
A 32ª edição do Festival de Cinema de Vitória, o maior evento de cinema e audiovisual do Espírito Santo, começou neste sábado, 19/07, no Teatro Sesc Glória, em cerimônia apresentada pelos atores Lucas Leto e Thardelly Lima.
Entre convidados especiais e discursos, Larissa Caus Delbone, diretora executiva do Festival de Cinema de Vitória, deu boas-vindas ao público: “É um imenso prazer começar essa 32ª edição do Festival do Cinema de Vitória em um momento tão maravilhoso para o cinema brasileiro. O momento em que a gente entende que a emoção que é exibida na tela também movimenta a economia. A emoção que é exibida na tela também faz parte de um ecossistema de produtos que o Brasil tem o maior orgulho de exportar”.
A programação seguiu com a exibição dos curtas-metragens em competição da mostra Foco Capixaba, dedicada a títulos produzidos no Espírito Santo. Foram exibidos: A Última Sala, de Gabriela Busato e Júlio Cesar; Castelos de Areia, de Giuliana Zamprogno; Nosso Tempo a Sós, de Júlio Costa; e Os Cravos, de Renan Amaral. Além disso, o também capixaba O Deserto de Akin, de Bernard Lessa, abriu a Mostra Competitiva Nacional de Longas.
A noite de abertura do Festival de Cinema de Vitória 2025 também foi marcada por emoções com a homenagem para a atriz diretora, produtora e ativista capixaba Verônica Gomes. Natural de Aracruz e com quase 40 anos de atuação artística, possui uma trajetória expressiva nos palcos e, nos últimos anos, no audiovisual, além de ser uma presença de destaque na militância cultural capixaba.
A dança, a poesia e o teatro estão presentes em sua vida desde a adolescência. Em 1986, estreou profissionalmente nos palcos com A Gang do Beijo, de José Louzeiro, mesmo período em que cursou Jornalismo. Verônica possui uma vasta carreira no teatro. Entre seus trabalhos, estão: Eu Sou Vida, Eu Não Sou Morte (1987); Auto de Frei Pedro Palácios (1987); O Riso (1988), dirigidos por César Huapaya; e Negritude (1988), com direção de Vera Viana. Além desses, atuou em Grades Suspensas (1996); Palhaço (1996); A Mulher que Matou os Peixes (1996); Caso Herzog (2000); Uma Casa Brasileira com Certeza (2001); Os Tipos Populares de Vitória (2013); O Mistério da Casa Amarela (2015 e 2017), entre várias outras peças.
A homenageada e seus familiares no palco do Sesc Glória
No cinema, a Homenageada Capixaba do Festival de Vitória atuou como uma das protagonistas do longa-metragem Margeado, de Diego Zon, que foi exibido na programação deste ano. Atrás das câmeras, foi produtora de elenco e figuração, além de segunda assistente de direção de Sérgio Rezende no longa-metragem Lamarca. Mas, Verônica estreou no audiovisual como atriz ainda nos anos 2000, no curta-metragem Ciclo da Paixão, de Luiz Tadeu Teixeira, e retornou aos sets de filmagem em 2004, interpretando a viúva Dona Ana, em Insurreição de Queimado, de João Carlos Coutinho. Atuou também em Cais dos Cães, de Marcos Veronese, Uma Faca só Lâmina, de Luiz Carlos Lacerda, Não Deixa Cair, de Luiz Will Gama, e deu vida à enfermeira Norma no premiado longa-metragem Os Primeiros Soldados, de Rodrigo de Oliveira.
No palco do Teatro Sesc Glória, recebeu o troféu das mãos de familiares, foi ovacionada pelo público e discursou: “Ai, que emoção, gente. Primeiro quero pedir a bênção ao meu pai Romualdo e minha mãe Ofélia, que onde estão, estão me abençoando aqui. Dele, um bisneto de escravizado e dela, uma bisneta de indígena, nasceu essa figura aqui, Verônica Gomes, juntamente com mais oito irmãos”.
E continuou seu discurso: “Agradeço a todos vocês que estão aqui. Estou muito honrada com essa homenagem. Eu tenho muito carinho por esse festival. Muito. Eu vi esse festival nascer desde a primeira edição e sempre acompanho e valorizo a cada ano”.
Aplaudida pelo público, Verônica finalizou: “As pessoas perguntam qual a importância desse reconhecimento para mim. Eu costumo falar: é um sentimento muito verdadeiro que eu trago comigo. Essa homenagem não é só minha. Não é demagogia nenhuma. Porque eu sempre procurei cuidar do artista. Além de ser atriz, eu também sou produtora. E eu sempre quis cuidar. Essa homenagem é porque eu sempre tive esses artistas perto de mim, trabalhando comigo”.
Além de ser essa prolífera artista, Verônica Gomes tem sua trajetória marcada pela constante luta pelos avanços das políticas públicas no setor das artes cênicas, com importante participação na fundação e gestão do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado no Espírito Santo (Sated) e integrando o Conselho Estadual de Cultura do Espírito Santo.
A programação do 32º Festival de Cinema de Vitória segue até 24 de julho com 90 filmes selecionados, sendo 85 curtas e cinco longas-metragens, que apresentam um recorte da produção audiovisual brasileira contemporânea.
Fotos: Melina Furlan/Vikki Dessaune.