
A 21ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto acontecerá entre os dias 25 e 30 de junho na cidade mineira de Ouro Preto, Patrimônio Histórico da Humanidade, reafirmando o cinema como patrimônio cultural e espaço de construção da memória coletiva, com uma programação dedicada à preservação audiovisual, ao protagonismo das mulheres no cinema e ao papel da educação na formação do olhar.
A programação deste ano reúne 139 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens brasileiros e internacionais, distribuídos em diversas mostras.
A cidade histórica receberá realizadores, pesquisadores, educadores, estudantes e público de diferentes regiões do país para refletir sobre o tema central desta edição: Um país existe nas imagens que preserva. A proposição toma o cinema como território privilegiado de construção das identidades culturais, sociais e políticas do Brasil. A Mostra promove uma programação inteiramente gratuita que reúne exibições de filmes, pré-estreias nacionais, mostras temáticas e competitivas, homenagens, debates, encontros, sessões cine-escola, oficinas, masterclasses, lançamento de livros, exposição e atrações artísticas.
As atividades serão realizadas em três espaços principais: o Centro de Artes e Convenções da UFOP, sede do evento e do Cine-Teatro Petrobras (510 lugares); a Praça Tiradentes, com o Cine-Praça (500 lugares), destinado à abertura, ao encerramento e às exibições ao ar livre; e o Cine-Museu (90 lugares), instalado no Anexo do Museu da Inconfidência. Parte da programação também poderá ser acompanhada gratuitamente pelo site oficial.
A Temática Histórica da 21ª CineOP investiga os percursos de mulheres cineastas brasileiras e os contextos em que realizaram seus primeiros filmes, com ênfase nos caminhos até o primeiro longa-metragem. Tomando os anos 1970 como marco histórico do surgimento do cinema de mulheres, a curadoria de Cléber Eduardo e Juliana Gusman recua no tempo para recuperar trajetórias antes invisibilizadas ou sub-representadas na historiografia do audiovisual brasileiro, num gesto de reescrita da história que reconhece a centralidade das mulheres na construção das imagens e narrativas do país.
A programação reúne obras de diferentes gerações, entre elas Feminino Plural (Vera de Figueiredo, 1976), que completa 50 anos e retrata a condição da mulher brasileira em diferentes camadas sociais; Mar de Rosas (Ana Carolina, 1977), farsa familiar que subverte papéis de gênero com ironia e invenção formal; Que Bom te Ver Viva (Lucia Murat, 1989), que entrelaça depoimentos reais de ex-presas políticas a uma personagem de ficção para tratar da tortura durante a ditadura militar; Um Céu de Estrelas (Tata Amaral, 1996), mostrando uma mulher diante da violência doméstica num único fluxo de ação; e Um Dia com Jerusa (Viviane Ferreira, 2020), sobre o encontro de duas mulheres no bairro do Bixiga, em São Paulo, carregado de memórias ancestrais. Diferentes gerações de realizadoras estarão presentes em rodas de conversa sobre suas experiências individuais para exporem sincronias e dissonâncias entre as distintas décadas de início no longa-metragem.
A seleção da Mostra Histórica completa-se com: A Nova Mulher (1974), de Helena Solberg; Amor Maldito (1984), de Adélia Sampaio, com Monique Lafond e Wilma Dias; Amor, Plástico e Barulho (2013), de Renata Pinheiro; Baronesa (2017), de Juliana Antunes; Carmen Miranda: Bananas is My Business (1955), de Helena Solberg; Chico Rei Entre Nós (2020), de Joyce Prado; Cristais de Sangue (1975), de Luna Alkalay; Girimunho (2011), de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr.; Simplesmente Jenny (1977), de Helena Solberg; e Vida de Menina (2004), de Helena Solberg, com Ludmila Dayer.
Zezé Motta em Xica da Silva, de Cacá Diegues
A cineasta carioca Helena Solberg será a grande homenageada desta edição. Em 1966, realizou A Entrevista, considerado o marco do cinema realizado por mulheres no Brasil e frequentemente apontado como o primeiro filme feminista da produção moderna brasileira, no qual reunia depoimentos de jovens da classe média alta sobre casamento, sexo e trabalho.
