Memórias e traumas retratados no filme.
Com estreia marcada para a 41ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o documentário Soldados do Araguaia, dirigido por Belisario Franca, conta a história dos soldados de baixa patente enviados para o interior da selva amazônica com a missão de exterminar a Guerrilha do Araguaia, movimento de oposição à Ditadura Militar no país. Quarenta anos depois do fim da guerra, eles descrevem pela primeira vez a sua versão dos fatos.
O filme, roteirizado por Belisario Franca e Ismael Machado, retrata uma guerra sem vencedores. Rejeitados pela História por sua filiação ao Exército e pelos próprios militares por suas denúncias contra a corporação, os soldados não trouxeram para casa nada além de cicatrizes e memórias do horror que testemunharam.
Soldados do Araguaia dá sequência à trilogia do silenciamento, um projeto de Belisario que procura recuperar histórias e personagens brasileiros que vivem à margem da historiografia nacional. O primeiro filme-causa da trilogia foi o premiado Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil, lançado em 2016.
Marginalizados pela historiografia oficial por sua filiação ao Exército e pelo próprio Exército por suas denúncias contra a corporação, os personagens de Soldados do Araguaia encontram aqui uma oportunidade inédita de compartilhar sua versão dos fatos. Da convocação junto às comunidades ribeirinhas e rurais até a dispensa após o extermínio da guerrilha comunista, os relatos dos ex-soldados compõem uma narrativa em que recrutas e guerrilheiros se confundem debaixo da opressão militar.
No Vietnã brasileiro, os vencedores retornam apenas como fantasmas: mesmo aqueles capazes de ultrapassar a psicose, o alcoolismo, o desejo de suicídio e inúmeras manifestações de estresse pós-traumático precisam lutar até hoje para superar os episódios de abuso e violência que sofreram e testemunharam.
Confira o trailer de Soldados do Araguaia:
Foto: Reprodução.