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Exclusivo: confira uma cena de O Barco, novo filme de Petrus Cariry

por: Cinevitor

obarcocenacinevitorRômulo Braga e Samya de Lavor no filme: estreia nos cinemas!

Vencedor de quatro prêmios na 28ª edição do Festival Cine Ceará, entre eles, melhor filme pelo júri Olhar Universitário, O Barco, de Petrus Cariry, chega aos cinemas nesta quinta-feira, 05/11, pela Sereia Distribuidora.

No filme, Esmerina, papel de Verônica Cavalcanti, é mãe de 26 filhos, cada um chamado por uma letra do alfabeto. A família leva uma vida pacata em uma vila de pescadores até que um barco naufraga trazendo Ana, vivida por Samya de Lavor, uma misteriosa mulher que vai mudar a rotina da família. O mais afetado é o filho A, interpretado por Rômulo Braga, o mais velho da prole, que desperta para a vontade de romper com o lugar onde passou sua vida inteira para, finalmente, conhecer o mundo. O elenco ainda conta com a participação dos atores paraibanos Everaldo Pontes, que interpreta um velho sábio da vila; e Nanego Lira, como o patriarca da família.

A história é inspirada no conto homônimo do escritor cearense Carlos Emílio Corrêa Lima, que foi adaptado para o cinema pelo próprio diretor em parceria com Rosemberg Cariry e Firmino Holanda (também montador do filme). A produção executiva é de Bárbara Cariry, a direção de produção de Teta Maia e a trilha sonora original de João Victor Barroso. O Barco foi filmado durante quatro semanas no cenário paradisíaco da Praia das Fontes, reunindo uma equipe técnica formada, em sua maioria, por profissionais cearenses.

Além de diretor, roteirista e montador, Petrus também assina a direção de fotografia, trabalho que foi premiado no Islantilla Cineforum (Espanha), no 3º Rivne International Film Festival (Ucrânia), no Rio Fantastik Festival (Brasil), no  Festicini 2018 – Festival Internacional de Cinema Independente (Brasil) e no 13º Encontro Nacional de Cinema dos Sertões (Brasil). O longa também foi exibido em festivais e mostras dos Estados Unidos, Alemanha, Itália, Nigéria, México, Chile, Colômbia e Portugal.

Confira, com exclusividade no CINEVITOR, uma cena de O Barco, com Rômulo Braga e Samya de Lavor:

Foto: Petrus Cariry.

Marighella, de Wagner Moura, ganha trailer e data de estreia

por: Cinevitor

marighellatrailer1cinevitorSeu Jorge interpreta o guerrilheiro que se tornou o principal inimigo da ditadura militar brasileira.

Depois de estrear no Festival de Berlim do ano passado, fora de competição, Marighella, dirigido por Wagner Moura, teve seu lançamento comercial adiado no Brasil por conta da pandemia de Covid-19.

Enquanto isso, passou por diversos festivais mundo afora: Seattle, Hong Kong, Sydney, Santiago, Havana, Istambul, Atenas, Estocolmo, Cairo; entre cerca de 30 exibições em países dos cinco continentes. Agora, o primeiro longa-metragem de Wagner Moura como diretor ganhou uma nova data de estreia por aqui: 14 de abril de 2021.

Marighella traz no elenco Seu Jorge, no papel título; além de Bruno Gagliasso, Luiz Carlos Vasconcellos, Herson Capri, Humberto Carrão, Adriana Esteves, Bella Camero, Maria Marighella, Ana Paula Bouzas, Carla Ribas, Tuna Dwek, Jorge Paz, entre outros. O longa conta a história dos últimos anos de Carlos Marighella, guerrilheiro que liderou um dos maiores movimentos de resistência contra a ditadura militar no Brasil, na década de 1960.

Comandando um grupo de jovens guerrilheiros, Marighella tenta divulgar sua luta contra a ditadura para o povo brasileiro, mas a censura descredita a revolução. Seu principal opositor é Lucio, policial que o rotula de inimigo público nº 1. Quando o cerco se fecha, o próprio Marighella é emboscado e morto, mas seus ideais sobrevivem nas ações dos jovens guerrilheiros, que persistem na revolução.

Neste ano, o filme foi premiado no CinEuphoria Awards na categoria de melhor ator coadjuvante para Bruno Gagliasso, que interpreta o policial Lucio; além disso, recebeu mais três indicações. Já no Mill Valley Film Festival, levou o prêmio do público de melhor filme.

O longa, rodado na Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, tem produção da O2 Filmes e coprodução da Globo Filmes e Maria da Fé; a distribuição é da Paris Filmes.

Assista ao trailer oficial de Marighella:

Foto: Divulgação.

Repescagem da 44ª Mostra de São Paulo: conheça os filmes selecionados

por: Cinevitor

diasmostrasprepescagemKang-sheng Lee no filme Dias, de Tsai Ming-Liang.

A partir desta quinta-feira, 05/11, começa a repescagem da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, uma nova chance para o público assistir aos filmes que se destacaram nesta edição.

Diferente dos outros anos, as sessões não serão presenciais, por conta da pandemia de Covid-19, e os títulos estarão disponíveis até o dia 8 de novembro na plataforma Mostra Play. Vale lembrar que o filme ficará disponível na biblioteca por até três dias, mas, a partir do momento que o espectador começa a assisti-lo, terá 24 horas para terminá-lo.

A seleção traz cerca de 130 títulos, entre eles, alguns finalistas ao Troféu Bandeira Paulista, como: os brasileiros Filho de Boi, de Haroldo Borges; Mar de Dentro, de Dainara Toffoli; e Valentina, de Cássio Pereira dos Santos. O português Mosquito, de João Nuno Pinto, uma coprodução entre França e Brasil, também estará disponível.

Conheça os filmes selecionados para a repescagem da 44ª Mostra de São Paulo:

