É Apenas o Fim do Mundo

por: Cinevitor

apenasfimposterJuste la fin du monde

Diretor: Xavier Dolan

Elenco: Nathalie Baye, Gaspard Ulliel, Vincent Cassel, Marion Cotillard, Léa Seydoux, Antoine Desrochers, William Boyce Blanchette, Sasha Samar, Arthur Couillard, Emile Rondeau, Théodore Pellerin, Jenyane Provencher.

Ano: 2016

Sinopse: Após doze anos de ausência, um escritor volta a sua cidade natal com planos de anunciar sua iminente morte para a família. Conforme o ressentimento vai reescrevendo o curso da tarde, ataques e brigas se desenrolam, estimulados pela amargura e pelo medo, enquanto todas tentativas de empatia são sabotadas pela incapacidade das pessoas em ouvir e amar. Baseado na peça homônima de Jean-Luc Lagarce.

Crítica do CINEVITOR: O cineasta canadense Xavier Dolan já é presença constante no Festival de Cannes. Com apenas 27 anos, o jovem já coleciona diversos prêmios deste que é um dos mais prestigiados festivais de cinema do mundo. Neste ano, com É Apenas o Fim do Mundo, não foi diferente. Dolan subiu ao palco do Palais des Festivals para receber o Grand Prix. Em seu novo trabalho, o diretor leva o espectador para um encontro familiar. Gaspard Ulliel interpreta Louis, um escritor que volta a sua cidade natal, depois de doze anos afastado, para anunciar sua morte. Quando chega ao local encontra um irmão irritado, uma cunhada tímida, uma mãe afobada e uma irmã distante. Como um estranho no ninho e introspectivo, aos poucos tenta se adaptar à loucura familiar que o rodeia, observando com um olhar perdido as discussões constantes que acontecem à sua volta. Com a maioria das cenas filmadas dentro de uma casa, o filme cria uma relação íntima com o espectador ao aproximá-lo de seus protagonistas. É Apenas o Fim do Mundo é propositalmente exagerado. Ouve-se gritos e discussões o tempo todo, como se fosse uma histeria coletiva. O clima de tensão é constante nos diálogos, nas ações de seus personagens e em alguns movimentos de câmera. Com a chegada de Louis, remorsos, culpas e verdades são arremessados aos quatro cantos, sem poupar ninguém. Visivelmente desequilibrada, essa família aproveita o tão esperado reencontro para colocar os pingos nos is em discursos apelativos e ofensivos. Com personagens que incomodam, Dolan acerta ao perturbar o espectador com tais desconfortos, com tamanha loucura e gritaria que fazem sentido neste drama familiar. A trilha sonora, característica marcante do diretor, dessa vez, surge um pouco deslocada, com músicas de Moby, Blink 182, entre outros. Baseado na peça homônima de Jean-Luc Lagarce, o filme até apresenta um certo clima teatral, mas logo se dispersa disso por conta de enquadramentos repletos de closes acompanhados de cortes rápidos que detalham o elenco, revelando angústias e perturbações nos olhares. É Apenas o Fim do Mundo está longe de ser o melhor trabalho de Xavier Dolan, mas consegue gerar diversos sentimentos no espectador ao apresentar uma família em ebulição, pronta para causar desastres imprevisíveis e sentimentais, com discursos catárticos. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Ou não. (Vitor Búrigo)

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

 

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