14ª Mostra Ecofalante de Cinema: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Cena do documentário Pau D’Arco, de Ana Aranha: filme premiado

Foram anunciados os vencedores da 14ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema, o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado às temáticas socioambientais, e o documentário brasileiro Pau D’Arco, de Ana Aranha, foi consagrado com o prêmio de melhor filme pelo Júri Oficial

Com sessões em mais de 40 locais, incluindo salas de cinema, espaços culturais e educacionais, foram exibidos 125 filmes, de 33 países diferentes, além da realização de oito debates, uma homenagem ao cineasta Hermano Penna, uma masterclass com o cineasta francês Cyril Dion e inúmeros bate-papos com diretores dos filmes exibidos.

Na Competição Territórios e Memória, que se dedicou a exibir produções que abordam diferentes visões e aspectos do Brasil, Pau D’Arco conquistou o prêmio máximo do Júri Oficial. Com direção de Ana Aranha, o filme, que receberá o Troféu Ecofalante e um prêmio de 20 mil reais, discorre sobre uma chacina em que a polícia matou 10 trabalhadores sem-terra, onde a principal testemunha do crime e seu advogado lutam por justiça e pelo direito à terra. A justificativa do júri, formado por Ana Maria Magalhães, Ana Paula Sousa e Rita Carelli, diz: “A produção nos coloca diante da rede de violências praticada pelos grandes proprietários rurais contra os pequenos lavradores. Embora trate de uma chacina ocorrida no Pará, oferece um retrato amplo da luta pela reforma agrária”

Ainda na categoria de longa-metragem da Competição Territórios e Memória, Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá, dirigido por Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna, recebeu uma Menção Honrosa. No filme, Sueli Maxakali e Maiza Maxakali partem em busca do pai, Luis Kaiowá, de quem foram separadas durante a ditadura militar no Brasil. Mesclando narrativas pessoais e históricas, a produção acompanha a jornada da cineasta para reencontrar o pai, bem como as lutas enfrentadas pelos povos indígenas Tikmũ’ũn e Kaiowá em defesa de seus territórios e modos de vida. O júri ressaltou que “com um estilo pessoal e autêntico, os diretores expõem, a partir dessa jornada íntima, a violência da ditadura contra os povos indígenas; uma história para a qual o Brasil ainda não olhou de verdade”

O Prêmio do Público entre os longas foi para São Palco: Cidade Afropolitana, de Jasper Chalcraft e Rose Satiko Gitirana Hikiji. O filme se dedica a explorar a pergunta: o que artistas africanos que chegaram ao Brasil nos últimos anos carregam consigo na travessia? O documentário apresenta a cidade de São Paulo como um meta-palco ocupado por artistas do Togo, Moçambique, República Democrática do Congo e Angola, entre outras nações africanas, em diálogo com a população brasileira e suas aberturas, contradições e tensões.

Já nas categorias de curtas-metragens da Competição Territórios e Memória, o prêmio do Júri Oficial de melhor filme foi para Sukande Kasáká | Terra Doente, de Kamikia Kisedje e Fred Rahal, por ser um “filme-denúncia que tem a poesia como matéria-prima”. A produção narra o avanço do agronegócio na terra do povo Kisêdjê; o filme ganhará o Troféu Ecofalante e R$ 7 mil de prêmio.

O curta Domingo no Golpe, de Giselle Beiguelman e Lucas Bambozzi, um documentário ready media sobre os atos de 8 de janeiro de 2023, que vandalizaram o Palácio do Planalto, recebeu uma Menção Honrosa pela forma como o “despudor, provocação e o desejo de quebrar o Estado de Direito são retratados de forma sagaz, revelando mais uma perspectiva daquele sinistro 8 de janeiro”

Já no Prêmio do Público para os curtas do Território e Memória foi para Vermelho de Bolinhas, de Joedson Kelvin e Renata Fortes. O filme aborda a construção da imagem de Benigna Cardoso, jovem sertaneja que, aos 13 anos, foi vítima de feminicídio no interior do Ceará em 1941. Diante da falta de qualquer registro fotográfico original da menina, o curta propõe uma jornada de reconstrução através de relatos orais e documentos históricos.

