13ª Mostra Ecofalante de Cinema: conheça os vencedores

por: Cinevitor
Não Existe Almoço Grátis, de Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel: premiado

Foram anunciados os vencedores da 13ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema, o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado às temáticas socioambientais, e o documentário brasileiro Não Existe Almoço Grátis, de Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel, foi consagrado com o prêmio de melhor filme pelo público

A produção acompanha três mulheres que lideram uma das Cozinhas Solidárias do MTST, Movimento dos Trabalhadores Sem Teto em Sol Nascente, no Distrito Federal, considerada atualmente como a maior favela do Brasil. Para a posse do terceiro mandato do presidente Lula, elas foram encarregadas de cozinhar para centenas de pessoas que chegarão a Brasília para assistir à cerimônia.

Já na nova mostra competitiva, a Competição Territórios e Memória, que se dedicou a exibir produções que abordam diferentes visões e aspectos do Brasil, Rejeito foi o grande vencedor. Com direção de Pedro de Filippis, o filme discorre sobre um dos maiores rompimentos de barragem de rejeito da história, o desastre de Mariana, e explora como novas barragens ameaçam romper sobre milhões de pessoas em Minas Gerais

O júri responsável pela avaliação dos filmes da Competição Territórios e Memória foi composto por Carolina Canguçu, Nara Normande e Tatiana Toffoli. Rejeito receberá o Troféu Ecofalante e um prêmio de R$ 15 mil por “ser um filme corajoso e dramático que acompanha os atingidos pelo rompimento da barragem de Brumadinho e aqueles que ainda sofrem com a tortura psicológica diária de ameaça de novos rompimentos e de remoção de seus territórios pela empresa Vale”, na avaliação do júri

Ainda na categoria de longa-metragem da Competição Territórios e Memória, À Margem do Ouro, do diretor Sandro Kakabadze, recebeu uma Menção Honrosa. O filme focaliza na região do Rio Tapajós, a maior produtora de ouro do Brasil, que abriga histórias de homens e mulheres que têm suas vidas entrelaçadas pela exploração ilegal e predatória desse minério. O júri ressaltou: “As imagens impactantes e ainda pouco vistas no cinema, alternando entre planos intimistas que mostram o cotidiano de pessoas que vivem de diferentes formas em função do garimpo, e planos aéreos que denunciam a destruição da floresta causada por essa atividade ilegal e devastadora na bacia do rio Tapajós”.

Já nas categorias de curtas-metragens da Competição Territórios e Memória, o prêmio do júri foi para Ava Yvy Pyte Ygua: Povo do Coração da Terra, do Coletivo Guahuí Guyra Kuera, por “fazer cinema de dentro e de forma coletiva. Pela ousadia em sua forma fílmica ao apostar na ausência de luz enquanto potência de imaginação e na eloquência do silêncio e do cochichar da reza”. A produção focaliza a reza longa que protege os indígenas Kaiowá e os aproxima dos povos-raio e dos povos-trovão para rememorar a história do começo da terra que só esses povos sabem contar. O filme ganhará o Troféu Ecofalante e R$ 5 mil de prêmio.

O curta Nunca Pensei que Seria Assim, de Meibe Rodrigues, que propõe, através de memórias do próprio passado, uma reflexão sobre negritude e escrevivência, recebeu uma Menção Honrosa pela “força do depoimento da realizadora que encara a câmera convocando a espectadora e o espectador a mergulhar em memórias de uma vida inteira”.

Enquanto isso, na Competição Latino-Americana, Céu Aberto, de Felipe Esparza Pérez, recebeu o prêmio de melhor longa-metragem pelo Júri Oficial, que foi composto por Lucas Bambozzi, Tatiana Lohmann e Mariana Jaspe. O filme observa um pai peruano que trabalha pacientemente quebrando a pedra branca vulcânica em uma paisagem extraordinária. Seu filho faz parte do mundo moderno: usa câmeras e drones para criar no computador a maquete digital de uma igreja. Seus caminhos se cruzam de maneira fantasmagórica: cada um a seu modo trabalha com texturas e volumes, sensações e percepções. O júri concedeu o prêmio pelo “caráter cinematográfico construído a partir de visões distintas da realidade peruana, atravessada por paisagens assombrosas de extração de pedra vulcânica branca (…) Por expressar, com economia de elementos, a herança nefasta da colonialidade”.

Duas Menções Honrosas foram concedidas aos longas-metragens desta edição. A Transformação de Canuto, de Ariel Kuaray Ortega e Ernesto de Carvalho, foi um dos escolhidos pelo “seu caráter articulador entre conhecimentos e visões de mundo. O filme aborda o fazer audiovisual em múltiplas camadas de informação, incorporando processos criativos de identidade comunitária, sociológicas e antropológicas ao mesmo tempo”. Já Ramona, de Victoria Linares Villegas, confunde as fronteiras entre ficção e não-ficção ao acompanhar uma jovem atriz que se prepara para assumir o papel de uma adolescente grávida que mora na periferia de Santo Domingo, na República Dominicana

Já na categoria de curtas da Competição Latino-Americana, o júri elegeu Concórdia, de Diego Véliz, como o grande vencedor pela “construção de uma obra concisa e precisa, visual e historicamente impactante, que reflete as reincidentes e arbitrárias intervenções em territórios sul-americanos”. A produção chilena é um ensaio sobre a fronteira entre o Peru e o Chile criado com materiais encontrados na internet.       