Radicada nos EUA a partir dos anos 1970, desenvolveu a Trilogia da Mulher: The Emerging Woman (1974), The Double Day (1975) e Simplesmente Jenny (1977); produzida no âmbito do International Women’s Film Project, coletivo que liderava em Washington. Na década seguinte, voltou as câmeras para as ditaduras latino-americanas em Chile, By Reason or By Force (1983). No Brasil, dirigiu o biográfico Carmen Miranda: Bananas is My Business (1995), que busca resgatar a identidade real da artista para além da caricatura hollywoodiana; e Vida de Menina (2003). Mais recentemente retomou o engajamento político em Meu Corpo, Minha Vida (2017), sobre direitos reprodutivos a partir da história de uma vítima de aborto clandestino; e Uma Carta para Beatrice (2022), no qual revisita a própria trajetória.
A Temática Preservação da CineOP 2026 volta seu olhar ao momento que antecede a institucionalização do campo e investiga as práticas iniciais de guarda, cuidado e valorização que permitiram a sobrevivência de filmes, aparelhos, documentos e suportes hoje constituintes da arqueologia do audiovisual brasileiro.
Antes da consolidação de políticas e metodologias, foram iniciativas muitas vezes individuais, de reunir, colecionar, conservar, projetar e identificar, que afirmaram o valor histórico dessas imagens. Ao centrar o debate nesses gestos pioneiros, a curadoria de José Quental e Vivian Malusá propõe refletir sobre a passagem do impulso individual à responsabilidade coletiva de preservar e destaca como essas práticas ajudaram a constituir uma cultura do cuidado com o patrimônio audiovisual.
O 21º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros se mantém como espaço central de reflexão e articulação sobre história, memória, política, técnica e atuação em rede, reunindo profissionais, pesquisadores, colecionadores e instituições. A proposta parte do entendimento de que preservar não é apenas guardar o passado, mas garantir que ele continue a produzir sentido no presente e que cada gesto de salvaguarda é também um gesto de projeção de futuro.
A Temática Educação da 21ª CineOP é orientada por um conceito inspirado no curta cubano Por Primera Vez (Octavio Cortázar, 1967), exibido na edição anterior da Mostra, no qual estudantes, pela manhã, e camponeses, pela noite, têm suas primeiras experiências com imagens em movimento. O instante inaugural desse encontro é ponto de partida para refletir sobre a potência do cinema em ambiente escolar. A proposta das curadoras Adriana Fresquet e Clarisse Alvarenga reconhece que a primeira vez não é apenas um fato cronológico, mas uma experiência de encantamento capaz de inaugurar novas formas de ver, sentir e compreender o mundo.
O conceito dialoga com marcos históricos como a exibição do cinematógrafo em uma sala de aula, em 1896, na Escola Normal Modelo do Maranhão, e a realização de O Parque (1963), considerado o primeiro filme produzido por estudantes da educação básica em uma escola pública no Rio de Janeiro. Dialoga também com os 47,1 milhões de estudantes da educação básica brasileira identificados pelo Censo de 2024, que ainda aguardam a efetiva regulamentação e, posterior implementação da Lei Federal nº 13.006/2014, que prevê a exibição de cinema brasileiro nas escolas.
Norma Bengell, Cristina Pereira e Hugo Carvana em Mar de Rosas, de Ana Carolina
A sessão de abertura, na Praça Tiradentes, apresentará dois filmes da cineasta homenageada, Helena Solberg: A Entrevista (1966), curta documental que reuniu depoimentos de jovens da classe média alta sobre casamento, sexo e submissão ao marido; e Meio Dia (1970), curta de ficção rodado em São Paulo. A exibição em cópia restaurada de O Ébrio (Gilda Abreu, 1946), que acompanha a ascensão e a crise moral de um jovem interiorano que se torna cirurgião de sucesso na cidade grande, é outro destaque da programação, na Praça Tiradentes.
A Mostra Competitiva reúne cinco longas-metragens que têm em comum o uso criativo de imagens de arquivo para construir novas narrativas audiovisuais. Sob o título Arquivos em Questão, a seleção valoriza o trabalho de realizadores que utilizam o arquivo não apenas como registro, mas como linguagem artística. O melhor filme será escolhido pelo júri e receberá o Troféu Vila Rica na cerimônia de encerramento.
