. Quando o Babenco me chamou para fazer, ele sabia perfeitamente o que queria e eu tinha plena confiança nele, tinha plena confiança na Fátima Toledo, preparadora de elenco, e muita alegria de estar com aquelas crianças, aprendendo com eles, porque são meninos que só respondem se você falar verdadeiramente com eles, pois não dá para mentir com criança preparada pela Fátima”.

EDUARDO COUTINHO

“O Coutinho me chamou pra fazer o primeiro filme dele, O Homem que Comprou o Mundo, com Flávio Migliaccio. Um filme muito interessante e muito diferente de todos os filmes que ele fez depois. Foi o meu primeiro filme, em 68. Coutinho me ensinou a fazer menos, interiorizar mais. Ele foi um amor, um homem muito delicado. Muita alegria de ter trabalhado com Coutinho”.

mariliapera2Rubens Ewald Filho, mediador da coletiva, ao lado da grande estrela.

JOGO DE CENA

“Neste filme tem essa tênue diferença entre o que você é e o que você finge que é. O Coutinho gostava muito disso, de enganar a gente assim. Tínhamos que ser o que era a outra pessoa. Era dificílimo o que o Coutinho pedia. Quando a gente interpretava ele interrompia, pedia que não interpretássemos. Era difícil o trabalho dele com as atrizes. Eu tive medo por um momento, fiquei com taquicardia, eu fiz aquele filme com o coração na boca. Nem sei o que eu acho de mim no filme, mas eu acho que ele gostou”.

DULCINA DE MORAES

“Quando conheci Dulcina eu tinha três anos. Meu pai e minha mãe trabalhavam com ela e ela trabalhava com o marido, com a mãe e com as duas irmãs. O teatro era feito assim, era feito em família. E ela trazia os clássicos; ela interpretou todos os grandes personagens da dramaturgia universal. Ela dirigia tudo e era maravilhosa de comédia, mas também fazia tragédias. A Dulcina foi uma fada madrinha do meu teatro. Era uma brincalhona, nunca a vi chateada”. 

CARMEN MIRANDA

“Ela morreu quando eu tinha onze anos. Eu estava saindo do balé e fui ao velório dela. Tenho essa ligação com ela. A primeira vez que eu cantei Carmen Miranda eu era bailarina do Carlos Machado, no México. Eu estava lá dançando e vi uma vedete chamada Vera Regina, alta, maravilhosa e ela fazia um pot-pourri da Carmen Miranda, com aquela roupa dourada. E ela precisou voltar ao Brasil e eles precisavam de alguém para substituí-la. Eu fui escolhida. A roupa foi toda apertada pra mim e eu cantei pela primeira vez, em 63, a Carmen Miranda, ao lado de Hilton Prado, pai da [atriz] Giovanna Antonelli. Depois, em 1972, fiz A Pequena Notável, com texto de Ary Fontoura e direção de Maurício Sherman. De lá pra cá, eu interpretei Carmen Miranda mil vezes”.

mariliapera7Marília Pêra no tapete vermelho do Festival de Gramado. 

DIRETORA

“Não tenho prazer em dirigir, é difícil pra mim porque eu acho que não me obedecem, não tenho aquela voz ativa. Eu fico brava comigo, fico triste, vou embora, não fico brava em cima das pessoas e o espetáculo não sai como eu gostaria. O espetáculo que saiu como eu gostaria foi O Mistério de Irma Vap, que fez um sucesso de doze anos com dois atores extraordinários [Marco Nanini e Ney Latorraca]. Em 1978, o Miguel Falabella foi à minha casa com a Maria Padilha e exigiu que eu dirigisse A menina e o vento, da Maria Clara Machado. Eu não sabia, não tinha a menor ideia de como dirigir, mas eles me obrigaram e eu acabei dirigindo. Foi a primeira vez que dirigi”.

FUTURO

“Eu estou gravando um disco pela [gravadora] Biscoito Fino. Um disco de músicas românticas que deverá se transformar em um documentário dirigido pelo Daniel Filho. Estamos conversando sobre a possibilidade de fazer um docudrama musical, cantando as músicas e contando a minha história, que é boa de ser contada porque tem muita gente em volta, muitos acontecimentos. Além disso, o Jorge Clark, um diretor maravilhoso,  me convidou para fazer Longa Jornada Noite Adentro, que é uma linda história. Já estou lendo e estamos vendo a possibilidade de fazer isso ano que vem no teatro”. 