O mexicano Você Vai Me Esquecer?, da diretora Sofía Landgrave Barbosa, recebeu Menção Honrosa ao tratar da dualidade entre memória e esquecimento dos habitantes de Puerto Maldonado, cidade nos limites da selva amazônica do Peru. Segundo o júri, “o filme evoca reflexões sobre arquétipos a partir de lugares e presenças, em situações em que as memórias tendem ao esquecimento”

O grande vencedor do Concurso Curta Ecofalante foi Por Trás dos Prédios, de João Mendonça, estudante da Universidade Federal de Alagoas. O filme, que ganhará o Troféu Ecofalante e R$ 4 mil de prêmio, retrata como, desde 2021, a prefeitura de Maceió se aproveita das fortes chuvas locais para desmobilizar uma das maiores favelas de Alagoas. As pessoas que ainda resistem vivem presas e invisíveis à sombra do Parque da Lagoa. Segundo o júri, o filme “consegue nos conduzir por uma denúncia social sobre as condições de vida dos moradores que se cercam daquele espaço geográfico”. O time de jurados foi formado por Clarisse Alvarenga, Everlane Moraes, Letícia Rolim e Lucas H. Rossi.

Duas produções receberam Menção Honrosa nesta 13ª edição. Uma delas foi As Placas São Invisíveis, de Gabrielle Ferreira, estudante da Escola de Comunicações e Artes da USP, na qual cinco estudantes negras revelam como é estar dentro da USP no momento de ebulição da luta pró-cotas. Para o júri, a produção “nos leva a imaginar a força que o futuro deste país pode vir a ter a partir da presença de corpos e vozes negras no espaço público”. A segunda Menção Honrosa ficou com Deriva, de Hellen Nicolau, integrante do projeto É Nóis na Fita, por “conseguir trazer uma abordagem autoral e surpreendente que permite questionar a cidade de São Paulo com sua ideia de desenvolvimento e de aceleração, e o que essas perspectivas geram no passo apressado das pessoas que ali vivem”.

Conheça os vencedores da 13ª Mostra Ecofalante de Cinema:

PRÊMIO DO PÚBLICO | MELHOR FILME DA 13ª MOSTRA ECOFALANTE
Não Existe Almoço Grátis, de Marcos Nepomuceno e Pedro Charbel

COMPETIÇÃO LATINO-AMERICANA

PRÊMIO DO JÚRI | MELHOR LONGA-METRAGEM
Céu Aberto (Cielo Abierto), de Felipe Esparza (Peru)

MENÇÃO HONROSA | LONGA-METRAGEM
A Transformação de Canuto, de Ariel Kuaray Ortega e Ernesto de Carvalho (Brasil)
Ramona, de Victoria Linares Villegas (República Dominicana)

PRÊMIO DO JÚRI | MELHOR CURTA-METRAGEM
Concórdia (Concordia), de Diego Véliz (Chile)

MENÇÃO HONROSA | CURTA-METRAGEM
Você Vai Me Esquecer? (¿Me Olvidarás?), de Sofía Landgrave Barbosa (México/Peru/Espanha)

PRÊMIO DO PÚBLICO | MELHOR LONGA-METRAGEM
Histórias de Shipibos, de Omar Forero (Peru)

PRÊMIO DO PÚBLICO | MELHOR CURTA-METRAGEM
A Menos que Bailemos, de Hanz Rippe Gabriel e Fernanda Pineda Palencia (Colômbia)

COMPETIÇÃO TERRITÓRIOS E MEMÓRIA

PRÊMIO DO JÚRI | MELHOR LONGA-METRAGEM
Rejeito, de Pedro de Filippis

MENÇÃO HONROSA | LONGA-METRAGEM
À Margem do Ouro, de Sandro Kakabadze

PRÊMIO DO JÚRI | MELHOR CURTA-METRAGEM
Ava Yvy Pyte Ygua: Povo do Coração da Terra, de Coletivo Guahuí Guyra Kuera

MENÇÃO HONROSA | CURTA-METRAGEM
Nunca Pensei que Seria Assim, de Meibe Rodrigues

PRÊMIO DO PÚBLICO | LONGA-METRAGEM
O Bixiga é Nosso!, de Rubens Crispim

PRÊMIO DO PÚBLICO | CURTA-METRAGEM
A Bata do Milho, de Eduardo Liron e Renata Mattar
Nosso Terreiro, de Anna Rieper, Patrícia Medeiros, Ranyere Serra e Fernando Lucas Silva

CONCURSO CURTA ECOFALANTE

PRÊMIO DO JÚRI
Por Trás dos Prédios, de João Mendonça (AL)

MENÇÃO HONROSA
As Placas São Invisíveis, de Gabrielle Ferreira (SP)
Deriva, de Hellen Nicolau (SP)

PRÊMIO DO PÚBLICO
Cida Tem Duas Sílabas, de Giovanna Castellari (SP)

Foto: Divulgação.

Comentários