A seleção apresentará: Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas (Carlos Adriano, SP), parte do único registro em filme do escritor Marcel Proust (1904) para um ensaio cinepoético sobre as “im/possibilidades” de adaptar sua obra monumental; Apopcalipse Segundo Baby (Rafael Saar, RJ), uma viagem pela trajetória plural e transgressora de Baby do Brasil, dos Novos Baianos ao brilho da carreira solo; Irritante Prodígio (Luiza Lindner, SC/SP), que tensiona os limites entre autobiografia e performance ao destrinchar uma infância hospitalar e psiquiátrica marcada por um período de desnutrição; Universo Circular: Jocy de Oliveira (Dácio Pinheiro, SP), que retrata a pioneira da música eletrônica no Brasil, que, em 1961, realizou a primeira performance do gênero no país e aos 90 anos segue inquieta; e Notas Sobre um Desterro (Gustavo Castro, PR), que revisita filmagens de uma família brasileiro-palestina na Cisjordânia em 2018 após o dia 7 de outubro de 2023, e o que seria um filme sobre coexistência vira uma reflexão sobre colonização e genocídio.
A Mostra Contemporânea, não competitiva, inclui longas e curtas em pré-estreia nacional que ampliam o diálogo com os eixos temáticos, como: Anistia 79 (Anita Leandro, RJ), que reacende, a partir de imagens de exilados filmando a Conferência Internacional pela Anistia em Roma em 1979, o debate sobre a impunidade dos torturadores da ditadura; Fernanda Abreu: Da Lata 30 Anos, o Documentário (Paulo Severo, RJ), parte de material inédito das gravações do álbum de 1995 para reconstituir um momento fundamental da música e da cultura carioca; Fernando Coni Campos: Cada um Vive Como Sonha (Luis Abramo e Pedro Rossi, RJ), que mergulha na trajetória do diretor de Viagem ao Fim do Mundo (1968), cineasta rebelde e solitário que pretendia inaugurar o mundo com o seu cinema-poesia; As Dores do Mundo: Hyldon (Emilio Domingos e Felipe David Rodrigues, RJ); e Vivo 76 (Lírio Ferreira, PE), que traz um retrato do nascimento da cena psicodélica pernambucana em suas artes visuais com destaque para Alceu Valença.
A Mostra Contemporânea da 21ª CineOP apresenta um panorama diverso de obras que exploram imagens e sons de arquivo por meio de documentários, ensaios experimentais, animações e filmes-poema. Os curtas revisitam temas como mineração, patrimônio industrial, memória cinematográfica, figuras marcantes da cultura brasileira, histórias indígenas, relações de trabalho e narrativas históricas silenciadas, propondo novas leituras para materiais preservados ao longo do tempo. Ao combinar pesquisa, invenção estética e reflexão crítica, a mostra reafirma o arquivo audiovisual como matéria viva, capaz de reconfigurar as relações entre passado, presente e futuro.
A seleção de curtas-metragens da Mostra Contemporânea contará com:
Cinzenta: Inventários da Chaminé, de Natália Reis (MG)
Defloradas, de Luísa Reis (RJ)
Duwid Tuminkiz: Makunaima é Duwid?, de Gustavo Caboco Wapichana (PR/RR)
Entrevista com Fantasmas, de Lincoln Péricles (LK) (SP/RS)
Eunice Gutman Tem Histórias, de Lucas Vasconcellos (RJ)
Habitar o Tempo, de Cristiana Grumbach (RJ)
Helena! Cinema!, de Cavi Borges e Christian Caselli (RJ)
Kariri, Silêncio Estrondoso, de Yasmin Ariadne (CE)
Ouro de Tolo Remix, de Gabriel Afonso (MG)
Sem Título # 11: Um Analecto à Mula, de Carlos Adriano (SP)
Seu Camargo, de Felipe Locca e Vinicius Campos (SP)
Soldado sem Sono, de Rafael de Almeida (GO)
Terceira Montanha, de Tetsuya Maruyama (RJ/EUA/França)
Um Certo Cinema Brasileiro, de Fábio Rogério (SE)
Voltamos a Apresentar: O Popular Gil Gomes, de Ariel Serrão e Tainá Lima (SP)
Baby do Brasil em Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar
A seleção da mostra TV UFOP na 21ª CineOP reúne curtas-metragens que investigam o arquivo como instrumento de permanência e atualização da memória coletiva. Entre manifestações culturais, tradições indígenas, trajetórias de resistência, cenas musicais periféricas, histórias familiares e revisitações críticas da ditadura civil-militar, os filmes transformam registros do passado em experiências vivas, conectando questões históricas a debates contemporâneos. Ao privilegiar olhares comunitários e territoriais, a mostra evidencia como os arquivos ultrapassam a função de testemunho para se afirmarem como espaços de continuidade cultural, identidade e reflexão sobre o presente.