#EAGORAOQUE, de Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald
17 QUADRAS, de Davy Rothbart
499, de Rodrigo Reyes
9,75, de Uluç Bayraktar
A DEUSA DOS VAGALUMES, de Anaïs Barbeau-Lavalette
A MARINA, de Étienne Galloy e Christophe Levac
A MORTE DO CINEMA E DO MEU PAI TAMBÉM, de Dani Rosenberg
A PASTORA E AS SETE CANÇÕES, de Pushpendra Singh
A SANTA DO IMPOSSÍVEL, de Marc Wilkins
A TERRA É AZUL COMO UMA LARANJA, de Iryna Tsilyk
A VIDA NA ESTRADA, de Adnan Faroq, Sidra Rezwan, Ekhlas Heydar Samubud e Salva Soleiman Sedo
AL-SHAFAQ – QUANDO O CÉU SE DIVIDE, de Esen Isik
ANA. SEM TÍTULO, de Lúcia Murat
ANERCA, RESPIRAÇÃO DA VIDA, de Markku Lehmuskallio
ANIMA, de Reza Golchin
AO ENTARDECER, de Sharunas Bartas
APENAS MORTAIS, de Liu Ze
AS ÓRBITAS DA ÁGUA, de Frederico Machado
AS VEIAS DO MUNDO, de Byambasuren Davaa
ASSIM COMO ACIMA, ABAIXO, de Sarah Francis
ASSIM DESSE JEITO, de Kislay
BEANS, de Tracey Deer
BERLIN ALEXANDERPLATZ, de Burhan Qurbani
CALAZAR, de Janis Rafa
CAMINHANDO CONTRA O VENTO, de Shujun Wei
CASULO, de Leonie Krippendorff
CAVALEIRO DE VERÃO, de Xing YOU
CHICO VENTANA TAMBÉM QUERIA TER UM SUBMARINO, de Alex Piperno
CICLO SOLITÁRIO, de Qi Zhang
CIDADE PÁSSARO, de Matias Mariane
CORRENDO PARA O CÉU, de Mirlan Abdykalykov
CORVOS, de Naghi Nemati
COZINHAR F*DER MATAR, de Mira Fornay
CRIANÇAS DO SOL, de Majid Majidi
DE VOLTA A VISEGRAD, de Julie Biro e Antoine Jaccoud
DENTE POR DENTE, de Julio Taubkin e Pedro Arantes
DEZESSEIS PRIMAVERAS, de Suzanne Lindon
DIAS, de Tsai Ming-Liang
EM MEUS SONHOS, de Murat Çeri
ENTRE CÃO E LOBO, de Irene Gutiérrez
ENTRE MORTES, de Hilal Baydarov
EQUINÓCIO, de Lena Knauss
ESPACATE, de Christian Johannes Koch
ESTAVA CHOVENDO PÁSSAROS, de Louise Archambault
ÊXTASE, de Moara Passoni
EYIMOFE (ESSE É MEU DESEJO), de Arie Esiri e Chuko Esiri
FEELS GOOD MAN, de Arthur Jones
FILHO DE BOI, de Haroldo Borges
GATO NA PAREDE, de Mina Mileva e Vesela Kazakova
GÊNERO, PAN, de Lav Diaz
GLAUBER, CLARO, de César Meneghetti
HAVEL, de Slávek Horák
IMPEDIMENTO EM CARTUM, de Marwa Zein
IRMÃ, de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes
JANTAR NA AMÉRICA, de Adam Rehmeier
JOSEP, de Aurélien Froment
KAIRÓS, de Nicolás Buenaventura Vidal
KUBRICK POR KUBRICK, de Grégory Monro
LA FRANCISCA, UNA JUVENTUD CHILENA, de Rodrigo Litorriaga
LABIRINTO YO’EME, de Sergi Pedro Ros
LAMAÇAL, de Franco Verdoia
LIMIAR, de Rouzbeh Akhbari e Felix Kalmenson
LORELEI, de Sabrina Doyle
LUA VERMELHA, de Lois Patiño
MÃE DE ALUGUEL, de Jeremy Hersh
MÃES DE VERDADE, de Naomi Kawase
MALMKROG, de Cristi Puiu
MAMÃE, MAMÃE, MAMÃE, de Sol Berruezo Pichon-Riviére
MAR DE DENTRO, de Dainara Toffoli
MASTERS IN SHORT (curtas-metragens), de Sergei Losnitza, Jia Zhang-ke, Evan Johnson, Galen Johnson, Guy Maddin e Jafar Panahi
MATE-O E DEIXE ESTA CIDADE, de Mariusz Wilczyński
MATRIARCA, de Jure Pavlovic
MEU CORAÇÃO SÓ IRÁ BATER SE VOCÊ PEDIR, de Jonathan Cuartas
MEU REMBRANDT, de Oeke Hoogendijk
MINHA IRMÃ, de Stéphanie Chuat e Véronique Reymond
MISS MARX, de Susanna Nicchiarelli
MOSQUITO, de João Pinto Nuno
MULHER OCEANO, de Djin Sganzerla
MURMÚRIO, de Heather Young
NADANDO ATÉ O MAR SE TORNAR AZUL, de Jia Zhang-ke
NADIA, BORBOLETA, de Pascal Plante
NÃO HÁ MAL ALGUM, de Mohammad Rasoulof
NARIZ SANGRANDO, BOLSOS VAZIOS, de Bill Ross e Turner Ross
NAS ASAS DA PAN AM, de Silvio Tendler
NEM HERÓI NEM TRAIDOR, de Nicolás Savignone
NHEENGATU, de José Barahona
NOSSA SENHORA DO NILO, de Atiq Rahimi
NOTTURNO, de Gianfranco Rosi
NÚMEROS, de Oleg Sentsov e Akhtem Seitablaev
O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS, de João Botelho
O CHARLATÃO, de Agnieszka Holland
O CLUBE VINLAND, de Benoit Pilon
O NARIZ OU A CONSPIRAÇÃO DOS DISSIDENTES, de Andrey Khrzhanovsky
O NEON ATRAVÉS DO OCEANO, de Matthew Victor Pastor
O PERGAMINHO VERMELHO, de Nelson Botter Jr
O PROBLEMA DE NASCER, de Sandra Wollner
O SÉCULO 20, de Matthew Rankin
O TREMOR, de Balaji Vembu Chelli
O ÚLTIMO BANHO, de David Bonneville
OLLIVER HAWK, O HIPNOTIZADOR, de Arthur Franck
ORDEM MORAL, de Mário Barroso
OS NOMES DAS FLORES, de Bahman Tavoosi
PAISAGEM NA SOMBRA, de Bohdan Sláma
PANQUIACO, de Ana Elena Tejera
PARI, de Siamak Etemadi
PIEDRA SOLA, de Alejandro Telemaco Tarraf
PRAZER, CAMARADAS!, de José Filipe Costa
PROBLEMAS COM A NATUREZA, de Illum Jacobi
QUANDO A LUA ESTAVA CHEIA, de Narges Abyar
QUANDO ANOITECE, de Braden King
REBELDES DE VERÃO, de Martina Saková
ROSE INTERPRETA JULIE, de Christine Molloy e Joe Lawlor
SANGUINETTI, de Christian Díaz Pardo
SEM RESSENTIMENTOS, de Faraz Shariat
SEM VOZ, de Pascal Rabaté
SHIRLEY, de Josephine Decker
SILÊNCIO E PÔR DO SOL, de Kazufumi Umemura
SPORTIN’ LIFE, de Abel Ferrara
STARDUST, de Gabriel Range
SUMMERTIME, de Carlos López Estrada
SUOR, de Magnus von Horn
TODAS AS MELODIAS, de Marco Abujamra
UM CRIME EM COMUM, de Francisco Marquez
UM DIA COM JERUSA, de Viviane Ferreira
UMA MÁQUINA PARA HABITAR, de Yoni Goldstein
VALENTINA, de Cássio Pereira dos Santos
VERÃO BRANCO, de Rodrigo Ruiz Patterson
VIVOS, de Ai Weiwei
WALDEN, de Bojena Horackova
XEQUE MATE, de Bruna Piantino

*Os títulos da repescagem da 44ª Mostra só poderão ser vistos até as 23h59 do dia 8 de novembro.

Foto: Divulgação.

Berlin Alexanderplatz

por: Cinevitor

berlinalexanderplatzposter1Direção: Burhan Qurbani

Elenco: Welket Bungué, Albrecht Schuch, Jella Haase, Nils Verkooijen, Joachim Król, Annabelle Mandeng, Lena Schmidtke, Lukhanyo Bele, Thelma Buabeng, Mira Elisa Goeres, Thomas Lawinky, Derek Meisenburg, Faris Saleh, Benny O.-Arthur, Richard Fouofié Djimeli, Rufina Neumann, Michael Davies.

