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Conheça os vencedores do 23º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários

por: Cinevitor

vencedoresetudoverdade2018Lula Carvalho e Natasha Neri, diretores de Auto de Resistência: filme premiado.

Foram anunciados neste sábado, 21/04, no Itaú Cultural, em São Paulo, os vencedores do do 23º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, principal evento dedicado à cultura do documentário na América Latina, fundado e dirigido por Amir Labaki.

O júri internacional foi formado pela documentarista americana Pamela Yates, pelo curador equatoriano Alfredo Mora Manzano e pela produtora brasileira Renata de Almeida, diretora da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo; o júri brasileiro contou com o cineasta Fernando Grostein Andrade, pela diretora Betse de Paula e pelo cineasta Tyrell Spencer.

Desde 2015, os vencedores da Competição Brasileira de Curtas-Metragens e da Competição Internacional de Curtas-Metragens estão automaticamente qualificados para exame pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood visando uma vaga na disputa do Oscar de melhor curta documental.

Conheça os vencedores do É Tudo Verdade 2018:

COMPETIÇÃO BRASILEIRA | JÚRI OFICIAL:

MELHOR DOCUMENTÁRIO | LONGA OU MÉDIA-METRAGEM:
Auto de Resistência, de Natasha Neri e Lula Carvalho

MELHOR DOCUMENTÁRIO | CURTA-METRAGEM:
Nome de Batismo – Alice, de Tila Chitunda (PE)

MENÇÃO HONROSA | DOCUMENTÁRIO CURTA-METRAGEM:
Inconfissões, de Ana Galizia (RJ)
Catadora de Gente, de Mirela Kruel (RS)

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL | JÚRI OFICIAL:

MELHOR DOCUMENTÁRIO | LONGA OU MÉDIA-METRAGEM:
O Distante Latido dos Cães (The Distant Barking of Dogs), de Simon Lereng Wilmont (Dinamarca/Finlândia)

MELHOR DOCUMENTÁRIO | CURTA-METRAGEM:
Ressonâncias, de Nicolas Khoury (Líbano)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI | DOCUMENTÁRIO LONGA OU MÉDIA-METRAGEM:
Naila e o Levante (Naila and the Uprising), de Julia Bacha (EUA)

MENÇÃO HONROSA | DOCUMENTÁRIO LONGA OU MÉDIA-METRAGEM:
The Cleaners, de Hans Block e Moritz Riesewieck (Alemanha/Brasil)

COMPETIÇÃO LATINO-AMERICANA | JÚRI OFICIAL:

MELHOR DOCUMENTÁRIO | LONGA OU MÉDIA-METRAGEM:
Roubar Rodin (Robar a Rodin), de Cristóbal Valenzuela (Chile)

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI | DOCUMENTÁRIO LONGA OU MÉDIA-METRAGEM:
A Flor da Vida (La Flor de la Vida), de Claudia Abend e Adriana Loeff (Uruguai)

PREMIAÇÕES PARALELAS:

PRÊMIO CANAL BRASIL DE CURTAS
Júri: Amilton Pinheiro, Barbara Demerov, Clarissa Kuschnir, Flavia Guerra e Luiza Lusvarghi
MELHOR DOCUMENTÁRIO | COMPETIÇÃO BRASILEIRA: Mini Miss, de Rachel Daisy Ellis (PE)

PRÊMIO ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema)
Júri: Julio Bezerra, Lúcio Vilar e Nayara Reynaud
MELHOR DOCUMENTÁRIO | LONGA OU MÉDIA-METRAGEM | COMPETIÇÃO BRASILEIRA: Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi
MELHOR DOCUMENTÁRIO | CURTA-METRAGEM | COMPETIÇÃO BRASILEIRA: Inconfissões, de Ana Galizia

PRÊMIO MISTIKA
MELHOR DOCUMENTÁRIO | CURTA-METRAGEM | COMPETIÇÃO BRASILEIRA: Nome de Batismo – Alice, de Tila Chitunda

PRÊMIO EDT. (Associação de Profissionais de Edição Audiovisual)
Júri: Fernanda Bastos, Júlia Bernstein e Mariana Becker
MELHOR MONTAGEM | LONGA OU MÉDIA-METRAGEM | COMPETIÇÃO BRASILEIRA: Elegia de um Crime, de Cristiano Burlan
MELHOR MONTAGEM | CURTA-METRAGEM | COMPETIÇÃO BRASILEIRA: Inconfissões, de Ana Galizia

Foto: Divulgação.

Morre, aos 89 anos, o cineasta brasileiro Nelson Pereira dos Santos

por: Cinevitor

nelsonpereirasantosmorreGrande nome do cinema brasileiro: mais de 25 trabalhos como diretor.

Morreu na tarde deste sábado, 21/04, aos 89 anos, o cineasta brasileiro Nelson Pereira dos Santos, conhecido como um dos precursores do Cinema Novo. Segundo informações divulgadas pela Academia Brasileira de Letras, no qual fazia parte, ele estava internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, para tratar de uma pneumonia e sofreu falência múltipla de órgãos por conta de um tumor no fígado descoberto recentemente.

Nascido em São Paulo, estudou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e começou sua carreira como diretor no final da década de 1940, com o curta-metragem documental Juventude. Depois disso, realizou o aclamado Rio, 40 Graus, em 1955, protagonizado por Modesto De Souza, Glauce Rocha e Jece Valadão, tornando-se um marco do Cinema Novo.