Confira um trecho da coletiva em que Marília Pêra fala de Central do Brasil, Fernanda Montenegro, Incidente em Antares e Carmen Miranda; e também trechos da homenagem recebida no Palácio dos Festivais:

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Fotos: Cleiton Thiele, Edison Vara e Vitor Búrigo.

Texto: Vitor Búrigo

Murilo Salles apresenta O Fim e os Meios no 43º Festival de Cinema de Gramado

por: Cinevitor

fimmeios2Pedro Brício, Cintia Rosa e Murilo Salles durante a coletiva de imprensa.

Seguindo a programação do 43º Festival de Cinema de Gramado, no domingo, 09/08, o filme O Fim e os Meios, de Murilo Salles, foi exibido no Palácio dos Festivais, durante a Mostra Competitiva de longas-metragens brasileiros. A história mostra um jovem casal que se muda para Brasília tentando resolver os impasses da relação. Ela é jornalista, ele é publicitário. A campanha para reeleição de um Senador da República desencadeia um jogo de interesses que se confunde com os desejos e as fraquezas do casal.

Ao subir ao palco para apresentar seu filme, Murilo Salles, muito emocionado, discursou: “Estreei meu primeiro longa aqui. Estreei meu segundo longa aqui. E o terceiro também. Esse é o quinto que passa aqui. Gramado me ama e eu amo Gramado. A gente não tem palco, mas tem tela. E essa é a minha tela. Quanto ao filme, foi muito difícil. Como fazer um filme sobre política no Brasil? Todos os meus filmes são políticos. E eu queria me colocar novamente diante de um país. E a minha escolha foi partir para o ser humano. O que me interessa são as relações, entender esse país através de nós. É um filme que tenta descobrir como se fundamenta nossas raízes históricas no nosso cotidiano. É um filme feito com muito amor por uma equipe muito apaixonada por cinema”.

fimmeios1Equipe no palco do Palácio dos Festivais.

No dia seguinte à exibição, alguns integrantes da equipe participaram de uma coletiva de imprensa. A produtora Julia Moraes iniciou a conversa: “Esse filme foi feito de uma forma muito artesanal. Temos uma equipe pequena, de 20 pessoas fixas. Mas isso é bem possível porque o Murilo, esse cara experiente, que fica nervoso sempre como se fosse a primeira vez, tem uma garra e uma empolgação muito grande. Ele é um diretor que produz e que faz tudo e isso ajudou muito na realização desse filme”. E completou: “Filmamos em sete semanas, com um deslocamento grande da equipe. Vivemos em Brasília muito tempo, depois fomos pra Maceió, voltamos pro Rio. Como você consegue manter a equipe coesa, com um pensamento único pra você poder imprimir isso num filme? Isso é um grande desafio e não é só fazer, é fazer com alma. Em Brasília, a gente teve um apoio muito grande e abrimos um diálogo com o cinema brasiliense”.

Murilo Salles falou sobre sua maneira de fazer cinema: “Eu sou um cineasta que faço cinema narrativo e que tem uma maluquice de querer suspender essa narração, pensá-la de uma maneira diferente. Eu amo o cinema narrativo! Ele me desafia profundamente. Eu sou de uma geração que aprendeu a fazer cinema com Godard. Ele me influenciou no sentido de que a questão da narrativa é uma questão que é muito contemporânea e que me desafia”. O diretor também falou, de forma descontraída, como seus filmes são recebidos pela crítica e pelo público: “Meus filmes são sempre esquisitos. Nunca ninguém gosta muito deles (risos). E eu acho isso uma qualidade, isso me dá uma segurança. Quanto menos gostam, mais eu acho que estou indo bem (risos). Eu tenho certeza do que eu estou fazendo”.

fimmeios3A produtora Julia Moraes e o diretor de arte Pedro Paulo de Souza na coletiva.