Ano: 2020

Sinopse: Quando Francis é resgatado no litoral do sul da Europa, ele faz um juramento a Deus: de agora em diante, será um novo homem; um homem melhor e decente. Agora, Francis está em Berlim, onde se dá conta de como é difícil ser justo quando você é um refugiado ilegal na Alemanha: sem papéis, sem uma nação e sem autorização para trabalhar. Ele, então, recebe uma oferta de trabalho de Reinhold, um carismático alemão, com a promessa de conseguir dinheiro fácil. Francis, inicialmente, resiste à tentação, mantém seu juramento e se afasta dos negócios obscuros de Reinhold. Mas, eventualmente, ele se vê imerso no submundo de Berlim e sua vida fica totalmente fora de controle. Baseado no romance homônimo Alfred Döblin.

*Filme visto na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Nota do CINEVITOR:

nota-4-estrelas

Entrevista: ator Welket Bungué fala sobre Berlin Alexanderplatz, exibido na 44ª Mostra de São Paulo

por: Cinevitor

berlinwelket4Welket Bungué: protagonista em cena.

Exibido na Competição do Festival de Berlim deste ano, Berlin Alexanderplatz, de Burhan Qurbani, é baseado no romance homônimo escrito por Alfred Döblin. O longa, que disputou o Urso de Ouro, foi premiado no German Film Awards em cinco categorias, no Festival de Roterdã e também no Stockholm Film Festival.

Destaque da Perspectiva Internacional da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, a trama se passa quando Francis, interpretado por Welket Bungué, é resgatado no litoral do sul da Europa e faz um juramento a Deus: de agora em diante, será um novo homem; um homem melhor e decente. Agora, Francis está em Berlim, onde se dá conta de como é difícil ser justo quando você é um refugiado ilegal na Alemanha; sem papéis, sem uma nação e sem autorização para trabalhar.

Ele, então, recebe uma oferta de trabalho de Reinhold, papel de Albrecht Schuch, um carismático alemão, com a promessa de conseguir dinheiro fácil. Francis, inicialmente, resiste à tentação, mantém seu juramento e se afasta dos negócios obscuros de Reinhold. Mas, eventualmente, ele se vê imerso no submundo de Berlim e sua vida fica totalmente fora de controle.

Para falar mais sobre o filme, conversamos por e-mail com o protagonista Welket Bungué, que foi premiado por sua atuação no Stockholm Film Festival. Nascido em Guiné-Bissau, também atuou em diversas produções brasileiras. Confira:

Berlin Alexanderplatz é baseado no romance homônimo de Alfred Döblin. A história já tinha sido adaptada para os cinemas, em 1931, por Phil Jutzi e também por Rainer Werner Fassbinder, na década de 1980, para uma série televisiva. Você já conhecia essas outras versões? Se não conhecia, chegou a ir atrás para buscar alguma referência? Como foi o seu trabalho de construção do personagem Francis?

Na verdade, eu somente ouvi falar do romance depois que fui contactado pela produtora alemã Sommerhaus, em abril de 2017. Depois disso, envolvi-me mais com o conceito criativo do Burhan para esta nova adaptação do romance do Alfred Döblin. Para encarnar o personagem assisti bastante filmes e, sobretudo, me conscientizei profundamente sobre as dinâmicas político-sociais que me influenciaram durante as minhas idas ao Brasil, e para outros quadrantes internacionais. Na verdade, sendo eu um artista internacionalizado, já tinha vivenciado algumas situações semelhantes às vividas pelo meu personagem no filme. E refiro-me a situações de injustiça social, ou mesmo de descriminação por preconceitos vários. Lembro-me de ler James Baldwin e de ver o filme Beasts of No Nation, e isso fortaleceu muito o meu imaginário do background do Franz B. Mas, este filme foi especialmente desafiador porque falo alemão em mais de 65% da trama, e até então eu não tinha nenhuma familiaridade nem com a língua nem cultura alemãs. Por isso, precisei de aprender alemão durante cerca de cinco meses.

berlinwelket2Welket Bungué e Albrecht Schuch em cena.

Como você chegou nesse projeto? E como foi o entrosamento com o elenco e com o diretor no set?

Esse projeto chegou até mim em 2017, em abril, logo após regressar ao Rio de Janeiro vindo do Festival de Berlim onde estivemos em competição com o filme Joaquim, de Marcelo Gomes. Recebi um e-mail maioritariamente escrito em alemão e em inglês, e de início até desconfiei que fosse spam. Depois disso, confirmou-se que era coisa séria, mas precisei fazer uma self tape para me apresentar para o diretor e para a produção. Depois, em outubro de 2017, sensivelmente, pude conhecer o diretor no contexto de casting ao vivo, onde igualmente conheci meus colegas Jella e Albrect. Penso que nesse momento, a química entre esse grupo triádico foi consensual e o diretor e o fotógrafo Yoshi perceberam que o filme começava a ganhar corpo e rostos vivos. Posteriormente, nos reunimos cada vez mais para discutir a origem do Francis, que acabou por ser assumidamente da Guiné-Bissau e não mais da Nigéria. O filme foi rodado entre maio e julho de 2018 na Alemanha e depois ainda filmei as cenas passadas em solo africano na África do Sul (Cape Town), em dezembro de 2018. A uma fusão de cumplicidade e de afeto ao longo do filme, que foi abençoada com a humanidade do nosso diretor Burhan Qurbani, e, claro, com a equipe que ele tem trabalhado desde o seu primeiro longa-metragem. Em especial, a minha performance no papel de Francis é muito iluminada pela parceria forte e constante do Albrecht Schuch, que interpreta Reinhold.

Berlin Alexanderplatz participou da Competição Oficial do Festival de Berlim deste ano e disputou o Urso de Ouro. Depois disso, foi premiado no German Film Awards. Pra você, como protagonista, qual a importância dessas participações em festivais e como isso afeta sua carreira?

O filme teve um lançamento até bastante gracioso tendo em conta que estamos a viver um ano atípico. Depois da Berlinale, tivemos 11 nomeações técnicas e artísticas no German Film Awards, das quais fomos premiados em cinco categorias. Foram momentos de grande emoção e que eu considero de grande prestígio para todos os envolvidos. Percebemos que o filme tem qualidade e que o júri viu com dedicação. Atribui-nos uma grande responsabilidade perante aquele que veio a ser o entendimento e comunicação do filme perante o público alemão dali em diante. Eu, sendo um cidadão natural da Guiné-Bissau, crescido e formado em Portugal, e agora a circular por todo o mundo, ver-me nomeado naquilo que é, à falta de melhor termo, a primeira liga de atores e atrizes alemães, é um grande marco para a minha trajetória artística. Mas, também do ponto de vista da minha autoestima, dos meus objetivos pessoais e de como se configura a paisagem humana no que toca à representatividade na indústria do cinema europeu. A Academia Alemã veio dar-me um selo de qualidade que poderá ser observado por um público internacional e isso deixa-me bastante feliz e curioso para ver o que se seguirá no futuro.

berlinwelket3Dupla em cena: Welket Bungué e Jella Haase.

Você recentemente ganhou uma sessão especial na Mostra CineBH com a exibição de alguns de seus trabalhos. Ao mesmo tempo, participava da Mostra de São Paulo com Berlin Alexanderplatz. Estes eventos ganharam uma abrangência ainda maior este ano por conta do formato on-line. Como foi a repercussão disso tudo para você? E qual a sua relação com o Brasil, visto que já participou de algumas produções nacionais como Corpo Elétrico e Joaquim?