Em 1963, dirigiu Vidas Secas, filme baseado na obra homônima de Graciliano Ramos, exibido na Competição Oficial do Festival de Cannes. Não ganhou a Palma de Ouro, mas foi consagrado com o Prêmio OCIC. Voltou ao festival com outros três trabalhos: Azyllo Muito Louco (1970), O Amuleto de Ogum (1974) e Memórias do Cárcere (1984), que levou o Prêmio FIPRESCI.

Presença constante em importantes festivais ao redor do mundo, Nelson foi indicado ao Urso de Ouro, do Festival de Berlim, com quatro filmes: Fome de Amor (1968), Como Era Gostoso o Meu Francês (1971), Tenda dos Milagres (1977) e A Terceira Margem do Rio (1994).

Considerado o primeiro cineasta brasileiro a se tornar membro da Academia Brasileira de Letras, onde ocupava a cadeira 7, Nelson realizou diversos filmes que marcaram a história do cinema nacional, como: Rio Zona Norte, Mandacaru Vermelho, Boca de Ouro, Na Estrada da Vida, Jubiabá, Guerra e Liberdade – Castro Alves em São Paulo, Raízes do Brasil: Uma Cinebiografia de Sérgio Buarque de Hollanda, Brasília 18%, A Música Segundo Tom Jobim, entre outros.

Foto: Divulgação/Itaú Cultural.

Festival de Cannes 2018 anuncia Lars von Trier e novos filmes na programação

por: Cinevitor

larscannes2018Matt Dillon em cena de The House That Jack Built, novo filme de Lars von Trier.

Depois de anunciar sua seleção oficial na semana passada, o Festival de Cannes acaba de divulgar novas produções que farão parte da programação da 71ª edição, que terá a atriz Cate Blanchett na presidência do júri.

Entre os novos selecionados, destaca-se o suspense The House That Jack Built, do cineasta dinamarquês Lars von Trier. O filme, que será exibido fora de competição, marca o retorno do diretor ao evento, já que em 2011 ele foi banido pela organização, quando marcou presença com Melancolia, por ter feito comentários sobre o nazismo: “Eu entendo Hitler”, disse durante a coletiva de imprensa. O discurso ganhou repercussão negativa no mundo todo e Lars von Trier tornou-se persona non grata no festival. Depois da polêmica, publicou um pedido de desculpas e prometeu não dar mais entrevistas.

Além disso, na mostra Un Certain Regard, o português Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, dirigido por João Salaviza e pela brasileira Renée Nader Messora, também se destaca como uma das novidades da seleção.

Confira os novos filmes que serão exibidos no Festival de Cannes 2018, que acontecerá entre os dias 8 e 19 de maio:

COMPETIÇÃO:
Un couteau dans le coeur (Knife + Heart), de Yann Gonzalez (França/México)
Ayka, de Sergei Dvortsevoy (Rússia)
Ahlat Agaci (The Wild Pear Tree), de Nuri Bilge Ceylan (Turquia/França)

UN CERTAIN REGARD:
Muere, Monstruo, Muere (Meurs, monstre, meurs), de Alejandro Fadel (Argentina)
Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (The Dead and the Others), de João Salaviza e Renée Nader Messora (Portugal/Brasil)
Donbass, de Sergey Loznitsa (Alemanha/Ucrânia/Holanda/Romênia)

FORA DE COMPETIÇÃO:
The House That Jack Built, de Lars von Trier (Dinamarca/França/Alemanha/Suécia)

SESSÃO ESPECIAL:
Another Day of Life, de Raúl de la Fuente e Damian Nenow (Polônia/Espanha/Alemanha/Bélgica/Hungria)

SESSÃO DA MEIA-NOITE:
Whitney, de Kevin Macdonald (Reino Unido)
Fahrenheit 451, de Ramin Bahrani (EUA)

FILME DE ENCERRAMENTO:
The Man Who Killed Don Quixote, de Terry Gilliam (Espanha/Reino Unido/França/Portugal)

Clique aqui e confira a lista completa com a seleção oficial.

Foto: Divulgação.

Festival de Cannes 2018: conheça os integrantes do júri

por: Cinevitor

avaduvernaycannesjuryProdutora, roteirista e cineasta: Ava DuVernay está no júri de Cannes 2018.

Presidido pela atriz australiana Cate Blanchett, o júri da 71ª edição do Festival de Cannes agora está completo. Foram anunciados nesta quarta-feira, 18/04, os nomes das personalidades da sétima arte que terão a missão de avaliar e premiar os filmes da Competição Oficial.

O time que escolherá o grande vencedor da Palma de Ouro conta com cinco mulheres e quatro homens de sete nacionalidades e cinco continentes. Os premiados serão anunciados na cerimônia de encerramento, marcada para o dia 19 de maio.

Conheça os integrantes do júri deste ano: a cineasta americana Ava DuVernay, de Selma – Uma Luta Pela Igualdade, A 13ª Emenda e Uma Dobra no Tempo; o ator Chang Chen, de O Tigre e o Dragão; o cineasta francês Robert Guédiguian, que participou do festival com Marie-Jo e Seus Dois Amores e As Neves do Kilimandjaro; a cantora e compositora Khadja Nin, de Burundi; a atriz francesa Léa Seydoux, vencedora da Palma de Ouro por Azul é a Cor Mais Quente; o cineasta canadense Denis Villeneuve, de A Chegada e Blade Runner 2049; a atriz americana Kristen Stewart, que passou por Cannes recentemente com Personal Shopper; e o cineasta russo Andrey Zvyagintsev, que esteve na edição do ano passado na Competição Oficial com o drama Sem Amor.