Cintia Rosa, protagonista do longa, falou um pouco sobre o processo de construção da jornalista Cris, sua personagem: “A Cris é uma personagem complexa. Eu morei em Santa Teresa durante quinze dias, descia todos os dias e ia para a redação do O Globo, ficava com os jornalistas, participava de reuniões, saía com eles pra cobrir, pra investigar as pautas do dia, tentava escrever matérias. Foi um estudo muito minucioso no Rio. Em Brasília eu fui todos os dias para o Congresso, junto com a Maria Lima, que foi uma jornalista que me adotou. Eu respirei aquilo o tempo inteiro. Eu saía de carro por Brasília pra entender a cidade, que é muito diferente do Rio. Foi um trabalho muito importante pra mim porque a personagem é muito forte, distante de mim, mas hoje em dia posso dizer que ela faz parte de mim. Eu abracei essa personagem”.

A atriz também elogiou seu colegas de elenco e falou da emoção de estar em Gramado: “Meus parceiros de cena foram muito importantes e a equipe foi incrível. Sou muito feliz em participar desse filme. Foi um grande momento na minha vida, na minha carreira, porque foi um desafio muito grande. E é um prazer estar em Gramado. É a segunda vez que eu venho. Já estive aqui com outros filmes, com Bróder e 5x Favela – Agora por Nós Mesmos, no qual eu protagonizei Concerto para Violino, mas era um curta dentro de um longa. Então, esse [O Fim e os Meios] realmente é meu primeiro protagonismo em um longa-metragem”.

fimmeios4Protagonistas: Pedro Brício e Cintia Rosa. 

O diretor revelou que quando decidiu que Cintia seria a protagonista de seu filme deu de presenta a ela o livro Anna Karenina, escrito pelo russo Liev Tolstói: “A Cris é baseada na Anna Karenina”. E Cintia comentou: “Eu sempre construo meus personagens com elementos externos, que todos trazem pra mim”.

Pedro Brício, que interpreta o publicitário Paulo, revelou o motivo de ter aceitado fazer o filme e de como foi sua preparação: “De início eu até recusei porque tinha um outro trabalho. Mas, resolvi fazer o filme porque eu sou fã do Murilo. Eu conversava com ele e via toda o seu desejo de fazer uma coisa diferente, de fazer um trabalho sério. Também resolvi fazer pela oportunidade de ir a Brasília, ficar um tempo por lá”. Sobre o personagem, ele disse: “O Murilo pediu que eu fizesse eu mesmo no filme, o que é uma coisa muito difícil, primeiro porque eu não tenho certeza de quem eu sou (risos). E também porque eu estava num outro contexto, era um publicitário e eu não sou publicitário. Foi muito angustiante pra mim porque o personagem passa quase o filme inteiro numa angústia muito grande tentando resolver problemas”.

Ao final da coletiva, Murilo disse: “Eu fui aprendendo com os atores. Eu devo muito aos atores com quem eu trabalhei. A gente aprende muito com eles. É impressionante!”.

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Texto e fotos: Vitor Búrigo.

Introdução à Música do Sangue, de Luiz Carlos Lacerda, é exibido no Festival de Gramado 2015

por: Cinevitor

introducao1Equipe reunida no palco do Palácio dos Festivais.

O filme Introdução à Música do Sangue, dirigido por Luiz Carlos Lacerda, foi exibido no sábado, 08/08, no 43º Festival de Cinema de Gramado. Selecionado para a Mostra Competitiva de longas-metragens brasileiros, o drama se passa no interior do Brasil, entre o mundo arcaico e o contemporâneo, e mostra uma família que vive suas angústias numa atmosfera de desejo e repressão.

Para falar mais sobre o filme, alguns integrantes da equipe participaram de um coletiva de imprensa no dia seguinte à exibição.

Quando questionado sobre seu elenco, o diretor foi só elogios: “Eu conheci o trabalho do [Armando] Babaioff no teatro. Ele foi muito generoso, porque é um filme de baixíssimo orçamento. Além disso, me ajudou a compor seu personagem sem cair na caricatura”. Sobre a jovem atriz Greta Antoine, disse: “Eu vi uns trabalhos da Greta na internet, umas cenas, um curta, ela na [novela] Chiquititas. Vi também duas entrevistas dela falando de Nelson Rodrigues, muito inteligente, e liguei pra ela. Ela leu o roteiro e adorou”.

introducao2Coletiva: Alisson Prodlik, diretor de fotografia, ao lado do diretor Luiz Carlos Lacerda.

