35° Cine Ceará anuncia longas-metragens ibero-americanos e curtas brasileiros

por: Cinevitor
Clarisse Abujamra e Marcélia Cartaxo no longa Gravidade, de Leo Tabosa

A 35ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, que acontecerá entre os dias 20 e 26 de setembro, em Fortaleza, divulgou os títulos em competição nas principais mostras do evento: ibero-americana de longa-metragem e curtas-metragens brasileiros.

Com curadoria de Bruno Carmelo, seis filmes inéditos no Brasil foram selecionados para a mostra competitiva ibero-americana de longa-metragem do 35° Cine Ceará. Dois deles são de diretores brasileiros: o pernambucano Leo Tabosa e a carioca Emília Silveira. Também na mostra estão longas do Equador, Porto Rico e coproduções entre Cuba, Espanha, Uruguai e Argentina que, antes de chegar ao Brasil, tiveram uma trajetória de sucesso em festivais internacionais de prestígio, como Veneza, Tribeca, IDFA e Guadalajara. Os filmes foram selecionados entre 329 inscritos na mostra este ano; para a competitiva brasileira de curta-metragem, foram escolhidas dez produções entre 1.172 inscritos

Entre os longas, o Brasil está representado com a ficção Gravidade, de Leo Tabosa, com Hermila Guedes, Clarisse Abujamra, Danny Barbosa, Marcélia Cartaxo e Helena Ignez no elenco; e o documentário Do Outro Lado do Pavilhão, de Emília Silveira. Ambos terão sua estreia mundial no festival. O filme de Leo aborda um drama familiar ambientado às vésperas do fim do mundo; o de Emília acompanha duas mulheres em liberdade condicional que compartilham relatos sobre a vida na prisão, enquanto enfrentam uma rotina cruel com coragem e humor.

Entre os outros longas da Mostra estão as ficções: Esta Isla, produção de Porto Rico, de Lorraine Jones e Cristian Carretero, vencedora de três prêmios no Festival de Tribeca, em Nova York; e Um Cabo Solto (Un cabo suelto), coprodução entre Uruguai, Argentina e Espanha, de Daniel Hendler, que vai estrear mundialmente na 82ª edição do Festival de Veneza. No filme da dupla Lorraine e Carretero, um adolescente e seu irmão vivem da pesca, mas acabam se envolvendo em negócios ilegais que prometem dinheiro fácil; no de Hendler, um cabo argentino fugitivo encontra refúgio no Uruguai e tem a chance de reconstruir a vida e encontrar o amor. 

Já no campo dos documentários, estão: Ao Oeste, em Zapata (Al oeste, en Zapata), coprodução entre Cuba e Espanha, de David Beltrán i Mari, vencedor do prêmio CineVision no Festival de Cinema de Munique, de dois prêmios no festival suiço Visions du Réel, além de ter sido exibido no DokuFest, em Kosovo, e no Festival de Lima, no Peru; e o equatoriano Eco de Luz, de Misha Vallejo, que terá sua premiére brasileira no Cine Ceará e foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias, no IDFA, Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, e premiado no Festival de Cinema de Guadalajara.

O longa dirigido por Beltrán acompanha os desafios de uma família que vive em uma região pantanosa ao sul de Cuba enquanto o país passa por um mal-estar social e uma pandemia mundial. O de Misha é centrado na história da família do próprio diretor, que também é fotógrafo e usa a câmera do avô para tentar se conectar com esse homem que ele nunca conheceu.

Três produções cearenses estão na competitiva brasileira de curta-metragem, que teve curadoria assinada por Vicente Ferraz: o documentário Amores na pasajen, de Daniele Ellery; e as ficções Fogos de Artifício, de Andreia Pires, e Peixe Morto, de João Fontenele. De São Paulo, duas produções estão na mostra, as ficções Brincadeira de Criança, de João Toldi, e Minha Mãe é uma Vaca, de Moara Passoni, filme que em 2024 foi exibido na mostra competitiva Orizzonti, do Festival de Veneza, e já em 2025 conquistou o prêmio de melhor curta no BAFICI

João Fontenele e Margot Leitão no curta cearense Peixe Morto

Também estão entre os curtas brasileiros selecionados as ficções Canto, de Danilo Daher, Boi de Salto, de Tássia Araújo, e O Amor Não Cabe na Sala, de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira, filme premiado em vários festivais, como: Zinegoak, International LGTBIQ+ Film and Performing Arts Festival, Bogota Short Film Festival e Curta Cinema. Fechando a lista de curtas da mostra competitiva brasileira, foram selecionados os documentários Réquiem para Moïse, de Caio Barretto Briso e Susanna Lira, recentemente premiado em Gramado, e Thayara, de Mila Leão