O Festival de Cannes 2018 acontecerá entre os dias 8 e 19 de maio.

Foto: Tommaso Boddi.

Dolor y Gloria, novo filme de Pedro Almodóvar, terá Antonio Banderas e Penélope Cruz no elenco

por: Cinevitor

banderasalmodovarfilmeAtor e diretor em Cannes, em 2011, com A Pele que Habito.

A El Deseo, produtora fundada por Pedro Almodóvar e seu irmão Agustín, anunciou nesta terça-feira, 17/04, que o novo filme do cineasta espanhol começará a ser filmado em julho desse ano e se chamará Dolor y Gloria.

Segundo a sinopse divulgada no site da produtora, o longa vai narrar uma série de reencontros, alguns físicos e outros recordados depois de décadas, de um cineasta em seu declínio: primeiros amores, a lembrança materna, morte, anos 1970, 1980 e o presente. Vai abordar também o vazio incomensurável de seu protagonista diante da impossibilidade de continuar filmando. Além disso, vai falar da criação cinematográfica e teatral e da impossibilidade de separar sua obra da vida real.

No comunicado oficial, Almodóvar revelou o elenco, que contará com Antonio Banderas, Asier Etxeandia, Julieta Serrano e Penélope Cruz: “Ao contrário de Julieta, Dolor y Gloria será um filme com protagonistas masculinos, mas trago também duas atrizes que eu adoro como coadjuvantes”.

Antonio Banderas começou sua carreira em 1982 no filme Labirinto de Paixões, de Pedro Almodóvar. Depois disso, trabalhou diversas vezes com o diretor em outros filmes, como: Matador (1986), A Lei do Desejo (1987), Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988), Ata-me (1989), A Pele que Habito (2011) e Os Amantes Passageiros (2013).

Penélope Cruz já é considerada uma das musas de Pedro Almodóvar, com quem trabalhou em Carne TrêmulaTudo Sobre Minha MãeVolverAbraços PartidosOs Amantes Passageiros.

O ator e cantor espanhol Asier Etxeandia será dirigido por Almodóvar pela primeira vez, já a veterana Julieta Serrano trabalhou com o cineasta em Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão (1980), Maus Hábitos (1983), Matador (1986), Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988) e Ata-me (1989).

O último trabalho de Pedro Almodóvar como diretor foi em Julieta, lançado em 2016. Dolor y Gloria, seu 21º filme, deve estrear no primeiro semestre de 2019.

Foto: Bauer Griffin.

Cannes 2018: filmes brasileiros são selecionados para a Quinzena dos Realizadores

por: Cinevitor

lossilenciosfilmescannesEnrique Diaz e Marleyda Soto em Los Silencios, de Beatriz Seigner: produção brasileira.

Organizada pela La Société des réalisateurs de films (la SRF), em 1969, a Quinzena dos Realizadores (La Quinzaine des Réalisateurs), mostra paralela ao Festival de Cannes, colabora com a descoberta de novos cineastas independentes e contemporâneos.

Com o objetivo de ser eclética e receptiva a todas as formas de expressão cinematográfica, a Quinzena dos Realizadores destaca a produção anual de filmes de ficção, curtas e documentários no cenário independente e também popular, com diretores talentosos e originais.

Neste ano, em sua 50ª edição, vale destacar a presença de duas produções brasileiras: o curta-metragem O Órfão, de Carolina Markowicz e protagonizado por Kauan Alvarenga, Clarisse Abujamra, Georgina Castro, Ivo Müller e Julia Costa; e o longa Los Silencios, de Beatriz Seigner, filmado na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, que conta a história de Amparo, interpretada por Marleyda Soto, e seus dois filhos Núria, papel de María Paula Tabares Peña, e Fabio, vivido por Adolfo Savinvino, que reencontram o pai Adão, interpretado por Enrique Diaz, supostamente morto, vivendo numa ilha repleta de casas de palafitas no meio do Rio Amazonas.

Com medo de trair o segredo de família, Núria emudece, enquanto Fábio parece conviver com isso sem problemas. Em meio a esse processo, a família tenta receber uma indenização pela morte do pai e obter um visto para fugir para o Brasil. Ao encobrir essa história, descobrem mais sobre o passado da família, intrincados nos conflitos armados que já duram mais de meio século na Colômbia.

Além disso, outra brasileira se destaca entre os selecionados: a cineasta Ivete Lucas, que hoje mora nos Estados Unidos, e divide a direção do curta-metragem Skip Day, com o americano Patrick Bresnan.

Confira a lista completa com os filmes selecionados para a Quinzena dos Realizadores 2018, que acontecerá entre os dias 9 e 19 de maio:

LONGAS-METRAGENS:

Amin, de Philippe Faucon (França)
Carmen y Lola, de Arantxa Echevarria (Espanha)
Climax, de Gaspar Noé
Cómprame un revólver (Buy Me a Gun), de Julio Hernández Cordón (México)
Les Confins du monde, de Guillaume Nicloux (França)
El Motoarrebatador (The Snatch Thief), de Agustín Toscano (Argentina/Uruguai)
En Liberté!, de Pierre Salvadori (França)
Joueurs (Treat Me Like Fire), de Marie Monge (França)
Leave No Trace, de Debra Granik (EUA)
Los Silencios, de Beatriz Seigner (Brasil/França/Colômbia)
Ming wang xing shi ke (The Pluto Moment), de Ming Zhang (China)
Mandy, de Panos Cosmatos (EUA)
Mirai, de Mamoru Hosoda (Japão)
Le monde est à toi, de Romain Gavras (França)
Pájaros de verano, de Ciro Guerra e Cristina Gallego (Colômbia/Dinamarca) (filme de abertura)
Petra, de Jaime Rosales (Espanha/França)
Samouni Road, de Stefano Savona (Itália/França)
Teret (The Load), de Ognjen Glavonic (Sérvia/França/Croácia/Irã/Qatar)
Troppa Grazia, de Gianni Zanasi (Itália) (filme de encerramento)
Weldi, de Mohamed Ben Attia (Tunísia/Bélgica/França)