Luiz Carlos Lacerda também falou de Ney Latorraca: “Ney é um grande amigo, meu melhor amigo. Ele é uma persona forte, que está aprisionado pela camisa de força da comédia há 30 anos. Ele é um palhaço e no set eu pedia pra não deixar o clima de comédia. Foi um trabalho muito minucioso com ele”.  A atriz Bete Mendes também foi lembrada com carinho pelo diretor: “A Bete traz alegria para o set”.

Respondendo aos elogios, Armando Babaioff falou de sua experiência ao trabalhar com Luiz Carlos: “O Bigode [apelido do cineasta] como diretor é um cara que absorve. Não que ele absorva tudo. Ele absorve boas ideias, pois a gente discutia o tempo inteiro. Com isso, eu tive a possibilidade de criar, de dar corpo e uma alma completamente nova ao personagem”.

introducao3Bete Mendes e Armando Babaioff ao lado de Oswaldo Eduardo Lioi, diretor de arte do filme.

Bete Mendes, que interpreta a personagem Ernestina, disse: “Quando eu li o roteiro fiquei apaixonada. O filme é conduzido pelas mulheres. E a sexualidade da [atriz] Greta Antoine [que interpreta Maria Isabel] é aquela coisa maravilhosa porque aí a gente já vai para um outro universo, que é Humberto Mauro; o interior do interior, uma sexualidade reprimida e ao mesmo tempo a mulher-objeto da sexualidade”.

Ao final da coletiva, Luiz Carlos Lacerda revelou: “Meu filme é uma mistura de Humberto Mauro com [Ingmar] Bergman”.

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Texto e fotos: Vitor Búrigo.

Novo Os Caça-Fantasmas terá participação de Bill Murray

por: Cinevitor

billghostVeterano está confirmado na nova versão.

Mais novidades sobre o reboot de Os Caça-Fantasmas! Segundo informações divulgadas pelo site da revista americana The Hollywood Reporter, o ator Bill Murray vai fazer uma participação no novo filme.

Em 1984, Bill surgiu nas telonas como Dr. Peter Venkman no primeiro longa da franquia. Ainda não se sabe se o ator interpretará seu famoso personagem no novo filme. Dan Aykroyd, que também atuou nos dois primeiros filmes, como Dr. Raymond Stantz, é outro nome confirmado no reboot.

O terceiro longa da franquia, que será protagonizado por Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Kate McKinnon e Leslie Jones, também terá participações de Chris Hemsworth, Andy Garcia, Michael Kenneth Williams, Matt Walsh, Cecily Strong e Neil Casey.

Dirigido por Paul Feig, a nova versão de Os Caça-Fantasmas (que, provavelmente, ganhará o título de As Caça-Fantasmas) tem estreia prevista para julho de 2016.

Festival de Gramado 2015 anuncia vencedores da Mostra Gaúcha de Curtas

por: Cinevitor

gauchoscurtasVencedores no palco do Palácio dos Festivais.

Foram anunciados na noite deste domingo, 09/08, os vencedores do Prêmio Assembleia Legislativa – Mostra Gaúcha de Curtas do 43º Festival de Cinema de Gramado.

O Corpo, dirigido por Lucas Cassales, foi o destaque da premiação, vencendo em quatro categorias: melhor filme, roteiro, direção e fotografia. Gabriela Poester, do filme Bruxa de Fábrica, foi eleita a melhor atriz.

Confira a lista completa com os vencedores:

Melhor Filme: O Corpo
Melhor Diretor: Lucas Cassales, por O Corpo
Melhor Ator: Carlos Azevedo, por Rito Sumário
Melhor Atriz: Gabriela Poester, por Bruxa de Fábrica
Melhor Produtor: Clara Moraes, por Madrepérola
Melhor Edição de Som: Pele de Concreto, por Daniel de Bem
Melhor Música: Rito Sumário, por Bebeto Alves
Melhor Direção de Arte: Da Vida Só Espero a Morte, por Eder Ramos
Melhor Montagem: Pele de Concreto, por Daiane Marcon e Daniel de Bem
Melhor Fotografia: O Corpo, por Arno Schuh
Melhor Roteiro: O Corpo, escrito por Lucas Cassales
Prêmio Exibição Curtas Gaúchos RBS TV: Consertam-se Gaitas, dirigido por Ana Cris Paulus, Boca Migotto e Felipe Gue Martini

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Foto: Cleiton Thiele.