As repercussões a esse respeito têm sido bastante generosas. Tenho conseguido alcançar um público mais amplo e verdadeiramente interessado nos conteúdos e temáticas abordadas na minha filmografia. E isso não tem preço! É um tipo de dinâmica que, para um artista independente, ainda não representado por nenhum produtor ou galeria de arte, é praticamente incansável em tão pouco tempo. É claro que o mediatismo associado ao meu trabalho como ator internacionalizado ajuda a alcançar uma maior amplitude de público, mas isso é um trabalho muito árduo. No entanto, sinto que com o formato on-line e pelas pessoas estarem mais sequiosas de consumir conteúdos com substância e profundidade, que isso ajudou-me a encontrar um nicho de pessoas ou de entusiastas que entendem e discutem mais os filmes que tenho produzido até aqui. Aparentemente sentimo-nos todos “periferizados” e as linguagens do meu “cinema de autorrepresentação” conseguem agora tocar mais as pessoas, porque há uma diluição de contextualizações sociopolíticas que acabam por de alguma maneira igualar-nos no sentido humano do termo. No entanto, a minha relação com o Brasil e o seu cinema ainda tem muito para dar. Isto é, aguardo a estreia do filme A Travessia de Pedro, de Laís Bodanzky, e A Matéria Noturna, de Bernard Lessa. Tomara que em 2021 possamos estar numa grandiosa estreia com um desses filmes!

Fotos: Divulgação.

28º Festival Mix Brasil anuncia filmes internacionais e atrações especiais

por: Cinevitor

mixbrasildragkidsQueen Lactatia no documentário Drag Kids, de Megan Wennberg.

O 28° Festival Mix Brasil, maior evento cultural dedicado à diversidade da América Latina e um dos maiores do mundo, acontecerá entre os dias 11 e 22 de novembro em formato on-line e gratuito. Algumas sessões presenciais acontecerão no CineSesc, assim como espetáculos teatrais no Centro Cultural da Diversidade e exposição em diversos centros culturais de São Paulo, com um número limitado de espectadores e respeitando os protocolos de segurança por conta da pandemia de Covid-19.

Com direção de André Fischer e direção executiva de Josi Geller, a programação do Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade traz 101 filmes, de 24 países, espetáculos de teatro, música, seminário de literatura, laboratório audiovisual, mesas sobre temas relevantes para comunidade LGBTQIA+, artes visuais e o já tradicional Show do Gongo. Tudo estará disponível na plataforma do Mix Brasil (clique aqui). Este ano, a homenageada com o prêmio Ícone Mix será a drag queen Marcia Pantera, criadora do movimento bate-cabelo e destaque em diversos filmes do cinema nacional, como Corpo Elétrico.

“Iremos sentir falta do calor humano e dos encontros antes das sessões, mas o lado bom é a democratização do conteúdo do festival, pois esse ano estaremos em todo Brasil”, observa Josi Geller. Para Fischer, a edição deste ano busca trazer uma mensagem de força e sorte como estímulo, para lembrar que tudo que está acontecendo vai passar e que sairemos mais fortes: “Encontramos essa potência na imagem da figa, símbolo-gesto europeu apropriado pelas religiões brasileiras de matriz africana. A comunicação visual desse ano surge a partir de trabalho original de Felippe Moraes, que o reproduziu especialmente para o festival nas mãos de diversas pessoas”; o resultado é uma exposição de fotografias em grandiosos lambe-lambes, que estará em diversos centros culturais de São Paulo.

mixbrasilverao85Benjamin Voisin e Félix Lefebvre em Verão de 85, de François Ozon.

O festival abrirá no dia 11/11, quarta-feira, às 20h, com uma cerimônia totalmente on-line, que contará com um pocket show da cantora Linn da Quebrada seguido da exibição do premiado filme argentino As Mil e Uma (Las Mil y Una), de Clarisa Navas, inédito no Brasil e selecionado para a mostra Panorama do Festival de Berlim. O longa faz um retrato contemporâneo da periferia da cidade argentina de Corrientes, onde Iris conhece Renata, uma mulher jovem com um passado difícil, e imediatamente se sente atraída por ela. Iris e seus amigos superam medos e lutam contra a intolerância ao seu redor para viverem seus primeiros amores e experiências sexuais. O filme ficará disponível na plataforma do festival a partir do término do show.

Uma seleção de grandes filmes que passaram pelos principais festivais de cinema do mundo marca o Panorama Internacional, seção organizada por João Federici, diretor de programação do Mix Brasil. Inéditos no Brasil, os destaques são: o drama Verão de 85 (Été 85), de François Ozon, que disputou a Concha de Ouro no Festival de San Sebastián; The World to Come, de Mona Fastvold, vencedor do Queer Lion no Festival de Veneza deste ano e exibido em San Sebastián, protagonizado por Katherine Waterston e Vanessa Kirby; I Carry You with Me, de Heidi Ewing, que levou o Prêmio do Público no Festival de Sundance; a comédia dramática Saint-Narcisse, de Bruce La Bruce, que recebeu o Graffetta d’Oro no Festival de Veneza; Lingua Franca, de Isabel Sandoval, grande vencedor do Queer Lisboa 2020; o drama Suk Suk, de Ray Yeung, exibido no Festival de Berlim e premiado no Hong Kong Film Awards.

mixbrasiltheworldtocomeKatherine Waterston e Vanessa Kirby em The World to Come, de Mona Fastvold.

A lista segue com: Shiva Baby, comédia dirigida por Emma Seligman, exibida no Festival de Toronto e premiada no L.A. Outfest na categoria de melhor roteiro; o documentário Pequena Garota (Petite fille), de Sébastien Lifshitz, premiado no Festival de Chicago e exibido em Berlim; a comédia australiana Ellie & Abbie (& Ellie’s Dead Aunt), de Monica Zanetti; o drama argentino Emilia, de César Sodero, destaque do Festival de Roterdã; Cured, de Patrick Sammon e Bennett Singer, eleito pelo público como o melhor documentário do Frameline Film Festival; o chileno A Morte Virá e Levará Seus Olhos (Vendrá la Muerte y Tendrá Tus Ojos), de José Luis Torres Leiva, premiado no Mar del Plata Film Festival e exibido em San Sebastián e no IndieLisboa; e o documentário A Cidade Era Nossa (De stad was van ons), de Netty van Hoorn, documentário sobre o movimento lésbico holandês nos anos 1970.

E mais: o romance chileno Caminhos Esquecidos (La Nave del Olvido), de Nicol Ruiz Benavides; 7 minutes, de Ricky Mastro; o documentário Sempre Amber (Always Amber), de Hannah Reinikainen Bergenman e Lia Hietala, exibido em Berlim; Cigarra (Cicada), de Matthew Fifer e Kieran Mulcare, premiado no NewFest: New York’s LGBT Film Festival; o documentário Drag Kids, de Megan Wennberg, exibido no Hot Docs; e o chileno Los Fuertes, de Omar Zúñiga Hidalgo, exibido no Festival de Gramado deste ano e premiado no L.A. Outfest.

mixbrasilosfortesSamuel González e Antonio Altamirano em Los Fuertes, de Omar Zúñiga Hidalgo.

A Mostra Competitiva de filmes brasileiros, divulgada anteriormente, reúne nove títulos em uma seleção fortemente marcada pelas investigações das afetividades e identidades da população LGBTQIA+. Entre os concorrentes ao Coelho de Ouro, a maioria fará sua première nacional no festival. Além disso, quatro documentários relatam as vivências de diferentes populações ignoradas ou marginalizadas do nosso país no panorama Vozes do Brasil Real. Clique aqui e relembre os selecionados.