CURTAS-METRAGENS:

Basses, de Félix Imbert (França)
Ce magnifique gâteau! (This Magnificient Cake!), de Emma De Swaef e Marc Roels (Bélgica/França/Holanda)
La Chanson (The Song), de Tiphaine Raffier (França)
La lotta, de Marco Bellocchio (Itália)
Las cruces, de Nicolas Boone (Colômbia)
La Nuit des sacs plastiques (The Night of the Plastic Bags), de Gabriel Harel (França)
O Órfão (The Orphan), de Carolina Markowicz (Brasil)
Our Song to War, de Juanita Onzaga (Índia/Bélgica)
Skip Day, de Patrick Bresnan e Ivete Lucas (EUA)
Le Sujet, de Patrick Bouchard (Canadá)

Foto: Juliana Vasconcelos.

Conheça os filmes selecionados para a Semana da Crítica 2018, mostra paralela ao Festival de Cannes

por: Cinevitor

diamantinocannesCena do filme português Diamantino: coprodução brasileira.

Foram anunciados nesta segunda-feira, 16/04, os filmes selecionados para a Semana da Crítica (Semaine de la Critique), mostra paralela ao Festival de Cannes, que concentra-se na descoberta de novos talentos. Desde que foi criada pelo Syndicat Français de la Critique de Cinéma, em 1962, busca explorar e revelar novos cineastas inovadores do mundo todo.

Neste ano, em sua 57ª edição, a Semana da Crítica, que acontecerá entre os dias 9 e 17 de maio, terá o cineasta Joachim Trier como presidente do júri. A atriz americana Chloë Sevigny, o ator argentino Nahuel Pérez Biscayart, a cineasta italiana Eva Sangiorgi e o jornalista francês Augustin Trapenard completam o júri.

Entre os selecionados, vale destacar o longa português Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, uma coprodução entre França e Brasil, que conta a história de um famoso jogador de futebol que precisa enfrentar a decadência de sua carreira e problemas pessoais.

O filme de abertura será o drama Wildlife, que marca a estreia do ator Paul Dano na direção. O elenco conta com Jake Gyllenhaal, Carey Mulligan, Bill Camp, Ed Oxenbould e Zoe Margaret Colletti.

Conheça os filmes selecionados para a Semana da Crítica 2018:

COMPETIÇÃO | LONGAS-METRAGENS:
Chris the Swiss, de Anja Kofmel (Suíça/Croácia/Alemanha/Finlândia)
Diamantino, de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt (Portugal/França/Brasil)
Egy Nap (One Day Un jour), de Zsófia Szilágyi (Hungria)
Fuga (Fugue), de Agnieszka Smoczyńska (Polônia/República Checa/Suécia)
Kona fer í stríð (Woman at War), de Benedikt Erlingsson (Islândia/França/Ucrânia)
Sauvage, de Camille Vidal-Naquet (França)
Sir (Monsieur), de Rohena Gera (Índia/França)

COMPETIÇÃO | CURTAS-METRAGENS:
Amor, Avenidas Novas, de Duarte Coimbra (Portugal)
Ektoras Malo: I Teleftea Mera Tis Chronias (Hector Malot: The Last Day of the Year), de Jacqueline Lentzou (Grécia)
Mo-Bum-Shi-Min (Exemplary citizen), de Kim Cheol-hwi (Coreia do Sul)
Pauline asservie (Pauline, Enslaved), de Charline Bourgeois-Tacquet (França)
La Persistente, de Camille Lugan (França)
Rapaz (Raptor/Rapace), de Felipe Gálvez (Chile)
Schächer, de Flurin Giger (Suíça)
Tiikeri (The Tiger/Le Tigre), de Mikko Myllylahti (Finlândia)
Un jour de mariage (A wedding day), de Elias Belkeddar (Argélia/França)
Ya normalniy (Normal), de Michael Borodin (Rússia)

SESSÕES ESPECIAIS | LONGAS-METRAGENS:
Wildlife, de Paul Dano (EUA) (filme de abertura)
Guy, de Alex Lutz (França) (filme de encerramento)
Nos Batailles (Our Struggles), de Guillaume Senez (Bélgica/França)
Shéhérazade, de Jean-Bernard Marlin (França)

SESSÕES ESPECIAIS | CURTAS-METRAGENS:
La Chute, de Boris Labbé (França)
Third Kind, de Yorgos Zois (Grécia/Croácia)
Ultra Pulpe (Apocalypse After), de Bertrand Mandico (França)

CONVIDADOS | Morelia International Film Festival:
Aguas tranquilas aguas profundas, de Miguel Labastida Gonzalez (México)
Lo que no se dice bajo el sol, de Eduardo Esquivel (México)
Tierra de brujas, mar de sirenas, de Delia Luna Couturier (México)
Vuelve a mí, de Daniel Nájera Betancourt (México)

Foto: Divulgação.

