
Além dos filmes, a programação da 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes segue com diversas atividades paralelas, entre elas, as rodas de conversa, que promovem debates sobre os processos criativos e os modos de fazer do cinema brasileiro contemporâneo.
Em um encontro com o público, no Cine-Lounge, diversos profissionais compartilham experiências, reflexões e desafios de suas práticas. Na segunda-feira, 26/01, a prestigiada montadora Karen Akerman participou da conversa O Trabalho de Montadora no Cinema Comercial e Independente, que foi mediada pelo professor e pesquisador Pedro Guimarães. O trabalho de montagem no cinema vai muito além de organizar as imagens filmadas em ordem cronológica; a montagem pode dar novas vidas às imagens, ressignificá-las e transformar seus sentidos e percepções.
Como montadora, Karen atuou em mais de cinquenta filmes, entre longas e curtas-metragens, como: Simonal: Ninguém Sabe o Duro que Dei, O Lobo Atrás da Porta e A Febre, nos quais foi consagrada no Prêmio Grande Otelo; A Sombra do Pai, de Gabriela Amaral Almeida, que lhe rendeu o Candango de melhor montagem no Festival de Brasília. E mais: O Processo, Tia Virgínia, Mulher Oceano, Aqui Deste Lugar, Futuro Junho, Nona: Se Me Molham, Eu os Queimo, Chico Ventana Também Queria Ter um Submarino, Greice, O Riso e a Faca, a série Boca a Boca, entre muitos outros.
Além da montagem, Akerman também dirigiu, ao lado de Miguel Seabra Lopes, cinco curtas-metragens (Incêndio, Outubro Acabou, Confidente, Num País Estrangeiro e Enxofre) e um longa-metragem (o documentário Talvez Deserto, Talvez Universo).
No bate-papo com o público, relembrou sua trajetória, que passa por filmes e séries que vão do cinema comercial ao cinema independente e experimental, e falou sobre o ofício da montagem e suas implicações formais e narrativas.
Roda de conversa com Karen Akerman em Tiradentes
Sobre a série Cidade de Deus: A Luta Não Para, um de seus trabalhos mais recentes, contou: “Até uns três anos atrás, eu nunca tinha montado ação. Eu comecei a ficar um pouco instigada e curiosa para fazer esse tipo de gênero. De repente, foi um ano em que eu montei duas séries de ação. Além de Cidade de Deus [dirigida por Aly Muritiba, com quem também trabalhou no curta América], também montei um episódio da série Dom”.
Para a TV Mostra, Karen falou: “No meio de rodas de conversas com atrizes famosas e diretores incríveis, fiquei muito honrada e muito feliz de ver o interesse das pessoas e a presença de todos. Achei muito bom!”, finalizou.
Ainda na segunda-feira, 26/01, Amanda Gabriel, preparadora de elenco de filmes como Amor, Plástico e Barulho (de Renata Pinheiro), Tatuagem (de Hilton Lacerda), Bacurau (de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles) e Ainda Estou Aqui (de Walter Salles), participou da roda de conversa A Preparação de Elenco: Os Atores como Superfícies Sensíveis, que também foi mediada pelo professor e pesquisador Pedro Guimarães.
Com uma trajetória marcada pela pesquisa sobre atuação e direção de atores, Amanda Gabriel também desenvolve e ministra oficinas sobre preparação de elenco, explorando processos criativos e promovendo um pensamento crítico sobre o trabalho do ator no cinema. Um dos pontos nevrálgicos do cinema brasileiro contemporâneo, a preparação de elenco é também um dos temas que mais despertam paixões e debates.
Amanda Gabriel fala sobre preparação de elenco em Tiradentes
Na Mostra de Cinema de Tiradentes 2026, falou sobre os fundamentos dessa prática que busca afinar a relação entre direção e atores: “Acho que o universo da preparação de elenco e da atuação gera sempre muito curiosidade. Espero que consiga iluminar um pouquinho essa área ou pelo menos a partir do meu ponto de vista dos trabalhos que eu fiz”, disse para a TV Mostra.
Já com o público presente, foi questionada sobre a preparação de uma das cenas de Ainda Estou Aqui, na qual os personagens de Fernanda Torres e Selton Mello se divertem com familiares e amigos ao som da música Take Me Back To Piauí: “Teve uma pesquisa muito grande. Cada música é narrativa. E essa já estava no roteiro e era muito importante. Aliás, essa cena é meio que o coração do filme. Ela é um ponto muito central ali e foi construída a muitas mãos. A coreógrafa Dani Lima nos ajudou a construir esses corpos que deveriam dançar dentro de um código de época, mas com liberdade. Não é uma coreografia, é um repertório de movimentos”.
Amanda Gabriel, que também ministrou a oficina O Lugar do Ator no Cinema na Mostra Tiradentes, trabalhou em outros diversos filmes, como: Ainda Não é Amanhã, O Mensageiro, Coiote, O Homem Cordial, A Febre, Praça Paris, Gabriel e a Montanha, O Filho Eterno, Aquarius, O Delírio é a Redenção dos Aflitos, A Cidade Onde Envelheço, Para Minha Amada Morta, O Último Cine Drive-in, Casa Grande, O Som ao Redor, a série Aruanas, entre muitos outros.
A programação das rodas de conversa da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes segue com Gilda Nomacce, Sara Silveira, Elisa Lucinda e com a equipe de O Agente Secreto, entre eles, Leonardo Lacca.
*O CINEVITOR está em Tiradentes e você acompanha a cobertura do festival por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.
Fotos: Jackson Romanelli/Universo Produção.