Conheça os vencedores do 12º Festival de Cinema de Caruaru

por: Cinevitor
Buda Lira e Wilson Rabelo em Ponto e Vírgula, de Thiago Kistenmacker: filme premiado

Foram anunciados neste sábado, 23/08, no Teatro João Lyra Filho, na região do Agreste Pernambucano, os vencedores da 12ª edição do Festival de Cinema de Caruaru, que contou com 60 filmes na programação. 

Na Mostra Brasil, Ponto e Vírgula, de Thiago Kistenmacker, foi escolhido como melhor filme pelo Júri Oficial: “O júri reconhece em Ponto e Vírgula, de Thiago Kistenmacker, uma obra de rara delicadeza e força. A narrativa se constrói no entrelaçar de silêncios e palavras, fazendo do tempo um personagem essencial. A direção conduz os atores com precisão, revelando camadas de afeto, dor e esperança. A interpretação de Wilson Rabelo confere densidade e verdade a um reencontro marcado por décadas de espera. A fotografia de Pedro Erthal ilumina as nuances da intimidade, transformando espaços cotidianos em territórios poéticos. A montagem estabelece um ritmo que respeita as pausas e valoriza os não-ditos, ampliando a potência da obra. Cada elemento estético se articula em harmonia, sustentando uma experiência cinematográfica plena. filme amplia horizontes ao abordar o amor quer na terceira idade com respeito e humanidade. Ao ressignificar o envelhecer como espaço de reencontro e permanência, reafirma o poder do cinema como gesto político e sensível. Por sua consistência técnica e poesia existencial, Ponto e Vírgula merece o prêmio de melhor filme”, diz a justificativa

Ainda na Mostra Brasil, o Júri Jovem, formado por José Igor, João Antônio, Gabriel Gomes e Maria Júlia, elegeu Era Uma Vez… em Cordel, de Bruno Rafael Fragoso, como melhor filme: “Com sensibilidade e autenticidade, a obra resgata a força de uma tradição oral que atravessa gerações, resistindo ao tempo e ao silêncio imposto pelo analfabetismo. Através de uma narração envolvente, que ecoa como voz de memória coletiva, e de uma sonografia que se entrelaça aos ritmos da cultura popular, o filme nos lembra que a palavra, mesmo quando não escrita, permanece viva, transmitida de pai para filho, de mestre para aprendiz. Mais do que um registro, este curta é um testemunho: um gesto de preservação e valorização de um patrimônio cultural imaterial que forma a identidade de nosso povo. Por sua capacidade de emocionar, ensinar e manter viva a chama do cordel, celebramos este curta-metragem como um marco de resistência cultural e de continuidade da memória nordestina”, diz a justificativa

Na Mostra Agreste, o grande vencedor, segundo o Júri Oficial, foi Mira, de Sóllon Rodrigues: “Pela competência em alcançar a unidade estética e narrativa. Com sintonia entre os departamentos de arte e fotografia e destaque para uma montagem que corrobora com o tom de fábula e sublinha os pontos positivos do roteiro. A paleta de cores é minuciosamente pensada desde a direção de arte à colorização. Ademais, as atuações críveis e a direção que consegue orquestrar seu ponto de vista singular e muito bem resolvido em todas as áreas da obra resultam em um filme que cumpre o que se propõe. Mira nos transporta para uma lenda regional equilibrando o fantástico e a realidade de forma que envolve emocionalmente o espectador, se utilizando da técnica e da estética para contar uma história com alma”, diz a justificativa

Para o Júri Jovem da Mostra Agreste, formado por Elane Andreza da Silva, Josy Lemos e Louise Farias, o melhor filme foi Marcado em Barro, de Monique Evelyn Silva: “Com uma narrativa ficcional dramática, Marcado em Barro explora de maneira sensível a relação entre arte, amor e sacrifício. Acompanhamos Bento, um artista do barro e Mariana, sua esposa grávida, numa jornada de cuidado e afeto, atravessada pela aparição de um ser misterioso. Os tons quentes e a paleta de cores terrosa do filme reforçam visualmente a conexão do personagem com a terra e seu ofício, além de conferir destaque aos cenários e objetos. A fotografia é magistral e capta toda a delicadeza do enredo em planos que vão desde à proximidade do rosto até à exibição ampla da cena, valorizando a cenografia e emoções dos personagens. A estética visual e a história instigante do filme o tornam inesquecível, evidenciando de forma profunda a significação da arte e dos afetos”, diz a justificativa