Daniel Filho é homenageado no Festival de Gramado 2015

por: Cinevitor

danielfilhogramado01Homenagem: Daniel Filho se emociona em Gramado.

O Troféu Cidade de Gramado, dedicado a um convidado de honra que se destaca no cinema nacional ou internacional, foi entregue, na noite de sábado, 08/08, ao diretor, produtor, ator e roteirista Daniel Filho. Com mais de 40 longas no currículo, alternando papéis como intérprete, diretor e produtor, Daniel segue produzindo e dirigindo filmes, conciliando-os com sua consolidada carreira na TV.

Emocionado, o homenageado subiu ao palco e fez um discurso destacando alguns de seus colegas de trabalho: “Lembrei de todos os meu colegas que tive ao longo desses 63 anos de profissão. É difícil chegar nesse momento e não lembrar disso. E a gente aprendeu com os colegas e eles são os grandes professores. Desde Jacy Campos a todos que cruzaram comigo, inclusive com a Bete Mendes que está aqui. Tudo colega, tudo amigo. Até com Oscarito, Zé Trindade. Todos professores. Walter D’Ávila, Chico Anysio”.

E completou: “Mas dizem que o importante não é o quanto bom você é, e sim quanto tempo você dura. É difícil durar muito tempo nessa profissão. É difícil e sempre louvado. E nisso também coloco os 43 anos deste festival. Não lembro de outra coisa que tenha, junto à cultura, perdurado tanto tempo. Não conheço, não vi, e eu acho que aí é que está a emoção de estar aqui. Porque eu sinto que meu nome entrou nessa galeria de colegas fantásticos que estiveram aqui e que vão continuar. Estou muito agradecido”.

danielfilhogramado3Discurso: Daniel Filho no palco do Festival de Gramado.

Algumas horas antes da homenagem, que aconteceu no Palácio dos Festivais, Daniel Filho participou de uma coletiva de imprensa e falou sobre sua carreira, suas inspirações e sobre o futuro. Confira os melhores momentos da entrevista:

ATOR

“Percebi que se eu não me produzisse, eu não conseguia dirigir direito. Então foi articulando tudo. Mas, o que eu gosto mesmo, o que eu sempre sonhei é que eu gostaria de terminar minha vida ou continuar como ator”.

HERÓI

“Eu acho que o herói brasileiro vai ser o homem que vai falar a verdade. Chegou a hora do povo, sem ser demagogo, mas já sendo. Agora é o momento que a gente tem que dizer que não precisamos de heróis. Precisamos de bons governantes, de pessoas com intenção e que nos respeitem. Acho que é isso. Como vai ser essa virada? Eu acho que já está sendo”.

QUE REI SOU EU?

“[Na novela] Que Rei Sou Eu?, meu personagem era tão bonitinho, tão bom, que eu fazia uma voz de dublagem, uma voz de mocinho que dubla filme. Era uma brincadeira com o grande herói. Me lembro que todos fizeram muitas aulas de esgrima. Eu falei que não ia aprender em dois meses, então colocaram dublês, tanto andando a cavalo quanto lutando. Até meu pai, que não sabia que eram dublês, achou que era eu”.

danielfilhogramado2Daniel Filho durante a coletiva. 

HOMENAGEM

“Depois que a gente vai ficando um pouco velho, a gente recebe muitas homenagens. A homenagem é uma lembrança, você se sente lembrado, você se sente respeitado, você sente que contribuiu para algo que você gosta e ama muito que é o cinema. E eu também tenho muito respeito e admiração. Se você for pensar no Brasil, quem é que consegue fazer 43 anos seguidos de qualquer evento? Que eu me lembre só Gramado. Lembro da época do Prêmio Air France, do Prêmio Molière, do Premio Saci. Tantos prêmios e tantos festivais que aconteceram e sumiram. E o de Gramado está lá! Eu sei que tenho uma história, não posso ficar aqui fingindo. Tenho uma história longa no cinema. Quando eu olho a lista de filmes, de programas de TV, eu mesmo fico admirado de como que eu fiz tudo. A sensação que eu tenho é de emoção por estar participando, por estar colocando meu nome como um homenageado nesta festa, neste prêmio, que é tão respeitado e tão querido”.

