19ª CineBH e 16º Brasil CineMundi: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Omágua Kambeba, projeto de Adanilo: premiado

Foram anunciados neste domingo, 28/09, no Cine-Theatro Brasil, os vencedores da 19ª edição da CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte e do 16º Brasil CineMundi – International Coproduction Meeting.

A cerimônia de encerramento revelou os projetos premiados no maior programa de coprodução do audiovisual brasileiro; e de longas-metragens da Mostra Território, que contou com Daniela Gillone, Ivette Liang, Marília Rocha, Nelson Carlo De Los Santos Arias e Renato Novaes no Júri Oficial.

O prêmio de melhor filme da Mostra Território foi para Quemadura China, produção do Uruguai dirigida por Verónica Perrotta. Pela justificativa do júri oficial, a obra “ousa encarar de frente a fragilidade, lembrando-nos de que os corpos guardam memória e de que, mesmo na perda, pulsa a ternura”. A decisão destacou ainda “a beleza nascida do imperfeito, a ousadia estética e a entrega absoluta de seus intérpretes” e ressaltou a maneira como o filme entrelaça “o íntimo com o coletivo, o grotesco com o lírico, o teatral com o cinematográfico, num gesto de radical originalidade”.

Na categoria Melhor Presença, na qual o júri pode escolher livremente, foi escolhido o elenco de Chicharras, do México, dirigido por Luna Marán. A justificativa apontou que a obra retrata “atos de resistência dentro do território que percorre” e que experimenta “possibilidade de reinventar seus processos criativos e romper com as hierarquias individuais do cinema”. Foi apontada a consciência coletiva da produção: “Fazer filmes é um processo conjunto capaz de retratar a complexidade e o encanto de uma comunidade”.

O júri deu ainda um destaque à montagem de Huaquero, do Peru, dirigido por Juan Carlos Donoso Gómez. Foi enfatizado o caráter político e a densidade histórica do filme, que constitui “uma arqueologia de terras ainda habitadas por mistérios a serem revelados; uma síntese de oito anos que nos lembra que a verdadeira escrita do cinema está na articulação de suas imagens e sons”. A decisão destacou a capacidade do filme de “tornar visível o invisível, como na alquimia da prata, onde os halos ocultos na emulsão se revelam e se transformam em matéria perceptível”.

O Prêmio Abraccine, que contou com Kel Gomes, Natalia Bocanera e Vivi Pistache no júri, foi para Punku, também do Peru, dirigido por Juan Daniel Fernández Molero e descrito como “uma refinada arquitetura do (in)consciente, entre memória, sonho, mito e realidade”. O júri ressaltou a força do feminino na condução da narrativa, que revela “um território íntimo e múltiplo, em que corpos e paisagens se transformam em matéria poética e perturbadora”. A Abraccine ainda conferiu uma menção honrosa para Chicharras, reconhecendo a vitalidade do filme “ao nos envolver em uma comunidade viva e autônoma, que, mesmo diante das caravelas perenes do colonialismo, afirma-se como um corpo político coletivo e insubmisso, uma verdadeira inspiração”.

A 16ª edição do Brasil CineMundi também anunciou os projetos premiados em suas diferentes categorias, vindos dos vários parceiros que compõem a programação do encontro e colaboram nos processos de parceria, coprodução e fomento para o cinema do futuro.

O prêmio principal do Júri Oficial, formado por Luana Melgaço, Jorge Cohen e Juliette Lepoutre, foi concedido ao alagoano Filhas do Mangue, escrito e dirigido por Stella Carneiro e produzido por Rafhael Barbosa (La Ursa Cinematográfica, Alagoas). O júri destacou que o projeto traz “uma voz jovem, promissora e profundamente singular” ancorando-se em vivências íntimas e familiares que, contadas com humor e ternura, ecoam debates mais amplos sobre preservação ambiental, assimetrias regionais e irreverência das novas gerações. Trata-se de um cinema que “nasce nas margens de uma lagoa, em um estado ainda pouco representado, mas que, pela sua especificidade, tem o poder de dialogar com audiências maiores”.