O grande vencedor do Concurso Curta Ecofalante foi Cartas a Tia Marcelina, de João Igor Macena, estudante da Universidade Federal de Alagoas. O filme retrata a história de Tia Marcelina, uma iyalorixá vítima do Quebra de Xangô de 1912, um dos mais agressivos episódios de intolerância religiosa no Brasil. O documentário reflete sobre as consequências dessa perseguição às religiões de matriz africana e destaca o papel do evento Xangô Rezado Alto como símbolo da resistência e da luta pela liberdade religiosa em Alagoas. Segundo o júri, o filme “merece reconhecimento por sua abordagem poderosa e multifacetada de temas cruciais. Ele tece com sensibilidade as complexas camadas da intolerância religiosa e do racismo ambiental, questões latentes e urgentes em nossa sociedade hoje”. Cartas a Tia Marcelina receberá o Troféu Ecofalante e R$ 7 mil de prêmio. 

A produção que recebeu Menção Honrosa nesta 14ª edição da Mostra foi Número Errado, de Leonardo Marcini, estudante da Universidade do Estado de Minas Gerais. O curta é uma animação onde o personagem principal, após sua rotina noturna ser interrompida por uma série de telefonemas e cartas endereçados por engano, descobre quem é esta pessoa misteriosa que promove intrigantes reflexões que vão alterar os rumos de sua vida para sempre. Segundo o júri, um dos grandes diferenciais desta obra é a sua natureza enquanto filme de animação, em “um formato que permite explorar a temática LGBTQIA+ de uma maneira sensível e inusitada, escapando de uma forma clichê”. O júri do Concurso Curta deste ano foi formado por César Leite, Letícia Abadia e Paula Sacchetta

Já o Prêmio do Público foi para Na Ponta do Laço, de Carolina Huertas, estudante da AIC, Academia Internacional de Cinema. O curta conta a história de Lora, uma jovem bailarina de 17 anos, filha de um casal inter-racial, que se sente insegura ao se perceber a única garota negra durante uma audição para a personagem principal de um espetáculo. Ela conversa com sua avó Dora, também uma mulher negra, sobre o episódio, suas vivências e percepções, na busca de entender melhor seus sentimentos ao se conectar com suas raízes. Ao fortalecerem os laços, Lora descobre que, mais que seus traços, as duas compartilham um mesmo sonho.

Conheça os vencedores da 14ª Mostra Ecofalante de Cinema:

COMPETIÇÃO TERRITÓRIOS E MEMÓRIA

PRÊMIO DO JÚRI | MELHOR LONGA-METRAGEM
Pau D’Arco, de Ana Aranha

MENÇÃO HONROSA | LONGA-METRAGEM
Yõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá, de Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna

PRÊMIO DO JÚRI | MELHOR CURTA-METRAGEM
Sukande Kasáká | Terra Doente, de Kamikia Kisedje e Fred Rahal

MENÇÃO HONROSA | CURTA-METRAGEM
Domingo no Golpe, de Giselle Beiguelman e Lucas Bambozzi

PRÊMIO DO PÚBLICO | LONGA-METRAGEM
São Palco: Cidade Afropolitana, de Jasper Chalcraft e Rose Satiko Gitirana Hikiji

PRÊMIO DO PÚBLICO | CURTA-METRAGEM
Vermelho de Bolinhas, de Joedson Kelvin e Renata Fortes

CONCURSO CURTA ECOFALANTE

PRÊMIO DO JÚRI
Cartas à Tia Marcelina, de João Igor Macena

MENÇÃO HONROSA
Número Errado, de Leonardo Marcini

PRÊMIO DO PÚBLICO
Na Ponta do Laço, de Carolina Huertas

Foto: Divulgação.

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