A seleção apresenta:
A Cachoeira, de Rayssa Coelho e Filipe Gama (BA)
Bira Rasta: Eu Sou a Onda, de Gregori Bastos (RJ)
Caso Armando, de Douglas Júnio e Gustavo Reimberg (MG)
Diálogo Bulbul, de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos (SP/RJ/ES/BA)
Encorpo, de Felipe Rodrigues da Costa (SP)
Escudo, de Cauê Santiago e Andrey Haag (SP)
Luis do Charme, de Tuanny Medeiros (RJ)
Mães, Esposas e Donas de Casa Marcham em Defesa da Família com Deus pela Liberdade, de José Carlos Faria (RJ)
Mba’emo Ra’y Jevy: Semente do Retorno, de Graziele Borges (Waryju) (SP)
Nação Hip Hop: Cultura de Rua, de Laia Orisa (SC)
Pagode do Didi, Nosso Ponto de Encontro, de Maysa Carolino (PE)
Período Fértil, A Roupa que te Põe em Cena, de Julieta Cavalcanti (PE)
A Mostra Preservação destaca cópias restauradas e obras que evidenciam o patrimônio audiovisual como memória dinâmica. Entre os longas restaurados, destacam-se os clássicos: Vento Norte (Salomão Scliar), Xica da Silva (Cacá Diegues) e O Ébrio (Gilda Abreu), apresentado em sessão especial no histórico Cine-Praça. Em pré-estreia nacional, Os Irmãos Segreto, de Michele Manzolini e Federico Ferrone, conta, em tom de conto de fadas, a história dos imigrantes italianos Pasquale, Gaetano e Alfonso Segreto, que saíram da pobreza para se tornar os primeiros cineastas da história do Brasil. Já o título argentino O Filme Infinito, de Leandro Listorti, lançado em 2018, constrói uma história paralela do cinema com restos de filmes que nunca foram terminados.
A seleção traz também: A Luta do Povo, de Renato Tapajós (1980); o cearense Jangada de Ir e Vir, de Marcus Vale (1977); TV Viva entrevista Elizabeth Teixeira, que mostra o retorno à vida pública da protagonista de Cabra Marcado para Morrer; Ataulfo Alves, de Afranio Vital (1973); o mineiro Belô Antiga, que traz um compilado de imagens preservadas do acervo Minas Filme, reunindo registros inéditos de Belo Horizonte em fins da década de 1940; Exercício de Espera, de Guilherme de Almeida Prado (1975); Paracatu (Minas), com um registro raro da cidade de Paracatu na década de 1950; Pérola Negra, de Reinaldo Cozer (1979), com Luiz Melodia.
Ainda na Mostra Preservação: Mulher, Mulher, de Jean Garrett (1979) e Polícia Feminina, de Ozualdo Candeias (1960) na Sessão Mestres do Cinema Paulista. E na programação on-line: /lost+found – Episódio Ivo Raposo Jr, de Isabella Raposo; e Herbaria, de Leandro Listorti.
A Mostra Educação exibe filmes produzidos por educadores, estudantes e cineastas em contextos escolares e espaços não-formais de ensino, divididos nas sessões Infâncias e Juventudes, com obras do Brasil, Colômbia, Argentina e Uruguai. Entre os longas, Fraternura, de Evanize Sydow e Américo Freire, revela o lado íntimo de Frei Betto, explorando sua relação com a família e o impacto do cárcere durante a ditadura militar; e Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho, que revisita a origem do Vídeo nas Aldeias após 40 anos, ao tratar do projeto que devolveu às primeiras comunidades indígenas visitadas os registros históricos ali realizados.