Milos Forman, diretor de Um Estranho no Ninho e Amadeus, morre aos 86 anos

por: Cinevitor

morremilosformanCineasta premiado e carreira prestigiada.

Morreu na noite desta sexta-feira, 14/04, aos 86 anos, o cineasta checo Milos Forman. A causa da morte não foi revelada, mas foi confirmada por seu agente Dennis Aspland.

Nascido Jan Tomáš Forman, em Čáslav, na República Checa, Forman era filho de protestantes que morreram durante a ocupação nazista. No período da Segunda Guerra Mundial, morou com parentes e passou a maior parte de sua juventude em um colégio interno para órfãos da guerra.

No início da década de 1950, estudou Cinema na Universidade de Praga. Integrante de um grupo formado por jovens cineastas checos, se destacou ao realizar documentários em curta-metragem ao lado de seus colegas. Dirigiu seu primeiro longa de ficção, Pedro, O Negro, em 1964. Um ano depois, ganhou repercussão internacional com a comédia dramática Os Amores de uma Loira, que foi exibido no Festival de Veneza e indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.

Mudou-se para os Estados Unidos em 1968 e foi indicado novamente ao prêmio da Academia com O Baile dos Bombeiros, realizado em 1967, mas perdeu para Guerra e Paz, de Sergey Bondarchuk, representante da União Soviética.

Em 1971, participou da Competição Oficial do Festival de Cannes com Procura Insaciável, e levou o Grande Prêmio do Júri. A comédia musical, protagonizada por Lynn Carlin, Buck Henry e Georgia Engel, também foi indicada ao BAFTA e ao WGA Awards, prêmio do Sindicato dos Roteiristas da América.

Com uma carreira já prestigiada, dirigiu, em 1975, o aclamado Um Estranho no Ninho, protagonizado por Jack Nicholson. O longa rendeu o Oscar de melhor direção para Milos Forman e levou mais quatro estatuetas douradas, incluindo a de melhor filme. O cineasta ainda foi premiado no Globo de Ouro, BAFTA, National Board of Review e no DGA Awards, prêmio do Sindicato dos Diretores da América.

milosnicholson Jack Nicholson e Forman nos bastidores de Um Estranho no Ninho.

Milos dirigiu também o musical Hair, em 1979, e o drama Na Época do Ragtime, indicado ao Oscar em oito categorias. Em 1984, levou para os cinemas a história dos compositores Wolfgang Amadeus Mozart e Antonio Salieri em Amadeus, filme vencedor de oito estatuetas douradas no prêmio da Academia, incluindo melhor direção.

Com O Povo Contra Larry Flynt, ganhou o Urso de Ouro de melhor direção no Festival de Berlim, em 1997, e foi indicado ao Oscar, mas perdeu para Anthony Minghella, de O Paciente Inglês. A comédia dramática O Mundo de Andy, cinebiografia de Andy Kaufman e protagonizada por Jim Carrey, acabou lhe rendendo o segundo Urso de Ouro na Berlinale.

Forman também se aventurou em frente às câmeras como ator e participou de alguns filmes, como: A Difícil Arte de Amar (1986), Tenha Fé (2000) e Bem Amadas (2011), com Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni.

Além disso, também dirigiu Visions of Eight, Valmont – Uma História de Seduções, Sombras de Goya e o musical Dobre placená procházka, ao lado de seu filho Petr Forman, e seu último trabalho como diretor.

Fotos: Bryan Bedder e Divulgação.

Conheça os filmes selecionados para o Festival de Cannes 2018; longa de Cacá Diegues será exibido fora de competição

por: Cinevitor

jeusitacircomisticocannesJesuíta Barbosa em O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues: fora de competição.

O Festival de Cannes 2018, que acontecerá entre os dias 8 e 19 de maio, anunciou nesta quinta-feira, 12/04, os filmes selecionados para a 71ª edição, que neste ano terá a atriz Cate Blanchett na presidência do júri e o longa Todos lo saben, dirigido pelo cineasta iraniano Asghar Farhadi, exibido na noite de abertura.

Entre os selecionados para a Competição Oficial, que concorrem ao prêmio máximo do evento, a Palma de Ouro, destacam-se os filmes de Stéphane Brizé, Jean-Luc Godard, Hirokazu Koreeda, Nadine Labaki, Spike Lee, David Robert Mitchell, Jafar Panahi, entre outros.

O brasileiro O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues, será exibido na mostra Sessões Especiais. O longa conta a história de cinco gerações de uma mesma família circense e conta com Jesuíta Barbosa, Mariana Ximenes, Bruna Linzmeyer, Vincent Cassel e Juliano Cazarré no elenco. O diretor já esteve em Cannes na disputa pela Palma de Ouro com Bye Bye Brasil, em 1980; Quilombo, em 1984; e Um Trem para as Estrelas, em 1987.

O cineasta brasileiro Joe Penna, nascido em São Paulo e atualmente morando em Los Angeles, também está na programação do evento com o drama Arctic, que será exibido na sessão Midnight. O longa, protagonizado por Mads Mikkelsen e Maria Thelma Smáradóttir, mostra um homem encalhado no Ártico que aguarda por resgate.

A mostra Un Certain Regard, paralela ao evento, coloca em evidência filmes mais atípicos aos da Competição Oficial e dirigidos por novos cineastas. Neste ano, o ator Benicio Del Toro será o presidente do júri e entre os selecionados destacam-se: o drama Euphoria, da italiana Valeria Golino e o argentino El Ángel, de Luis Ortega.

