
A sétima edição do Curta na Serra – Festival de Cinema ao Ar Livre acontecerá entre os dias 27 e 29 de março no Anfiteatro de Serra Negra, em Bezerros, Pernambuco. Consolidado como um dos principais festivais de cinema do estado e uma referência no circuito de eventos ao ar livre no Brasil, a programação gratuita contará com exibições de filmes, videoclipes, homenagens, debates, oficinas e atividades formativas conectando realizadores e público em um dos cenários mais emblemáticos do Agreste pernambucano.
O Curta na Serra se diferencia por sua capacidade de agregar produções que exploram diferentes gêneros, formatos e territórios, trazendo narrativas de todas as regiões do país. Nesta edição histórica, o festival bateu recorde de participação com 1.194 filmes inscritos; número que reafirma sua relevância crescente no cenário audiovisual brasileiro e a confiança dos realizadores no projeto.
A seleção deste ano está organizada em quatro seções: Panorama Pernambuco, Panorama Nacional, Videoclipes e Sessão Especial. A curadoria do 7º Curta na Serra é assinada por Vitor Búrigo, membro da Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, editor do site CineVitor e apresentador do podcast Plano Geral, que buscou reunir obras que dialogam com a diversidade estética e temática do cinema brasileiro contemporâneo, valorizando tanto a produção regional quanto os múltiplos olhares que atravessam o país.
Com uma programação composta por curtas-metragens de ficção, documentário, animação e experimental, o festival convida o público a mergulhar em diferentes experiências cinematográficas. Em formato híbrido, além das sessões presenciais realizadas ao ar livre no Anfiteatro de Serra Negra, parte dos filmes também será exibida on-line, ampliando o alcance da programação e fortalecendo a difusão do audiovisual independente brasileiro.
“O recorde de inscrições reafirma a relevância que o Curta na Serra conquistou ao longo dos anos. Receber filmes de todas as regiões do país demonstra a confiança dos realizadores no projeto e fortalece nossa missão de interiorizar o acesso ao cinema, promovendo encontros entre diferentes realidades e ampliando o diálogo do público com a produção audiovisual brasileira”, destaca Marlom Meirelles, idealizador e diretor do festival.
Camila Pitanga no curta Samba Infinito, de Leonardo Martinelli
No Panorama Nacional, filmes do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Paraíba, São Paulo, Goiás e Ceará compõem um mosaico de temáticas e linguagens. Já o Panorama Pernambuco evidencia a força da produção local com obras que dialogam com identidade, memória, território e experimentação estética. A mostra Videoclipes amplia o diálogo entre cinema e música, reunindo trabalhos de diferentes regiões do país. A Sessão Especial complementa a programação com títulos que aprofundam a diversidade temática e regional da edição.
A programação do festival também contará com rodas de diálogo, debates e oficinas reafirmando o compromisso do Curta na Serra com a formação de novos realizadores e com o fortalecimento da cadeia produtiva do audiovisual, especialmente no interior do Brasil. As atividades promovem encontros entre cineastas, produtores, estudantes e o público, ampliando o impacto cultural do evento para além das telas.
Neste ano, o Curta na Serra homenageará o consagrado longa-metragem pernambucano O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que foi indicado ao Oscar 2026. Com isso, celebra essa potência artística e reafirma seu compromisso com a valorização do cinema produzido em nosso território. Homenagear este filme é também reconhecer o trabalho coletivo que sustenta o cinema. Por trás de cada obra existem centenas de profissionais que movimentam a cadeia do audiovisual: direção, produção, elenco, fotografia, direção de arte, figurino, maquiagem, montagem, som e tantas outras áreas fundamentais. De forma simbólica, esta homenagem se estende a todos que contribuíram para tornar esse filme possível e para fortalecer o cinema brasileiro. Além disso, o artista plástico, artesão e carnavalesco bezerrense Robeval Lima também será um dos homenageados desta edição.
Em sua programação formativa, o festival contará com a oficina Meu Primeiro Roteiro, que será ministrada por Rosa Fernan, cineasta recifense e diretora dos curtas Milkshake e As Musas, que foi premiado no Festival de Cinema de Gramado do ano passado. A atividade propõe uma introdução criativa ao universo da escrita para cinema, incentivando participantes a desenvolverem suas primeiras ideias de histórias audiovisuais. A proposta é estimular a imaginação, fortalecer a autoconfiança criativa e mostrar que grandes filmes podem nascer de experiências do cotidiano.
Realizado a aproximadamente 960 metros de altitude, em meio à paisagem natural da Serra Negra, o Curta na Serra se consolidou como um dos festivais de cinema ao ar livre mais relevantes do país. Ao ocupar um território marcado pela força da cultura popular pernambucana, o evento transforma o distrito em ponto de encontro do audiovisual brasileiro, promovendo descentralização, democratização do acesso à cultura e circulação de obras contemporâneas em um contexto geográfico único. Mais do que um festival, o Curta na Serra é uma experiência coletiva que une cinema, arte e identidade em plena Serra Negra.
Conheça os filmes selecionados para o VII Curta na Serra:
PANORAMA NACIONAL
Abandonar um Cavalo, de Arthur Pereira Maciel (SP)
Akaîutĩ, de Kaline Cassiano, JP Mello e Sylara Silvério (RN)
Depois de Você, de Gustavo Marques (GO)
Farpa, de Thaís Olivier e Raphael Phields (MG)
No Início do Mundo, de Camilla Osório de Castro (CE)
Pedra-Mar, de Janaína Lacerda (PB)
Ressonância, de Anna Zêpa (RN)
Samba Infinito, de Leonardo Martinelli (RJ)
PANORAMA PERNAMBUCO
A Menina e o Pote, de Valentina Homem e Tati Bond
Aqui é Longe de Lá, de Samuel Marinho
Babalu é Carne Forte, de Xulia Doxágui
Dynamite Som: O Futuro é Lamento Negro, de Lia Letícia e Pedro Severien
Lança-Foguete, de William Oliveira
Pé de Chinelo, de Cátia Cardoso
Sertão 2138, de Deuilton B. Junior
Trincheiras, de Lucas da Rocha e Maria Clara Almeida
VIDEOCLIPE
Alumeia, de Luana Flores e Juliana Linhares; direção: Luana Flores (PB)
Cana Queimada de Desejos, de Sávio Sabiá; direção: Ricardo Sékula e Sávio Sabiá (PE)
Mergulho, de Nayri; direção: Juh Almeida (BA)
Nas Coisas Tão Mais Lindas, de Caike Souza; direção: Caio Arruda (PE)
Paracetamono, de Sr. Coimbra; direção: Tássia Araújo (PI)
Ponte Aérea, de Pedro Mann; direção: Renan Salotto (RJ/SP)
SESSÃO ESPECIAL
A Nave que Nunca Pousa, de Ellen Morais (PB)
Americana, de Agarb Braga (PA)
Da Aldeia à Universidade, de Leandro de Alcântara e Túlio de Melo (TO)
Histórias do Alto, de Carlos Kamara (PE)
O Bicho que Eu Tinha Medo, de Jhonatan Luiz (DF)
O Pintor, de Victor Castilhos (RS)
Pupá, de Osani (RN)
Quando Eu For Grande?, de Mano Cappu (PR)
Santo Graal, de Giselle Gonçalves e João Oliveira (PE)
Sob o Céu de Analândia, de João Folharini (SP)
Tente Sua Sorte, de Guenia Lemos (PR)
Vermelho de Bolinhas, de Joedson Kelvin e Renata Fortes (CE)
Foto: Malu Almeida/Ian Rassari.