Léa Garcia no longa Um Dia com Jerusa, de Viviane Ferreira
O Cine-Expressão: A Escola vai ao Cinema é o programa educativo da 21ª CineOP que convida estudantes a vivenciarem o cinema como experiência de encontro, percepção e pertencimento. Realizadas nos dias 25, 26, 29 e 30 de junho de 2026, no Cine-Teatro do Centro de Artes e Convenções da UFOP, as sessões gratuitas são organizadas por faixa etária e apresentam uma seleção de 15 curtas-metragens brasileiros, entre animações e ficções. A experiência é complementada por debates após as exibições e pelo Material de Conexões e Saberes, que amplia as possibilidades de diálogo e aprendizagem nas escolas. A curadoria é de Ramina El Shadai.
A Mostrinha, sessão dedicada às crianças e famílias, apresenta nesta edição Papaya, primeiro longa-metragem de Priscila Kellen, um exemplar da animação inventiva infantil; o filme foi exibido no Festival de Berlim deste ano. Uma semente de mamão é expelida prematuramente do fruto do mamoeiro pela ferida causada por um pássaro germinador. Ao cair em terreno inóspito, a pequena semente ainda sem força para penetrar a terra com suas raízes sonha em voar em direção ao sol. A animação de Kellen é uma aventura cheia de cores, sons e vegetais antropomorfizados que investe na experiência da criança com as imagens para além das narrativas convencionais.
A CineOP realiza dois encontros estruturantes para o setor: o 21º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e o Encontro da Educação: XVIII Fórum Latino-americano de Educação, Cinema e Audiovisual, espaços de articulação de políticas públicas, troca de experiências e formulação de diretrizes para o audiovisual e a educação.
O Debate Inaugural enfoca o tema central desta edição, Um País Existe nas Imagens que Preserva, e reúne perspectivas diversas sobre memória coletiva, políticas públicas e identidade nacional, com participações de Frei Betto, escritor e teólogo; Lúcia Murat, cineasta; Jandira Feghali, deputada federal (a confirmar); Joelma Gonzaga, Secretária do Audiovisual; Sidônio Palmeira, Ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (a confirmar); Luciano Campos da Silva, reitor da UFOP; e Marcelo Azevedo Maffra, promotor de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais e coordenador Estadual das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural (CPPC). A mediação é da professora e pesquisadora Laura Bezerra (UFRB).
Na Temática Histórica, três rodas de conversa estruturam o ciclo Memórias dos Primeiros Filmes. A primeira reúne a cineasta homenageada, Helena Solberg, e Lúcia Murat para discutir dois filmes inaugurais de caráter político separados por mais de 20 anos. A segunda mesa convida Tata Amaral e Viviane Ferreira a falar sobre como contornaram estruturas de poder para concretizar seus primeiros longas. A terceira reúne Clarissa Campolina e Luna Alkalay em diálogo sobre trajetórias que dobraram o curso da história.
Na Temática Preservação, o debate Gestos Pioneiros: a Construção da Memória do Cinema Brasileiro revisita figuras fundadoras do campo, como Jurandyr Noronha, Jota Soares, Valêncio Xavier e Pedro Lima, com presenças de Arthur Autran (UFSCar), Carlos Alberto Mattos (crítico e pesquisador), Solange Stecz (Unespar) e Luciana Araujo (UFSCar). O debate Memória Audiovisual, IA e Soberania Digital: Quem Controla os Dados Controla o Futuro? discute como a crescente concentração tecnológica afeta a preservação e conta com Carla Bezerra (Assessora Especial – MGI), Sérgio Amadeu da Silveira (UFABC) e Fabio Tzusuki, diretor do Media Portal Soluções Ltda, com mediação de André Bonfim, documentarista e pesquisador associado à PAVIC.
Na Temática Educação, o debate Diretrizes de Artes na Base Nacional Comum Curricular questiona por que a linguagem cinematográfica ainda não aparece nomeada como linguagem artística específica nos currículos escolares e convida Analice Dutra Pillar (UFRGS), Cesar Callegari, presidente do Conselho Nacional de Educação, e Juliano Casimiro (UFT), mediados por Adriana Fresquet. Já o debate Cinema, Educação e IA na Era Digital reúne Edméa Santos (UFRRJ), Flora Ariza, pesquisadora e consultora Unesco/MEC, e Lucia Santaella (PUC-SP) para refletir sobre riscos da plataformização e o futuro do cinema na escola, sob mediação de Isaac Pipano (UFF).