Confira a lista completa com os filmes selecionados para o Festival de Cannes 2018:

COMPETIÇÃO OFICIAL:

Todos lo saben, de Asghar Farhadi (Espanha/França/Itália)
En Guerre, de Stéphane Brizé (França)
Dogman, de Matteo Garrone (Itália/França)
Le livre d’image, de Jean-Luc Godard (França)
Netemo sametemo, de Ryûsuke Hamaguchi (Japão)
Plaire, aimer et courir vite, de Christophe Honoré (França)
Les filles du soleil, de Eva Husson (França/Bélgica/Geórgia/Suíça)
Ash is Purest White, de Jia Zhangke (China)
Manbiki kazoku (Shoplifters), de Hirokazu Koreeda (Japão)
Capharnaüm, de Nadine Labaki (Líbano)
Buh-Ning (Burning), de Chang-dong Lee (Coreia do Sul)
BlacKkKlansman, de Spike Lee (EUA)
Under the Silver Lake, de David Robert Mitchell (EUA)
Three Faces, de Jafar Panahi (Irã)
Zimna wojna, de Pawel Pawlikowski (Polônia/França/Reino Unido)
Lazzaro felice, de Alice Rohrwacher (Itália/Suíça/França/Alemanha)
Yomeddine, de A.B. Shawky (Egito/EUA/Áustria)
Leto, de Kirill Serebrennikov (Rússia)

MOSTRA UN CERTAIN REGARD:

Gräns (Border), de Ali Abbasi (Suécia)
Sofia, de Meryem Benm’Barek (Marrocos)
Les chatouilles, de Andréa Bescond e Eric Métayer (França)
Long Day’s Journey Into Night, de Gan Bi (China)
Manto, de Nandita Das (Índia)
À Genoux Les Gars, de Antoine Desrosières (França)
Girl, de Lukas Dhont (Bélgica)
Gueule d’ange, de Vanessa Filho (França)
Euphoria, de Valeria Golino (Itália)
Mon tissu préféré, de Gaya Jiji (França/Alemanha/Turquia)
Rafiki, de Wanuri Kahiu (África do Sul/Quênia/França/Holanda/Alemanha)
Die Stropers (Les Moissonneurs), de Etienne Kallos (África do Sul)
In My Room, de Ulrich Köhler (Alemanha/Itália)
El Ángel, de Luis Ortega (Argentina/Espanha)
The Gentle Indifference of the World, de Adilkhan Yerzhanov (Cazaquistão)

FORA DE COMPETIÇÃO:

Han Solo: Uma História Star Wars, de Ron Howard (EUA)
Le grand bain, de Gilles Lellouche (França)

SESSÃO DA MEIA-NOITE:

Arctic, de Joe Penna (Islândia)
Gongjak (The Spy Gone North), de Yoon Jong-Bing (Coreia do Sul)

SESSÕES ESPECIAIS:

10 Years Thailand, de Aditya Assarat, Wisit Sasanatieng, Chulayarnon Sriphol e Apichatpong Weerasethakul (Tailândia)
The State Against Mandela and the Others, de Nicolas Champeaux e Gilles Porte (França)
O Grande Circo Místico, de Cacá Diegues (Brasil)
La Traversée, de Romain Goupil (França)
À tous vents, de Michel Toesca (França/Itália)
Les Âmes Mortes (Dead Souls), de Wang Bing (China)
Pope Francis: A Man of His Word, de Wim Wenders (EUA)

Foto: Divulgação.

Conheça os vencedores do 44º Festival Sesc Melhores Filmes

por: Cinevitor

mariapremiosesc2Maria Ribeiro no palco: empate no prêmio de melhor atriz.

Foram anunciados nesta quarta-feira, 04/04, os vencedores do 44º Festival Sesc Melhores Filmes, votação que elege as melhores produções nacionais e estrangeiras de 2017 na opinião da crítica especializada e do público.

Criado em 1974, o festival é o mais antigo e um dos mais tradicionais de São Paulo e oferece ao público a oportunidade de ver ou rever o que passou de mais significativo pelas telas da cidade no ano anterior ao evento, a preços populares e com atenção à acessibilidade.

Os filmes são escolhidos democraticamente por meio de votação, dividida entre público e júri especializado, composto por críticos e jornalistas de todo o Brasil. Participaram da votação desta edição 415 filmes, sendo 121 nacionais (75 ficcionais e 46 documentários) e 294 internacionais. Neste ano, foram mais de 11 mil votos de cinéfilos e mais de 120 críticos votantes, entre eles, Vitor Búrigo, aqui do CINEVITOR.

A cerimônia foi apresentada pela atriz, escritora e cineasta Roberta Estrela D’Alva, marcando a abertura oficial do evento, que traz de volta ao CineSesc, de 5 a 25 de abril, as produções mais votadas.

Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky, foi eleito o melhor filme brasileiro pela crítica e recebeu também os prêmios de melhor roteiro e melhor atriz para Maria Ribeiro e Clarisse Abujamra, o primeiro empate na história do festival nesta categoria.