Já os curtas metragens contam com uma Mostra Competitiva com 13 filmes, de 7 estados, além de outros 48 trabalhos nacionais e 20 estrangeiros. Os 13 programas temáticos de curtas trarão temas como Corpos Cênicos, Golden Girls & Boys, Identidade e Política, Inconciliáveis, Mix Jovem, Mulheres Alfa, Nós Duas, Sagrades, Sexy Boyz 2020, SP Mix, Tensão em Família e Crescendo com a Diversidade, destinado ao público de todas as idades. Clique aqui e confira a seleção.

O júri da Mostra Competitiva Brasil de longas será formado por: Gil Baroni, diretor de Alice Júnior, grande vencedor do Mix do ano passado; a cineasta Livia Perez; e a apresentadora da TV Cultura, Adriana Couto. A Mostra Competitiva Brasil de curtas terá no júri: a atriz Bruna Linzmeyer; o artista e realizador Asaph Luccas; e a cineasta Carol Markowicz.

mixbrasilcigarraSheldon D. Brown e Matthew Fifer em Cigarra.

O Mix Talks, com produção de Gustavo Koch e mediação de Ali Prando, que também são co-curadores do evento, promove a sexta edição da conferência que ganha nova roupagem com o objetivo de aproximar o público de discussões muitas vezes restritas a ambientes acadêmicos. A lista reúne convidados como as cantoras Jup do Bairro e Marina Lima, a intelectual Joanna Burigo, o ativista Victor Di Marco, personalidades como Erika Palomino, atual diretora do CCSP, Centro Cultural São Paulo, e Daniel Nolasco, diretor do longa-metragem Vento Seco. Ao todo, 18 convidados vão se revezar nas conversas. Entre os temas, questões como decolonialidade na arte, a cultura ballroom e até mesmo a cantora Madonna, que inspira um painel sobre envelhecimento e mídia. Se Toque: O Corpo Feminino Além da Erotização, mesa de feminismo que tem a curadoria e produção de Vanessa Siqueira e mediação da Bárbara Falcão, com Gabriela Garcia, Gaia Qav e Márcia Zuliane, completa a programação.

No momento em que o distanciamento social é necessário, o Show do Gongo será transmitido on-line e ao vivo no dia 16 de novembro direto do Centro Cultural da Diversidade para todo o Brasil. A dinâmica continua a mesma: desapegados realizadores apresentam seus vídeos para o julgamento do público do Mix Brasil, cabendo à fabulosa Marisa Orth gongar ou não.

O Mix Music apresenta, nesta edição on-line, shows viscerais, ao vivo, com artistas importantes da cena LGBTQIA+, como: Linn da Quebrada, Bia Ferreira, Jaloo e Martte. Já o Mix Literário, que conta com curadoria de Alexandre Rabello, chega a sua terceira edição trazendo mesas com a participação de nomes fundamentais do mercado editorial nacional, autores e editores que discutem o lugar da comunidade LGBTQIA+ na produção literária. Entre os destaques estão: Luiz Fernando Prado Uchôa e Jordhan Lessa; Beatriz RGB; Itamar Vieira Junior e Marco Severo; Francisco Mallmann, Mike Sullivan, Natalia Borges Polesso e Maya Falks. O evento também lança, em parceria com a editora Reformatório, o Prêmio Caio Fernando Abreu de Literatura, destinado à publicação em livro inédito focado na diversidade, além de premiar com o troféu Coelho de Prata uma obra publicada em livro físico entre outubro de 2019 e setembro de 2020, cuja narrativa se relacione a vivências e questões específicas da comunidade LGBTQIA+.

mixbrasilbrucelabruceFélix-Antoine Duval em Saint-Narcisse, de Bruce La Bruce.

A parte teatral do Mix traz a primeira edição do Prêmio Dramática. Seis textos inéditos, selecionados a partir de um edital, concorrerão ao Coelho de Ouro (Prêmio do Júri) e Coelho de Prata (Prêmio do Público). As apresentações, que seguirão todos os protocolos sanitários, serão ao vivo com presença de público limitado no Centro Cultural da Diversidade e transmitidas para todo o país. Os concorrentes são: Wonder! Vem pra Barra Pesada!, de Rafael Carvalho e Wallie Ruy; Meta-Me – Um Dossiê de Ode ao Júbilo, solo de Bruno Canabarro; MINI-BIUs, BILs, BIOs, com Andreya Sá e Carlos Jordão e direção de Marina Mathey; O Armário Normando, com direção e performance de Janaina Leite e André Medeiros Martins, do Grupo XIX; Rainha, de Guilherme Gonzalez e atuação de Sérgio Rufino; e Vírus Manifesto – Onde Estão os Meus Chinelos?!…, de Davi Parizotti e direção de Thiago Sak.

A 5ª edição do MixLab Spcine, encontro que visa o intercâmbio de experiências e relações profissionais na área cinematográfica, será totalmente on-line e abre com uma masterclass do cineasta Esmir Filho. O evento conta ainda com mesas como Criação e produção de audiovisual LGBTQIA+ independente em tempos de pandemia e Produção de conteúdo LGBTQIA+ na cidade de São Paulo. A parceria com a Spcine também é representada por uma vitrine exclusiva de destaques do festival, que será exibida dentro da plataforma Spcine Play durante 90 dias a partir do início do evento.

Uma série de fotografias em grandiosos lambe-lambes, desenvolvidas pelo artista Felippe Moraes, com o gesto da Figa, identidade visual da 28ª edição do Mix, que pela primeira vez não tem uma palavra como tema, estará em exposição espalhada por diversos centros culturais de São Paulo como CCN (Centro de Culturas Negras – Mãe Sylvia de Oxalá), CCJ (Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso) e CCD (Centro Cultural da Diversidade) e Vila Itororó. A exposição gratuita, que abre dia 14 de novembro e vai até 23 de dezembro, das 11h às 15h, traz este símbolo europeu que se fundiu aos cultos de terreiro, disseminando-se popularmente como amuleto de proteção contra forças destrutivas.

mixbrasilalwaysamberCena do documentário Always Amber, de Hannah Reinikainen Bergeman e Lia Hietala.

Toda a programação on-line do Mix Brasil 2020 poderá ser acessada gratuitamente pelo site do evento. Os filmes poderão ser assistidos pelas plataformas digitais InnSaei, Sesc Digital e Spcine Play. O acesso a alguns filmes será limitado e alguns longas serão exibidos apenas em sessões presenciais, como: Verão de 85, The World to Come e I Carry You with Me.

O Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade é organizado anualmente desde 1993 pela Associação Cultural Mix Brasil que tem como missão a promoção do respeito e livre expressão da diversidade sexual. O objetivo do Mix Brasil é apresentar novas possibilidades para a comunidade LGBTQIA+ livres de preconceitos, promovendo a tolerância, compreensão, cidadania e o combate a toda forma de discriminação.

Fotos: Divulgação.

Nadia, Borboleta

por: Cinevitor

nadiaborboletaposter1Nadia, Butterfly

Direção: Pascal Plante

Elenco: Katerine Savard, Ariane Mainville, Pierre-Yves Cardinal, Hilary Caldwell, Cailin McMurray, John Ralston, Amélie Marcil, Eli Jean Tahchi, Andrew Di Prata, Marie-José Turcotte, Andrew Simms, Kaoru Matsui, Pascal-Hugo Caron-Cantin, Rodney Ramsey, Albert Kwan, Leslie Baker, Simon Boisvert, Daniel Malenfant, Ainsley McMurray, Spencer Bougie, Marcello di Fruscia, Giorgio Picone, Delphine Vandal, Magalie Poudrier, Janelle Guay-Boisvert, Alexia Zevnik, Sarah-Lee Hevey, Adelle Yamashita Ball, Florence Lafontaine-Giguère, Zoé Quiviger, Laurianne Gingras-St-Aubin, Gary S. Mailloux, Jean-René Paulin, Carl Boulianne, Haruka Yoshida, Aida Harumitsu, Médrick Lacharité Côté, Vanessa Perez, David Houle, Zachary Courschene, Naboru Takenaka, Claire Caron, Yannick Lupien, Béatrice Côté-Leduc.

