
Foram anunciados neste sábado, 13/06, os vencedores da 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, um dos mais importantes eventos dedicados à sétima arte no Brasil.
Neste ano, com 80 filmes de todo o mundo na programação, o festival reuniu estreias nacionais e mundiais em suas variadas mostras, com destaque para as mostras competitivas.
O júri de 2026, que avaliou os longas da mostra competitiva, foi formado pelo cineasta e roteirista Bruno Costa; pela antropóloga cultural e curadora de cinema Jacqueline Nsiah; David Montenegro, gestor cultural, curador de cinema e artista; Janaina Oliveira, pesquisadora de cinema e curadora independente; e Saravy, atriz brasileira e contadora de histórias no cinema e no teatro. Já o júri de curtas-metragens da competitiva contou com Juliana Rojas, roteirista, diretora e montadora; Layla Braz, produtora e curadora de festivais de cinema; e Pablo Mazzola, programador e consultor para projetos cinematográficos. Além dos curtas, esses profissionais também foram responsáveis por julgar os títulos da mostra Novos Olhares.
O longa cearense Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, dirigido por Janaína Marques, levou dois troféus, entre eles, o Prêmio Olhar de Melhor Filme. No longa, Rosa, cercada pelo zumbido hipnótico de uma máquina de ressonância magnética, é instruída a pensar em um momento feliz de sua vida. É dentro dessa odisseia subconsciente que ela reencontra sua mãe, Dalva, com quem inventa memórias inexistentes.
Já o longa alagoano Olhe para Mim, do diretor Rafhael Barbosa, levou três prêmios, entre eles, melhor direção. A produção é uma fantasia alegórica inspirada no imaginário popular que margeia o Rio São Francisco. No enredo, dez anos após o desaparecimento de sua mãe durante a grande festa religiosa da cidade, Marcelo ainda lida com as consequências de sua ausência. Na véspera de mais uma festa, ele conhece dois misteriosos viajantes, Sandra e seu filho Ivan. Marcelo fica fascinado pela dupla e embarca na viagem, mas no caminho descobre que eles estão prestes a cruzar uma fronteira perigosa. O trajeto reserva encontros com seres místicos e experiências transcendentes.
Com direção de Pedro Diogenes, Adulto/Homem levou o prêmio de melhor roteiro; o filme é um plano sequência que acompanha 20 atores que estão à espera de um teste de elenco. A Noite e os Dias de Miguel Burnier, de João Dumans, recebeu o prêmio de melhor montagem (Affonso Uchoa) e melhor fotografia (João Dumans); a produção aborda um grupo de amigos, que convivendo com o tédio e a falta de oportunidades, abraçados ao álcool como único companheiro das noites e dos dias, se esforça para levar a vida adiante num pequeno distrito minerário do interior do Brasil.
Já em relação aos curtas-metragens, o Prêmio Olhar de Melhor Filme foi para Pirexia, de Nico da Costa. A produção traz Baby, um rockstar em ascensão, que é atormentado por uma febre que o impede de criar músicas novas. Ao receber uma ligação de Pepeu, seu ex-companheiro musical e ex-amante, eles decidem compor uma última música juntos: uma melodia de cura e ressurreição para ser tocada em uma noite de lua de sangue. O Prêmio Especial do Júri foi para o curta Pinguim de Doce de Leite, de Ana Vitória Miotto Tahan. O filme aborda futuras lembranças que vão sendo formadas em uma noite goiana qualquer. Nos fundos da casa de sua avó, Caju, uma criança de 10 anos, viverá sua primeira madrugada em claro com os amigos de seu tio Tiago, um jovem rebelde.
O curta-metragem Duwid Tuminkiz: Makunaima é Duwid?, de Gustavo Caboco Wapichana, levou o Prêmio do Público; o filme instiga o espectador a uma reflexão sobre o famoso personagem Macunaíma, de Mário de Andrade, que completará 100 anos em 2028 e suas relações com as suas raízes indígenas, em especial do Povo Wapichana.