O Júri Oficial desta edição contou com: Lucas Marinho, Ricardo Alexandre e Carlos Antonio na Mostra Brasil; Julie Ketlem, Heitor Soares e Adson Alves na Mostra Agreste; e Nadson Lins, Marlom Meirelles e Leandro Bacamarte nas mostras Latino-Americana e Fantásticos

A noite de encerramento contou também com o lançamento do livro Imagens de uma busca de si, de Márcio Andrade, e uma homenagem in memoriam ao ator Cosme Santos, um dos fundadores do TAC, Teatro de Amadores

Conheça os vencedores do 12º Festival de Cinema de Caruaru:

MOSTRA BRASIL

Melhor Filme: Ponto e Vírgula, de Thiago Kistenmacker (RJ)
Melhor Filme | Júri Jovem: Era Uma Vez… em Cordel, de Bruno Rafael Fragoso (RJ)
Melhor Direção: Carlos Kamara, por Histórias do Alto
Melhor Roteiro: Ponto e Vírgula, escrito por Thiago Kistenmacker
Melhor Atriz: Ticiane Simões, por Entre Corpos
Melhor Ator: Léo Castilho, por Entre Sinais e Marés
Melhor Fotografia: Entre Sinais e Marés, por Sergey Komarov
Melhor Direção de Arte: Entre Corpos, por Maísa Cavalcanti
Melhor Montagem: Na Artesania: Pele de Peixe, Couro é, por Tâmara Mariah, Monique Paulino e Leonardo Carvalho
Melhor Som: Suá, a Praia que Sumiu, por Marcus Neves
Melhor Pôster: O Colecionador de Cheiros de Nucas Femininas, por Ana Clara Vidal e Natália Damião

MOSTRA AGRESTE

Melhor Filme: Mira, de Sóllon Rodrigues (Campina Grande/PB)
Melhor Filme | Júri Jovem: Marcado em Barro, de Monique Evelyn Silva (Caruaru/PE)
Melhor Direção: Sóllon Rodrigues, por Mira
Melhor Roteiro: Todas as Memórias que Você Fez para Mim, escrito por Eder Deó
Melhor Atriz: Ana Nunes, por Facção
Melhor Ator: Beto Aragão, por Todas as Memórias que Você Fez para Mim
Melhor Fotografia: Mira, por Diego Pontes e Felipe Lima
Melhor Direção de Arte: Mira, por Jeferson de Souza
Melhor Montagem: Pau d’Arco: Árvore que se Renova, por Leonardo Amorim
Melhor Som: Marilak, por Romero Coelho
Melhor Pôster: Facção, por Guilherme Viegas
Menção Honrosa: Beti Rodrigues, em Mira; pela entrega e profundidade alcançadas na atuação
Menção Honrosa: Todas as Memórias que Você Fez para Mim, de Pedro Fillipe (Bezerros/PE)

MOSTRA LATINO-AMERICANA
Melhor Filme: Uma Ilha, de Ricardo Muñoz (Venezuela)

MOSTRA FANTÁSTICOS
Melhor Filme: Meu Pai e a Praia, de Marcos Alexandre (BA)

MOSTRA PERSONAGEM | VOTO POPULAR
Melhor Filme: Pupá, de Osani (RN)

MOSTRA INFANTIL | VOTO POPULAR
Melhor Filme: Mundinho, de Gui Oller, Pipo Brandão e Ricky Godoy (SP)

MOSTRA ADOLESCINE | VOTO POPULAR
Melhor Filme: Passa a Bola, de Guilherme Herrera Falchi (SP)

MOSTRA PEGA LEVE | VOTO POPULAR
Melhor Filme: Caroço, de Gabriel Santiago (BA)

Foto: Divulgação.

Comentários