Ano: 2020

Sinopse: Ainda jovem e em seu auge, Nadia decide se aposentar da natação profissional após os Jogos Olímpicos. Ela quer escapar de uma vida rígida e de sacrifícios. Depois de sua última prova, Nadia mergulha em noites de excesso pontuadas por episódios de insegurança. Mas mesmo esse entorpecimento transicional não pode esconder sua verdadeira busca interior: definir sua identidade fora do mundo dos esportes de elite.

Crítica: Se não fosse a pandemia de Covid-19, Nadia, Borboleta, dirigido pelo canadense Pascal Plante, teria sido exibido no Festival de Cannes, em maio deste ano. Com o cancelamento do evento, o filme, que foi rodado em 2019, também chamou atenção por um fato curioso: a história se passa durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, marcado para julho de 2020, mas que também foi adiado. Coincidências à parte, Pascal se inspirou em suas próprias experiências como nadador para escrever a história de Nadia, aqui interpretada por Katerine Savard, também nadadora e medalhista olímpica em 2016, nas Olimpíadas do Rio; o elenco conta com outras atletas profissionais, como Ariane Mainville e Hilary Caldwell. Na ficção, logo no começo da projeção conhecemos a protagonista, já decidida em se aposentar no auge da carreira. Entre momentos de tensão nas cenas aquáticas de competição, o longa mantém o foco em sua trama principal: a angústia da personagem é visivelmente perceptível e o choro contido traz uma sensação de alívio, mas também de vazio. Aos poucos, Nadia imprime sua personalidade na narrativa: seja em uma conversa, rodeada de atletas, causando um certo desconforto ao afirmar o egoísmo e a individualidade deles; ou em uma festa para comemorar certa vitória. É interessante a construção do arco dramático de Nadia, Borboleta, que se sustenta nas consequências das escolhas da protagonista. Ao mesmo tempo em que ela parece ansiosa para encerrar sua carreira nas piscinas, nota-se também um certo resguardo em externalizar o que lhe incomoda. Talvez aqui uma atriz experiente conseguisse alcançar um tom mais dramático para tais ações, que elevaria, sem dúvida, cenas mais densas. Mas, ainda assim, Katerine Savard não deixa a desejar: seu olhar vagaroso e sua feição dispersa contribuem para a construção da personagem. Vale destacar o momento em que desabafa, aos gritos, sobre a busca por independência e, pela primeira vez, ter controle da sua vida e de suas escolhas. Mesmo com destaque para a verossimilhança ao retratar os bastidores olímpico, o longa fica devendo um ritmo mais potente para tantas emoções sugeridas; até mesmo na escolha dos enquadramentos mais clássicos para aproximar o espectador. Nadia, Borboleta mergulha com cautela na busca interior de sua protagonista, perdendo a chance de se arriscar mais, porém consegue despertar interesse no desfecho de tais aflições da personagem-título. (Vitor Búrigo)

*Filme visto na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

CINEVITOR #376: Entrevista com Andrea Beltrão e Esmir Filho | Verlust | 44ª Mostra de São Paulo

por: Cinevitor

verlustcinevitor1Fama e poder: Ismael Caneppele, Marina Lima e Andrea Beltrão em cena.

Dirigido por Esmir Filho e protagonizado por Andrea Beltrão, Verlust é um dos destaques da Mostra Brasil da 44ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e segue disponível na plataforma Mostra Play até quarta-feira, 04/11.

Um drama sobre indivíduos que vivem em uma atmosfera sufocante, a história acompanha a poderosa empresária musical Frederica, que, isolada na praia ao lado do marido fotógrafo e a filha adolescente, concentra-se nos preparativos de uma esperada festa de réveillon, e ainda tem que administrar a vida e carreira do ícone pop Lenny, que está produzindo uma obra misteriosa ao lado do escritor João Wommer. Quando um ser das profundezas do mar surge em sua praia, a crise se instaura e Frederica terá que enfrentar seu maior medo: a perda.

O filme se passa durante o ano novo, símbolo do despertar. A localização é uma praia isolada, paraíso impenetrável que proporciona a ilusão de segurança para os personagens. Verlust é um diálogo entre cinema e literatura. Enquanto o filme narra o ponto de vista dos personagens que se projetam na criatura do mar encalhada, o livro homônimo de Ismael Caneppele narra em primeira pessoa o ponto de vista da criatura do mar, que deseja se desprender do seu coletivo e procurar sozinha o ambiente respirável de onde partiu há séculos.

A cantora e compositora Marina Lima se uniu ao projeto para interpretar Lenny. Com uma extensa carreira e ícone de uma geração, Marina superou traumas e foi capaz de se reinventar. Ela personifica Lenny e seu constante movimento de busca. Para dialogar com ela, uma outra artista talentosa integra o elenco. Grande força dos palcos brasileiros e presença marcantes em obras audiovisuais nacionais, Andrea Beltrão traz para Frederica toda sensibilidade e poder que a personagem exala.

Completam o elenco, Ismael Caneppele, que interpreta outro personagem emprestado da vida real, o escritor João. Ismael, que colaborou com o roteiro, dá vida a um personagem que passa por uma crise na trama e descobre sua voz na voz da criatura. Junto a eles, somam-se o lendário ator chileno Alfredo Castro, de Vermelho Sol e O Clube, como o marido fotógrafo de Frederica e Fernanda Pavanelli, contrabaixista clássica, que dá vida à Tuane, filha de Frederica, e foi encontrada através de uma pesquisa de elenco pelas orquestras jovens de São Paulo.

Verlust, que chega aos cinemas no dia 5 de novembro e logo depois nas plataformas digitais, foi escrito e produzido ao longo de dez anos. Na equipe, Inti Briones assina a direção de fotografia; a direção de arte é de Mariana Urizza; Dudu Bertholini e Cintia Kiste assinam o figurino; e a maquiagem é de Britney Federline.

Para falar mais sobre o longa, batemos um papo virtual com o diretor Esmir Filho e com a protagonista Andrea Beltrão. Entre tantos assuntos, falaram sobre os bastidores de filmagens, entrosamento do elenco, a presença de Marina Lima na produção, construção das personagens, a relação do filme com a pandemia e expectativa para o lançamento.

Aperte o play e confira:

Foto: Tuane Eggers.

Entrevista: cineasta Dainara Toffoli fala sobre Mar de Dentro, exibido na 44ª Mostra de São Paulo

por: Cinevitor

monicaiozzimardedentroEm vez de romantizada, a maternidade humanizada.

Dirigido por Dainara Toffoli e protagonizado por Monica Iozzi, Mar de Dentro é um dos destaques da Mostra Brasil da 44ª edição da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e segue disponível na plataforma Mostra Play até quarta-feira, 04/11.

O longa, que está entre os finalistas ao Troféu Bandeira Paulista, sendo um dos mais votados pelo público, reflete, por meio da história particular da protagonista, as dúvidas e inquietações que rondam muitas mulheres ao redor do mundo a respeito da maternidade.