Na mostra competitiva internacional, o Prêmio Olhar de Melhor Filme foi para o longa Um Calendário Incompleto, de Sanaz Sohrabi. A coprodução entre Canadá, Irã, Turquia, Vanuatu e Venezuela tem como ponto de partida um vinil pouco conhecido da década de 1980. Rhymes and Songs for OPEC é um disco especial do coro da Universidade Central da Venezuela para comemorar o 20º aniversário da Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Combinando canções e arquivos raramente vistos, o filme redefine o petróleo não como uma mercadoria, mas como uma alavanca política para as lutas de libertação na Palestina e a construção da solidariedade pan-árabe entre 1960 e 1970.
Prêmio de melhor roteiro para o longa Adulto/Homem, escrito por Pedro Diogenes
Já o Prêmio Especial do Júri foi para Bouchra, de Orian Barki e Meriem Bennani. A animação, que é uma coprodução entre Itália, Marrocos e Estados Unidos, traz uma coiote marroquina de 35 anos em Nova York, que documenta seu relacionamento à distância com a mãe, que vive em Casablanca, enquanto exploram juntas o amor, a dor e os segredos que as unem através de ligações e conversas íntimas.
O curta-metragem internacional Dragão, de Yashira Jordán, coprodução entre Bolívia e México, também foi premiado. O filme apresenta Dragón Rojo e Puma Punku, dois adolescentes abandonados e perdidos em uma cidade boliviana, que tornam-se viciados em um videogame retrô chamado Dragon para escapar de sua realidade monótona; trabalhando no mercado com suas tias e lutando contra o tédio.
O longa Se Pombos Virassem Ouro, de Pepa Lubojacki, levou o Prêmio do Público; a coprodução entre República Tcheca e Eslováquia traz uma mulher que explora a luta geracional de sua família contra o alcoolismo através de uma perspectiva profundamente pessoal, misturando imagens documentais, ritmo, texto e imagens aprimoradas por IA para criar um retrato honesto e compassivo dos impactos do vício.
Na mostra Novos Olhares, o longa-metragem Como Todo Mortal, de Maria Molina Peiro, levou o Prêmio Olhar de Melhor Filme. A produção se passa em um planeta distante, em que um robô procura por sinais de vida. A anos-luz de distância, em uma das minas mais antigas do mundo, sob toneladas de resíduos de mineração, um ecossistema entre exploração e explotação se revela, uma paisagem entre Andaluzia e Marte.
A Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, parceira histórica do festival, elegeu o longa Reparação, de Marcus Curvelo, como melhor filme para o Prêmio da Crítica. A obra traz Marcus, no dia em que completa 35 anos, procurando um lugar no litoral junto com sua mãe para espalhar as cinzas do pai. Quando sua mãe adoece, ele passa a sentir que o sal do mar onde o pai descansa corrói lentamente a sua vida. O júri foi formado por Ayrton Baptista Jr., Carolina Azevedo e Marcelo Ikeda.
A AVEC-PR, Associação de Vídeo e Cinema do Paraná, premiou o curta-metragem Tornar-se Ciborgue no Interior, de Louisa Sauvignon, da Mostra Mirada Paranaense Sanepar, com o Prêmio AVEC-PR Lu Rufalco. Além do troféu, o filme ainda recebe uma premiação de R$ 5 mil, oferecido pela Sanepar. A produção gira em torno de Leo e Julia, proprietários de um sítio, que querem filhos, mas estão com problemas de fertilidade. Ava e Mia, um casal lésbico, acabaram de se mudar para o sítio vizinho. A vinda das duas mulheres criará tensão com os vizinhos.
O curta-metragem Estrelas Terrestres, de Rafael Neri M. Ferreira, da Mostra Mirada Paranaense Sanepar, recebeu o Prêmio Itaú Cultural Play. O filme receberá o valor de R$ 15 mil, estando o recebimento do prêmio condicionado ao licenciamento da obra para a plataforma de streaming gratuita Itaú Cultural Play pelo período de 24 meses.