Os participantes da mostra competitiva ibero-americana de longa-metragem disputam o Troféu Mucuripe em diversas categorias; o melhor filme, eleito pelo Júri Oficial, receberá um prêmio no valor de R$ 40 mil, pago sob a forma de recursos para distribuição da obra no Brasil dentro dos critérios do regulamento. Na mostra competitiva brasileira de curta-metragem, o Troféu Mucuripe é concedido aos vencedores nas categorias de melhor curta-metragem, direção, roteiro e Prêmio da Crítica. Além disso, os curtas da mostra disputam também o Prêmio Canal Brasil de Curtas

O 35° Cine Ceará terá exibições no Cineteatro São Luiz e no Cinema do Dragão, equipamento da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult/CE), gerido pelo Instituto Dragão do Mar (IDM). Além das mostras competitivas Ibero-americana de longa-metragem, brasileira de curta-metragem e Olhar do Ceará, o festival realizará exibições especiais, mostras sociais, debates e homenagens. Toda a programação tem acesso gratuito.

Na Mostra Exibições Especiais, o Cine Ceará 2025 traz os principais filmes que representaram o Brasil no circuito de festivais nacionais e internacionais deste ano: O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, vencedor de dois prêmios no Festival de Cannes, entre eles, melhor ator para Wagner Moura; e o documentário Para Vigo Me Voy!, de Lírio Ferreira e Karen Harley, exibido na Cannes Classics e que faz uma viagem cinematográfica pela trajetória de Cacá Diegues.

Além disso, também serão exibidos os quatro curtas do projeto La Factory des Cinéastes Ceará Brasil, exibidos na Quinzena de Cineastas, em Cannes, e que teve Karim Aïnouz como mentor. As obras são: A Fera do Mangue, de Wara (Ceará) e Sivan Noam Shimon (Israel); A Vaqueira, a Dançarina e o Porco, de Stella Carneiro (Alagoas) e Ary Zara (Portugal); Ponto Cego, de Luciana Vieira (Ceará) e Marcel Beltrán (Cuba); e Como Ler o Vento, de Bernardo Ale Abinader (Amazonas) e Sharon Hakim (França).

Já o longa-metragem cearense Morte e Vida Madalena, dirigido por Guto Parente, que foi premiado no FIDMarseille, será o filme de encerramento desta 35ª edição. Protagonizado por Noá Bonoba, conhecida por seus trabalhos como atriz, diretora, roteirista e dramaturga, a comédia narra a história de Madalena, uma produtora de cinema que enfrenta, simultaneamente, a recente morte do pai, uma gravidez de oito meses e a produção de um filme de ficção científica B, no qual tudo parece dar errado.

O filme conta com um elenco majoritariamente cearense, formado também por Linga Acácio, Nataly Rocha, David Santos, Honório Félix, Jennifer Joingley, Rodrigo Fernandes, Souma, Armando Praça, Lui Fontenele, entre outros. 

Conheça os novos filmes selecionados para o 35º Cine Ceará:

LONGAS-METRAGENS | COMPETITIVA IBERO-AMERICANA

Ao Oeste, em Zapata (Al oeste, en Zapata), de David Beltrán i Mari (Cuba/Espanha)
Do Outro Lado do Pavilhão, de Emília Silveira (Brasil)
Eco de Luz, de Misha Vallejo (Equador)
Esta Isla, de Lorraine Jones e Cristian Carretero (Porto Rico)
Gravidade, de Leo Tabosa (Brasil)
Um Cabo Solto (Un cabo suelto), de Daniel Hendler (Uruguai/Argentina/Espanha)

CURTAS-METRAGENS | COMPETITIVA BRASILEIRA

Amores na pasajen, de Daniele Ellery (CE)
Boi de Salto, de Tássia Araújo (PI)
Brincadeira de Criança, de João Toldi (SP)
Canto, de Danilo Daher (GO)
Fogos de Artifício, de Andreia Pires (CE)
Minha Mãe é uma Vaca, de Moara Passoni (MS/SP)
O Amor Não Cabe na Sala, de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira (BA)
Peixe Morto, de João Fontenele (CE)
Réquiem para Moïse, de Caio Barretto Briso e Susanna Lira (RJ)
Thayara, de Mila Leão (PR)

Fotos: Petrus Cariry/Divulgação.

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