O filme fez sua première mundial em junho no festival Cine Las Americas. A estreia nacional aconteceu na Mostra de São Paulo pela plataforma do evento e também será exibido em uma sessão especial no Belas Artes Drive-in no dia 03/11, terça-feira.

A trama acompanha a trajetória de Manuela, uma profissional liberal, que vive em uma grande cidade, tem uma carreira estabelecida e uma vida amorosa livre. Mas, quando engravida de um colega de trabalho, encara uma mudança de vida cujo impacto não é capaz de controlar. As transformações em seu dia a dia vão desde as perdas em relação ao cargo que ocupa no trabalho, as questões emocionais, as transfigurações e oscilações em seu corpo e até mesmo uma inesperada solidão. Enquanto lida com tantos desafios, ela se defronta com uma fatalidade que afeta ainda mais seu destino. Entre tantas transformações, Manuela, afinal, quer aprender a ser e a se descobrir mãe, mesmo sem, a priori, gostar da maternidade.

Assim, o filme propõe que o espectador mergulhe e tenha uma vivência na experiência única daquela mulher. Uma mulher que, sufocada pela rotina extenuante do bebê, acha que tem que cuidar de tudo sozinha. E quando precisa voltar a trabalhar, terceiriza os cuidados de Joaquim para outras mulheres, que também terceirizam os cuidados dos seus, nessa rede de mulheres que cumprem tripla jornada para manter o emprego e vencer os boletos do final do mês.

mardedentromostrasp2Monica Iozzi em cena.

Escrito e dirigido por Dainara Toffoli, Mar de Dentro marca a estreia da cineasta na direção de longas de ficção e traz Monica Iozzi no papel de Manuela. “Mar de Dentro é como se a gente tivesse uma janela de um ano, mais ou menos, na vida de uma mulher. É um convite à contemplação do processo de transformação na vida dessa mulher. É um filme de nuances, com muitos silêncios”, comentou Monica.

Graduada em jornalismo, Dainara tem longa carreira na direção, transitando entre as áreas de documentário, ficção e publicidade. Para levar adiante uma história tão autoral quanto universal, era preciso uma equipe de produção que entendesse as especificidades de um projeto como Mar de Dentro. Quem assina a produção do longa é Eliane Ferreira, à frente da Muiraquitã Filmes: “Este é um filme de mulheres. Há dez anos ninguém falava sobre isso. Tateamos um lugar que depois se tornou mais que um assunto, virou uma luta. Foi um processo duro, mas recompensador”, disse Eliane.

Além de Monica Iozzi, o elenco conta também com Rafael Losso, Gilda Nomacce, Fabiana Gugli, Zé Carlos Machado e Magali Biff. Glauco Firpo assina a direção de fotografia; a direção de arte é de Fernando Timba; Diana Galantini assina a produção de elenco; e Aline Canela o figurino.

Com estreia prevista para 2021, o longa se insere em um contexto global que traz cada vez mais olhares e temas diversos ao cinema. Em tempos em que se discute a questão da paridade de gêneros tanto na frente quanto atrás das câmeras, um projeto que trata da maternidade com contundência ganha destaque em um mercado cada vez mais plural, em que narrativas levam em conta que metade do público é formado por mulheres.

Para falar mais sobre Mar de Dentro, entrevistamos a diretora Dainara Toffoli por e-mail. Confira:

Mar de Dentro fala de uma realidade tão comum na vida das mulheres, mas pouco retratada nas telonas. Como surgiu a ideia desse roteiro?

Foi justamente este meu ponto de partida. Quando eu tive filho percebi o quão pouco eu sabia sobre a maternidade e comecei a refletir sobre isso. Não é à toa que, com as redes sociais, surgiram tantos grupos e redes de mães para trocar dicas práticas e, também, ter uma rede de apoio emocional. Na nossa cultura, criar filhos é responsabilidade da mulher, sozinha, com ou sem marido. A licença paternidade de 5 dias já estabelece esta dinâmica. Isso é muito cruel. É cruel com os homens que querem estar mais presentes, mas é muito mais cruel com as mulheres. Acho que há um tabu de expor o mundo privado e que é, por outro lado, uma forma de esconder este momento de empoderamento do feminino.

diretoramardedentroA diretora Dainara Toffoli: estreia em longa-metragem de ficção.

É interessante a maneira como a vida da protagonista é colocada em cena, sem romantizar tudo: seus afazeres profissionais, pessoais, o romance, a angústia de seguir em frente com a maternidade e as consequências (tanto positivas como negativas) de encarar essa realidade. Mostrar a vida como ela realmente é sempre foi uma opção?

Intuitivamente, sim, pois parti de minha experiência física e psicológica com a maternidade. Gosto de fazer documentário, de observar as pessoas sem julgar a lógica do mundo delas e, também, gosto de filmes onde percebemos menos as encenações e artifícios do cinema. Mas ainda nas últimas versões de roteiro e na filmagem, eu tinha cenas para fazer avançar o plot. Eu tinha, o que a gente chama, da trilha da aventura por onde a personagem passava enquanto vivia a questão mais importante do filme que é a maternidade. Quando cheguei na montagem, o Willem Dias, montador e eu, começamos a cortar algumas dessas cenas e, percebemos que o filme ficava mais forte. Fizemos algumas cabines com amigos e isso se comprovava. Então fomos lapidando mais. Acho que isso só foi possível pelo incrível trabalho da Monica Iozzi e do time de atores excelentes que toparam fazer o filme. Diria que este filme é assim porque ela me trouxe esta presença muito natural em cena.

Você acredita que existe um certo tabu (e também preconceito) em falar de maternidade? Falar das dores, das alegrias, da solidão, das angústias e das tantas emoções que esse momento causa na mulher?

Totalmente, chega a ser conspiratório (risos). Há uma pesquisa da FGV de que cerca de 50% das mães são demitidas, sem justa causa, depois que voltam a trabalhar. Apenas no primeiro semestre deste ano, 6.31% das crianças foram registradas sem o nome do pai em um país onde o aborto não é legalizado e que tem altíssima taxa de feminicídio. Crimes cometidos majoritariamente por maridos, ex-maridos, namorados, etc. São muitas violências normalizadas em um mundo onde as instituições e as leis são feitas por homens.

mardedentromostrasp1Casal em cena: Monica Iozzi e Rafael Losso.

Como você chegou no nome da Monica Iozzi para a protagonista? E como foi a preparação e o entrosamento no set?

Eu tinha uma outra atriz para o projeto que foi uma grande parceira e eu teria tido um enorme prazer de trabalhar com ela, mas quando conseguimos finalizar a captação e marcar a filmagem, ela não teria agenda por quase um ano. Comecei a pensar em outros nome quando fui assistir ao filme de um amigo e vi a Monica. A interpretação dela me encantou porque ela vestia a personagem de um jeito muito natural e era isso que eu buscava.

Participar da Mostra de São Paulo é uma grande vitrine para qualquer produção, ainda mais esse ano com uma edição on-line e com abrangência maior. Como tem sido a recepção do público, mesmo que virtual?

Tem sido uma experiência diferente e a falta dos encontros presenciais e do calor humano foi compensada por um alcance muito maior do filme. Esta foi a primeira vez que Mar de Dentro foi exibido no Brasil e eu estava apreensiva. Não sabia se as pessoas iam se identificar e foi muito gratificante receber tantas mensagens e tantos depoimentos sobre como o filme às impactou, que nunca tinham assistido nada tão próximo à experiência real que tinham tido… enfim, ufa. Penso que chegamos no lugar que intuitivamente queríamos.

Entrevista e edição: Vitor Búrigo
Fotos: Divulgação.