Marimbã Está Acontecendo, de Maryn Marynho, recebeu o Prêmio Cardume de Curtas, promovido pela plataforma de curtas Cardume, que tem o objetivo de estimular o desenvolvimento de roteiros e a produção de curtas-metragens brasileiros independentes e diversos. O prêmio consiste em um contrato de licenciamento exclusivo de um ano e o valor de R$3 mil para o melhor curta-metragem da Mostra Competitiva Brasileira. O filme percorre o pensamento de Marimbã e seus diversos sonhos através das águas, tecendo relações de afeto para corpos dissidentes, em um vislumbre de futuro possível.
O filme O Segredo Sagrado, de Everlane Moraes, levou o Prêmio Canal Brasil de Curtas. A produção foi escolhida pelo júri, que neste ano foi formado pelos jornalistas Henrique Nascimento (Rolling Stone), Paulo Ernesto (AdoroCinema) e Josianne Ritz (Bem Paraná). O curta traz duas tribos inimigas que esperam há séculos pela grande revelação do segredo sagrado.
Conheça os vencedores do Olhar de Cinema 2026:
COMPETITIVA BRASILEIRA | LONGAS
PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME
Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques (CE)
MELHOR DIREÇÃO
Rafhael Barbosa, por Olhe para Mim
MELHOR ROTEIRO
Adulto/Homem, escrito por Pedro Diogenes
MELHOR ATUAÇÃO
Verônica Cavalcanti e Luciana Souza, por Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha
MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
A Noite e os Dias de Miguel Burnier, por João Dumans
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Olhe para Mim, por Nina Magalhães
MELHOR MONTAGEM
A Noite e os Dias de Miguel Burnier, por Affonso Uchoa
MELHOR SOM
Olhe para Mim, por Lucas Coelho
MENÇÃO HONROSA
Reparação, de Marcus Curvelo
COMPETITIVA BRASILEIRA | CURTAS
PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME
Pirexia, de Nico da Costa
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Pinguim de Doce de Leite, de Ana Vitória Miotto Tahan
COMPETITIVA INTERNACIONAL
PRÊMIO OLHAR | MELHOR LONGA-METRAGEM
Um Calendário Incompleto (An Incomplete Calendar), de Sanaz Sohrabi (Canadá/Irã/Turquia/Vanuatu/Venezuela)
PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
Bouchra, de Orian Barki e Meriem Bennani (Itália/Marrocos/EUA)
PRÊMIO OLHAR | MELHOR CURTA-METRAGEM
Dragão (Dragón), de Yashira Jordán (Bolívia/México)
NOVOS OLHARES
PRÊMIO OLHAR | MELHOR FILME
Como Todo Mortal, de Maria Molina Peiro (Países Baixos/Espanha)
OUTROS PRÊMIOS
PRÊMIO DO PÚBLICO
Melhor longa: Se Pombos Virassem Ouro (If Pigeons Turned to Gold), de Pepa Lubojacki (República Tcheca/Eslováquia)
Melhor curta: Duwid Tuminkiz: Makunaima é Duwid?, de Gustavo Caboco Wapichana (Brasil)
PRÊMIO ABRACCINE
Melhor longa: Reparação, de Marcus Curvelo
Melhor curta: Disciplina, de Affonso Uchoa
PRÊMIO AVEC-PR Lu Rufalco
Melhor Filme: Tornar-se Ciborgue no Interior, de Louisa Savignon
PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS
O Segredo Sagrado, de Everlane Moraes
PRÊMIO CARDUME | CURTAS
Marimbã está acontecendo, de Maryn Marynho
PRÊMIO ITAÚ CULTURAL PLAY | Mirada Paranaense Sanepar
Estrelas Terrestres, de Rafael Neri M. Ferreira
Fotos: Walter Thoms/Duda Dalzoto.