Conheça os vencedores e assista aos melhores momentos da premiação do 44º Festival Sesc Melhores Filmes:

FILMES BRASILEIROS | PÚBLICO:
Melhor Filme: A Glória e a Graça, de Flávio Ramos Tambellini
Melhor Documentário: Arpilleras: Atingidas por Barragens Bordando a Resistência, do Coletivo Mulheres do MAB
Melhor Ator: Daniel Furlan, por La Vingança
Melhor Atriz: Carolina Ferraz, por A Glória e a Graça
Melhor Direção: Eliane Caffé, por Era o Hotel Cambridge
Melhor Roteiro: A Glória e a Graça, escrito por Mikael de Albuquerque e Lusa Silvestre
Melhor Fotografia: A Glória e a Graça, por Gustavo Hadba

FILMES BRASILEIROS | CRÍTICA:
Melhor Filme: Como Nossos Pais, de Laís Bodanzky
Melhor Documentário: Martírio, de Vincent Carelli
Melhor Ator: Nelson Xavier, por Comeback
Melhor Atriz (empate): Maria Ribeiro e Clarisse Abujamra, por Como Nossos Pais
Melhor Direção: Eliane Caffé, por Era o Hotel Cambridge
Melhor Roteiro: Como Nossos Pais, escrito por Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi
Melhor Fotografia: Joaquim, por Pierre de Kerchove

FILMES ESTRANGEIROS | PÚBLICO:
Melhor Filme: Com Amor, Van Gogh, de Dorota Kobiela e Hugh Welchman
Melhor Ator: Ashton Sanders, por Moonlight: Sob a Luz do Luar
Melhor Atriz: Adèle Haenel, por A Garota Desconhecida
Melhor Direção: Barry Jenkins, por Moonlight: Sob a Luz do Luar

FILMES ESTRANGEIROS | CRÍTICA:
Melhor Filme: Corra!, de Jordan Peele
Melhor Ator: James McAvoy, por Fragmentado
Melhor Atriz: Sandra Hüller, por Toni Erdmann
Melhor Direção: Barry Jenkins, por Moonlight: Sob a Luz do Luar

*Clique aqui e saiba mais sobre a programação do festival.

Foto: Aline Arruda.

Todos lo saben, de Asghar Farhadi, será o filme de abertura do Festival de Cannes 2018

por: Cinevitor

losabencannesabreFilme falado em espanhol na abertura do evento francês.

O Festival de Cannes 2018, que acontecerá entre os dias 8 e 19 de maio, anunciou nesta quinta-feira, 05/04, que o filme de abertura desta 71ª edição será Todos lo saben, dirigido pelo cineasta iraniano Asghar Farhadi.

O oitavo longa-metragem de Farhadi, filmado inteiramente em espanhol na Península Ibérica, conta a história de Laura, que mora com o marido e com os filhos em Buenos Aires. Quando voltam para sua cidade natal, na Espanha, por conta de uma celebração familiar, um acontecimento inesperado muda o rumo de suas vidas. A família, seus laços e as escolhas morais impostas a eles se destacam na trama.

Protagonizado por Penélope Cruz e Javier Bardem, o thriller psicológico conta também com Ricardo Darín, Bárbara Lennie, Carla Campra, Inma Cuesta, Eduard Fernández, Elvira Mínguez e Ramón Barea no elenco. José Luis Alcaine, que já trabalhou diversas vezes com Pedro Almodóvar, assina a direção de fotografia; Sonia Grande, de Meia-Noite em Paris e Abraços Partidos, é a figurinista; e a montagem ficou por conta da iraniana Hayedeh Safiyari, que continua sua colaboração com o diretor depois de trabalharem juntos em quatro de seus filmes, incluindo os dois vencedores do Oscar.

Na última década, Asghar Farhadi se estabeleceu como um dos cineastas iranianos mais influentes e internacionalmente reconhecidos. No Festival de Berlim, levou o Urso de Ouro por A Separação, que também foi premiado no Oscar e no Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro. Em Cannes, marcou presença pela primeira vez em 2013 com O Passado e em 2016 com O Apartamento, vencedor do prêmio de melhor roteiro e também do Oscar de filme estrangeiro.

A última vez que um filme não falado em inglês ou francês foi exibido na abertura do evento foi em 2004, com Má Educação, de Pedro Almodóvar. Neste ano, o júri da Competição Oficial será presidido pela atriz Cate Blanchett; o ator porto-riquenho Benicio Del Toro vai comandar a mostra Un Certain Regard; e a francesa Ursula Meier presidirá o júri da Caméra d’or.

Na mostra Cannes Classics, o aclamado 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, terá uma exibição especial em 70 mm, apresentada por Christopher Nolan, por seus 50 anos de lançamento; o cineasta americano Martin Scorsese será homenageado na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela ao evento.

Os filmes selecionados para a Competição Oficial serão anunciados na quinta-feira, 12/04.

Foto: Divulgação/Memento Filmes.

Entrevista: Lucrecia Martel fala sobre Zama, coprodução brasileira e América Latina

por: Cinevitor

lucrecia1Diretora premiada esteve no Brasil recentemente.

Nascida na Argentina, a cineasta Lucrecia Martel, um dos maiores nomes do cinema contemporâneo, tem colocado seu trabalho na comunidade internacional do cinema e seus filmes costumam participar de importantes festivais. Em Cannes, apresentou A Menina Santa, em 2004, e A Mulher Sem Cabeça, em 2008, na Competição Oficial; no Festival de Berlim, em 2001, concorreu ao Urso de Ouro com O Pântano.

Zama, seu mais novo trabalho, que já está em cartaz nos cinemas brasileiros, foi indicado ao Goya e ao Prêmio Sur, premiado nos festivais de Havana e Roterdã e escolhido como o representante argentino para disputar uma vaga entre os finalistas ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

O longa, com coprodução brasileira de Vania Catani, da Bananeira Filmes, retrata a trajetória de Zama, vivido por Daniel Giménez Cacho, um oficial da Coroa Espanhola nascido na América do Sul, que aguarda uma carta do Rei autorizando-o a se transferir da cidade em que vive estagnado para um lugar melhor. Para garantir a transferência, Zama se ver forçado a aceitar todas as ordens e tarefas que são passadas por consecutivos governantes ao longo dos anos. Quando percebe que a tal carta não vai chegar, ele decide se unir a um grupo de soldados em busca de um perigoso bandido.

zamaator2Daniel Giménez Cacho: protagonista.