Na categoria Work in Progress, o Prêmio O2 Pós reconheceu O Filho da Puta, a ser dirigido por Erica Maradona, Otto Guerra, Sávio Leite e Tânia Anaya, com produção de Cissa Carvalho, Elisa Rocha e Tatiana Mitre. A escolha chamou atenção pela “narrativa sólida e envolvente, conduzida com humor ácido e estética crua” e ressaltou que “mais do que uma viagem física, a obra é um percurso de identidade e afirmação”. Já o Prêmio Mistika foi para Lusco-Fusco, de Bel Bechara e Sandro Serpa, produzido por Rafaella Costa, pela “sensibilidade em abordar feminismo e violência contra a mulher” e por sua “coragem em demonstrar esperança mesmo nos territórios mais sombrios”.

O prêmio The End foi para A Fabulosa Máquina do Tempo, com direção de Eliza Capai e produzido por Mariana Genescá. O reconhecimento veio por sua “capacidade de unir potência artística e relevância social” e por oferecer “um olhar sensível sobre a infância feminina no sertão do Piauí, revelando como imaginação e ludicidade se tornam ferramentas de resistência”. Na categoria Foco Minas, o Prêmio Cinecolor/CTAV/Edina Fujii/Parati Films foi para Arrudas, de Matheus Moura, com produção de Antonio Pedroni e roteiro de Ian Chang. A justificativa ressaltou que o projeto “nos confronta com a vulnerabilidade de nossas próprias estruturas sociais” e que transforma “a dor em poesia e o caos em uma reflexão lúcida sobre nossa fragilidade compartilhada”.

Você? Mãe?, direção de Daniel Gonçalves e Nathalia Santos e produzido por Dani Nascimento, Daniel Gonçalves, Roberto Berliner e Sabrina Garcia, foi agraciado em mais de uma premiação por júris distintos. Recebeu o DocBrasil, pelo “potencial de transformar o íntimo em universal e o pessoal em político” e pela relevância das questões sobre maternidade e capacitismo, e o Prêmio Conecta, pela “coragem em desafiar convenções visuais com uma estética que parte da perspectiva de uma pessoa cega e de uma cineasta com deficiência motora”. Além disso, Você? Mãe? conquistou o Prêmio DocSP pela “continuidade de uma carreira criativa que amplia perspectivas de viver e experimentar o mundo”.

Já o DocSP Study Center foi para Tomba Homem, de Gibi Cardoso, produzido por Lucas Uchôa e Victória Morais, pela importância de resgatar “a história de vida de referência em BH no movimento LGBTQIA+ e na resistência à ditadura”. O Prêmio FIDBA #Link contemplou Febre Tropical, de Andy Malafaia e Carolina Hofs, pela advertência histórica “em um momento em que discursos autoritários ressurgem”.

O Nuevas Miradas selecionou Toshi Voltou do Japão, direção de Marcos Yoshi e produzido por Rica Saito, por abrir “um espaço de reflexão sobre a experiência silenciada de uma geração de homens imigrantes atravessados pelo sofrimento mental”. Já o RIDM foi atribuído a Enquanto te Escrevo a Paisagem Muda, de Anna Lu Machado e Artur Monteiro, produção de Thaís Vidal, por “reinventar a road movie como cartografia afetiva e ecológica” e por entrelaçar “memória e amizade em uma narrativa poética que denuncia os impactos ambientais do nosso tempo”.

O Prêmio Burning foi para Soberbo, de Camila Matos e Juliana Antunes, pela ousadia de entrelaçar “ficção, fantasia e experimentalismo a partir de um mito urbano de Belo Horizonte”. Já o WCF – World Cinema Fund premiou Sapatour, direção de Gab Laurenzato e produzido por Well Darwin, por ser “uma celebração rebelde e vibrante, com enorme potencial de ressonância global”.

O MAFF/Projeto Paradiso foi para Diamante, o Bailarina, direção de Pedro Jorge e produzido por Heverton Lima, pela “capacidade de promover a inclusão social ao refletir realidades muitas vezes invisibilizadas” e por inspirar “uma cultura de respeito e aceitação em todas as formas de ser e viver”. Já o coletivo Filmes de Plástico, que concedeu prêmios de incentivo, dividiu sua contribuição em duas distinções: um especial para Brilhante, de Carol Silva e Karen Suzane, pela originalidade e relevância LGBTQIAPN+, e o Prêmio Principal para Omágua Kambeba, de Adanilo e produzido por Ítalo Bruce, por ser “um projeto ambicioso e ousado, capaz de renovar a cinematografia brasileira”.

