
As Cartas de Ouro Preto são documentos fundamentais que reúnem as principais urgências e reivindicações de profissionais dos setores de educação e salvaguarda do patrimônio cinematográfico nacional. Os textos de 2026 foram lançados nesta terça-feira, 30/06, durante a 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto.
Produzidos a partir de intensos debates durante a Mostra, os manifestos dividem-se em dois eixos de atuação essenciais. A Carta da Educação reivindica o cinema como um componente curricular autônomo, cobra a imediata regulamentação do Programa Nacional de Cinema nas Escolas (Lei nº 13.006/2014) e alerta para os riscos da dependência de corporações estrangeiras na educação digital.
“Defendemos que ensinar cinema exige formação inicial e continuada de docentes, reconhecendo um saber próprio, tecido entre teoria, sensibilidade e prática, sem o qual sua presença nas escolas permanece incompleta. No Brasil, temos mais de 180 cursos superiores de cinema e audiovisual, e já há 3 licenciaturas em cinema e audiovisual (UFF, UERJ, UFCA). Reivindicamos que o cinema seja reconhecido como componente curricular autônomo nas ações curriculares, com tudo que isso implica no cotidiano escolar, destinação de recursos e infraestrutura, e formação docente. Quando o cinema finalmente chegar a todas as escolas, que o faça como se fosse sempre a primeira vez, preservando o espanto, a delicadeza do encontro e a potência de transformação que habita cada imagem”, destaca a Carta da Educação.
Já a Carta da Preservação celebra os avanços na formação de preservadores audiovisuais, mas exige a realização de concursos públicos para garantir estabilidade institucional, a criação de data centers públicos para assegurar a soberania dos dados nacionais e o uso ético da Inteligência Artificial.
Em um momento de uníssona convergência, ambas as cartas fazem um apelo urgente pela preservação do acervo de 40 anos do projeto Vídeo nas Aldeias, ressaltando sua importância incontornável para a memória dos povos originários e do país: “Alertamos para a urgência de se empreender esforços imediatos e concretos para a preservação do Acervo do Vídeo nas Aldeias. Sua importância é incontornável para a salvaguarda da memória dos povos originários e para a construção de uma história do audiovisual brasileiro que supere os apagamentos históricos e contemple a diversidade do nosso país”, diz a Carta da Preservação.
Como lembram os documentos, educar e preservar são direitos inalienáveis e inseparáveis. Clique aqui e leia os manifestos na íntegra para conhecer as propostas que vão pautar as lutas culturais e educacionais do Brasil nos próximos anos.
Foto: Leo Lara/Universo Produção.