Para divulgar o filme, Lucrecia esteve no Brasil recentemente e participou de uma conversa com a imprensa, na qual o CINEVITOR foi convidado, na sede da Vitrine Filmes, em São Paulo. Acompanhada pela produtora Vania Catani, falou sobre Zama, coprodução brasileira, história da América Latina e refletiu sobre o presente, o passado e o futuro.

Confira os melhores momentos do bate-papo com Lucrecia Martel:

ROTEIRO E FOTOGRAFIA:

“Eu escrevi o roteiro [baseado no livro homônimo de Antonio Di Benedetto] entre 2011 e 2015. Quando eu leio um livro, imagens e sons vão surgindo em minha mente. E tudo isso que aparece quando lemos um livro, junto com seus significados, fica próximo do cinema”.

“Quando eu converso com o diretor de fotografia, debatemos imagens de referência para estabelecer um critério. O mais importante para Zama foi a instrução de situar o espectador no passado”.

EQUIPE BRASILEIRA:

“A Vania Catani está desde o início do projeto. Na época do lançamento de A Mulher Sem Cabeça, ela entrou em contato comigo para pensarmos em alguma história sobre a Clarice Lispector. Mas acabou não acontecendo. Retomamos o contato quando eu comecei a procurar produtores para financiar o Zama e nos conectamos imediatamente. Esse filme é diferente de todos, pois se passa na fronteira. Então, a participação do Brasil, particularmente, era muito importante. Tinha muito sentido ter alguém do Brasil, não só financeiramente, mas também como suporte. E fico muito feliz com isso, pois a coprodução com outros países não significa apenas dinheiro. O Brasil está presente em diversas partes, temos a Renata Pinheiro na direção de arte, por exemplo, e conversamos muito sobre as referências, como o barroco latino-americano. Tem muito elemento da cultura brasileira”.

“Na equipe, temos quatro atores brasileiros [entre eles, Matheus Nachtergaele e Mariana Nunes], a diretora de arte [Renata Pinheiro] e a equipe de cenografia, tem a Karen Harley na montagem e a música dos índios Tabajara, completou Vania Catani.

matheuszamaMatheus Nachtergaele em cena do filme.

COPRODUÇÃO:

“O fato de ir atrás de tantos produtores é porque está cada vez mais difícil realizar um filme com uma certa liberdade, sem compromisso com o mercado, mas sim, com o espectador. Não foi fácil conseguir esse dinheiro, por isso procurei tantos produtores”.

[Os países que assinam a coprodução de Zama são: Brasil, Espanha, República Dominicana, França, Holanda, México, Suíça, EUA, Portugal e Líbano].

REALIDADE:

“Muitos críticos pensam que a relação mais forte que um diretor tem com o cinema é o próprio cinema. Mas, não. Nossa relação está relacionada com a maneira em que observamos o mundo. Precisamos refletir mais a realidade, ainda que não tenha sentido. Como aceitamos, por exemplo, um trabalho que não estamos de acordo? Quem aqui tem o tempo livre que precisa?”.

“Não só no Brasil, mas em muitos outros lugares, há uma cobrança por mais participação das mulheres em muitas áreas, assim também está acontecendo com os negros e com os índios, culturalmente falando. Tudo isso reflete na realidade”.

“Todos os países latino-americanos seguem dependentes economicamente. Está muito claro neste governo brasileiro e também no argentino, que eles governam não para nós, mas sim para outros negócios. Então, quão independente nós somos?”.

zamaatriz1Lola Dueñas interpreta Luciana Piñares de Luenga.

INDEPENDÊNCIA:

“Há um discurso histórico no Brasil, na Argentina, no Chile, no Peru, no México, em toda a América Latina, que indicava que uma grande mudança aconteceria a partir da independência. Mas, eu penso que o pior da história dos nossos países começou com a independência. O momento mais obscuro da nossa história começa com a independência porque nossa própria burguesia criou a escravidão e a expulsão indígena, por exemplo. Claro que algumas coisas mudaram, mas mesmo depois da abolição ainda existem pessoas trabalhando em condições precárias na Argentina. Então, que distância temos das colônias? Por isso, neste filme, me preocupava ficar distante dessa coisa heroica do passado”.

FICÇÃO CIENTÍFICA:

“As próximas gerações terão oportunidade de pensar no passado como ficção científica. Porque o passado, oficialmente contado para nós, é muito falso. É mais provável acertar na ficção do que com a própria história. Por isso, em Zama trago esse passado como uma espécie de ficção científica, já que esse gênero traz uma certa liberdade para pensarmos no futuro. Quais são as fontes que realmente temos pra saber sobre o passado? Há muito pouco. É preciso pensar no passado com mais liberdade”.

REFLEXÃO:

“Chega de pensar só no futuro. Pense no agora, pois há algo urgente, imediato. As mulheres, por exemplo, estão cansadas porque já não querem mais saber só do futuro, elas querem que se resolva agora, já! O que eu gosto de Zama é essa mensagem contrária ao neocristianismo que está tão forte e presente em nossa cultura”, finalizou Lucrecia.

Fotos: Divulgação.