TELEVISÃO E ERA DIGITAL

“No fundo, eu sou um cara da televisão. E lá no meu período imenso da televisão, eu trabalhei com tudo de novo que vinha. O primeiro programa colorido brasileiro, que é o Meu Primeiro Baile, é dirigido por mim. E várias pessoas, na época, foram fazer curso de TV colorida e eu não fui. Todo mundo que fez o primeiro programa colorido foi para a Alemanha para aprender”.

“Eu sempre acompanhei a tecnologia, por causa da televisão. No cinema, eu fui notando que algumas coisas ainda ficavam muito artesanais diante do que já era a televisão. Tempos de Paz foi o primeiro filme digital brasileiro. Eu lembro que quando eu fui fazer, as pessoas diziam que era uma loucura. O digital veio para o bem e para o mal. E outras coisas vão acontecer”.

FILME PREFERIDO

“O filme que eu mais gosto é Cantando na Chuva, porque representa uma brincadeira com cinema. É talvez o filme mais alegre que já foi feito. Quando eu estou tenso coloco Cantando na Chuva e vou ficando calmo. Eu sei de cor e pior de tudo, eu choro sempre no final”. 

danielfilhogramado4Coletiva: Daniel Filho ao lado de Marcos Santuario e Rubens Ewald Filho, curadores do festival.

INSPIRAÇÃO

“A minha inspiração vem de todas as pessoas, de todos os bons e maus atores que coroaram minha vida nos anos 40, nos anos 50. O cinema italiano pra mim é extraordinário. Ladrões de Bicicletas, por exemplo. Sem contar as comédias italianas, o Vittorio De Sica como ator. O cinema italiano chega mais perto de nós. A minha inspiração está em tudo isso”.

CIDADÃO KANE

“Agora é mais fácil ir ao cinema. Na minha época era mais difícil. Eu acho que só vi o Cidadão Kane quando tinha 12, 14 anos, muito tempo depois. Atualmente todo mundo pode ver todos os filmes na hora que quiser, no momento que quiser, tornando-se muito mais fácil a convivência com o cinema”. 

MARGARET O’BRIEN

“A minha primeira paixão americana de cinema chama-se Margaret O’Brien, que tem a minha idade. Eu ficava na janela achando que possivelmente, quem sabe, ela passaria e me olharia. Mas, o filme que eu mais lembro dela era O Fantasma de Canterville, com Robert Young, dirigido por Jules Dassin”. 

DIRETORES

Devo dizer que atualmente estou apaixonado por diretores que não são americanos. Um deles é Asghar Farhadi. E o outro, sem dúvida nenhuma, que eu acho um dos melhores atualmente é Michael Haneke. São três pessoas que eu acompanho com grande emoção atualmente. E logicamente tem dois americanos: Wes Anderson e o Paul Thomas Anderson”.

COMÉDIA

“Eu sempre me achei um palhaço porque eu venho do circo. Talvez seja isso que me faça correr mais pra fazer comédia, talvez seja por isso que eu não me ache tão sério, não me leve muito a sério e não queira fazer um grande drama. Apesar de ter feito dramas, como Primo Basílio, Chico Xavier e produzido Cazuza – O Tempo Não Pára”.

Confira trechos da coletiva e da homenagem a Daniel Filho:

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Texto e fotos: Vitor Búrigo.

Presos

por: Cinevitor

presosposterDireção: Esteban Ramírez

Elenco: Natalia Arias, Leynar Gomez, Alejandro Aguilar, Daniel Marin, Fernando Vinocour, Jennifer Sánchez, Grettel Cedeño, Freddy Viquez, Mabel Marín, Rocío Carranza, Ana Saravia, Edgar Roman.

Ano: 2015

Sinopse: Victoria está com casamento marcado, mas começa um namoro telefônico com um presidiário cujo universo a deixa fascinada.

*Filme visto no 43º Festival de Cinema de Gramado.

Nota do CINEVITOR:

nota-3-estrelas