Cena do longa O Ébrio, dirigido por Gilda Abreu
A CineOP promove um programa de formação composto por 11 atividades gratuitas: sete oficinas e quatro masterclasses, sendo três internacionais; que somam 346 vagas. As oficinas abordam diferentes áreas do audiovisual, da criação à preservação, incluindo animação em película cinematográfica, atuação para o audiovisual, cinema instantâneo, produção sonora, pesquisa audiovisual no cinema documental, recuperação audiovisual e direitos autorais, além de preservação digital.
As masterclasses da 21ª CineOP ampliam os debates sobre preservação, memória, formação de público e criação audiovisual contemporânea. Com convidados do Brasil, da Argentina e do México, a programação reúne reflexões sobre as relações entre arquivo e invenção cinematográfica, cinema comunitário, cineclubismo, educação audiovisual e o papel do cinema periférico na construção de contra-arquivos e na preservação da memória popular, promovendo o intercâmbio de experiências e perspectivas internacionais.
Entre as atrações culturais da 21ª CineOP, o Cortejo da Arte percorre as ruas históricas de Ouro Preto com bandas, grupos folclóricos e artistas convidados. A Festa Junina: Arraiá da CineOP integra a Mostra Valores e reúne grupos da cidade para um dia festivo que valoriza a arte, os sabores e as tradições locais, beneficiando instituições sociais do município. A programação inclui ainda o lançamento de livros e sessão de autógrafos com a presença dos autores, no dia 28 de junho, às 12h30, no Centro de Artes e Convenções da UFOP, promovendo o encontro entre público, pesquisadores e profissionais do audiovisual em torno de publicações dedicadas ao cinema, à preservação e à educação.
O Cine Lounge Show movimenta as noites da CineOP com apresentações que atravessam diferentes estilos e gerações. A programação reúne a Tropikaus, banda ouro-pretana que celebra a diversidade da música brasileira em um repertório vibrante e contemporâneo; a Retrowave, que resgata clássicos do rock das décadas de 1980 e 1990; o DJ Cabra Guaraná, que mistura brega, funk, piseiro, paredão e eletrônica em sets marcados pela energia e brasilidade; e a Hocus Pocus, referência na cena musical mineira há quatro décadas com seu tributo aos Beatles.
A cerimônia de encerramento da 21ª CineOP acontecerá no dia 30 de junho, terça-feira, às 20h, na Praça Tiradentes, reunindo o anúncio e a premiação do filme vencedor da Mostra Competitiva Arquivos em Questão. Em seguida, o público acompanhará o Cine-Concerto Canção do Novo Mundo, com Titane e Túlio Mourão, em uma celebração da música brasileira como força de renovação, sensibilidade e esperança. Com a parceria do videoartista Eder Santos, o espetáculo aposta na potência do diálogo entre imagens e canções para refletir sobre o tempo presente e transcender perplexidades históricas. Amparado pela lucidez da poesia, o concerto convida o público a renovar o desejo de viver e a reconhecer os vínculos que nos unem como seres vivos, irmãos dos bichos e das plantas, filhos do sol.
A programação on-line da 21ª CineOP é acessível gratuitamente de qualquer parte do mundo pelo site oficial. Integram o catálogo digital títulos da Temática Histórica, entre eles, dez obras de Helena Solberg, como A Alma da Gente (2013) e Dupla Jornada (1975); da Temática Preservação, Herbaria, de Leandro Listorti; além de curtas da sessão TV UFOP, disponíveis de 26 de junho a 5 de julho. Debates, abertura e encerramento também serão transmitidos pelo YouTube da Universo Produção.
A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é o único evento brasileiro dedicado ao cinema como patrimônio cultural e, há 21 anos, ocupa lugar de destaque no calendário audiovisual nacional ao articular preservação, história e educação. Realizada anualmente em Ouro Preto, Minas Gerais, consolidou-se como espaço de referência para a reflexão sobre memória audiovisual, formação de público e desenvolvimento de políticas para o setor. Mais do que um festival de cinema, a CineOP é um espaço permanente de construção de conhecimento, valorização do patrimônio audiovisual e fortalecimento da cultura brasileira.
Fotos: David Meyer/Leonardo Gandelman/Dilúvio Produções/Divulgação.