O Nome Encravado em Seu Coração

por: Cinevitor

nomeencravadoposter1The Name Engraved in Your Heart

Direção: Kuang-Hui Liu

Elenco: Edward Chen, Jing-Hua Tseng, Leon Dai, Shih-Sian Wang, Fabio Grangeon, Barry Qu, Chieh-Yu Yang, Lance Chiu, Mimi Shao, Erek Lin, Lotus Wang, Ljang Huang, Chris Wu, Lenny Li, Hao-Chi Chu, Chih-Ju Lin, Ta Su, Sheng-De Hong, Akira Chen, Yuri Chen, Shao-Hua Lung, Tzu-Yen Chin, Arthur Chu, Nien-Hsien Ma, Hao-Ming Chang, Mountain Kao, Waa Wei, Jean François Blanchard.

Ano: 2020

Sinopse: Baseado em uma história real, o filme se passa em 1988, quando a lei marcial chega ao fim em Taiwan. A-han e Birdy se conhecem ao participar da banda da escola, liderada pelo padre canadense Oliver. A atração entre os dois meninos é imediata, mas eles temem pelos julgamentos da sociedade homofóbica na qual vivem. Para evitar conflitos, Birdy finge se apaixonar por uma menina; enquanto A-han decide se confessar ao padre Oliver, que o reprime. O longa mostra a luta pelo amor verdadeiro e as mudanças emblemáticas em Taiwan, o primeiro país asiático a legalizar o casamento gay.

Crítica: Durante 38 anos, Taiwan viveu o período de lei marcial, conhecido como Terror Branco, quando uma autoridade militar toma conta do poder administrativo do Estado; ou seja, o cidadão perde o seu direito de liberdade e aqueles que demonstrem uma certa oposição ao governo são punidos. O drama O Nome Encravado em Seu Coração, baseado em uma história real, se passa quando a lei chega ao fim no país. Na trama, dois meninos se conhecem na escola e logo se sentem atraídos um pelo outro. Porém, por conta do preconceito que ronda a sociedade, evitam demonstrar tal afeto (e até mesmo se entregar em um possível relacionamento). Ao desenrolar dos acontecimentos, uma enxurrada de clichês toma conta da narrativa: enquanto um deles se prepara para dar um passo a mais na relação, o outro tenta se enganar ao namorar uma menina; enquanto um espera por demonstração de carinho e, no desespero de ter alguém pra contar, desabafa para um padre (e também o confronta), o outro age de maneira ríspida. Há também aquele momento em que um deles é rejeitado depois de um momento íntimo ou, então, que sai em busca de uma outra distração para descontar o ódio. Em certos momentos, O Nome Encravado em Seu Coração mais parece uma briga entre gato e rato do que uma história de amor. Não que isso não aconteça na vida real, como ter dúvidas sobre seus desejos e sentir medo do preconceito ou até mesmo querer culpar o outro por suas atitudes consideradas inadequadas por uma sociedade machista e homofóbica. Fato é que essa fórmula de retratar relações homoafetivas no cinema já está ultrapassada. Há outras maneiras de falar sobre isso sem cair em clichês antiquados, mesmo baseando-se em uma história real. Ainda que construa uma atmosfera melodramática, o cineasta Kuang-Hui Liu consegue transformar o roteiro escrito por Yu Ning Chu em um filme interessante por evidenciar um tema que merece debate frequentemente, principalmente em um contexto que mostra um país que acaba de reconquistar sua liberdade. O Nome Encravado em Seu Coração tem momentos elogiáveis, como a cena do chuveiro no banheiro da escola, e boas atuações de seus protagonistas, além de explorar questões importantes como homofobia, bullying e religião. Fala também de encontros e desencontros, amor mal resolvido e hipocrisia; mas, derrapa ao abusar de clichês desnecessários. (Vitor Búrigo)

*Filme visto na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Nota do CINEVITOR:

nota-3-estrelas

Não Há Mal Algum

por: Cinevitor

naohamalalgumposter1Sheytan vojud nadarad
There Is No Evil

Direção: Mohammad Rasoulof

Elenco: Ehsan Mirhosseini, Shaghayegh Shoorian, Kaveh Ahangar, Alireza Zareparast, Salar Khamseh, Kaveh Ebrahim, Reza Bahrami, Darya Moghbeli, Mohammad Valizadegan, Mahtab Servati, Anahita Eghbalnejad, Hassan Tasiri, Mohammad Seddighimehr, Jila Shahi, Baran Rasoulof, Saliicii, Pouya Mehri, Gholamhosein Taseiri, Parvin Maleki.

Ano: 2020

Sinopse: Todo país que aplica a pena de morte precisa de pessoas para serem os executores. No Irã, quatro homens são colocados diante de uma escolha impensável, mas, ao mesmo tempo, simples. Não importa a decisão que eles tomem, ela irá transformar de maneira corrosiva, direta ou indiretamente, eles mesmos, seus relacionamentos e a vida de cada um. As quatro histórias são variações de temas cruciais ao redor de questões morais e da pena de morte, e que questionam até que ponto a liberdade individual pode ser expressa sob um regime tirânico e suas ameaças aparentemente incontornáveis.

*Filme visto na 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

Nota do CINEVITOR:

nota-3,5-estrelas

Conheça os curtas-metragens paraibanos selecionados para o 15º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro

por: Cinevitor

remoinhoaruanda2020Cely Farias no curta Remoinho, de Tiago A. Neves.

Depois de revelar os curtas-metragens nacionais em competição e o filme de abertura, a 15ª edição do Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, que acontecerá entre os dias 10 e 17 de dezembro, em João Pessoa, divulgou a lista com os dez curtas paraibanos que estarão na mostra competitiva Sob o Céu Nordestino.

Além disso, a organização também revelou o primeiro longa-metragem selecionado para a mostra competitiva nacional: o documentário Todas as Melodias, dirigido por Marco Abujamra, sobre o cantor e compositor Luiz Melodia. “É um orgulho muito grande voltar à Paraíba e agora para apresentar esse filme sobre Luiz Melodia, nosso cantor, compositor, dançarino e outras coisas mais”, disse o diretor em um vídeo postado nas redes sociais.

Em comunicado oficial, Amilton Pinheiro, curador do festival, disse: “A seleção reflete novas possibilidades cinematográficas. Do sertão que nunca vira mar, passando pela cidade multifacetada com sua busca de existência de gêneros e geográfica, seja no presente ou em um futuro distópico, até a faceta incomum da animação como expressão, os curtas-metragens entrelaçam organicamente propostas inventivas de linguagem e de elementos narrativos como possibilidades cinematográficas”.

E mais: o documentário Me Chama Que Eu Vou, de Joana Mariani, sobre o cantor Sidney Magal será o filme de encerramento desta edição; Os Quatro Paralamas, de Roberto Berliner e Paschoal Samora, vai abrir o festival este ano.

Conheça os curtas paraibanos selecionados para o Fest Aruanda 2020:

A Pontualidade dos Tubarões, de Raysa Prado
Cura-Me, de Eduardo Varandas Araruna
E agora, Você, de Edson Lemos Akatoy
Makinaria, de Igor Tadeu
Maracastelo Chegou, de Ângela Gaeta
Marília e Arthur, de Astrée Cleyet-Merle
Não Mora Mais em Mim, de Vitor Celso e Bruna Guido
Pranto, de Jaime Guimarães
Reinado Imaginário, de Hipólito Lucena
Remoinho, de Tiago A. Neves

Foto: Divulgação.