53º Festival de Cinema de Gramado começa com O Último Azul, de Gabriel Mascaro, e homenagem a Rodrigo Santoro

por: Cinevitor
Equipe do filme O Último Azul em Gramado

A 53ª edição do Festival de Cinema de Gramado começou oficialmente nesta sexta-feira, 15/08, com a exibição, fora de competição, do premiado O Último Azul, dirigido pelo cineasta pernambucano Gabriel Mascaro.

Inédito no Brasil e com lançamento nos cinemas brasileiros confirmado para 28 de agosto, o longa conquistou o Urso de Prata na 75ª edição do Festival de Berlim, em fevereiro deste ano. O filme rendeu também a Gabriel Mascaro o Prêmio do Júri Ecumênico e o Berliner Morgenpost Readers’ Jury Award, além de muitos aplausos. Recentemente, O Último Azul venceu o prêmio de melhor filme ibero-americano de ficção no Festival Internacional de Cine en Guadalajara, no México, evento que também premiou a atriz Denise Weinberg com o Prêmio Maguey de melhor interpretação.

O longa é situado na Amazônia, em um Brasil quase distópico, onde o governo transfere idosos para uma colônia habitacional em que vão desfrutar seus últimos anos de vida. Antes de seu exílio compulsório, Tereza, papel de Denise Weinberg, uma mulher de 77 anos, embarca em uma jornada para realizar seu último desejo. Rodrigo Santoro, Adanilo e a atriz cubana Miriam Socarrás também integram o elenco. A produção sobre resistência e amadurecimento ao longo dos rios da Amazônia também passou por países como Colômbia, Argentina, Turquia, Portugal e Austrália.

Na noite desta sexta-feira, Gramado fez história e pela primeira vez teve um tapete que não fosse vermelho. Como homenagem ao longa de abertura, estava completamente azul. Ao lado de sua equipe, Mascaro subiu ao palco do Palácio dos Festivais e apresentou o longa: “É uma alegria imensa poder lançar o filme no Brasil depois de uma linda trajetória que nos emocionou ao trazer o Urso de Prata para o país”. E continuou: “Acho que a gente viveu um momento muito desafiador no nosso país. A Ancine [Agência Nacional do Cinema] em algum momento, quis esconder o cinema brasileiro: os cartazes foram retirados da instituição. E hoje, o Palácio da Aurora abre as portas para ver o cinema brasileiro. Então, acho que é um momento muito especial”.

Aplaudido pelo público, Mascaro seguiu seu discurso: “Hoje é um dia de festa. É o dia do cinema brasileiro que está aqui em Gramado, festival que nos recebe vestindo-se de azul. É para celebrar a diversidade do olhar. Um Brasil que, na verdade, entendeu que é importante dar pluralidade de vozes. De descentralizar os recursos. Estamos colhendo algo que foi plantado quinze anos atrás. Esse filme não existiria se não fosse esse olhar para a diversidade”.

O diretor também destacou sua relação com o festival: “Estar aqui, depois de 20 anos da exibição do meu curta universitário, é muito especial para mim. Eu queria agradecer lindamente essa equipe e espero que vocês se conectem. É um filme muito apaixonado pela vida e inspirado na minha vó que me deu essa centelha. É uma distopia, mas é o filme, eu garanto, mais utópico que vocês vão assistir. O Brasil, além de ser o país do futebol, seguramente é o país do cinema. Viva o cinema brasileiro!”.

Rodrigo Santoro: homenagem 

Com produção da Desvia (Brasil) e Cinevinay (México), em coprodução com a Globo Filmes (Brasil), Quijote Films (Chile), Viking Film (Países Baixos) e distribuição da Vitrine Filmes no Brasil, O Último Azul foi produzido por Rachel Daisy Ellis e Sandino Saravia Vinay, produtor associado de Roma, de Alfonso Cuarón, e coprodutor dos filmes anteriores de Gabriel Mascaro.

O elenco de O Último Azul conta também com Rosa Malagueta, Clarissa Pinheiro, Dimas Mendonça, Daniel Ferrat, Heitor Lóris, Rafael Cesar, Isabela Catão, Daniela Reis, Diego Bauer, Aldenor Santos, Tony Ferreira, Karol Medeiros, Erismar Fernandes, Júlia Kahane, Robson Ney, Luana Brandão, Ítalo Rui, Amanda Costa, Ítalo Bruce, Matheus Sabbá, Paulo Queiroz, Wallace Abreu, Jôce Mendes, Rhuann Gabriel, Arthur Gabriel, Maria Alice, Ana Oliveira, Maurício Santtos, Klindson Cruz e Isadora Gibson. O roteiro é assinado por Gabriel Mascaro e Tibério Azul; a direção de fotografia é de Guillermo Garza. A edição é de Sebastían Sepúlveda e Omar Guzmán; Memo Guerra assina a música do filme.

A noite também foi marcada por outro momento emocionante antes da exibição do longa: a homenagem para o consagrado ator Rodrigo Santoro, que recebeu o Kikito de Cristal. Ele começou sua carreira atuando em novelas, mas logo se destacou em produções cinematográficas.

Ovacionado pelo público, Rodrigo se emocionou e discursou: “De repente passou um filme inteiro na minha cabeça… são muitos anos! Primeiro, quero agradecer ao Festival de Gramado. Foi o primeiro festival que eu frequentei como espectador. É uma honra imensa receber esse reconhecimento, especialmente aqui. Pela importância que o festival tem no cinema brasileiro e latino-americano. Me disseram que este reconhecimento é pela minha trajetória internacional. É a primeira vez que eu estou recebendo esse reconhecimento aqui no Brasil”.

E seguiu seu discurso: “Vou completar 50 anos na semana que vem. E nesse percurso, uma das coisas que eu aprendi foi que fronteiras são mais concretas na geografia. A essência humana, as nossas histórias, os nossos sonhos, as nossas dores são universais”. Santoro também destacou seu carinho pela cultura brasileira: “Toda vez que eu falo do Brasil, do nosso cinema, da nossa arte, da nossa cultura, eu falo de dentro para fora. Eu falo o que eu sinto, eu falo o que eu penso. Eu tenho muito respeito por tudo que a gente construiu e continua construindo dentro da nossa cultura. O meu coração é absolutamente brasileiro”.

O homenageado falou também da exibição especial de O Último Azul na noite de abertura do Festival de Gramado: “Esse filme torna esta noite ainda mais especial. É um ciclo que que se completa, não se fecha. É a primeira vez que O Último Azul vai ser exibido no Brasil. É a nossa estreia e para o público brasileiro. Isso é muito importante”.

Muito emocionado, Rodrigo finalizou: “É muita história, é muita coisa. São muitos sentimentos e eu não tenho vergonha de me emocionar. Para terminar, queria dedicar esse prêmio ao cinema independente brasileiro, que foi onde eu comecei há mais de 20 anos com Bicho de Sete Cabeças [dirigido por Laís Bodanzky] e sigo acreditando nele como é o caso do filme que vocês vão ver hoje. Dedico esse prêmio à resistência cultural e à coragem de todos os profissionais do nosso meio, que apesar dos grandes desafios que temos enfrentado, continuam trabalhando para contar as nossas poderosas histórias para o mundo. Viva o cinema brasileiro!”.

*O CINEVITOR está em Gramado e você acompanha a cobertura do evento por aqui, pelo canal do YouTube e pelas redes sociais: Twitter, Facebook e Instagram.

Fotos: Diego Vara/Edison Vara/Agência Pressphoto.

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