Conheça os vencedores de 2025 da CineBH e do Brasil CineMundi:

MOSTRA TERRITÓRIO | CineBH

MELHOR FILME
Queimadura Chinesa, de Verónica Perrota (Uruguai/Brasil)

MELHOR PRESENÇA
Elenco de Chicharras, de Luna Marán (México)

DESTAQUE DO JÚRI
Huaquero; montagem de Juan Daniel Fernández Molero

JÚRI DA CRÍTICA | PRÊMIO ABRACCINE
Punku, de J. D. Fernández Molero (Peru/Espanha)
Menção Honrosa: Chicharras, de Luna Marán (México)

BRASIL CineMundi

JÚRI OFICIAL
Filhas do Mangue (AL)
Direção: Stella Carneiro
Produção: Rafhael Barbosa

WIP | WORK IN PROGRESS
Prêmio O2 Pós: O Filho da Puta (MG/RS); direção: Erica Maradona, Otto Guerra, Sávio Leite e Tânia Anaya; produção: Cissa Carvalho, Elisa Rocha e Tatiana Mitre
Prêmio Mistika: Lusco-Fusco (SP); direção: Bel Bechara e Sandro Serpa; produção: Rafaella Costa
Prêmio The End: A Fabulosa Máquina do Tempo (RJ); direção: Eliza Capai; produção: Mariana Genescá

FOCO MINAS | PRÊMIO Cinecolor/CTAv/Parati Films EDINA FUJII
Arrudas, de Matheus Moura; produção: Antonio Pedroni e Matheus Moura (MG)

PRÊMIO DocBrasil
Você? Mãe?, de Daniel Gonçalves e Nathalia Santos; produção: Dani Nascimento, Daniel Gonçalves, Roberto Berliner e Sabrina Garcia (RJ)

PRÊMIO CONECTA
Você? Mãe?, de Daniel Gonçalves e Nathalia Santos; produção: Dani Nascimento, Daniel Gonçalves, Roberto Berliner e Sabrina Garcia (RJ)

PRÊMIO DocSP
Você? Mãe?, de Daniel Gonçalves e Nathalia Santos; produção: Dani Nascimento, Daniel Gonçalves, Roberto Berliner e Sabrina Garcia (RJ)

PRÊMIO DocSP Study Center
Tomba Homem, de Gibi Cardoso; produção: Lucas Uchôa e Victória Morais (MG)

PRÊMIO FIDBA #Link
Febre Tropical, de Andy Malafaia e Carolina Höfs; produção: Leonardo Mecchi (SP)

PRÊMIO NUEVAS MIRADAS
Toshi Voltou do Japão, de Marcos Yoshi; produção: Rica Saito (SP)

PRÊMIO RIDM
Enquanto te Escrevo a Paisagem Muda, de Anna Lu Machado e Artur Monteiro; produção: Thaís Vidal (PE)

PRÊMIO BURNING
Soberbo, de Camila Matos e Juliana Antunes; produção: Juliana Antunes (MG)

PRÊMIO MECAS
Omágua Kambeba, de Adanilo; produção: Ítalo Bruce (AM)

PRÊMIO WCF | WORLD CINEMA FUND
Sapatour, de Gab Lourenzato; produção: Well Darwin (SP)

PRÊMIO MAAF | PROJETO PARADISO
Diamante, o Bailarina, de Pedro Jorge; produção: Heverton Lima (SP)

FILMES DE PLÁSTICO | PRÊMIO PRINCIPAL
Omágua Kambeba, de Adanilo; produção: Ítalo Bruce (AM)

FILMES DE PLÁSTICO | PRÊMIO ESPECIAL
Brilhante, de Carol Silva e Karen Suzane; produção: Carol Silva (MG)

Foto: Leo Lara/Universo Produção.

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